quinta-feira, 11 de junho de 2009

Não é Umbanda nem Candomblé

O Catimbó é uma manifestação de Umbanda, no sentido amplo que esta palavra tem, mas, não pode de longe ser confundido com uma religião afro ou com os formatos tradicionais de Umbanda.

No Catimbó não há promessas, votos, unidade do protocolo sagrado. É um consultório tendendo, cada vez mais, para a simplificação ritual. Não há festas votivas, não há corpo de filhos-de-santo para louvor divino dos Orixás nem preparação obediente de laôs.

De instrumentos musicais resta a marca-Mestre, cabacinha na ponta de uma vareta, com que o Mestre divide o compasso das linhas. Contudo os Catimbós absorveram facilmente os atabaques da umbanda trazendo o seu ritmo e musicalidade. Não há cores formais, vestidos , contas (apesar de existirem fios-de-conta de Catimbó, feitos com a cabaça e lágrimas de Nossa Senhora), enfeites especiais nem alimentos privativos, fetiches de representação.

Catimbó não é Macumba nem Candomblé, permanece isolado, diverso, distinto. No Catimbó, os que acostam são catimbozeiros falecidos. Não há um só Mestre que não tenha vivido na Terra. Nas Macumbas e Candomblés passa o sopro alucinante das potestades africanas, deuses nascidos misteriosamente, com poderes espantosos.

No Catimbó não se louvam orixás africanos e raro são trabalhos de chão. As coisas no Catimbó são simples e baratas feitas para serem acessíveis à população que o Catimbó serve. O Catimbó se serve de uma vela, fitas, cascas, folhas, fumo e bebida para realizar os seus trabalhos. Normalmente as coisas são resolvidas na própria roda de Catimbó.

Os caboclos podem ser vistos no Catimbó, mas, não são eles a base ou o objetivo principal. Caboclo é coisa de UMBANDA.l Catimbó trabalha através de Mestres.

Como já citado o fato de entidades típicas de Umbanda aparecerem no Catimbó devido a origem do mediuns e ao fato de existir uma entidade comum chamada de Zé Pilintra faz com que se imagine que Catimbó seja uma forma de Umbanda no Nordeste. Como é explicado neste sítio, não é. Muito se tem pesquisado sobre a origem do Zé Pelintra da Umbanda no Catimbó, uma vez que esta é uma entidade urbana que nada tem com a origem dos mestres.

Tudo no Catimbó se faz com a linha de licença, onde se fala, sisudamente: “Com o poder de Jesus Cristo, vamos trabalhar”. Das centenas canções recolhidas no arquivos catimbozeiro, nenhuma alude a um encantado e infalivelmente a Deus, Santíssima Trindade, Santos, às almas. Só encontrei duas que se dirigiam às estrelas e ao sol. O espírito é religioso, formalístico, disciplinado, respeitoso da hierarquia celestial. Ninguém numa Macumba ou terreiro de Candomblé, admite licença de Jesus Cristo para Xangô, nem santo católico atende ao chamamento insistente dos tambores.

Zé Pelintra na Umbanda
"Seu" Zé Pelintra é uma entidade muito popular na Umbanda Carioca. Praticamente todo centro tem o seu e ele estabelece um culto muito próprio. Zé Pelintra é Exu na Umbanda, sendo representado com terno branco, gravata vermelha, cravo na lapela, chapéu caido na testa, caracterizando a figura do malandro. Sua história de vida indica que foi um homem que bebia muito, não obedecia ninguém, se envolvia com o sub-mundo, jogo e principalmente com prostitutas.

Quando "baixa" na Umbanda vem acompanhado de toda a linha de malandros, entidades oriunidas de pessoas que tiveram este tipo de vida, viviam e morros, jogos, bebidas fortes e drogas. Existem alguns centros que fornecem drogas para as entidades quando incorporadas, é claro, que esta é uma prática deplorável e muito pouco tem haver com os princípios da Umbanda, mas apenas exemplifica o tipo de comportamento desta linha de entidades.

Assim Zé Pelintra é malandro e por isso uma grande parte das pessoas se identifica com esta entidade, sendo que as pessoas, mediuns ou clientes, chegam ao absurdo de considerá-lo "amigo" deles (Exu não é amigo de ninguém). Outro detalhe é que Zé Pelintra, mesmo na Umbanda, não é Exu de frente de ninguém, posição normalmente considerada de importância o que podemos deduzir que sua influência não seja indicada para os médiuns.

Como na Umbanda cada entidade dá o nome que quiser a sí mesma podem existir vários Zé Pelintra ao mesmo tempo em uma seção. Um é o do praça outro é o do morro, outro é da esquina da equerda, outro o da esquina da direita, etc... A Umbanda é muito esquisita e brinca muito com a credulidade das pessoas, por isso que está no buraco que está.

Catimbó e Umbanda
Na medida em que o Catimbó entra na área urbana, território típico da Umbanda, ou mesmo a Umbanda vai para o interior estas duas práticas tem que se encontrar. É neste momento que certamente Zé Pelintra entra para o Catimbó.

Isto certamente ocorre nos centros onde pessoas de Umbanda também trabalham com mestres e provavelmente já eram de Umbanda e absorvem o Catimbó em um movimento muito típico da Umbanda que absorve qualquer coisa. Possivelmente é nesta hora também que as pessoas passam a considerar oo Catimbó um culto afro-brasileiro.

Um comentário:

Deinha disse...
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