quinta-feira, 23 de abril de 2009

Saravá Ogum. Ogunhê: 23/04 - dia de São Jorge

No dia 23 de abril, devotos do mundo inteiro comemoram o dia de São Jorge. Padroeiro de Portugal, da In­glaterra e da Catalunha, São Jorge também é protetor dos soldados, militares, ferramenteiros e ferroviários.



Ogum é um orixá cultuado nas religiões de Umbanda e Candomblé, correspondendo a São Jorge, na Igreja Católica no sincretismo religioso. Seu dia é o 23 de abril. Ogum é o guerreiro, general destemido e estratégico, é aquele que veio para ser o vencedor das grandes batalhas, o desbravador que busca a evolução.

Defensor dos desamparados, segundo a lenda, Ogum andava pelo mundo comprando a causa dos indefesos, sempre muito justo e benevolente. Ele era o ferreiro dos orixás, senhor das armas e dono das estradas. Irreverente, pois é um orixá valente, traz na espada tudo o que busca.
É o protetor dos policiais, ferreiros, escultores, caminhoneiros e todos os guerreiros..

Santo correspondente na Igreja Católica: São Jorge no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande Do Sul. Santo Antonio de Pádua na Bahia.

Cores predominantes de ogum nas guias: Azul marinho no Candomblé Vermelho na Umbanda, sendo que na Umbanda do Rio Grande Do Sul muitos terreiros utilizam o verde, vermelho e branco.
Na Umbanda há diversos falangeiros seus como Ogum Beira-Mar, Ogum Marinho, Ogum Sete Ondas, Ogum Megê, Ogum Timbiri, Ogum Yara, Ogum Dilê, Ogum Matinata, entre outros.

No Candomblé: Ogum (em yorubá: Ògún) é, na mitologia yoruba, o orixá ferreiro, senhor dos metais.
O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura, e para a guerra. Na Africa seu culto é restrito aos homens, e existiam templos em Ondo, Ekiti e Oyo. Era o filho mais velho de Oduduwa, o fundador de Ifé, identificado no jogo do merindilogun pelos odu etaogunda, odi e obeogunda, representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba ogun..

Ogum é considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu), para o Aive (a Terra), após a criação, visando uma futura vida humana. Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra".
Ogum foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos yorubá da África Ocidental. Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa "afundar na terra e não morrer", em um lugar chamado 'Ire-Ekiti'.

É também chamado por Ògún, Ogoun, Gu, Ogou, Ogun e Oggún. Sua primeira aparição na mitologia foi como um caçador chamado Tobe Ode.
Ogum é um orixá importantíssimo na África e no Brasil. Sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas. Ogum é o último imolé.
Os Igba Imolé eram os duzentos deuses da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido mal. A Ogum, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos deuses da esquerda.
Foi Ogum quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um molho de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.
Era um guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, "Rei de Irê". Tem semelhança com o vodum Gu.
No Candomblé Ogum é o Orixá ferreiro dono de todos os caminhos e encruzilhadas junto com seu irmão Exu, também é tido como irmão de Oxossi e uma ligação muito forte com Oxaguian de quem é inseparável, aparece como o Senhor das guerras e demandas, suas cores são Azul Cobalto e o verde e na Umbanda sua cor é overmelho.
Qualidades de Ogum:
Ògúnjà
SoróKè
Wari
Lakàiye
Méjèje
Oròminan
Olode
Onírè
Alágbède
Méjè

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A MARAVILHOSA HISTÓRIA DE SÃO JORGE
De acordo com registros históricos, por volta do final do século III, São Jorge nasceu na Capadócia, onde atualmente fica a Turquia, ainda criança perdeu seu pai que morreu em combate, sua mãe o levou para a Palestina, onde possuía muitos bens, educando-o de acordo com sua condição para a carreira militar. Da formação militar, que percorreu com dedicação e habilidade, qualidades que levaram o imperador Diocleciano a lhe conferir título de tribuno. Além de sua educação militar, recebeu de sua família a formação cristã, desde sua infância aprendeu a temer a Deus e a crer em Jesus como seu salvador pessoal.

Com a idade de vinte e três anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções. Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão.
Defendeu com tanta ousadia a fé em Jesus Cristo como o "Senhor e Salvador dos homens", provocou a ira do imperador que tentou fazê-lo desistir torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado ao imperador, que exigia que São Jorge renegasse sua fé, o que não aconteceu.

Em cada retorno das torturas era uma pregação feita por Jorge que conquistou mais admiração e seguidores dos princípios cristãos. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303.

Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu batalhas contra as forças do mal, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado em um cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.

Todavia, se de São Jorge só possuímos os atos de martírio e mais precisamente de sua paixão, não se pode esquecer que a igreja do Oriente o chama de Grande Mártir e todos os calendários Cristãos o incluem no elenco dos seus Santos. São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de cidades como: Gênova (Itália), de regiões inteiras Espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra.

Seguindo, pela evolução dos tempos, a bandeira de São Jorge chega a nossas terras brasileiras, trazida pelos brancos católicos, que ensinaram aos negros escravos e índios a sua história. O negro escravo, que não possuía a liberdade de cultuar seus orixás, associava as qualidades e virtudes dos santos com as suas crenças e fundamentos, portanto devido à bravura, o espírito de guerreiro, determinado em sua fé São Jorge tornou-se Ogum, e assim ficou firmado o sincretismo.

O tempo passou, e num momento do início do século XX, a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, tornou oficial a Umbanda, religião brasileira, o branco, o negro e o índio, como acontece com nosso povo mestiço. A partir desse momento, a visão umbandista alcançou as fronteiras intelectuais, que estudam constantemente iluminadas pelo plano espiritual.

Fundamentalmente o princípio maior na Umbanda é a prática da caridade material, social e espiritual.

Na Umbanda são consagradas sete linhas que englobam todas as forças cósmicas através da lei das afinidades.

O sétimo raio cósmico de Deus é comandado pelo Arcanjo Camael, que ilumina a Linha de Ogum.

Linha de Ogum é a Força da Lei Maior:
Chefiada por São Jorge que se divide em sete legiões.
São elas:
Ogum Beira Mar (inclusive Ogum Sete Ondas) que faz ronda da beira da praia até o alto mar;
Ogum Rompe Mato participa das energias das matas;
Ogum Megê lida diretamente com a Linha das Almas;
Ogum Naruê trabalha com toda a sabedoria contra todos os trabalhos de magia negra;
Ogum Matinata defende os campos de Oxalá, seu domínio é o espaço sideral;
Ogum Yara é a falange que ronda os rios, lagos e cachoeiras, tem sincretismo com Santa Joana D'Arc;
Ogum Delê ou Dilei - esta falange efetua sua ronda sobre o mundo. É a própria lei que liberta-nos das batalhas de diversas encarnações que interferem em nossa evolução espiritual.

A Umbanda une todos os fundamentos em diversas linguagens, mas é a força que reúne seus filhos diante do altar louvando a beleza da fé, que era a afirmação de São Jorge diante de todos os combates contra o mal da intolerância. O bom combate é carregar a bandeira do amor respeitando todos os irmãos nos seus princípios de fé.
Finalmente, por todas essas razões, Osasco tem no seu calendário turístico o dia 23 de abril, para saudação ao Senhor Ogum. SARAVÁ A TODOS.

* Este texto é de autoria do Sr. José Octavio N. Passos assessorado pela Diretora Espiritual Elizabeth M. N. Passos, da "Fraternidade Socorrista Mãe Yemanjá e Baiano Zeferino". *

AO GLORIOSO OGUM
Autoria: Elizabeth M.N. Passos
Deus, nosso Pai Celestial, nesse momento de grande emoção, agradecemos a bênção que recebemos de tua Luz, através de sua guarda celestial chefiada por São Jorge Guerreiro, nosso glorioso Ogum.
Por todos os cantos do universo, nas estrelas, nos mares, cachoeiras e matas, em todos os caminhos encontramos sua presença e proteção, nos fortalecendo nos momentos de luta, dando esperanças pela evolução da humanidade.
Teu nome será sempre o escudo que nos defende contra a escravidão da ignorância, do egoísmo, do preconceito, pois a sua espada flamejante nos liberta das correntes do mal e da injustiça, nos religando a Deus pela força da fé no Bom Combate.
Eterno defensor da humanidade, da Grande Lei que rege os destinos do mundo, renovamos nossa confiança em ti, e em todos os seus comandados, pois temos a certeza que o Grande Criador, nos mantêm amparados pelo amor de seus bons mensageiros.
Amado São Jorge, Glorioso Ogum, revele em todos os caminhos, o verdadeiro sentido das palavras de Jesus, o amor fraterno, a tolerância à fé que nos transforma em verdadeiros filhos de Deus.
Saravá São Jorge! Saravá Ogum!

Um comentário:

Fernanda Matos disse...

Ogum

Cantavam num tal tempo e canto, um conto,
Que um moço tendo na aldeia chegado
Tentou conversar em vão e ficou tonto
Sem respostas de um povo silenciado.

O tal moço sentiu-se furioso,
Por fantasiar aquela zombaria
Do povo, a quem se mostrou poderoso
E matou todos com sua artilharia.

Tempos depois, chegando noutra aldeia,
Contou o ocorrido para um ancião.
O velho falou ser coisa na veia
Do povo, nuns dias, nada dizer não.

O moço, Ogum, sentindo-se culpado
jurou proteger todo o injustiçado.

Fernanda Barros de Matos
Sociedade do Baobá - (Soneto tipo inglês, 14 versos, três quartetos e um dístico, decassilábicos, ABABCDCDEFEFGG)