terça-feira, 12 de maio de 2009

Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte I)

São caminhos amplos, caminhos que envolvem tradições ancestrais, tradições que surgiram como resultado do trabalho dedicado e do estudo sistemático da realidade, por parte de gerações incontáveis de praticantes.

Existem muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador (a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o impregnaram de seus (pré) conceitos.

Há também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias pessoais.

É fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre querendo provar que "seu" caminho é "superior" e tem nos títulos e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas serviu para ampliar a vaidade.

Muitas pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes resolver o imanente, o aqui e agora.

Existem muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e consciente é fundamental.

O ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.

Entretanto, com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.

Portanto, caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi criado no ritmo da cidade e da industria.

A proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir preceitos prontos.

Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de forças ou seres.

Não há projeção de um "pai/mãe" psicológico aqui, há uma clara proposta de compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.

Nestes caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças, mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que ritualizar é reatualizar o mito em nós.

Uma xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca "implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.

Nestas linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas manifestações.

Somos parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.

O que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.

Assim como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com finalidades que vão além de nossa compreensão racional.

Este é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a) : Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto distinto daquele que originalmente nascemos.

Podemos ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos "tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.

Por isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo ciclo.

O ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.

Energias que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas perfeita para nossa condição.

Somos metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de energias diversas.

Mas quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida "programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.

Este aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.

Gurdjieff diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens "consoladoras".

Assim vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos", "bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do céu" , "pecado" , "culpa" e outros conceitos que são a base das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam as mesmas crenças.

O Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa volta.

Estes caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional, pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.

A palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória, dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso com base no já vivido.

Por isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de consciência conduzem.

Assim o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar teoricamente de algo quer dizer muito pouco.

Esta crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos, vejam que há um "livro sagrado", a "palavra de Deus" e tal. Em caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".

No Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.

Acreditamos que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos de seres.

Muitos ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" , "Anjos" e também "demônios" quando considerados "inimigos" .

Na Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.

Assim procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como nós.

O ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa floresta.

Quando estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".

Da mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que corresponde a seus próprios interesses.

NÃo há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades, mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses .

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de "emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da "Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.

Assim, no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos, justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada que nos é imposta.

Expandir a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a "ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para ousar o novo, o impensado.

Então deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.

É um desafio que vale a pena, entretanto.

Estes três termos são muito usados hoje e existe uma grande similitude entre as pessoas que se aproximam destes caminhos. Vamos meditar juntos sobre este tema hoje. Para isso precisamos começar meditando sobre o ato de falar, sobre o ato de trocar informações por palavras. Xamanismo é uma palavra. Ela indica, alude sobre algo, mas não é esse algo. Água é uma palavra. A palavra água te faz lembrar do elemento em si, mas não podes mitigar tua sede só com a palavra água, só com a lembrança mental da mesma, de imagens da mesma.

Quando falo água, ou aqui, quando escrevo água tua mente vai até um arquivo e libera memórias, experiências já vividas suas com este elemento. Se escrevo água quente limito o leque de opções. Água fria leva a outro tipo de lembranças. Te deu sede toda essa conversa sobre água? Pensa na água.

Imagina a água, imagine que bebes um copo de água. Agora, se quer mesmo estabelecer uma comunicação mais ampla entre nós, levanta e vai tomar um copo de água. Se fizeres realmente isso vais notar como é totalmente diferente lidar com o conceito, com a palavra água e tomar água de fato. Portanto o termo água alude a algo efetivo que existe, com o qual tu tens contato, mas não tem o mesmo valor de resolução.

Não mitigas a sede com palavras, só com o elemento. Da mesma forma os termos Xamanismo, Bruxaria e Magia não podem ser completamente compreendidos só com abordagens teóricas. Vamos aludir, vamos nos aproximar, vamos mesmo demonstrar certos fatos de tais práticas, mas nota que a compreensão profunda só virá quando tu, que lês estas linhas, fores também alguém que sente a ARTE em tua essência.

Só praticantes se entendem plenamente nestas abordagens. Por que em primeira estância estas três formas de caminhar na existência são formas de uma mesma tradicional e transcendente forma de conhecimento, que transcende toda e qualquer forma de conceitualização. Assim optamos por chamar este SABER DOS SABERES, este além de tudo que podemos conceber como ARTE.

A ARTE é pois a filosofia/ciência/mística/arte em sua mais plena expressão. Durante nossa era decompusemos a abordagem da realidade nestas formas . Ou abordamos a realidade filosoficamente ou cientificamente, ou misticamente ou artisticamente. Interessante que como resposta a extrema dependência de uma abordagem mística, que na realidade era misticóide, da realidade que caracterizou certos séculos anteriores esta era se esforça por ficar limitada ao que chamam de "concepção científica da realidade". Todos insistem em tentar provar que campos como os fenômenos paranormais são "científicos".

Mas a questão central é que os paradigmas nos quais se apóiam para dizerem-se científicos contradizem mesmo as bases da própria noção de ciência, já que a busca de respostas verdadeiras deveria ser uma premissa mais forte na ciência que a manutenção de uma ideologia dominante para manter sociedades inteiras servis. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria foram perseguidas e ainda são em muitos setores desta sociedade que aí está. Vejam as campanhas constantes contra todo tipo de terreiros de umbanda e candomblé e todo movimento de nova era por parte dos segmentos mais fundamentalistas de certas religiões em franco crescimento. É apenas um aspecto desta luta contra toda forma de trabalho mágico que escape aos paradigmas impostos.

Esta luta que ainda existe entre campos ideológicos se reflete também na chamada ciência acadêmica, onde indivíduos com inflados egos ainda influem nos rumos das pesquisas e no conceituar da realidade para que certos modelos da realidade não sejam de todo alterados.

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que têm sido perseguidas há algum tempo, em diferentes civilizações. Por quê? Por que esse medo que tais caminhos despertam? Se observarem com atenção notarão que toda vez que um regime absolutista, que deseja impor sua vontade privada sobre a vontade coletiva, se estabelece, tais caminhos são os primeiros a serem perseguidos. Toda vez que o poder despótico se faz sentir os caminhos citados são perseguidos.

Os povos nativos continuam sendo oprimidos hoje. Destruídos enquanto cultura e enquanto vidas, mortos em conflitos diversos. A Magia e a Bruxaria ganharam um certo espaço em certas camadas sociais e acabaram fazendo uma lenta migração de volta ao sistema dominante e explodiram com força em vários magistas e bruxos que vem alimentando a cultura oficial com obras nas quais narram suas aventuras e descobertas na vastidão de outras realidades que circundam a nossa.

Lendo os autores mais originais, não os que baseiam suas "descobertas" apenas na leitura de outros, mas os (as) que conseguem participar mesmo de uma maior aproximação das fontes de onde tais informações são emanadas, vamos notar que questionamentos profundos sobre a Vida, a Morte, a consciência, a realidade a nossa volta, a existência de realidades outras que não esta, seres outros habitando mundos ao redor deste, seres alienígenas a nossa realidade presentes em nossa própria realidade, mas não perceptíveis a nós, enfim vários temas foram sendo investigados por vários indivíduos, homens e mulheres que tiveram acesso a fragmentos de informação, outros (as) à escolas autênticas possuidoras de elos com a ancestralidade de onde este SABER emana, enfim muitas linhagens diferentes foram contactadas por estas pessoas que tinham em si o ímpeto de aprender mais sobre os mistérios que nos circundam e escrever sobre isso.

Helena Petrovna Blavatsky, Upasika; Aleister Crowley, Therion; Fernando Pessoa, na multiplicidade; mais recentemente Carlos Castaneda, também conhecido como Charles Spider; enfim muitos homens e mulheres foram sondar outras realidades e acabaram encontrando de fato abordagens da realidade completamente diferentes das que esperavam. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tal qual são concebidos e praticados hoje sofreram profunda influência destas pessoas, pois foram elas que fizeram as primeiras traduções dos conceitos ancestrais destes caminhos para a sintaxe da nossa cultura. Quando colocados na sintaxe da nossa cultura tais informações adquirem mesmo um caráter de revelação. RE Vela.

Indica, alude, mas também confunde, coloca o véu de novo pois definir estes caminhos e falar sobre eles pode nos levar a realizarmos falsas associações, resignificações e interpretarmos os conceitos desses caminhos de acordo com nossas presunções e a partir daí dormir ainda mais ao invés de despertar.

Tanto no Xamanismo, como na Magia como na Bruxaria a primeira premissa é que só pode trilhar esse caminho quem "É". Se notarmos toda a obra produzida sobre estes caminhos vamos notar que de forma declarada ou subliminar quem instruí o (a) aprendiz em qualquer desses 3 caminhos começa sempre ensinando tal aprendiz a deixar de ser apenas uma resultante de condicionamentos do meio, de "n" fatores que afetaram sua existência até então e aprender a ser um "EU" real. Alguns lidam com toda uma viagem pelas esferas da Árvore da Vida e do Tarot para este trabalho, onde o ser que tal caminho trilha vai lidando com seus medos e condicionamentos, carências e vaidades, vai se integrando, resolvendo sua sombra e então, após atravessar o abismo onde deve despir-se até de si mesmo, surge um novo ser, o que "É". Só aqui começa a magia, antes havia apenas um agitar semi- consciente da luz astral, o grande mar de energia que nos circunda, que gera ao redor de nós uma atmosfera psíquica, que pode gerar fenômenos diversos, mas que é também uma grande ilusão, maia, um mitote.

Me parece bastante importante este fato. Tanto no Xamanismo, como na Magia, como na Bruxaria o primeiro passo é deixar de meramente sobreviver para VIVER, deixar de reagir para AGIR.

Esse lembrar de si, esse resgatar a nós mesmos além das ilusões que estão aí é condição básica para que haja Xamanismo, Magia ou Bruxaria.

Xamãs, Magistas e Bruxos (as) são homens e mulheres que antes de mais nada "SÃO". Para poderem operar efetivamente nas premissas desses caminhos têm que "SER" ou serão destruídos quando as fronteiras da realidade se expandirem. A VONTADE é o começo de tudo, a mais fundamental conquista que um (a) Xamã, um (a) Magista ou um (a) Bruxo (a) deve ter realizado, para não ser destruído pelos poderes e esferas que pretende interagir. E VONTADE já é uma palavra que está num contexto diferente do comumente expresso. Não tem nada a ver com desejo, mesmo com volição ou qualquer outra forma de expressão que conheçamos.

Tanto quem trilha o caminho do Xamanismo como da Magia como da Bruxaria sabe que VONTADE aqui tem outro sentido, outro significado é a forma pessoal que cada um tem de expressar um poder muito maior, que é a própria VONTADE da Eternidade que nos circunda.

Só quem "É" pode ter VONTADE. Este é um sentido que escapa a muitos leitores das obras de quem esteve estudando esses caminhos e sobre eles escreveu. Vejam Crowley: "Faze o que tu queres..." Esse "Tu" é um conceito complexo, indica que existe alguém de fato, não um aglomerado de estilos de emocionar-se, de raciocinar e reagir que chamam de "eu".

Lendo Erva do Diabo e Estranha Realidade milhares de pessoas pelo mundo ficam a vagar erraticametne por se super-estimularem com plantas de poder diversas crendo que o "espirito da planta" vai lhes revelar algo que já não sabem. Mas o cerne abstrato do aprendizado ali era outro, tudo ali estava sendo usado como meio de trabalho por alguém que tinha maestria na ARTE. Assim ficar preso em leituras literais de qualquer obra que toque a ARTE é como ser um fundamentalista e basear sua vida em interpretação literal de textos adulterados que foram escritos em outra cultura.

O que chamo atenção, neste primeiro artigo de nove com este tema, é que antes de atabalhoadamente irmos a definições e diferenças entre Xamanismo, Magia e Bruxaria temos que repensar nossos paradigmas, nossas bases conceituais sobre as quais assentamos nossa compreensão de mundo. E uma condição fundamental é compreender que quando estamos falando de XAMANISMO, de MAGIA e de BRUXARIA compreendidas essas linhagens como as que de fato tem ligação com a ARTE, existem pontos muito interessantes de semelhança entre ambas que têm sido deixados de lado.

Vamos a eles. O primeiro deles é o fato que todo caminho que leva a ARTE começa por auxiliar o ser que trilha tal caminho a se desvencilhar do pesado passado que carrega consigo, da insana absorção em conceitos prontos, em condicionamentos estáticos que foi implantada em cada ser humano nesta Era de escravos que vivemos. E aqui tocamos num ponto sensível, todo sistema feitor de escravos sempre lutou arduamente para destruir tudo ligado ao Xamanismo, a Magia e a Bruxaria. Por quê? Por serem caminhos de LIBERDADE e aqui temos outra definição importante. O Xamanismo, a Magia e Bruxaria sempre foram caminhos de homens e mulheres livres. Que alguns desses homens e mulheres tenham caído, ao tentar se aproximar da ARTE, em formas de prisão muito mais sutis e perigosas que a prisão deste mundo é um fato, o qual alerta a todo praticante que arrogância e presunção são estilos de comportamento que nos dirigem diretamente para as iscas que existem no vasto mar que vamos descobrindo quando nos dedicamos a ARTE.

Tanto o Xamanismo, como a Magia, como a Bruxaria tem diversas formas de manifestação e existem também muitas formas de culto que nada tem a ver com a essência do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que ainda assim se apresentam como tal. Temos no tocante a Bruxaria o agravante de ter sido deturpada fortemente pelas falsas acusações e testemunhas sob o terror da tortura ou mesmo ameaça dela, terem criado fantasias sem fim que serviam bem aos propósitos dos que desejavam criar o medo contra trais práticas e conhecimentos.

Na Magia temos as deturpações como a "magia negra", criação também da inquisição, que ainda hoje assusta tantos. No Xamanismo temos grande número de índios que imitaram formas de agir, sem entender a essência, de verdadeiros xamãs e assim hoje repetem ritos e formas, mas sem o poder que caracteriza toda ação de fato xamânica. Mas além destas deturpações temos o XAMANISMO de fato, a MAGIA de fato e a BRUXARIA de fato e é sobre estas faces da ARTE que vamos falar nesta série de artigos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O significado da egrégora

Egrégora: A corrente que sustenta a Umbanda

ESPIRITO + PERISPIRITO = CORPO ASTRAL
CORPO ASTRAL = ASTROSOMA

Se você é pai no santo ou médium freqüentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer:

-"Olha a corrente, gente! Vamos concentrar"!

Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe! O que é essa tal de "corrente"?
Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?
Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a "corrente" é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiente (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.
Essa questão da "corrente" ou egrégora é tão importante que vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto para que você possa perceber, se orientar e orientar a outros.
Vou tomar como exemplo uma gira de Umbanda, mas advirto que você pode adaptar minhas explicações para entender práticas espirituais, inclusive das Igrejas Evangélicas que fazem curas, etc.
Vamos considerar um grupo de 10 pessoas e partir do princípio de que TODAS ESTÃO UNIDAS POR UM MESMO IDEAL. Isso é à base de tudo!
Criada a egrégora como já vimos antes (pela união dos pensamentos direcionados aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão, e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns "milagres", desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (aí eu já estou falando de seres espirituais) penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver "correndo bem").
Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.
As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.
A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de "abertura". Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a "pregação".
Se você for um estudioso e não carregar preconceitos, notará que nessas "pregações" há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam às vezes, estão gerando a egrégora.
Fazer com que a assistência participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa, no entanto é uma prática esquecida e o que vemos em muitos terreiros é uma assistência quase que sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vêm de encontro ao que lhes interessa.
Dessa egrégora, como já disse, são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.
Por outro lado, se a corrente ou egrégora das "giras" não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.

Complicações que podem ocorrer ainda dentro da sessão:

1) Médium dirigente e/ou médiuns auxiliares não conectados positivamente com suas entidades de guarda o que pode provocar de imediato incorporações insatisfatórias, e insegurança - ANIMISMO.
2) Perturbações por intromissão de entidades do Baixo Astral que encontram entrada fácil nesses casos.
3) Problemas com médiuns e/ou assistência com relação até mesmo à integridade física, pois não é raro em sessões dessa natureza, haverem manifestações turbulentas de entidades descontroladas e médiuns idem.
4) Cansaço físico de dirigente e médiuns ao final dos trabalhos pela perda energética sofrida. O normal é que quando se encerram os trabalhos, todos os médiuns se sintam em perfeitas condições físicas e, não se tratando de trabalhos de descarga e de¬sobses¬são, é normal até que saiam sentindo-se melhor do que quando chegaram, justamente porque conseguiram atrair uma grande quantidade de energia positiva da qual, todos poderão desfrutar.

Observação:
Existem mais situações que podem acontecer, mas vamos ficando por aqui pois só as citadas já darão como conseqüências as que vêm após.

1) Enfraquecimento crescente dos contatos entidade/médium.
2) Corpo mediúnico cada vez mais inseguro.
3) Dificuldades crescentes para a realização de trabalhos.
4) Problemas começam a surgir na vida material de todos.
5) Discórdias entre o grupo; começam a gerar desentendimentos maiores.
6) Formam-se grupos dentro do grupo dividindo a energia ao invés de somá-la.
7) Doenças e dificuldades começam a aparecer.
8) Como os contatos espírito/médium já não são tão positivos, torna-se difícil ou impossível a solução de problemas que antes eram nada (aí, não raramente começam a se consultar em outros lugares).
9) Para sintetizar: Todos serão altamente prejudicados por seus próprios atos e desunião e, como ocorre normalmente, ao final ELEGERÃO SEMPRE UM CULPADO - ou o dirigente ou a própria Umbanda (no nosso caso).
Ainda sobre a egrégora de terreiros de Umbanda, é preciso que se explique que ela, além de ser formada e nutrida com a energia gerada em cada reunião, também é favorecida pelas "firmezas" ou "assentamentos" que devem ser tratados, reforçados e respeitados.

Mais uma explicação.
Assentamento, como muitos podem crer, não é prática exclusiva das religiões Afras. Até mesmo elas "importaram" essa prática de Seitas e Religiões muito mais antigas.
Se os assentamentos estiverem bem "sintonizados" com as energias e entidades para os quais foram dirigidos, sabendo o/a dirigente acioná-los, eles serão de grande importância (caso contrário serão meros ocupantes de lugar), pois poderão trazer para o ambiente essas energias e entidades que beneficiarão sobremaneira a realização de trabalhos positivos.
Energia positiva atrai energia positiva (o oposto também vale).
Pensamentos (que geram energia) positivos atraem energias e fatos positivos (ou negativos...).
Medo, insegurança e discórdias quebram a rotina da criação e da ação de energias positivas.
Fé (certeza, convicção) provoca sempre a criação de energia e, quanto maior for maior será a ação dessa energia.
Egrégoras são energias que podem ser geradas e fortalecidas a cada dia. Se elas serão positivas ou negativas, dependerá de quem as criará.
Egrégoras (se positivas) são de utilidade total em qualquer reunião para trabalhos mediúnicos. Quanto mais fortes, maior o auxílio que podem prestar.
Egrégoras formam-se até mesmo em sua casa, seu ambiente de trabalho, etc. Só que nesses casos, como não costuma haver um direcionamento das energias que a formaram (a não ser em poucos casos), elas correm o risco de serem negativas.
Grupos desunidos, por mais forte que queira parecer o dirigente, estarão sempre a um passo da derrota em função de não conseguirem gerar o ambiente propício para a presença de Verdadeiros Espíritos Guias.
A disciplina e a união em torno de objetivos comuns são partes sólidas da base que construirá o verdadeiro Templo - aquele onde comparecerão sempre os Verdadeiros Amigos Espirituais.
A idéia coletiva dessas pessoas é o resultado do nascimento no astral de um astrosoma, conhecido como egrégora. Este astrosoma, ou egrégora, protegerá e estimulará o plano material da coletividade, analisando os recursos físicos de seus membros para que possam vir a serem usados e serem úteis na realização da idéia mãe.
A egrégora incita seus membros a trabalhar e a contribuir de todas as formas possíveis, no sentido de aumentar o número de adeptos da idéia mãe, ou ainda substituir os membros que se afastam, ou são afastados.
Imagine uma egrégora benigna em confronto direto com outra maligna.

Exemplo:

Trabalhos de magia positiva em confronto com magia negativa.
Umbanda X Quimbanda
As coletividades inimigas no plano astral lutam igualmente no plano material. Se no plano material os inimigos de uma egrégora destroem os corpos físicos de seus membros, o astrosoma das vítimas reforçará a egrégora no astral, como exemplo a perseguição dos cristãos por Judeus e pagãos, que terminou com o triunfo da egrégora cristã, uma vez que Jesus edificou sua igreja em Roma, sede do mundo pagão no início da era cristã. O astrosoma dos cristãos martirizados uniu-se no astral reforçando a egrégora, fortalecendo-a triunfalmente.
As egrégoras são a lei dos semelhantes em sua plenitude, podem ser benignas e construtivas ou malignas e destrutivas.
As egrégoras são poderosíssimas na realização de idéias, se as idéias forem inspiradas por trevosos que encontrem acesso a mentes inteligentes propensas ao mal, os resultados serão funestos, como exemplo a egrégora nazista que exterminou milhões de pessoas neste século.
A manutenção de pensamentos sadios em egrégoras beneficentes, como é o caso da Umbanda ou outras religiões é primordial, fortalecendo desta forma a idéia mãe. Os adeptos das egrégoras benignas devem ser firmes em seus pensamentos e atitudes, evitando desta forma, ser afastados ou substituídos no caso divergência com a idéia mãe, o que fatalmente ocorrerá se determinado adepto desviar-se da diretriz.
A lei de correspondência vibratória é plena na formação de egrégoras fazendo valer a lei "semelhante atrai semelhante".
Algumas egrégoras com fundo religioso, porém fanáticas, podem destruir pessoas ou até nações inteiras se forem levadas ao fanatismo, como exemplo as nações muçulmanas que destroem e matam adeptos de egrégoras contrárias à sua idéia, levados ao extremo por uma diretriz maligna cravada no mundo muçulmano na época de seu nascimento.
O adepto umbandista deve ser forte e persistente na prática do bem, uma vez convicto do que é e do que pratica.

Vigie seus pensamentos.

domingo, 10 de maio de 2009

Exú Caveira

O que sei sobre o Seu Caveira é fruto do que ele mesmo ensinou e falou, coisa simples pois ele também não acredita ser necessária uma decodificação da Quimbanda, é preciso sim crer, ter fé. Exu Caveira é uma entidade nomeada por Oxalá, quando da criação da vida humana na Terra, para cuidar do desencarne. É uma entidade incriada como todos os espíritos porém sua consciência é anterior a criação da Terra derivada das Águas Ancestrais, do Verbo Divino; é Ele uma espécie de 'carrasco chefe' no plano terreno e policial no plano astral do campo da escuridão, da esquerda; responsável por ceifar a vida terrena, do indivíduo, no momento certo, entre outras tarefas, para as quais é imprescindível ajuda de toda sua falange que dizem eles ser formada pelos Exus:


Tata Caveira, Pemba, Brasa, Carangola, Pagão, Arranca Toco, Exu do Lodo & Pomba Gira Rainha do Cemitério. Devido ao respeito mostrado por outros Exus ao Seu Caveira, durante a Gira, chamando-o de 'chefe' tenho opinião de que a falange é bem maior somando o total de 49 Exus, isso não deve ter muita importância no entendimento sobre o tema pois uma decodificação, creio, é sempre prematura tendo em vista que o desenvolvimento espiritual e a Lei do Karma, são eternos, e isso também vale na esfera dos Exus... no campo da fé só é preciso acreditar.

Exu Caveira, dizem alguns, é um desdobramento do próprio Sr. Omolu que assume a forma de Exu Caveira para trabalhar mais ativamente nas Giras de Quimbanda. É, digamos assim, o braço direito deste Orixá. Também existe quem fale que os Senhores João Caveira, Tata Caveira, Exu Caveira e Exu Caveirinha são a mesma entidade desdobrando-se ou mesmo apresentando-se cada vez com um destes 4 nomes, coisa que acho difícil pois o trabalho nas Giras de Quimbanda tem mostrado por diversas vezes os 4 incorporados em um mesmo trabalho, com personalidades parecidas porém características próprias, individuais de cada um, tenho certeza que os 4 existem de fato como entidades distintas; porém talvez tenham mesmo se originado num desdobramento ocorrido num passado distante, anterior a própria criação, não tenho dúvidas de que Seu Caveirinha e Seu João Caveira pertencem a mesma falange, teoria esta que desmente as decodificações anteriores baseadas nas falanges de divindades pagãs e descrições do Grimorium Verum isso apesar de em muitas vezes o sincretismo indicar e descrever também, de fato, características próprias destes espíritos.

Pelo que foi dito pelo Seu Caveira ele encarnou na Terra, em forma humana, pela 1ª vez há pouco mais de 30.000 anos: "Quando encarnei pela primeira vez na Terra, há mais de 30.000 anos, estava tudo desolado e tive que me alimentar de um óleo que brotava do chão para sobreviver" disse ele explicando porque tem costume de beber azeite de dendê. Em todas as suas encarnações sofreu o como sofrem os seres humanos comuns para poder alcançar um grau maior de evolução sei que por escolha própria, apesar de gostar de riqueza nunca foi um nobre muito endinheirado ou teve alguma posição de grande destaque na sociedade, optando sempre por levar a vida simplesmente, sem apegar-se a luxos terrenos, sem fixar residência num mesmo lugar durante toda a vida e praticando até um relativo isolamento. Um fato curioso que vem sendo amplamente divulgado pelos próprios Caveiras é que uma vez encarnaram todos juntos, me parece que num total de 49 pessoas, no antigo Egito e fizeram parte de uma mesma seita aonde Seu Tata era o sacerdote, por praticarem o moteísmo foram todos condenados a serem queimados vivos, fato este que acredito ter realmente acontecido; creio que a encarnação e reencarnação destas entidades na Terra, partindo desta e passando pelo Brasil colonial aonde encarnaram como senhores de engenho, fazendeiros, barões e feitores de escravos (o que explica o fato de terem por Lei de obedecer aos Pretos e Pretas Velhas para trabalhar no Terreiro) teve relação direta com o fato de hoje eles trabalharem na Lei de Umbanda através da Quimbanda.

Exu Caveira, juntamente com Seu Tata Caveira, são responsáveis diretos pela administração do vício na Terra, na maior parte vicio em drogas pesadas que alteram a percepção e causam dependência física e ou psíquica, incluindo álcool e cigarros, eles podem também facilmente influir na sanidade corporal e psíquica das pessoas tirando ou dando lucidez e ou saúde física, claro que sempre de acordo com o merecimento, Karma, da pessoa que sofre sua influência ou de sua falange. Exu não pode simplesmente fazer mal a um inocente por isso a importância de se levar uma vida correta. O vício é usado como ferramenta de trabalho por Exu no dever de fazer cumprir o Karma, ou mesmo como provação. O livre arbítrio nos da o poder da decisão, podemos escolher formas mais brandas de cumprir nosso Karma e de cuidar de nossa evolução e para isso podemos contar com a proteção de Exu contra estes perigos e armadilhas aonde ele é o mestre.

A falange dos Caveira mexe profundamente com o nosso conjunto dos processos psíquicos conscientes e inconscientes devido ao grande medo da morte que trazemos, dentro da maioria de nós, enquanto encarnados. Por termos também impressa em nossa psique serem estas entidades responsáveis diretos pelo desencarne, nada mais justo que lhes prestarmos o devido respeito evitando assim qualquer espécie de distúrbio no campo que lhes pertence.

Os Terreiros tradicionais, do início do século passado, tem grande receio em invocar esta entidade e só o fazem quando a coisa fica pesada mesmo, quando acontece algo que eles não compreendem ou mesmo não sabem como lidar ai chamam Exu, já vi e ouvi até dizerem este poderoso Exu é louco, intrigueiro e irresponsável, coisa que a mim, com todo respeito, parece ridícula pois isso se deve ao único fato destas tendas ignorarem uma boa Gira de Quimbanda por crenças de falsas morais que já não nos servem mais nos dias de hoje.

Exu Caveira e sua falange tem em especial grande poder para favorecer a qualquer espécie de especulação ensinando todas as táticas e artimanhas da guerra, tendo em vista a vitória sobre os inimigos, é encarregado de vigiar a entrada para cemitérios ou qualquer lugar aonde hajam pessoas enterradas, seu poder é tal que muitas vezes incutem medo nos que o invocam. Não existe trabalho ou despacho a ser realizado em um cemitério sem a presença de Exu Caveira. Com todo este poder devemos mesmo ter muito cuidado ao tentar manipular estas energias pois em caso de erro, e errar é humano, os prejudicados seremos nós mesmos.

Seu Caveira apresenta-se na maioria das vezes como uma caveira, de altura respeitável, vestida de preto e trazendo na mão alguma arma, sendo mais comuns: a foice, o tridente, a espada, o gládio, elmo e escudo, depende a ocasião ele pode aparecer com a cabeça coberta, mostrando a caveira, ou não, pode-se identificá-lo pelas mãos que parecem grandes garras devido ao tamanho das unhas e dedos que assumem forma de garra pela aparente ausência de tecido. Sua cor é o preto mas não raro usa também velas, ponteiros e pemba vermelha e ou branca. Quando usa só pemba preta ou risca um caixão em seu ponto ele está trabalhando com magia negra, quando usa 9 velas pretas geralmente é Vodu.

É sincretizado com a divindade pagã conhecida, em sânscrito, por Sergulath, e sua falange, pela ordem: Próculo, Haristum, Brulefer, Pentagnony, Aglassis, Sidragosam, Minoson e Bucon, perfazendo um total de nove, número este o preferido de Exu Caveira e por ele utilizado na magia. Também podemos encontrar outros sincretismos de Exu Caveira através dos cultos e épocas. Do sincretismo com a divindade pagã é que vem a estatueta 'demoníaca' de Exu Caveira encontrada em casas de artigos religiosos, acredito que pode ele realmente assumir esta forma digamos assim 'horrenda' ou até mesmo mais assustador para trabalhar nas esferas abissais ou no limbo (inferno).

Desde que se propôs, juntamente com outros Exus, a trabalhar em conjunto com a Umbanda, exatamente na época de sua divulgação em 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, no início do século passado, é cada vez mais raro ver este Exu, incorporado fora de Terreiros que saravem às 7 Linhas da Umbanda e 7 Linhas da Quimbanda equilibradamente e na pratica da caridade porém, mesmo que mais raramente, ele continua presente em atividade também em diversos cultos com maior destaque para a Santeria, o Vodu, as Macumbas, o Candomblé e Batuques, cultos aonde tem sempre aparelhos disponíveis para incorporação caso seja invocado.

Deve-se alertar para o fato de existirem espíritos mal intencionados que tentam passar-se por Exu Caveira; por este ter onipresença e grande poder nas Trevas, estes zombeteiros usam seu nome na presença dos incautos prometendo cometer barbaridades em troca de alguns patacos e oferendas, é! no plano espiritual também existem vigaristas que procuram semelhantes na Terra, Exu Caveira está presente para colocar estes charlatões em seus devidos lugares.

Tenha certeza, Seu Caveira é um Exu bastante antigo, amigo e companheiro. Quando é de nosso merecimento é mais do que irmão; mas deve-se cuidar para digamos assim 'não sair da linha' porque ele pode se tornar um verdadeiro tormento aos que com ele não souberem tratar, devemos lembrar de que ele é o carrasco que nos visitará no segundo fatal.

O poderoso Exu Caveira, O Rei das Catacumbas do Inferno, é sempre merecedor de grande respeito por parte daqueles que o invocam. Ato-tô!

sábado, 9 de maio de 2009

Umbanda e Xamanismo

"Enquanto a Umbanda é a farmácia o Xamanismo é a medicina".

Essa frase não me desceu bem quando a ouvi pela primeira vez. Pareceu-me mais uma forma de preconceito com relação a Umbanda, pois vamos a farmácia quando precisamos comprar um remédio receitado pelo médico. A Umbanda não é um balcão comercial onde se pode comprar remédios, mesmo que alguns a queiram torná-la nisto, pois ela própria é capaz de receitar os remédios apropriados para certos males da alma e do corpo humano sem cobrar mais que a consciência necessária para tal, afinal boa parte das pesquisas de laboratório de novos fármacos surgem da sabedoria ancestral. É verdade que quando a coisa aperta o ser humano procura recorrer àquilo que está mais a mão, da mesma maneira que quando um dor física surge recorre-se a emergência hospitalar. Mas a Umbanda não é uma medicina espiritual de emergência, apesar de no nosso imediatismo para resolvermos os nossos problemas supostamente espirituais, que nós mesmos geramos, na maioria das vezes, recorrermos a um templo umbandista. Sendo assim ao escrever sobre Umbanda e Xamanismo quero dizer que Umbanda é Xamanismo. E se Xamanismo é Medicina, Umbanda também o é. A meu ver Umbanda é um dos Xamanismos que existem.

Mas há muita incompreensão nessa área.

Xamanismo é um conceito muito vasto e plural, pode-se falar em Xamanismos, mas todos os estudiosos reconhecem que essa pluralidade possui elementos comuns, tornando-se uma unidade na diversidade. Assim não há Xamanismo sem o culto a Terra e suas forças espirituais e sagradas. Um xamã é alguém que é capaz de dizer, sentir e perceber a Terra como sua e a si mesmo como pertencente à Terra, é alguém plenamente consciente de sua ligação com a Terra e suas forças espirituais. Ele diz: - Tudo isto é meu, toda a Terra é minha. E a própria Terra lhe responde: - E tu és meu. Isso confere uma consciência da responsabilidade para com a Terra e suas forças espirituais que é a marca do xamã.

E sendo o Xamanismo um conhecimento vasto e plural, a Umbanda também o é, assim existem diferentes Umbandas. Isso é sabido e notório. Mas entre todas as diferentes Umbandas existem elementos comuns. São eles, em nosso modo de ver, os seguintes:

1 – o culto as forças espirituais da Natureza: Os Orixás

2 – o cultivo do poder espiritual do ser humano

As diferentes formas de culto aos Orixás são:

1 - através de trabalhos mágicos que usam o magnetismo vegetal, mineral e do próprio ambiente natural, dentro de uma geometria, em conformidade com os pontos cardeais da Terra e outros pontos de poder da Terra.

2 – através das chamadas de poder ou pontos cantados onde são usados instrumentos musicais como o tambor ou atabaque.

As diferentes formas de cultivo do poder espiritual do ser humano são:

1 – a mediunidade, da qual a incorporação é apenas um tipo, mas é o tipo preponderante na Umbanda praticada hoje em dia e através da qual são realizadas as consultas, isto a nosso ver contribui para aquele quadro de atendimento que molda a Umbanda dentro de uma visão de farmácia, pois na maioria das vezes as pessoas vão em busca de resolver problemas imediatos e materiais de ordem emocional ou profissional, ignorando a busca pela sabedoria dos Orixás.

2 – a sintonização: a capacidade de concentrar-se e vibrar dentro de uma freqüência de energia para se alcançar certos estados alterados de consciência que nos conduzam a um estado de iluminação plena nossa perfeita integração com nós mesmos e com a Natureza.

Não há na prática diferença entre a mediunidade e a sintonização, mas estamos usando os dois conceitos para criar uma diferença intencional que é a seguinte:

Em nosso modo de entender, na Umbanda, o progresso espiritual do ser humano não consiste em receber entidades porque nesse caso são elas que estão vindo até nós. O verdadeiro progresso espiritual consiste numa ampliação da consciência onde somos capazes de ir até as realidades onde as diversas entidades vivem e estar mais conscientes de nossas realidades interiores (padrões de comportamento). Assim a mediunidade que é entendida normalmente como processo de incorporação é diferente da sintonização que entendemos como um processo de ampliação da consciência que envolve a conexão com o nosso deus interior.

Para que a sintonização ocorra o processo de desenvolvimento espiritual tem que estar assentado em nossa capacidade de administrar a nossa própria energia. Isso se dá em três passos estratégicos simples:

1 – acumular
2 – recanalizar
3 – ampliar

Assim a Umbanda pode ser definida como uma medicina xamânica que usa a força dos Orixás para o processo de ampliação da consciência humana e não um atendimento de balcão espiritual para tão somente resolver questões imediatas e materiais. Está na hora do ser humano acordar de vez para urgência de assumir a responsabilidade sobre sua própria vida e não querer que outros a resolvam para si. Antes ele deve buscar estar consciente do que nele promove os problemas nos quais ele próprio se envolve.

Os Orixás são os Deuses da Natureza, forças impessoais e conscientes (que foram antropomorfizadas por determinado nível de compreensão humana), que no Egito Antigo eram chamados de Néteres e que possuem diferentes nomes conforme a tradição mística de cada povo.

É bom definirmos o que entendemos por Orixá. Orixá é uma força cósmica que atua através de uma determinada potência da Natureza. Assim, por exemplo, Iemanjá é uma força cósmica que atua através do Mar.

Há sete Orixás essenciais dos quais os outros são desdobramentos. Como as sete notas musicais são capazes de comporem infinitas melodias os 7 Orixás são capazes de criar infinitas formas naturais, gerando um tipo de informação ou conhecimento que pode ser acessado através da própria Natureza e que está codificado no próprio ser humano.

Cada elemento da Natureza é influenciado por um Orixá. Assim cada Orixá possui uma ou mais plantas que lhe são pertencentes porque energeticamente compatíveis. O mesmo vale para as pedras, os metais e os animais, incluindo o ser humano, que possui como atributo peculiar a capacidade de sintonizar em diferentes freqüências vibratórias mesmo tendo uma que lhe é própria ou que prepondera em seu campo de energia.

O que habilita o ser humano a vibrar em diferentes freqüências vibratórias é um elemento de seu corpo de energia que xamãs, tal como Carlos Castaneda, chamam de o ponto de aglutinação. A grosso modo o ponto de aglutinação é uma espécie de "dial" que nos permite sintonizar em diferentes faixas vibratórias porque atravessado por infinitos campos de energia vibratória do nosso multiverso.

Essa capacidade de sintonização do ser humano lhe permite um nível de realização pessoal que é profundamente mágico, pois o habilita a transformar-se num ser capaz de mudar sua estrutura energética, fazendo-o assim um xamã, após árduo treino e disciplina de uma vida inteira.

Essa capacidade mágica do ser humano de vibrar em diferentes freqüências de energia o vincula a uma força cósmica de uma maneira muito peculiar, a um Orixá de forma muito especial, que é um Orixá síntese, por que congrega em si os outros Orixás: Oxalá ou Orixalá, que significa o Orixá dos Orixás. Assim o ser humano é capaz de seguir a trilha do orixalato, pois é capaz de transitar conscientemente entre diferentes faixas vibratórias, mesmo tendo em si uma faixa onde vibra mais facilmente e que prepondera em seu campo de energia.

Dentro da Umbanda existem antigos xamãs de origem índia e africana que compõem a sua egrégora e guardam consigo os segredos ancestrais. Eis uma outra razão para se compreender que Umbanda é Xamanismo, pois sua egrégora espiritual está formada por xamãs de diferentes procedências unificados através Dela, Umbanda.

Um desses segredos ancestrais é o culto da Jurema, Yurema, árvore sagrada em diferentes culturas, que se faz referência em pontos cantados de Umbanda e que está sendo resgatado.

A própria Bíblia lhe faz referência. Na própria Bíblia a árvore do conhecimento ocupa um papel central porque proibida ao homem. Porque haveria de ser o acesso ao conhecimento algo proibido? A quem interessa manter o homem na ignorância? Há um conhecimento que foi perseguido, proibido, reprimido e que precisa ser revelado para que o homem possa reconquistar seu lugar no Jardim do Éden.

Assim, uma das funções da Umbanda é o resgate desses antigos conhecimentos ancestrais que foram destruídos devido ao processo de colonização que o Brasil sofreu por parte de Portugal, patrocinado ideologicamente pela Igreja Católica.

Esse processo de colonização deixou marcas severas na alma do povo brasileiro e uma dessas cicatrizes ainda não devidamente fechada é o preconceito com relação à própria Umbanda. E nem nela, na própria Umbanda se vista como farmácia, poderíamos encontrar um remédio que possa sanar o preconceito, já que a ignorância é um vírus que assume diferentes formas, mutável, e de antídoto ainda a ser encontrado. Por outro lado, se estamos executando o resgate desse conhecimento ancestral é porque fomos criando a necessária resistência contra a ignorância e a dominação ideológica em suas diferentes manifestações viróticas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Xamã

A palavra sânscrita sramana significa: "Senhor do Êxtase" ou "Homem inspirado pelos espíritos" - usada para definir aquele que se dedica ao curandeirisco, alquimia, filosofia, astrologia, meditação, yoga, sacerdócio, mediunidade, exorcismo e que passa a ser o interlocutor entre homens e Deuses, uma ponte entre o visível e o invisível.

A organização do clero xamânico difere ligeiramente nas diferentes culturas e tribos.

Existem vários tipos de xamãs de diversas tradições. Na maioria das vezes este é um oficio hereditário. Contudo, para todas as tradições xamânicas o dom sobrenatural é uma qualificação necessária para que alguém se torne um xamã.

Antigamente, existiam os xamãs familiares, ou clânicos e os xamãs profissionais, de carreira. Atualmente, o Xamanismo clânico está perdendo terreno e tendo uma grande tendência de ser substituído pelo Xamanismo individual. Encontraremos ainda muitos xamãs profissionais mais a grande tendência mesmo é que o Xamanismo torne-se presente em nosso dia a dia como um estilo e filosofia de vida ou mesmo um estado de espírito de total contemplação e adequação à natureza.

Enfim, ainda que a histeria constitua a base da vocação xamânica, ao mesmo tempo o xamã difere de um paciente comum que sofra dessa enfermidade. Ele possui um enorme poder de autocontrole, praticado durante o período de ataques convulsivos que ocorrem durante algumas cerimônias. Um bom xamã deve, essencialmente, possuir muitas qualidades incomuns, diferentes das utilizadas em seus trabalhos espirituais, mas a principal mesmo é o Poder - adquirido mediante rigoroso autocontrole e de conhecimento - de influenciar as pessoas à sua volta. Sua atitude às vezes reservada exerce, sem dúvida, grande influência sobre as pessoas com quem convive. Ele deve saber como e quando ter seu "surto de inspiração" o qual, às vezes, chega ao desvario (delírio). Deve, igualmente, saber preservar sua postura, tão altamente venerável, mesmo nos fatos mais triviais do cotidiano.

Agora, sendo esse chamado hereditário ou não, o que importa é que um xamã deve ser, antes de tudo, competente, uma pessoa inspirada. É claro que isso é o mesmo que dizer que ele é irrequieto e exaltado, muitas vezes no limite da insanidade. Contanto que ele pratique sua vocação, o xamã nunca ultrapassa esse limite. É costume acontecer de, antes de a pessoa ouvir o chamado de sua vocação, seja ela através de um mestre (transmitindo seus conhecimentos), hereditário (quando um descendente de um xamã demonstra disposição e vocação para o chamado), sonho (muitas vezes quando um xamã já falecido aparece em sonhos e intima o sonhador a tornar-se seu sucessor) ou até mesmo por pura vontade (na verdade ninguém se torna xamã por livre e espontânea vontade, pelo contrário, isso chega a ele, quer ele queira ou não) sofrer sérios ataques nervosos e/ou problemas espirituais.

"Eu mesmo já soube de casos que pessoas, quando estavam próximas a se tornarem xamãs, sofrerem surtos de paroxismo selvagem, alternados com períodos de completa exaustão. Eles podiam ficar paralisados por dois ou três dias, sem ingerir qualquer alimento ou bebida. Por fim, abandonavam a incivilidade, na qual passaram tanto tempo suportando fome e frio, a fim de se prepararem para o chamado."

Ser convocado para se tornar um xamã equivale, geralmente, a ser atormentado pela histeria. Então, a aceitação do chamado significa restabelecimento. Para aquele que acredita mesmo, crê fielmente, a aceitação do chamado significa acolher espíritos - ou pelo menos um - como seus guias, mentores, protetores ou servidores, ou seja, o xamã passa a ter comunicação direta com todo o mundo espiritual. A convocação xamânica às vezes, se manifesta através de um animal, planta ou algum outro objeto natural que a pessoa encontra no momento certo - com freqüência durante o período crítico da infância e a maturidade - ou também quando uma pessoa de idade mais avançada é atormentada por problemas mentais e físicos. Todavia, não se espera que pessoas muito velhas possam estar à altura de uma convocação do Xamanismo. Para a maioria de nós, muitas vezes é uma voz interior que convida a pessoa a entrar em contato direto com os espíritos. Se a pessoa negligenciar e não atender ao chamado de imediato, o espírito convocador, em breve, aparecerá sob uma forma externa visível, comunicando o chamado de uma maneira mais explícita.

E quando a pessoa recebe o chamado ela passará então a ser treinada, ela não deverá se preocupar com seu futuro, o mundo espiritual virá em sua direção, trazendo o mestre na hora em que o discípulo estiver pronto. Grande esforço e dedicação serão necessários. Paciência e tolerância também.


Autor: Akaiê Sramana

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Orações Xamânicas

O repertório de orações xamânicas é absolutamente enorme. Por esta razão Akaiê enumera aqui apenas as suas prediletas.

GRANDE ESPÍRITO

Oh! Grande Espírito, que criou tudo antes e que reside em cada objeto, em cada pessoa e em todos os lugares, nós acreditamos em Ti. Nós Te invocamos dos mais distantes lugares para nossa presente consciência.

Oh! Grande Espírito do Norte, que dá asas às águas do ar e rola a grossa tempestade de neve antes de Ti. Tu, que cobres a Terra com um brilhante tapete de cristal, principalmente onde a profunda tranquilidade de cada som é maravilhosa. Tempera-nos com a força para permanecermos como parte da nevasca; sim, faça-nos agradecidos pela beleza que flui e se aprofunda sobre a quente Terra em seu despertar.

Oh! Grande Espírito do Leste, a Terra do Sol Nascente. Tu que seguras em Tua mão direita os anos de nossas vidas e em Tua mão esquerda as oportunidades de cada dia. Sustenta-nos para que não esqueçamos nossas oportunidades, nem percamos em preguiça as esperanças de cada dia e as esperanças de todos os anos.

Oh! Grande Espírito do Sul, cujo quente hálito de compaixão derrete o gelo que circunda nossos corações, cuja fragrância fala de distantes dias de primaveras e verões, dissolve nossos medos, transmuta nossas aversões, acenda nosso amor em chamas de verdade e existentes realidades. Ensina-nos que aquele que é forte é também gentil; que aquele que é sábio tempera justiça com piedade; e aquele que é um verdadeiro guerreiro combina coragem com compaixão.

Oh! Grande Espírito do Oeste, a Terra do Sol poente, com Tuas elevadas e livres montanhas, profundas e extensas pradarias, abençoa-nos com a sabedoria da paz que segue a contenção e a liberdade de quem vive como túnica flutuante nas asas da vida bem - disciplinada. Ensina-nos que o fim é melhor que o começo e que o por do sol não glorifica nada em vão.

Oh! Grande Espírito dos Céus, em dias de infinito azul e misturado às infindáveis estrelas da noite de cada estação, lembra-nos o quanto és imenso e bonito e majestoso além de todo o nosso conhecimento ou saber, mas que também não estás tão longe de nós, quanto o mais alto de nossas cabeças ou o mais baixo de nosso olhos.

Oh! Grande Espírito da Mãe Terra sob nossos pés; Mestra dos metais; Germinadora das sementes e Celeiro de ocultos recursos da Terra, ajuda-nos a dar graças incessantemente pela Tua presente generosidade.

Oh! Grande Espírito de nossas almas, que ardes há tempos em nosso corações e em nossas profundas aspirações, fala-nos agora e sempre de tudo que precisamos saber sobre a grandeza e bondade de Teus presentes para a vida, para sermos orgulhosos do inestimável privilégio de viver.

1996 Noel Knockwood, B.A. Elder


A GRANDE INVOCAÇÃO

Que as Forças da Luz tragam a iluminação ao gênero humano.
Que o Espírito da Paz se espalhe em todos os lugares.
Possam os homens de Boa Vontade, em todos os lugares,
Unir-se num espírito de cooperação.

Possa o perdão, por parte de todos os homens,
Ser a tônica destes tempos.
Que o poder ouça os esforços dos Grandes Seres.
Que assim seja, e ajudai-nos a fazer a nossa parte.

Que venham os Senhores da Libertação.
Que tragam socorro aos filhos dos homens.
Que venha o cavaleiro do local secreto.
E, ao chegar, que salve.
Vinde, ó Ser Supremo.

Que as almas dos homens despertem para a luz
E que possam permanecer concentradas no objetivo.
Que a ordem do Grande Espírito se adiante; chegou o fim do infortúnio!
Vinde ó Ser Supremo.

Chegou a hora do serviço da Força da Salvação.
Que ela se alastre por todos os lugares, ó Ser Supremo.
Que a Luz, o Amor, o Poder e a Transformação
Preencham o propósito daquele que se aproxima.
A vontade de salvar está aqui.
O amor por levar o trabalho adiante está amplamente difundido.
A ajuda ativa de todos os que conhecem a Verdade, também está aqui.
Aproximai-vos ó Ser Supremo e harmonizai esses três.
Construí um grande muro de defesa.
O domínio do mal deve terminar agora.

Do ponto de luz na mente do Grande Espírito
Que flua a luz às mentes dos homens,
Que a luz desça à Mãe-Terra.

Do ponto de amor no coração do Grande Espírito
Que flua amor aos corações dos homens
Que o sentimento do amor retorne à Mãe-Terra.

Do centro onde a vontade do Grande Espírito é conhecida
Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens,
O propósito que os Mestres conhecem e servem.

Do centro a que chamamos raça dos homens
Que se cumpra o plano de amor e luz
E se feche a porta onde se encontra o mal.
Que a luz, o amor, e o poder restabeleçam o plano do Grande Espírito sobre a Mãe-Terra.

Do centro da Vontade e do Poder
Que o propósito do Rei
Seja o propósito de todos os homens.

Do centro da Sabedoria e do Amor
Que a obra dos Grandes
Seja o serviço entre todos os homens.

Do centro da Inteligência e da luz
Que o Verbo do Amor seja ouvido e atendido.
E que o Espírito de Cooperação una a todos os homens.

A Era da Redenção chegou!
Que o cavaleiro soerga a espada!
Que o plano do Grande Espírito se realize!


PRECE À MÃE-TERRA

Grande Espírito, Grande Espírito, meu Avô...
Toda a Terra de todos os seres vivos é a mesma...
Olha todos esses rostos de centenas de crianças
carregando crianças em seus braços;
que eles possam enfrentar os ventos e... caminhar por uma
boa estrada no dia do silêncio...
Não há morte... somente uma mudança de mundos...
Somente uma mudança de mundos...

BÚFALO BRANCO

Eu ouço sua voz. Suas palavras são fortes
como um milhão de Búfalos galopando ao longe.

Suas palavras são: Paz, Amor e Vida.
Não mais discórdia e não mais brigas.

Ouça, meu povo: nós estamos ainda ligados
com a sagrada sabedoria que vive em nosso íntimo.

Como uma única nação nós viemos viver
para preencher os sonhos do que trazemos por dentro.

Por: Running Elk Woman - Shawnee/Lakota


SOBRE A SAGRADA MONTANHA

Sobre a sagrada montanha eu ouvi o grito do sagrado lobo,
vindo para nos ensinar a sabedoria dos antigos.

Ensinado-nos a ajudar as crianças de nossa Mãe-Terra e
dando-nos a compreensão de Wanka Tanka e a vida.

Eu vejo o veado na floresta tão perto enchendo nossos corações
com Amor e abolindo todos os nossos medos.

Eu sinto o vento sobre minha face trazendo
as mudanças de um lugar sagrado.

Eu vejo as estrelas no céu que iluminam o
caminho para onde um dia voaremos.


SAGRADA ÁRVORE DA VIDA

Sagrada árvore da vida ensina-nos a
Enraizar-nos e a caminhar em equilíbrio.
Ensina-nos a partilhar nosso abrigo, comida, nosso ar.

Ensina-nos a concordar e a ter compaixão
E amor por nossos irmãos e irmãs.

Ensina-nos a ser gratos por todos os presentes
que recebemos e, lembra-nos de orarmos.

Ensina-nos a permanecer fortes e
Ricos pelo Grande Pai Sol.
Ensina-nos a partilhar e a viver como um só.

Sagrada árvore da vida, obrigada por toda sua
Sabedoria e por toda vida que você nos oferece.


BUSCANDO A PAZ E VIVENDO LIVRE

Você pensa que quebrou nosso espírito
Mas agora você precisa saber.

As nuvens foram negras mas os
Ventos sagrados sempre soprarão.

Nós amamos e cuidamos de nossa
Mãe - Terra. Veja: você parece
esquece-la como a um grão de areia.

Enquanto as árvores brotam e
sabem quando crescer
escondidas na neve do inverno.
Nós ainda surgiremos e brilharemos
com estas sagradas coisas
que você nunca saberá.

Como os rios que nós mudamos
Através do tempo, devagar e sempre.

Você vê que nós mantivemos o sagrado fluxo.
As coisas que eu falo são coisas que eu vejo
Procurando paz e vivendo livre.

ORAÇÃO DA TRIBO SIOUX

Ó Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos, cujo sopro anima o mundo, ouça-me.

Sou pequeno e fraco, preciso de sua força e sabedoria.

Permita que eu caminhe na Beleza, e faça que meus olhos contemplem para sempre o vermelho e a púrpura do sol poente.

Faça com que minhas mãos respeitem todas as coisas que o Senhor criou.

Faça meus ouvidos aguçados para que eu ouça a sua voz.

Faça-me sábio para que eu possa entender tudo aquilo que o Senhor ensinou ao seu povo.

Permita que eu apreenda os ensinamentos que o Senhor escondeu em cada folha, em cada pedra.

Busco força, não para ser maior do que meu amigo, mas para lutar contra meu maior inimigo – eu mesmo.

Permita que eu esteja sempre pronto para ir até o Senhor de mãos limpas e olhar firme.

Assim, quando a minha vida estiver no ocaso, como o sol poente, que meu Espírito possa ir à sua presença, sem nenhuma vergonha

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Rituais Xamânicos

Ritual é qualquer ação realizada com uma intenção e que torna possível o crescimento de nossa energia vital e conexão com um determinado objeto, podendo ser este objeto Deus, um santo ou qualquer outra coisa como cura, prosperidade, amor, compaixão, etc. A repetição dos rituais aumenta cada vez mais nossa conexão com o objeto do ritual.

Os rituais Xamânicos Ancestrais são realizados para celebrar nosso Calendario Sagrado ja postei aqui no grupo o mesmo , bem como para atender todos os interessados em curas xamânicas e no bem estar na alma!

Os rituais Xamânicos Ancestrais fornecem-nos um aumento gradativo de nossa percepção acerca de nós mesmos e do Universo em que estamos inseridos, assim como também proporciona a auto-cura de nossas consciências e padrões negativos de comportamentos que adquirimos no caminhar da vida.

Todos os rituais possuem um tempo inicial e final. Muitos de nossos rituais começam em sonhos e visões. E muitos de nossos rituais são dirigidos por espíritos mentores e guias espirituais.



Ritual "O Vôo Sagrado do Cóndor"

No "Vôo Sagrado do Cóndor", AKAIÊ SRAMANA vos convida a reconectar-se consigo mesmo, com seu espírito e com a Pachamama, nossa querida Mãe-Terra, para transmutar através da poderosa energia de cura do Cóndor, a Águia dos Andes, ou melhor, "O Deus das Alturas" segundo os Incas, todas suas limitações, amarras e tudo aquilo não possui mais valor em sua vida!

Este é um ritual de transmutação, energização, cura e de poder!

AKAIÊ SRAMANA teve a honra de receber este precioso ritual quando de sua penúltima visita a Machu Picchu, Perú, em 2006, através do xamã peruano "Cóndor Negro" e tem como missão transmitir a você o real sentido de sua vida, para despertar seu "Eu Alado", e assim, compreender como alcançar novos horizontes.

Através das práticas xamânicas ancestrais e de outras modalidades de cura xamânicas, você poderá desfrutar de sua verdadeira essência divina!

Não perca tempo para libertar-se do que não lhe serve mais... permita-se, dê um passo além, na sua própria direção, e então tudo poderá ser mudado e recriado por você mesmo!

"O auto-conhecimento é a cura da alma!" e "A Bebida Sagrada é a professora"!

Ritual de Shiva

Shiva é um Deus ("Deva") Hindu, o Destruidor ou o Transformador, integrante da Trimurti (trindade) juntamente com Brahma, o Criador, e Vishnu, o Preservador. Shiva representa o ciclo completo do processo de geração, destruição e regeneração. Existem mil e oito nomes nas escrituras védicas para se referir a Shiva, sendo as mais conhecidas: Mahesha, Mahadeva, Pashupati, Nataraja, Shambo, Shankara, Ardhanaríshvara, Rudra, Bhava, Sarva, Ishan, Bhima e Ugra.

No Xamanismo Ancestral, Shiva é a figura mais importante, não apenas por representar o Pai do Xamanismo Ancestral, mas por possuir essencialmente múltiplas formas e aspectos em um único poder divino.

Sua simbologia é altamente venerada. O aspecto Shankara é a forma shaman de Shiva, que o representa como sendo um grande índio Hindu e o maior devoto do Grande Espírito.

O Ritual de Shiva é celebrado a cada Lua Nova em todo o mundo, não apenas pelos shamans ancestrais, mas por todos os devotos de Shiva.

Este é um ritual de poder, pois a Lua Nova tem a capacidade de iniciar o ciclo de geração de tudo que acontece em nossas vidas.

Neste ritual Shiva Shankara promete mudanças significativas em sua vida através da Bebida Sagrada dos shamans.

Ritual da Chama Violeta

A cor violeta é a cor da Transmutação, de tudo aquilo que não nos serve mais e que não tem mais sentido em nossas vidas. Através do Mestre Saint Germain, nós humanos tivemos a oportunidade de obtermos os resultados transformadores da Chama Violeta, entregue para a humanidade por este querido Mestre Ascensionado.

Neste ritual de transmutação invocaremos a energia da Chama Violeta e de topa a hierarquia divina. São 108 invocações de poder que nos farão sentir na alma a energia de Luz emanada por esta transmutadora cor.

A Bebida Sagrada nos levará de encontro com os ensinamentos da Chama Violeta e do 7º RAIO para ativarmos sua influência em nossas vidas.

Durante o ritual você terá a honra de presenciar com seus próprios olhos a cor violeta tomando conta de todo o espaço físico do ritual e sentirá profundamente a PAZ de espírito que você tanto anseia.

O Grande Mestre Ascensionado Saint Germain é o Ser que dirige os dois mil anos da ERA DE AQUÁRIO. Sua gigantesca missão é LIBERTAR todos os viventes, como também a Mãe-Terra, e isto será realizado por meio da Chama Violeta.


Ritual de Cura Ancestral

Este ritual é dirigido pela Bebida Sagrada dos Shamans. Akaiê conduzirá os passes energéticos e servirá de intermédio entre o Astral e o plano físico para realizar a cura de qualquer doença ou desequilíbrio que está afetando a vida da pessoa.

Você sentirá de perto a energia de destruição de energias negativas do Pai do Xamanismo Ancestral, Shiva Shankara, neste ritual de poder!

Pajelança Ancestral

Neste ritual, Akaiê toma a Bebida Sagrada (Ayahuasca) e entra em contato com o espírito da Ayahuasca, recebendo a visão da doença que está na pessoa, ou que esteja rondando a vida da mesma. Com os sentidos superiores abertos, Akaiê poderá diagnosticar e curar a pessoa necessitada. Após o diagnóstico, Akaiê realiza a cura utilizando-se de uma série de técnicas xamânicas ancestrais.


Ritual da Lua Cheia

O objetivo deste ritual é dar a você condições de manifestar em sua vida tudo aquilo que você quer fazer amadurecer, colher, iluminar, brilhar, e finalizar com êxito!

Entre os shamans ancestrais, o Sol (Surya) e a Lua (Chandra) eram adorados como deuses, já que eram fontes supremas da energia que fluía para a Mãe-Terra. O período da Lua Nova era sagrado, pois o Deus Sol e a Deusa Lua eram um só. Envolvida pela luz do Sol, a Lua ficava carregada de seu poder vital. Na medida em que a Lua crescia, ela gradualmente refletia e distribuía a luz do Sol para a Mãe-Terra, marcando o período fértil e destinado ao crescimento.

Na sua fase Cheia, a Lua se tornava igual ao Sol, liberando para a terra a sua força total de transmissão do poder do "astro-rei". Então, como que exausto de tanta atividade, ela começava a minguar. Na terra, a vitalidade decaía, esperando a renovação da fertilidade quando os dois deuses estivessem unidos outra vez.

No Xamanismo Ancestral, a Lua Cheia é símbolo de fertilidade, poder, sensualidade, representando o sentimento feminino, mostrando como lidar com as emoções e ajudando a trazer lembranças sobre vidas passadas. É uma das energias preferidas para a realização de cultos mágicos e podem proporcionar sonhos muito importantes.


Festival de Solstício de Inverno

O Solstício de Inverno dá-se quando o sol está mais distante do hemisfério sul do planeta e quando entra no signo de Câncer, o signo mais sentimentalista do zodíaco. O Deus Sol, Surya, emana sua energia para a Mãe-Terra de maneira muito fraca, o tempo torna-se frio e a noite é mais longa.

Os povos indígenas sempre utilizaram a natureza como uma fonte de sabedoria para saber como viver, considerando o movimento do sol, as correntes do vento e a época das chuvas para determinar o momento propício para obter alimentos.

Desde tempos imemoriais ele se valeu da observação da natureza para determinar quando é tempo de semear e quando é tempo de colher.

É por isso que para o Xamanismo o festival do Solsticio de Inverno compreende uma série de simbolismos que corroboram a inter-relação que existe entre o indígena e a natureza.

Para a Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral este é o ciclo no qual os espíritos de nossos ancestrais estão mais próximos dos vivos, e o véu entre os dois mundos torna-se mais fino e transparente. Por essa razão os xamãs ancestrais celebram o festival de Solstício de Inverno convidando os espíritos ancestrais para se funtar à festa, com finalidade de ensinar os antigos segredos, tradições e sabedorias.

Para os xamãs ancestrais é no Inverno que aprendemos o conhecimento do Sagrado, como meditar e como reconhecer o poder do pensamento, através da oração. Assim, revelamos nossa eterna gratidão ao Grande Espírito.

Festival de Equinócio da Primavera

O Equinócio da Primavera marca a estação mais florida do ano, quando o Sol passa exatamente sobre a linha do equador e entra no signo de Libra, o signo mais equilibrado do zodíaco.

Para a Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral este festival marca o ciclo do renascimento e da fertilidade, o despertar da vida na terra e é dedicado à nossa primeira mãe, a Mãe-Terra, em especial as plantas e às florestas.

Para os xamãs ancestrais este é o ciclo que nos ensina a colocarmos o carro na frente dos bois e ver o que estamos tentando realizar antes de olhar as limitações. É um ato de criação, do tipo de futuro que queremos para nossa alma. É a preparação para a morte. Morrer para a matéria e renascer para o espírito.



Festival de Solstício de Verão

O Solstício de Verão dá-se quando o sol está mais distante do hemisfério norte do planeta e quando entra no signo de Capricórnio, o signo mais responsável do zodíaco. O Deus Sol, Surya, emana sua energia para a Mãe-Terra de maneira intensa, o tempo torna-se mais quente e o dia é mais longo.

Para a Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral este festival é tanto dedicado ao Deus Sol, Surya, como para a Mãe-Terra, pois é tanto um festival de fogo quanto um festival da água; o fogo sendo um aspecto do Deus Surya e a água um aspecto da Mãe-Terra. A Mãe-Terra e o Deus Surya estão no êxtase de sua união e vemos a Natureza cheia de frutos e flores belos. É o ápice do amor passional entre ambos; a Mãe-Terra reina como a Rainha do Verão e o Deus Surya aproveita seu auge, pois depois começará o seu declínio até o renascer do Inverno.

Para os xamãs ancestrais o Verão nos faz lembrar que a mudança é a essência da vida, pois tudo carrega dentro de si a semente do seu oposto. O Sol está com seu poder no auge, mas a partir daí começa a decair. Vida e morte fazem parte de todos os aspectos na Natureza e em nossas vidas. Por isso este é o ciclo ideal para nos livrarmos do passado, do mesmo modo que a serpente livra-se de sua pele. Para o xamã este é um ato de poder. Livramo-nos não só da dor, mas também da alegria que tivemos do passado. Ao livrarmo-nos do passado, reconheceremos e perdoaremos aqueles que nos prejudicaram e a quem nós prejudicamos.

Festival de Equinócio de Outono

O Equinócio de Outono dá-se quando o Sol passa novamente pela linha do Equador e entra no signo de Áries, o guerreiro do zodíaco. Na verdade, os dois equinócios são pontos de equilíbrio, onde dia e noite se igualam. No entanto, enquanto o Equinócio de Primavera é um período de equilíbrio para preparar-se para a ação, o Equinócio de Outono é um período de equilíbrio para preparar-se para o repouso, pois todo guerreiro precisa descansar para acumular energia para o ciclo que há de vir.

Para a Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral este festival marca um ciclo de recolhimento e agradecimentos por tudo o que tivemos. É o tempo de agradecer também aos nossos ancestrais pelo sangue que corre em nossas veias, pelas características genéticas que deles herdamos e pelas dádivas que eles nos deixaram e nos transformaram naquilo que somos hoje.

Para os xamãs ancestrais este é o tempo ideal para reflexão, refletir sobre as alegrias da vida, a liberdade e a importância de sermos seres-humanos e o tempo ideal para alimentar nossa criança interior.

Ritual do Cachimbo Sagrado

O ritual começa com o xamã invocando os guias e mentores espirituais e honrando o Espírito do Tabaco. As pessoas se sentam em círculo, geralmente com uma fogueira no centro, e o xamã tem o uso da palavra.

Cada pessoa da roda pega o cachimbo do irmão da esquerda, abastece de tabaco e ascende, passando o Cachimbo Sagrado aceso para o dono, dando início às preces, orações e intensões. Depois o xamã inicia a benzeção e pajelança no círculo, comandando os elementais silfos e sílfedes, do elemento ar, a potencializarem a fumaça que sobe para o Mundo dos Espíritos.

Em outro momento as pessoas se dividem, para compartilhar sua experiência, este é o período de muitos desbloqueios, pois jogando para fora seus problemas e ouvindo os problemas das pessoas, conseguimos assimilar e compreender mais perfeitamente nossos próprios problemas.

Todo o ritual é realizado na atmosfera do silêncio, outra característica muito profunda do Ritual do Cachimbo Sagrado, o silêncio dinamiza o ar, o que proporciona uma atmosfera ideal para se comunicar com o Mundo dos Espíritos.

O ritual é finalizado com o Momento da Gratidão, onde agradecemos a todas as energias e espíritos que vieram ao ritual para trazer seus aprendizados e ensinamentos.


Ritual de Cura da Mãe-Terra

Neste ritual apenas poderão participar aquelas pessoas que já foram iniciadas no R'XA (REIKI XAMÂNICO ANCESTRAL).

É realizado um trabalho muito profundo de cura para o planeta. A energia é canalizada e enviada para os pontos da Mãe-Terra que mais precisam de cura, como florestas desmatadas, rios e mares poluídos, regiões desérticas, geleiras, camada de ozônio, lenções d'água, placas tectônicas, entre outros.

A energia canalizada pelos rxanianos é uma energia de 5a dimensão, que visa destruir toda energia de ignorância causada inconsequentemente pelo homem.


Ritual do Rapé

O rapé é o tabaco moído, preparado para ser inalado em rituais de limpeza e energização indígena. Neste ritual o xamã invoca o Espírito do Tabaco e inala o rapé em todas as pessoas presentes no ritual, para entrarem em estado alterado de consciência, onde todo o trabalho de cura é realizado.

Após esse ritual de pajelança com o rapé você se sentirá mais disposto e forte energeticamente, notando claramente que foi efetuado uma grande limpeza nos corpos fisico, emocional, mental e espiritual.

Roda de Tambor

A Roda de Tambor é uma cerimônia de agradecimento ao Grande Espírito e à Mãe-Terra, onde os guardiães das 4 Sagradas Direções são homenageados e honrados, assim como os 4 elementos, os 4 clãs e a Roda de Medicina.

Nesta roda cantamos e dançamos ao som do sagrado tambor, como auto-expressão de nossos sentimentos, amor pelo dom da vida e pela eternidade!

Ao mesmo tempo o som nativo do tambor trará cura e compreensão, nos remeterá a experiências passadas e respeito por nossa ancestralidade!

Nesta Roda de Poder o espírito do tambor conversará com você, mas não através de palavras, mas através do coração.

Cerimônia de Iniciação

Após o aluno receber os ensinamentos de seu mestre xamã e ser aprovado pelo mestre, o mesmo está pronto para receber a shákti do mestre e de seus ancestrais.

Através de um Cerimônia de Iniciação em um local de poder secreto, o mestre e seus alunos passam dias, realizando os últimos testes antes do aluno ser iniciado.

Caso o aluno tenha passado pelos testes finais, o mesmo poderá ser iniciado e integrado assim, à egrégora espiritual do seu mestre xamã. São dias energeticamente intensos, de testes espirituais profundos, sob a bebida sagrada dos xamãs, Ayahuasca.

domingo, 3 de maio de 2009

Dona Rosa Caveira

Dona Rosa Caveira
Uma Pomba Gira nos Himalaias

Por Edmundo Pellizari

Dona Rosa Caveira é um mistério só.

Pomba gira pouco conhecida, tem reputação de maravilhosa curandeira e aspecto inquietante.

Nas imagens populares, ironicamente difíceis de encontrar no Brasil, ela exibe um corpo meio esquelético e meio humano coberto com capa e capucho.

Nos meios tradicionais é dito que ela é a "esposa" de Seu João Caveira, exu da "Velha Guarda" do cemitério e Chefe da Linha dos Caveiras, um grupo de servidores fiéis e muito prestativos.

Em conversa ao pé do congá, com alguns irmãos de fé que também circulam pelos caminhos de algumas religiões de origem bantu (Kimbanda, Cangerê, Cabula), ouvi que Dona Rosa Caveira é protagonista de inúmeras lendas. Uma delas conta que Rosa nasceu no Oriente.

Sétima filha de uma simples família do campo, desde cedo aprendeu com seus pais as artes da cura, pois eles eram afamados xamãs. Sua falecida avó foi sua primeira guia espiritual. Em sonhos, a querida alma da ancestral instruia e aconselhava a neta. Rosa era uma menina privilegiada. Aos dezenove anos ela conheceu um xamã muito mais velho. Eles se apaixonaram e casaram.

Ela então começou um período muito intenso de atendimento espiritual aos cidadãos de sua vila e arredores. Sua vida transcorreu cheia de méritos e bênçãos. Rosa morreria depois de seu marido, saboreando o prazer de uma
existência dedicada os mais necessitados.

Outra lenda nos conta o segredo de seu nome. Ao redor da casinha onde sua família morava existia um roseiral selvagem. No final da gravidez, sua mãe não teve tempo de pedir ajuda à parteira local e a menina nasceu ali mesmo. Daí o nome: Rosa.

Por que caveira?

Em certas regiões do Oriente, sobretudo na Índia, Tibet e Butão, alguns xamãs e yogues utiizam a caveira humana como um cálice ritual. A caveira, assim utilizada, não está relacionada com magia negra ou qualquer arte malévola.

No Budismo Tibetano os Lamas utilizam uma caveira como cálice. Também fazem um pequeno tambor com duas metades de caveira.

Na Índia ele é chamado de Damaru e a caveira de Kapala.

Quando conheci a lenda de Rosa Caveira, imediatamente percebi a conexão com as tradições yogues e tibetanas. Na minha imaginação eu "vi" a grande mestra sentada numa alta montanha, segurando uma caveira e em profundo estado de meditação.

Seria Rosa Caveira tibetana?

Pode ser que a lenda tenha se ocidentalizado e a planta original, que poderia ser o lótus, tenha se transformado em rosa. Neste caso seu nome seria Pema em tibetano. Em sânscrito, seu nome espiritual seria Kapalapadma (Lótus Caveira). Na tradição budista e mágica do Tibet, Mongólia e arredores, existem muitas histórias e lendas com as mesmas características das aqui mencionadas.

O fato é que como Pomba Gira brasileira, na gira do dia-a-dia dos terreiros, Rosa Caveira é um pouco diferente de suas irmãs. Ela não se firmou como "mulher da vida" ou errante marginal. Mas se perpetuou como curandeira poderosa e ponte entre os diversos reinos do astral.

Uma outra curiosidade circunda esta Pomba Gira. Rosa Caveira trabalha e vibra no cemitério. Em algumas tradições orientais, as mesmas mencionadas acima, certo grupo de adeptos utiliza o cemitério para trabalhos espirituais de cura e transformação. Eles são chamados de Kapalikas ou portadores da caveira! As mulheres do grupo, além da caveira transportam um tridente.

Certa vez eu estava caminhando com um amigo indiano pelas ruas do centro de São Paulo. De repente, diante de uma loja de artigos religiosos, ele literalmente ficou paralisado! Uma grande e vermelha estátua de Pomba Gira estava diante de nós. Nua, majestosa, segurando um tridente e com uma caveira nos pés. Shivaji, meu amigo indiano, se curvou aos pés da imagem e disse: "Trishula Kapala Ma! O que você faz aqui?"

Trishula Kapala Ma é a Mãe do Tridente e da Caveira, uma representação do feminino sagrado que pode rondar os lugares de cremação. Ela destrói os fantasmas malignos e os demônios, come as ilusões humanas e resgata as almas das mãos dos seres das trevas. Seu aspecto pode ser "terrível", mas a luz e a bondade emana de seu coração. Atrás do aspecto funesto de Rosa Caveira com certeza brilha a mesma luz. Nela se encontram o Oriente e o Ocidente, o vermelho e o branco, a vida e a morte. Espero ter a humildade de Shivaji e também sempre me curvar diante do sagrado feminino.

Terrível ou bondoso, que importa?

sábado, 2 de maio de 2009

Mantras Xamânicos ancestrais

Em quase todos os rituais, cerimônias, jornadas, vivências, palestras e encontros xâmanicos o participante observará a presença da entoação de diversos cantos, cantigas e mantras.

A palavra MANTRA provém do Sânskrito, o idioma sagrado da Índia antiga, e seu significado etmológico deriva da raíz MAN e do sufixo TRA. MAN por sua vez deriva da palavra MANAS que significa mente. e TRA deriva da palavra TRANA, que significa controle. Assim, mantra é a combinação de sons que proporciona o controle da mente, nos sintoniza com a freqüência do amor, nos traz recolhimento e tranqüilidade. O mantra é uma oração cósmica ou vibração sonora cósmica.

O Sânskrito é considerado a língua mãe da humanidade. Sua gramática é elaboradíssima. Os mais antigos textos sagrados: os quatro Vedas, os Upanishades, os Puranas, os épicos Ramayana e Mahabharata, Bhagavad-gita e muitos outros, são escritos em Sânskrito. Uma característica única desse idioma é que uma vasta porção de seu vocabulário é constituído de palavras que expressam, com extrema precisão, os esotéricos e intrincados conceitos referentes à espiritualidade e Transcendência. Nenhuma outra língua no mundo tem tal afinidade com os assuntos espirituais.

Lemos no dicionário Novo Aurélio: "Mantra [Do Sânskrito mantra, "instrumento para conduzir pensamento"]. No tantrismo, fórmula encantatória que tem o poder de materializar a divindade invocada." Com referência a essa definição, queremos mostrar que o conceito de "mantra", ao invés de se fechar exclusivamente no tantrismo que, de acordo com o dicionário, é "caracterizado pela magia e ocultismo", pode abrir-se para diferentes enfoques e revelar caminhos de espiritualidade de extremo valor.

As escrituras sagradas da Índia apontam que os mantras surgiram a mais de dez mil anos atrás, a partir da revelação de um dos principais livros sagrados, o Rg Veda.

A palavra Rg provém de rich, que significar cantar, celebrar. Sendo assim, o Rg Veda é composto de cânticos dedicados a Agni, o Deus do Fogo.

O mantra é uma composição de palavras de natureza exclusivamente espiritual, sem nenhuma conotação secular. Essas palavras possuem a potência intrínseca de atuar diretamente na consciência da pessoa. Devido à sua natureza puramente espiritual, o mantra tem o poder de elevar a consciência da pessoa, do nível material ao espiritual. Na consciência espiritual, a consciência individual conecta-se com a Transcendência.

Podemos nos conectar com tais planos de consciência superiores basicamente de duas maneiras. Primeiramente, desenvolvendo-se uma potencialidade específica intrínseca da natureza humana, a intuição espiritual, ou como normalmente é designada, a fé. Quando a fé está consubstanciada num intelecto purificado e forte, as possibilidades de se captar insights da Transcendência são ilimitadas. A conexão da consciência individual com a Transcendência é feita a partir da meditação, da oração, da reflexão, da contemplação e, também, do doar-se.

Outra possibilidade de conexão com a Transcendência é através da prática de Mantra-Yoga. Essa prática pode ser sonora ou mental. A grande virtude do mantra é que o próprio som do mantra é investido de poder para desvendar e revelar realidades concernentes a planos de consciência superiores. É afirmado nas escrituras védicas que os nomes que designam a Divindade têm o poder, embutido na própria palavra, de revelar essa Divindade à consciência individual. Como é afirmado no texto sagrado Padma Purana: abhinnatvan nama-naminoh, "existe identidade (não-diferença: abhinnatva) entre o nome e aquilo que está sendo nomeado".

No plano de existência material-fenomenal, empírico e relativo em que vivemos, existe sempre uma dicotomia qualitativa entre a palavra e seu significado. A palavra "água" e a substância "água" são entidades diferentes. A conexão entre a palavra e a substância é meramente subjetiva. O pronunciar de "água" não aplaca a sede. Já, no plano absoluto espiritual, a palavra em si encerra a potência vibratória que representa. Mesmo não conhecendo o significado, a vibração sonora do mantra vai atuar na consciência de quem o emite, assim como de quem escuta. É como um remédio apropriado para determinada enfermidade, mesmo sem conhecermos sua fórmula somos beneficiados por sua ação curativa, obviamente se for usado de acordo com as prescrições médicas.

A repetição sistemática do mantra é, comprovadamente, um eficaz exercício para as funções mentais. Esse é o efeito mais tangível da prática de Mantra-Yoga. Com essa prática, a mente e o intelecto tornam-se mais "elásticos", "flexíveis", fortes, concentrados e controlados. Por outro lado, corrige-se a tendência à dispersão, falta de foco, preguiça mental, em suma, todos os tipos de limitações e travações mentais. Essa prática pode ser executada através da meditação silenciosa ou repetição sonora, como um murmúrio, denominado japa. Em ambas práticas, prescreve-se uma postura sentada ereta (ásana), mente livre de qualquer turbulência ou distração e total concentração no som do mantra.

O mantra também pode ser cantado em voz alta, agregando-se a ele uma melodia. Isso chama-se kírtana, ou sankírtana, quando o canto é feito em grupo. Esse canto pode também estar associado à dança. Essa prática, se executada com absorção, espontaneidade e arrebatamento, é considerada como uma meditação dinâmica. O importante nessa prática é a pura expressão da alma. Deve-se, portanto, coibir as expressões corpóreas sensuais, que prendem a consciência ao plano físico grosseiro. O contato sistemático com o som puro do mantra purifica a mente. A pessoa adquire maior capacidade para manter sob controle as chamadas "paixões irracionais", como, ira, cobiça, inveja, ciúme, luxúria, assim como muitas outras dinâmicas mentais perversas, como diferentes tipos de compulsão, medos injustificados, depressão, tendências à lamentação, auto-piedade, intriga, fofoca, etc.

O mantra abre os canais da consciência para percepções supra-sensoriais e sintoniza a consciência com níveis vibratórios superiores. Isso ocorre simultaneamente em duas vias: emissão e recepção. A emissão de vibração sonora mântrica, através de ação individual consciente e deliberada, faz com que a mente e a consciência, como um todo, vibre na mesma freqüência espiritual do mantra. Por sua vez, essa vibração espiritual emitida irá atrair uma vibração espiritual arquetípica, de mesma freqüência, presente no éter. Esse mesmo princípio rege o funcionamento de um aparelho receptor comum de radiodifusão, o rádio de cabeceira ou o radinho de pilha: ele emite determinada freqüência que, por sua vez, atrai as ondas da mesma freqüência presentes no éter, que estão carregadas com as mensagens sonoras que foram emitidas na estação transmissora. De forma similar, a consciência individual pode conectar-se com a Transcendência e receber energia espiritual pela prática de Mantra-Yoga. A consciência da pessoa fica sobrecarregada com energia espiritual.

Por fim, a prática do mantra causa uma revolução no coração. Os mais refinados sentimentos de amor a Deus (o Grande Espírito), que podem fazer "amolecer" os corações mais duros, são "efeitos colaterais" do mantra. Muitas pessoas, hoje em dia, geralmente com certa escolaridade, mas carentes de cultura espiritual, desenvolvem uma atitude fria, indiferente, crítica e, até, cínica, com respeito à espiritualidade. A tendência é desdenhar a consciência religiosa, considerando-a meramente sentimental e piegas. A idéia de Deus é tida como algo concebido pela mente humana. Considera-se que a fé é um mecanismo mental vicioso para compensar alguma carência psíquica. Com isso, a vida em nosso plano de existência perde todo o caráter sagrado. O próprio fenômeno da consciência e do milagre da vida são tratados com a mesma metodologia mecanicista e reducionista usada na manipulação dos fenômenos e elementos físicos grosseiros. Essa maravilhosa criação cósmica fica reduzida a um fluxo aleatório de forças exclusivamente materiais, sem nenhum vínculo com a Transcendência.

Dessa forma, pela prática do mantra pode-se reverter radicalmente esse quadro. É o que podemos chamar "mudança de paradigma". Uma nova visão de mundo passa a enfocar mais as maravilhas do fenômeno da vida, assim como a realidade de Deus e nossa dependência nEle. A vida passa a ter um significado, assume uma nova dimensão. O meio ambiente, por mais adverso que seja, deixa de implacavelmente influenciar a consciência. A consciência desperta, superando assim o perigo da alienação, ignorância e auto-destruição. Olha-se sempre para frente, do passado, só os ensinamentos derivados das experiências. A morte, que normalmente é tida como o terror da vida, passa ser o marco de uma renovação super-auspiciosa, fim de um ciclo e começo de um outro, melhor. Por fim, no coração acende-se a chama beatífica do amor ao Grande Espírito, a máxima conquista da existência terrena.

O mantra OM (AUM) é o som primordial que contém todos os outros sons e do qual toda a criação surgiu. Segundo as escrituras sagradas da Índia, os Vedas, é a sílaba mística, o corpo sonoro do Grande Espírito. É a essência interior de todos os mantras. É a palavra sagrada da qual emana todo o universo. OM é uma invocação, uma bênção, é a vibração da própria alma.

Escreve-se AUM, mas se pronuncia OM. É o símbolo da Divindade Suprema. As três letras representam os três aspectos do Grande Espírito:




Deus Criador, Deus Conservador, Deus Transformador. É a Trindade da Unidade.

Sendo o Xamanismo Ancestral o Xamanismo da Índia antiga, grande parte de suas canções, orações e invocações estão em Sânskrito.

TIPOS DE MANTRAS

Existem praticamente três tipos de mantras:

1. Bij mantra
2. Mantra
3. Mala mantra

O Bij mantra é conhecido como mantra-semente, são mantras que possuem de uma a dez letras. Na extensa gama de mantras-sementes consta o OM (AUM), o mantra mais conhecido de todos. Outros exemplos: LAM, VAM, RAM, YAM, HAM, SHAM e etc.

O Mantra possui de dez a vinte letras, por exemplo: OM NAMO VISHAYA NAMAH. Usado para reverenciar o Senhor Shiva.

O Mala mantra é aquele que possui mais de vinte letras, por exemplo:

NAMO ARIHANTANAM
NAMO SIDDHANAM
NAMO AYARIYANAM
NAMO UVAJJHAYANAM
NAMO LOESAVVASAHUNAM
ESO PANCA NAMOKARO SAVVA PAVAPANASAYO
MANGALANAM CA SAVVESIMA
PADHAMA HAVAI MANGALAM

Sua tradução é: "Reverencio aqueles que já venceram todos os inimigos internos, ignorância, orgulho, ganância, raiva, etc. Reverencio aqueles que despertaram a consciência, os mestres, orientadores espirituais e os sábios."

Existem também os chamados hinos mântricos (richas), que são cânticos devocionais de alguma divindade específica. Os hinos mântricos são mais utilizados na prática de Bhakti-yoga, uma das setes linhas tradicionais do yoga.

Os mantras também podem ser divididos em outras categorias, quanto ao gênero, por exemplo:



Masculino, caso termine com VASHAT ou FAT;
Feminino, caso termine com VOUSHAT ou SWAHA;
Neutro, caso ele termine com NAMAH.

Podemos ainda classificar os mantras conforme o seu temperamento: quente, frio ou morno. Para sabermos qual é o temperamento exato de um mantra, devemos observar a recorrência de certas sílabas:


Quente, a, á, i, í, e, é, ka, cha, ta, pa, ya, sha, kha, tha, fa, ra, etc.
Frio, u, ú, ga, já, da, ba, la, ri, ó, dha, gha, bha, va, ma, etc.
Morno, iri, xa, ang, yan, na, ana, ma, sh, há, etc.

COMO EMITIR UM MANTRA

Um mantra pode ser emitido de diversas maneiras, tais como:

Através de Kirtans: vocalizações devocionais de forma extrovertida. É uma maneira celebrativa de entoação que envolve dança.

Através de Japa: repetição contínua e ininterrúpta de um mantra. Neste caso, sem melodia. Sua finalidade é induzir a parada do pensamento, de maneira introspectiva. Essa prática é feita com uma espécie de rosário de 108 contas, conhecido como Japa Mala.

Através de Manas: a mentalização de um mantra. Este meio é mais eficiente que a vocalização, por não ser audível.

MANIFESTAÇÃO DE UM MANTRA

O som (shabda), antes de se manifestar no mundo das formas, passa por uma série de estágios distintos. A Escola Tântrica procura elucidar esse processo dividindo esses estágios em quatro:


Para Vag: É o som ainda não manifesto, existindo apenas como potencialidade, sendo portanto, inaudível.
Pacyanti Vag: É o som manifestado como imagem ou ideação, num plano ainda muito sutil.
Madhyama Vag: É o som manifestado no plano mental, ou seja, em forma de pensamento.
Markhari Vag: É o som articulado, que já se tornou audível através da fala.

COMO MELHOR ENTOAR UM MANTRA

Um mantra tem o poder de produzir o seu efeito sob qualquer condição, porém, se entoarmos um mantra observando algumas regras, poderemos intensificar o seu poder de ação.

HORÁRIO:

O melhor horário para entoar um mantra é no horário de Brahma, entre às quatro e seis hora da madrugada. Nesse período do dia o ar está mais limpo e também mais carregado de prana (energia vital). Outro horário indicado a essa prática seria ao entardecer, momento em que o metabolismo do corpo favorece atividades dessa natureza.

AMBIENTE:

É fundamental a preparação de um ambiente propício a concentração, limpo, espaçoso e silencioso. É bastante aconselhável ascender um incenso para purificar tanto o corpo quanto o ambiente.

POSIÇÃO:

O praticante deve sentar-se em posição de lótus (vrajasana), sobre uma esteira de palha e, de preferência, voltado para a Direção Norte.

APLICAÇÕES PRÁTICAS

Durante uma entoação, o praticante deve fechar os olhos e centrar a mente no chakra frontal (situado no meio testa).

Para iniciar e finalizar qualquer prática, entoe o pranava omkara, que consiste na repetição da sílaba universal OM por três vezes.

Aos iniciantes é recomendado a repetição de um mantra em voz alta, para que a atenção se fixe mais facilmente nos sons. Com a prática pode-se experimentar outras formas de entoação como, por exemplo, manas, que consiste apenas na mentalização do mantra.

A repetição constante de um determinado mantra tem o poder de acalmar todas as atividades mentais.

Durante a entoação de um mantra não se pode estar sob efeito de drogas, inclusive bebidas alcoólicas e cigarro. Aconselha-se também que, antes e depois de uma sessão, sejam evitados alimentos de origem animal.

MANTRAS DOS DEUSES SUPREMOS

BRAHMA MANTRA

Om Hrim Brahmaya Namah

VISHNU GAYATRI MANTRA

Om Narayana Vidmahe
Vasudevaya Dhi Mahi
Tanno Vishnu Pracodayata

SHIVA GAYATRI MANTRA

Mahesaya Vidmahe
Mahadevaya Dhi mahi
Tannaha Shivaha Pracodayata

MANTRAS NO XAMANISMO ANCESTRAL

Diversos mantras são entoados no dia a dia, nos rituais, pujas, celebrações e cerimônias, porém, apenas os principais serão aqui apresentados:


MAHA-MANTRA HARE KRISHNA

Este mantra é considerado o mais sagrado pelo Xamanismo Ancestral.

Dentre os muitos mantras da tradição védica, este em particular, tem uma importância especial. Trata-se do Maha-Mantra Hare Krishna. (Maha-mantra significa "grande mantra"). Esse mantra védico está enunciado no Kalisantarana Upanishad, verso seis do quinto capítulo. É formado por três palavras-Hare, Krishna e Rama-que se combinam de um jeito bem particular. Essa mesma escritura explica: "Essas dezesseis palavras do maha-mantra tem o poder de neutralizar os efeitos negativos da sofrida era de Kali (Kali-yuga) em que vivemos. Todas as escrituras confirmam que não existe processo mais potente de elevação espiritual que o canto ou meditação desse mantra."

Foi revelado por Chaitanya Mahaprabhu e deve ser entoado no mínimo 108 vezes ao dia. O Movimento Hare Krishna da ISKCON é o responsável pela disseminação do Maha-Mantra no Ocidente, através de sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Mantra:

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare.

Significado:

Hare: "Ó Hara, ó Radha, potência de prazer de Krishna (o Grande Espírito), me faça qualificado para servir a Krishna".

Krishna: "Ó Krishna, porfavor, atraia a minha mente e purifique-a".

Rama: "Ó Rama, me dê o gosto transcendental do serviço a Hari".

Hari significa capturar, cativar. Então, hari pode ser hari-e, que está no vocativo. "Ó Hari, captura a minha mente, me abrigue a seus pés de lótus", ou "Ó Hara, me ajude a alcançar Hari!"


SHIVA SHANKARA-MANTRA

Shiva Shankara é a personalidade, após o Grande Espírito (Sri Krishna), mais importante no Xamanismo Ancestral. Ele foi quem trouce de Shivaloka, sua morada eterna espiritual, todo o conhecimento xamânico à humanidade. Este mantra é entoado na abertura e no final de todos os rituais e cerimônias xamânicas ancestrais.

Mantra:

Om Namo Shivaya Shankara Namah

Significado:

Ó meu Senhor Shiva Shankara, Pai do Xamanismo Ancestral, ofereço-vos minhas respeitosas reverências.


SHIVA MAHIMNAH STOTRA

Stotra de adoração ao Senhor Shiva. Entoado nas cerimônias de celebração e pujas dedicados ao Senhor Shiva.

Stotra:

Bahula rajase vishvotpattau bhavaya namo namah
Prabala tamase tat samhare haraya namo namah
Jana sukha krite sattvo driktau mridaya namo namah
Pramahasi pade nistrai gunye Shivaya namo namah

Significado:

Repetidas saudações ao Senhor da existência (bhavaya), que deu nascimento ao Universo, na forma de Brahma como Criador, que é possuidor da qualidade de Rajoguna.

Repetidas saudações a Hara, epíteto de Shiva que emerge como Rudra, o que renova o Universo, e destrói o próprio ego, que abunda no aspecto de Tamoguna (tamase).

Repetidas saudações a Mrida, epíteto de Shiva como o misericordioso e compassivo que aparece como satvodrikti, que é rico em pureza ou sattva (bondade), a manifestação de Vishnu.

Repetidas saudações ao Senhor Shiva, o auspicioso, que possui todas as formas, sendo sem forma e resplandecente, que é desprovido dos três gunas (tamas, raja e sattva) ou qualquer definição de qualidade ou atributo.


SHIVA MANTRA

Outro poderoso mantra de reverência ao Senhor Shiva. Este mantra define que Shiva é a suprema realidade. Neste mantra Shiva torna-se nossa verdadeira identidade, nosso verdadeiro ego. Ao entoar, nos curvamos em reverência ao Senhor Shiva, e sua vibração contínua, alimenta nosso coração da consciência nociva que nosso ego possui, de tornar-se o desfrutador central de todas as coisas. Cantando este mantra de poder não será mais necessário a execução de austeridades, meditação ou práticas de yoga. Nem mesmo rituais ou cerimônias a Shiva serão mais necessários se entoarmos continuamente este poderoso mantra. Ele nos torna livres de todas as restrições. Ele pode ser entoado por qualquer pessoa e sua ação é totalmente purificatória.

Mantra:

Om Namah Shivaya

Significado:

Eu me curvo reverentemente ao Senhor Shiva.


VASUDEVAYA MANTRA

Este mantra afirma que Krishna (o Grande Espírito) é a Personalidade de Deus original, e que todas as outras são Suas porções plenárias diretas e indiretas, ou porções das porções. Muito entoado antes de qualquer ensinamento oriundo das sagradas escrituras védicas.

Mantra:

Om Namo Bhagavate Vasudevaya

Significado:

Eu me curvo reverentemente à Suprema Personalidade (o Grande Espírito).


SRI GANESHA STOTRA

Stotra de adoração ao Senhor Ganesha. Entoado na abertura de todas as cerimônias xamânicas ancestrais.

Mantra:

Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva
Mata Shri Parvai, Pita Mahadeva
Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva
Ek danta, dua danta, char bhuja dhari
Kapal bhari raato sindoor musa ko sawari
Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva

Significado:

Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses
Sua mãe é a senhora Parvati, seu pai Mahadeva
Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses
Você que tem dois tipos de dentes e quatro braços fortes
Você que tem vermillion na testa
E cavalga em um rato
Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses


SRI GANESHA MANTRA

Mantra dedicado ao Senhor Ganesha, o removedor de obstáculos. Considerado o mantra do sucesso, vitória, prosperidade, conhecimento e iluminação. Este mantra é a personificação da Suprema Consciência, que remove todas as obstruções em favor de nossa purificação espiritual, progresso e perfeição. Bastante entoado também por todos aqueles que precisam de proteção em atividades que envolvam intervenção de pessoas invejosas.

Mantra:

Om Sri Ganeshaya Namah

Significado:

Eu me curvo reverentemente ao Senhor Ganesha, o removedor de obstáculos.


AMRITA MANTRA

Mantra de reverência à bebida sagrada "Amrita", bebida tão sagrada na Índia quanto à Ayahuasca para os Índios Sulamericanos. Conhecida como a bebida da imortalidade. Seu feitio é realizado nas noites de Lua Cheia e Nova.

Mantra:

Om namo Soma Amrita Namah

Significado:

Eu me curvo reverentemente a Ti ó Soma (Deus da Lua), produtor do Amrita, a bebida da imortalidade.


VISHNU-MANTRA

Quando entoado separadamente de qualquer outro mantra serve para garantir a real intensão e perfeição das práticas ritualísticas e espirituais. Entoado no final de todos os rituais e cerimônias.

Mantra:

Om Tat Sat

Significado:

Grande Espírito (Suprema Personalidade), não há separação entre Tú e eu.

MANTRAS PARA FINS ESPECÍFICOS


MRITYUNJAYA MANTRA

Usado para prolongar a vida e reforçar o processo de cura.

Mantra:

Om Jum Sah Vasata


AGNI PRAKAR MANTRA

Possui vibrações protetoras.

Mantra:

Om trailokya Raksharakshaum Phat Swaha


DIGBANDH MANTRA

Usado para evitar acidentes.

Mantra:

Om Aidrim Chakrena Badhnami Namaschakraya Swaha


DASAKSHAR MANTRA

Usado para curar enfermidades.

Mantra:

Hum Khe ca che Kshah Strim
Hum Kshe Hrim Phat


TRAYAKSHARI MANTRA

Tem o poder de amenizar sentimentos de culpa.

Mantra:

Strium Hum Phat


DWI AKSHARI MANTRA

Evita desavenças e inimizade.

Mantra:

Khe ca


TRIPURA MANTRA

Traz saúde e felicidade.

Mantra:

Kubjika Tripura Gauri
Chandrika Visaharini

MANTRAS USADOS NO RITUAL DE SHIVA


SHIVA ARATI MANTRA

Namah Shivaya Shantaya
Karanatraya Hetave
Nivedayami Chatmanam
Gatistvam Parameshwara

Jaya Shiva Omkara Hara Shiva Omkara (2x)
Brahma Vishnu Sadashiva (2x)
Ardhangi Dhara
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)

Ekanan Chaturanan Panchanan Raje (2x)
Hansasan Garudasan (2x)
Vrishvahan Saje
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)

Do Bhuja Char Chatura Bhuj Das Bhuj
Te Sohe (2x)
Tino Rup Nirakhta (2x)
Tribhuvana Jana Mohe
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)

Aksha Mala Vanamala Rund Mala Dhari (2x)
Chandan Mrig Mad Chanda Bhole (2x)
Shubha Kari
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)

Svetambar Pitambar Baghambar Ange (2x)
Sanakadik Brahma Dik (2x)
Bhuta Dik Sange
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)

Kar-me Shreshta Kamandalu Chakra
Trishul Dharta (2x)
Jag Karta Jag Harta (2x)
Jag Palan Karta
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)

Brahma Vishnu Sada Shiv Janat Aviveka (2x)
Pranavakshar Ke Madhye (2x)
Ye Tino Eka
Om Hara Hara Hara Mahadev (2x)


CHANDRASHEKARAYA MANTRA

Chandrashekaraya Namah Om Gangadharaya Namah Om
Shiva Shiva Shivaya Namah Om Hara Hara Haraya Namah Om
Shiva Shiva Shivaya Namah Om Maheshwaraya Namah Om


DAM DAM DAM MANTRA

Dam Dam Dam Dam Damaru Bhaje
Dam Dam Dam Dam Dama Damaru Bhaje
Hara Bola Natha Shiva Shambo Bhaje
Kashi Vishwanatha Shiva Shambo Bhaje

Dama Dama Dama Dama Damaru Bhaje
Dama Dam Dama Dam Damaru Bhaje
Hara Gauri Natha Shiva Shambo Bhaje
Kashi Vishwanatha Shiva Shambo Bhaje

Ghana Ghana Ghana Ghana Ghanta Bhaje
Ghana Ghan Ghana Ghan Ghanta Bhaje
Kashi Vishwanatha Shiva Shambo Bhaje
Hara Bola Natha Shiva Shambo Bhaje


SHAMBA SHIVO JAYA MANTRA

Shamba Shiva Jaya Shambha Shivo Jaya Shamba Shivo Jaya Shamba Shivo
Om Mata Om Mata Om Sri Mata Shambha Shivo Om Sri Mata Shambha Shivo


KAILASH PATI SHIVA MANTRA

Kailash Pati Shiva Shankar Ki Jaya Jaya
Ganga Ki Jaya Jaya Yamuna Ki Jaya Jaya


JAYA JAYA SHAMBO MANTRA

Jaya Jaya Jaya (Shiva) Shambo Hara Hara Hara Shambo
Mahadeva Shambo Mahadeva Shambo


HARA HARA HARA HARA MANTRA

Hara Hara Hara Hara Namami Shankara Bhajamana Hari Ram
Hara Hara Shiva Shiva Sadashiva Bhajamana Hari Ram
Shiva Shiva Hara Hara Sadashiva Bhajamana Hari Ram
(He) Bhajamana Hari Ram


SHAMBO GANGADHARA MANTRA

Shambo Gangadhara Gauri Manohara
Gauri Manohara Gangadhara
Shambo Mahadeva Gauri Manohara
Gangajata Dhara Chandrakala Dhara
Chandrakala Dhara Shambha Shiva (Hara)
Shambo Mahadeva Shambha Shiva
Gangajata Dhara Shambha Shiva
Gauri Manohara Shamba Shiva (Hara)
Shambha Shiva (Hara)
Shambha Shivo Jaya Shambha Shiva


GANGAJATA MANTRA

Gangajata Dhara Gauri Shankara
Girija Mana Ramana
Jaya Mrityunjaya Mahadeva Maheshwara
Mangala Shubha Charana
Nandi Vahana Naga Bhushana
Nirupama Guna Sadana (Hara)
Natana Manohara Nila Kantha Hara
Niraja Dala Nayana


OM SHIVA MANTRA

Om Shiva Om Shiva Paratpara Shiva
Omkara Shiva Tava Sharanam

Eka Natha Girijapati Shankara
Mahadeva Shiva Tava Sharanam

Uma-vi Shankara Praja-vi Shankara
Uma Maheshwara Tava Sharanam

Gauri Shankara Ganga Shankara
Samba Sadashiva Tava Sharanam


SHIVAYA PARAMESHWARAYA MANTRA

Shivaya Parameshwaraya
Chandrashekaraya Namah Om

Bhavaya Guna Sambhavaya
Shiva Tandavaya Namah Om


BOLO BOLO SABMILA BOLO MANTRA

Bolo Bolo Sabmila Bolo Om Namah Shivaya
Om Namah Shivaya Om Namah Shivaya

Jut Jata Me Gangadhari
Trishula Dhari Damaru Bajave

Dama Dama Dama Dama Damaru Baje
Dhun Chita-o Namah Shivaya


SHIVA SHAMBO MANTRA

Shiva Shambo Hara Hara Shambo
Bhavanasa Kailasa Vilasa
Parvati Pate Pashupati Pate
Ganga Dhara Shiva Gauri Pate


NATARAJA MANTRA

Nataraja Nataraja Nartana Sundara Nataraja
Shivaraja Shivaraja Shivakami Priya Shivaraja

Chidambaresha Nataraja
Parthi Purishwara Nataraja


HARA HARA MAHADEVA MANTRA

Hara Hara Mahadeva Shambo
Kashi Vishwanathi Gange

Kashi Vishwanathi Gange
Kashi Amarnatha Gange

Hara Hara Mahadeva Shambo
Kashi Vishwanathi Gange


SAMBA SADASHIVA MANTRA

Samba Sadashiva Samba Sadashiva
Samba Sadashiva Samba Sivom Hara

Om Mata Om Mata Om Sri Mata Jagadamba

Uma Parameshwari Sri Bhuvaneshwari
Adi Para Shakti Devi Maheshwari


SHAMBO MAHADEVA MANTRA

Shambo Mahadeva Chandra Chuda
Shankara Samba Sadashiva

Ganga Dhara Hara Kailasa Vasa
Pahimaam Parvati Ramana


SHIVA SHIVA MAHADEVA MANTRA

Shiva Shiva Mahadeva Namah Shivaya Sadashiva
Shiva Shiva Mahadeva Namah Shivaya Sadashiva

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare

Narayana Hari Narayana Hari Narayana Hari Om
Narayana Hari Narayana Hari Narayana Hari Om

Om Hari ... Om Krishna... Om Rama... Om Shiva

Bhagawan Sri Shivananda Bhagawan Sri Shivananda
Bhagavan Sri Shivananda Om
Bhagawan Sri Vishnu Swami Bhagawan Sri Vishnu Swami
Bhagawan Sri Vishnu Swami Om

Guru Maharaj Gurudevo Guru Maharaj Gurudevo
Guru Maharaj Gurudevo Sat Guru Shivananda Om


Autor: Akaiê Sramana

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Entrada no silêncio

Em uma verdadeira ENTRADA NO SILÊNCIO, não deverá haver desvio ou chamamento da atenção externa. A consciência deverá permanecer positiva, ativada. Os corpos do sentimento e do pensamento, bem como o etérico e o físico, deverão ser disciplinados para guiarem sua energia à fonte, a Presença "EU SOU".

Nunca será permitido, durante este período, deixar-se levar por múltiplos pensamentos, sentimentos, recordações ou por algum cansaço físico, os quais, muitas vezes, se apresentam reduzindo a tensão corporal.

Geralmente, é mais prazeiroso ao discípulo iniciante fazer os apelos, mantrans, afirmações e visualizações, ocupando a energia dos seus corpos com este trabalho, uma vez que é, consideravelmente, mais difícil fazer os exercícios espirituais NO SILENCIO e conservar os corpos inferiores NO MAIS COMPLETO ESTADO DE QUIETUDE, para que as bênçãos possam ser RECEBIDAS.

Muitas vezes, o discípulo entrega-se a uma agradável sonolência ou brinca com os seus variados pensamentos e sentimentos sem nexo; desta maneira, não poderá participar da benção de uma Contemplação.
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TODO BEM seja suprimento, saúde, fé, força, amor ou purificação VEM DE DEUS, a Fonte de toda Vida. Estas dádivas são distribuídas pelos Seres elevados, através dos Mensageiros Divinos. Mas o discípulo não poderá receber a abundância destes bens e virtudes, enquanto não houver aprendido sua lição e instruído seus corpos inferiores, para ser-lhe permitido, por meio dos apelos, a entrada da misericórdia divina nesses mesmos corpos. Falai a eles: "PAZ, sede silenciosos!" Exercitai esta comunhão espiritual com vosso Deus - "EU SOU", a Presença Divina, até que participeis de Sua Bênção!

Um dos mais surpreendentes fatores negativos da personalidade humana é a incapacidade que ela tem para pôr-se no estado de calma. Não aquela letargia de sono, porém um estado de alerta e expectante quietude de mente e sentimento, no qual a intuição da individualidade divina pode iluminar a consciência externa. Esta quietude é o primeiro requisito para a união com o Cristo - a "Presença Mestra" - como também é chamado. Quanto mais perfeita for a atitude de receptividade que um discípulo possa desenvolver, maior será a quantidade de ação vibratória superior do Cristo Interno pronta a ancorar-se na consciência externa e expressar sua manifestação.

Maha Chohan


Texto retirado do Livro Eu Sou o Eu Sou – Ponte Para a Liberdade