terça-feira, 23 de abril de 2013

Ogum

Ogum, que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós, em forma de prece, e que sejam ouvidas

Que esta prece corra o mundo e o universo, e chegue até os necessitados em forma de conforto para as suas dores.

Que corra os quatro cantos da Terra e chegue aos ouvidos dos meus inimigos, em forma de brado de advertência de um filho de OGUM, que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o destino.

OGUM, padroeiro dos agricultores e lavradores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis como o trigo que cresce e alimenta a humanidade, nas suas ceias espirituais, para que todos saibam que sou teu filho.

OGUM, Senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel seguidor do teu exército, e que nas minhas caminhadas só haja vitórias.

Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja um vitorioso, pois nós, os vossos filhos conhecemos a luta, como esta que travo agora, embora sabendo que é só o começo, mas tendo o Senhor como meu pai, minha vitória será certa.

OGUM, meu grande pai e protetor, fazei com que o meu dia de amanhã seja tão bom como o de ontem e hoje, que minhas estradas sejam sempre abertas, que eu trabalhe para que no meu jardim só haja flores, que meus pensamentos sejam sempre bons e que aqueles que me procuram consigam sempre remédios para seus males.

OGUM, vencedor de demandas, que todos aqueles que cruzarem a minha estrada, cruzem com o propósito de engrandecer cada vez mais a Ordem dos Cavaleiros de OGUM.

Pai, daí luz aos meus inimigos, pois eles me perseguem porque vivem nas trevas, e na realidade só perseguem a luz que vós me destes.

Senhor, livrai-me das pragas, das doenças, das pestes, dos olhos-grandes, da inveja, das mentiras e da vaidade que só leva a destruição. E que todos aqueles que ouvirem esta prece, e também aqueles que a tiverem em seu poder, estejam livres das maldades do mundo.
Que em meus caminhos, possa eu seu filho ser merecedor das vossas Bênçãos: a espada que me encoraja, o escudo que me defende e a bandeira que me protege. Meu Pai OGUM, não me deixe cair, não me deixe tombar! PATACURI OGUM! OGUM YÊ, MEU PAI

domingo, 14 de abril de 2013

Quatro aspectos da mediunidade sem instrução


O estudo contínuo dos assuntos relacionados à mediunidade na Umbanda remove dentre seus seguidores dezenas, quiçá centenas, de crendices, costumes e hábitos que têm se mostrado nocivos à própria Religião.  Muitos umbandistas têm uma visão deturpada do que significa o dom mediúnico em suas vidas e dentro dos terreiros. Centenas de adeptos desenvolvem uma mediunidade repleta de entendimento errôneo, suposições equivocadas e vícios comuns a pessoas que pouco, ou quase nenhum, acesso têm à informação. Muitos desses equívocos são provocados justamente pelo desconhecimento. Os maus hábitos acumulam-se ao longo do tempo e transformam-se em vícios que necessitam de tratamento imediato. Os erros acontecem aos montes causando muito desconforto aos Caboclos de Aruanda, que vez por outra precisam intervir para remediar a situação.

A culpa de tais problemas poderia ser atribuída a muita gente: Chefes de Terreiro despreparados, médiuns afoitos ou de pouca instrução, seguidores pouco compromissados com a religião, dirigentes desinteressados e até mesmo Espíritos desencarnados causadores de demandas. A realidade mostra, porém, que a maior causa de todos os problemas que afetam a missão do umbandista é unicamente a falta de estudo. Sem o mínimo conhecimento de tudo o que envolve o mecanismo da mediunidade, assim como em muitos outros aspectos da vida comum, os erros grosseiros e infantis acontecem em profusão. A mediunidade, a partir de uma prática sem base teórica, tende a ser conduzida como um brinquedo nas mãos de infantes.

A mediunidade não é superstição. Partindo da premissa de que deve ser exercitado numa perfeita união entre a Fé e a Sabedoria, o dom mediúnico transforma-se em valioso instrumento de propagação das verdades espirituais. De outra forma, a mediunidade equivocada é conduzida do mesmo jeito como o adivinho faz com as entranhas de um animal. Não há verdades. Tudo é subjetivo e enganoso. Falta ciência e sabedoria.

A mediunidade supersticiosa transforma os Guias Espirituais em oráculos domésticos, onde os mais ínfimos problemas de ordem inferior são levados em conta. Assim, o Preto Velho passa a ser o informante da traição de um marido ou do futuro econômico de um filho carnal. O Caboclo, por sua vez, transforma-se em ajudante fiel dos negócios ou aquele que vai vencer um inimigo de desafeto. Na mesma proporção, o Exu abandona a condição de Guardião e assume o papel de vingador ferrenho, ou um escravo à disposição do médium. A Pomba Gira, sob a mesma ótica, é tida como uma prostituta arrependida e por isso mesmo obrigada a arranjar parceiros para pessoas de moral duvidosa.

A mediunidade não é show pirotécnico onde o que se vê são rápidos e ilusórios lampejos de brilhos multicoloridos. O médium sem instrução transforma o dom em ótimo artifício na exibição de espetaculares manobras que mais chamam a atenção dos curiosos e dos seres trevosos do que dos Espíritos de Luz. Assim, tudo é espantoso e deslumbrante. Todos os gestos do médium em transe são inchados de exageros. Todas as receitas de oferendas são idênticas às listas de um estranho guisado. Os pontos riscados transformam-se numa mandala confusa de desenhos e rabiscos infantis sem fundamento. As brancas vestes sacerdotais assumem a aparência de fantasias carnavalescas em que imperam o luxo, a vaidade e o exibicionismo.

Na mediunidade pirotécnica, vale mais a grosseira presença física do médium do que a suave e discreta participação dos Guias de Luz. O Preto Velho se esconde, o Caboclo se afasta, o Exu ri do fanfarrão e o médium se exibe. Neste tipo de condução da mediunidade há uma completa falta de força espiritual, pois a carne assume todas as funções do medianeiro e o animismo, a mistificação e a charlatanice estão em primeira linha.

Entre tantas formas de se exercitar a mediunidade há também a que leva em conta a ascensão social do médium. É a mediunidade interesseira.

A mediunidade interesseira é aquela em que as reais intenções do indivíduo são quase desconhecidas. Há muitos interesses em jogo, e o principal é o de “subir” na vida. O médium intenciona ser aplaudido, então usa a mediunidade para chamar a atenção da platéia. O médium quer obter dinheiro de forma menos trabalhosa, então comercializa o dom. Se tem interesse em reconhecimento público, então transforma a mediunidade em degrau para a subida aos palanques políticos, aos palcos da mídia e aos púlpitos das câmaras e agremiações. Tal como o médium pirotécnico, o médium interesseiro quer aparecer, mas com o fim certo de obter algum rendimento financeiro.

Nesse tipo de mediunidade, o indivíduo não se envergonha ao “pedir” o pagamento pelo serviço prestado. Seu rosto não enrubesce quando dita o valor daquilo que vergonhosamente chama de caridade. Se precisar usar uma máscara, certamente o fará. Mas, em seu tempo, lançará por terra a fantasia e mostrará sua verdadeira e tenebrosa face. Como o lobo entre os cordeiros.

A mediunidade ignorante é exercida pelos que verdadeiramente têm grande aversão ao estudo e à meditação. Nessa modalidade, o médium conscientemente classifica o estudo contínuo como algo desnecessário. Acredita que somente as instruções dos Caboclos já são suficientes para que ele seja um grande instrumento da Comunidade Espiritual. A leitura, a pesquisa e o conhecimento dos mecanismos mediúnicos são coisas sem importância na visão dos ignorantes.
Neste caso, o médium não se importa em cometer diversos absurdos em nome de Deus, pois não há o conhecimento do que realmente é a vontade divina. Fala, mesmo usando conversações aparentemente profundas, do mesmo jeito como discursa um simples camponês acerca do universo astronômico. Age sempre de forma impensada, ainda que com a maior boa vontade. Suas ações são completamente sem método, critério ou planejamento. Tem uma visão do mundo espiritual como seus antepassados que outrora atribuíam ao relâmpago um castigo dos deuses ou aos abalos sísmicos uma demonstração da ira divina. Na mediunidade ignorante quanto menos se estuda, mais se erra.

Ser instrumento da Espiritualidade Maior é uma benção recebida por muitos. Porém, como qualquer instrumento necessita de um aprimoramento e de ajustes constantes, assim é o médium de Umbanda a serviço dos Caboclos e Pretos Velhos.

Não basta ter mediunidade. Mas, é importante que esta seja útil aos interesses do Criador, pois todo médium é um depositário da confiança de Deus. Para ser útil, a mediunidade tem que estar firmada nas instruções que vêm do Alto.

Bom seria se todos os médiuns aplicassem a sabedoria e o conhecimento no aperfeiçoamento da mediunidade e se o estudo continuado fosse uma prerrogativa para um perfeito ministério mediúnico.

domingo, 7 de abril de 2013

Fracasso do Médium


Esses são assuntos dos quais todos se escusam de falar, ou de escrever, e quando o fazem, é por alto e indiretamente.

Vamos abordar o assunto de maneira mais clara possível, a fim de levar um alerta a todos os nossos irmãos umbandistas, principalmente àqueles que estão predispostos a caírem nesses erros, visto termos esperanças de que essa advertência venha trazer luz em cada espírito, e ainda possa chegar a tempo de cada um recuar para a sua regeneração.

Não queremos, de maneira nenhuma, nos arvorarmos de juízes das causas alheias, visto termos também nosso débitos com o astral superior, mas sim, após anos de trabalho, termos observados médiuns fracassando ou caindo, incorrendo em erros elementares e, para se reabilitarem, continuando na prática de suas mazelas, culminando em suas quedas, muitas vezes sem retorno.

Temos observado que a maioria desses médiuns vivem um tormento interior, como labaredas de fogo a queimar-lhes a consciência, e eles não têm forças para se reerguerem, visto estarem presos nas garras dos marginais do baixo astral e dificilmente conseguem se libertar de suas mazelas e, ainda por cima, sendo alertados pelos seus Guias Espirituais constantemente, nada fazendo para se libertarem das garras desses magos negros, por estarem atolados até o pescoço no pantanal da ignorância do astral inferior, pois também estão contribuindo, e muito, não mantendo uma vida ilibada e com moral.

Isso acontece devido à lei de atração, onde semelhante atrai semelhante.

Os quiumbas já se deram conta de que esses médiuns estão praticando atos que são de comum acordo com a confusão que rege os reinos inferiores, fazendo assim com que surja um casamento fluídico médium/quiumba, pois os dois estão em sintonia vibratória.

É muito difícil se libertar de um quiumba, ainda mais quando nós fomos a causa da aproximação desse quiumba por atração fluídica.
E quando esse casamento fluídico perdura por anos a fio, o sistema neuro- psíquico-mediúnico torna-se denegrido, fazendo com que os seus Guias Espirituais não tenham condição de aproximar-se, pelo fato de não haver mais simbiose espiritual entre médium e Guia Espiritual.

O caso mais grave é quando os Guias Espirituais se afastam devido às causas morais, e o médium, mesmo com os alertas, prefere continuar em seus erros, ou seja, não existe renúncia e nem remorso por parte do médium, preferindo esse continuar a sua caminhada, incorrendo nas mesmas causas que o levaram para o astral inferior.

Só existe um meio de se libertar, e esse meio só o médium pode realizar, pois não terá ajuda direta a não ser subsídios, conselhos, orientações, para assim por si só se reerguer, fazendo com que o seu sistema mediúnico-espiritual se eleve novamente e entre em contato com os planos superiores.

Será necessária uma intensa reforma íntima, acrescida de renúncia dos erros passados, muita oração e prática dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, principalmente na realização da caridade desmedida e constante.

Para nos situarmos, vamos abordar três aspectos principais, pelos quais o médium se precipita nos abismos da queda mediúnica.
Embora não podemos nos esquecer dos demais erros e vícios tão divulgados pelos Guias Espirituais, os quais devemos estar em alerta para não adquiri-los.

• A vaidade excessiva, que causa o entusiasmo, por nos sentirmos especiais em tudo o que realizamos, abrindo os canais mediúnicos a toda sorte de influência negativa.

• A ambição pelo dinheiro fácil, que vem através dos agrados que recebemos devido a um bem efetuado a alguém, ou por algum trabalho realizado, fazendo com que o médium veja a facilidade de adquirir bens materiais em troca de favores espirituais.

Em decorrência disso, existe a possibilidade de crescer no interior do médium a ambição, fazendo com que cada vez mais faça cobranças em tudo e por tudo.

• A condição sexual incontida, que lhe tira a razão, pelo fato de ser uma das energias mais poderosas existentes no plano terrestre, e ser uma energia geradora, criativa, e recheada de desejo.

O que acontece é que começa a existir interesses vários, onde o desejo e a sensualidade tomam a frente, quando o fascínio existente pelo sacerdote toma um rumo diferente do que devia ser.

O mesmo acontece com o corpo mediúnico, ou fora do Templo, onde começa a existir outros interesses que não seja a fraternidade, ou o puro sentimento.

No caso da vaidade excessiva, tem seu início na prática mediúnica. Quem tem o dom mediúnico o traz de berço, pois adquiriu através de sucessivas encarnações o direito de externar, por herança, os dons de Deus.

Em certa altura da sua vida, a mediunidade começa a aflorar, e eis que surge o Caboclo, o Preto-Velho, o Baiano, o Boiadeiro, e assim por diante.

Com o desenvolver da mediunidade, começam a surgir os fenômenos tais como curas, descarregos, aconselhamentos certeiros, conhecimentos irrefutáveis; e são tantos os casos positivos trazidos pelos Guias Espirituais, que se dá o início ao surgimento da vaidade no médium.

Esse se acha possuidor de todos esses conhecimentos e não mais o Guia Espiritual.

Também existe o caso do médium achar que o seu Guia Espiritual é o mais poderoso.

São tantos os casos positivos que acontecem em volta desse médium, que em torno do mesmo forma-se uma corrente de admiração e, muitas vezes, de fanatismo também.

As pessoas em torno desse médium, diante de tudo o que vêem, começam a bajulá-lo, a agradá-lo com presentes e com isso vão inconscientemente incentivando a sua vaidade.

Isso acontece com o médium, muitas vezes, pelo fato do mesmo ser ignorante de conhecimento, e algumas vezes se recusa a estudar o mediunismo, suas causas e conseqüências.

O Guia Espiritual do médium faz de tudo para alertá-lo das conseqüências dos seus atos (respeitando o seu livre-arbítrio), através de sinais, alertas, conselhos, intuições, etc.

Mas, como o médium está predisposto a vaidade, deixa de escutar o seu Guia Espiritual, e chega ao ponto de se julgar o tal, um mestre, um escolhido, um mago, um semi-deus, e que a força é dele, chegando a pensar que é propriedade sua.

O médium vai crescendo em vaidade, devido às pessoas o respeitar e acatá-lo em respeitoso silêncio, sem questionar, e aí vai crescendo as exibições mediúnicas.

O que acontece nessa altura é que o médium já perdeu o contato mediúnico de fato, exercendo tão somente o animismo.

O grave é quando o médium está mediunizado por um quiumba; aí sim é a queda total dele e dos que estão a sua volta.

As portas da sua mediunidade estão abertas às influências negativas e toda sorte de manifestações magísticas destrutivas.

Com o tempo, o médium vai se acostumando com os fluidos dos quiumbas, e não quer perder o cartaz por nada nesse mundo.

Porém, os fenômenos antes efetuados por manifestações mediúnicas positivas, não mais acontecem, e as pessoas ao seu redor já começam a olhá-lo com certo desprezo e se afastam, fazendo todo o tipo de comentário negativo, embora num passado tenham se beneficiado desse médium.

O médium que se entregou à vaidade excessiva se torna um sofredor, pois começa a perceber que para incorporar já começa a ter que representar e o tormento toma conta de sua cabeça.

Aí entra a descrença, que é o golpe fatal para a sua pessoa.

No caso da ambição pelo dinheiro fácil, devemos diferenciar o médium que cai pelo dinheiro fácil e os que podemos incluir aos milhares, que são os espertalhões, que usam o nome da Umbanda e de suas entidades a fim de explorarem a ingenuidade das pessoas de todas as maneiras.

Esses (espertalhões) são bem reconhecidos, pois seus “terreiros” são vistosos, com roupas multicoloridas, uma grande profusão de “guias” no pescoço e outros adornos que sabemos serem desnecessários em nossos cultos.

Vivem e fazem de tudo um ganho, seja em dinheiro ou facilidades na vida.

Costumam fazer festas por quaisquer motivos, todas regadas a excentricidades no visual, muita bebida alcoólica e carnes, muitas vezes, levando essas festas religiosas em ambientes profanos, a fim de angariarem um grande número de admiradores e outros tantos que gostam de se apresentarem e se mostrarem em público a fim de terem reconhecimento.

Tudo nesse ambiente é movimento, encenação, panorama e desfile.
Por ali, tudo se paga.

Desde uma consulta, até os tais despachos e ebós.

Até a famosa camarinha, onde vêem mediunidade em todos; e aja firmar “santo” na cabeça das pessoas.

São antros de exploração, que chafurdam o nome sagrado da Umbanda, a pecha de grupo folclórico, a atenderem seus mais mesquinhos interesses.

São verdadeiras arapucas, onde tudo é duvidoso.

Dentro da Umbanda, é sabido que a prática da magia branca faz parte, como um recurso Divino, para atender a necessidade prementes de seus filhos.

Para a feitura de algumas magias, há necessidade de certos materiais, que corretamente devem ser adquiridos pela pessoa beneficiada.

Muitas vezes, no caso de um consulente sem condições, damos o que temos.

Quando realmente há necessidade dessa magia, os nossos Guias Espirituais pedem o material necessário à pessoa, sem grandes desmandos, satisfazendo a “Lei de Salva”.

Tudo o que é manipulado pelas nossas entidades espirituais costumam sempre dar certo, pois tem o discernimento necessário para saberem o que necessitamos.

Disso tudo surge um grave problema, pelo fato das pessoas que perambulam pelos “terreiros” encontrarem uma grande facilidade, achando que é só fazerem um trabalhinho para resolverem a sua vida.
Grande ignorância, quem assim pensa.

Temos que nos reformar interiormente, seguindo os passos e os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Antigamente, devido à má informação e formação de sacerdotes e médiuns conscientes da realidade espiritual, muitos faziam do “despacho” ou de “tais trabalhinhos” uma panacéia para tudo.

Era só ter um probleminha ou problemão, seja ele qual for que imediatamente tinha um despacho para resolver tal questão.

E haja despacho pra tudo.

Tudo era resolvido no despacho.

E hoje a coisa somente mudou de nome.

Trocou-se o nome despacho para magia.

Tem magia pra tudo.

É só ter um probleminha ou um problemão, seja ele qual for que imediatamente acha- se uma magia para resolver tal questão. Pode?
Quero ver alguém encontrar um despacho ou magia para despertar nossa fé, nosso amor, nossa devoção, magia para ser bondoso, caridoso, humilde.

Magia para se efetuar reforma íntima, para perdão.

Magia para se espiritualizar, ter moral, ter vida ilibada. Não vêem que essas tais magias é tão somente para coisas matérias?

Para facilitar a vida material?

Não vêem que muitas dessas magias são utilizadas em momentos de revoltas, demandas, ódios, retorno.

E até (pasmem): “clonar” espíritos.

Infelizmente, é fato real, que na Umbanda estão aparecendo muito mais “magos” e “mestres”, do que servidores agradecidos, somente interessados em servir a espiritualidade, tudo fazendo para a honra e a glória de Deus.

É muito cacique pra pouco índio.

No começo, o médium obedece tão somente o que suas entidades espirituais pedem para a realização de uma magia.

Com o tempo, esse médium começa a observar e pensa seriamente na facilidade do dinheiro.

Então, ele entra na “Lei de Salva”, tão conhecida pelos magistas, e abusa dessa lei em benefício próprio.

Aí começou a imperar nesse médium a ambição pelo ganho fácil, quando começa a exceder na “Lei de Salva” (dentro da magia), dando a desculpa que necessita do dinheiro para o seu anjo da guarda, para o cambono, ou para “pagar o chão”.

Concordamos que deva haver uma remuneração suficiente para o médium adquirir materiais necessários que consta de certo número de velas, elementos da Natureza, ou mesmo uma certa quantia de dinheiro suficiente para que o médium que realizou o trabalho possa utilizar esse dinheiro para a sua locomoção, ou mesmo comprar materiais necessários à manutenção da sua vida espiritual, e nunca para sustentar seus vícios e luxos.

Geralmente, pedimos ao interessado o material necessário à feitura da magia e juntamente uma pequena quantidade de velas ou outros materiais necessários utilizados no Templo.

Quanto à locomoção, pedimos gentilmente ao interessado que nos forneça uma condução.

Quando o interessado esta passando por dificuldades financeiras que impedem a compra dos materiais para a feitura da magia, doamos de bom grado o que temos.

Jamais aceitamos dinheiro como paga ou mesmo agrado; Se houver interesse da pessoa em doar alguma coisa, que faça espontaneamente ao Templo ou a alguma entidade assistencialista, e não ao médium.

As pessoas, pelo fato de quererem uma melhoria de vida em todos os sentidos, pagam o que for para que seus problemas sejam resolvidos.

Aí está o perigo.

Em primeiro lugar, devemos esclarecer que magia só deve ser usada quando a pessoa não tem competência momentânea para resolver seus problemas.

Nesse momento, fazemos uso da magia para levantar essa pessoa.
Depois do problema urgente resolvido, vamos para a reeducação da pessoa, reforma íntima, com conselhos, e tudo ordenado dentro de um conhecimento elevado, principalmente no Evangelho de Jesus.

Nesse momento, o médium, já começando a fazer trabalhos por conta própria e tudo, geralmente direcionado com Exu e Pomba Gira, vai utilizando materiais cada vez mais pesados (sangue, carnes, ossos, etc.), chafurdando tanto ele como a pessoa beneficiada, incorrendo aí no risco de criar ligações perigosas com o que de mais baixo existe no astral inferior.

Quando esses ditos trabalhinhos saem da linha justa da magia, até Exu e Pomba Gira se afastam do médium.

O seu Guia Espiritual, como é de praxe, já o alertou várias vezes e ele não deu ouvidos, pois o dinheiro está entrando que é uma beleza.

Por ele estar cego e surdo, não ouve a ninguém e, aí, o seu Guia respeita a sua escolha, pois é sabedor da lei do livre-arbítrio.

Quando numa necessidade verdadeira, esse médium clama por seu Guia Espiritual, aí ele vê que não tem resposta, fica abalado.

Começa a perceber que o que está à volta dele são verdadeiros e poderosos quiumbas.

Esse médium começa a fazer tudo o que pode e sabe para o seu Guia voltar, e nada.
Mesmo assim, não larga do dinheiro fácil, pois está afundado na ignorância espiritual, quando percebe que esse dinheiro é um dinheiro maldito, pois as conseqüências são nefastas.
O fim de todos eles é muito triste.
Entram nos vícios, falta de emprego, perdem tudo o que tinham na vida, pois os Sagrados Orixás os Guias Espirituais e os Guardiões não acobertam erros de ninguém; esses médiuns se desiludem com a religião, culpando-a dos seus problemas e, perdendo sua fé na Umbanda, vão a procura de outras religiões, a fim de se refazerem da desgraça que adquiriram em suas vidas.
Mas mesmo assim, devido à soberbia, não assumem seus erros e culpam a um pretenso demônio, o qual desgraçou sua vida, pois estavam na religião errada, sob a influência desse demônio que dirigia aquela religião.
Geralmente acabam virando ex-pais, ex-mães e ex-filhos de encosto, o que não deixa de ser verdade, pois esses médiuns nunca serviram a Deus, aos Orixás e nem aos Guias Espirituais e Guardiões verdadeiros, mas sim, a encostos.
Deviam sim, observarem que Deus lhes deu uma oportunidade bendita e redentora na prática da caridade desmedida através da mediunidade redentora, e eles, por ignorância e muitas vezes maldade, praticaram os atos mais absurdos, tudo em nome da Umbanda.

Não se esqueçam que somos espíritos endividados, que estamos encarnados todos sob a pele do cordeiro (que é o nosso corpo).
Todos têm a mesma oportunidade para se erguerem, mas não temos condições de observarmos quem é quem; aí que cada um semeie bem, pois Jesus disse:
“A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”, “e cada um vai colher aquilo que plantou”.
“Quem semeia somos nós, mas quem colhe é Deus Pai Todo Poderoso”.
O terceiro e último caso é o sexo fácil.
Esse é um dos aspectos mais críticos e perigosos, e um dos mais difíceis de ser perdoado.
Temos visto, em nossa caminhada pela Umbanda, vários médiuns caírem pelo sexo.
Inclusive atualmente, médiuns “famosos”, casados, utilizando-se de sua influência e aproveitando a carência afetiva de algumas irmãs iludidas por acharem que estão sendo “amadas” por alguém “iluminado” (os famosos semi-deuses, mestre, magos ou orixás encarnados), forçam uma situação, e aproveitam-se sentimentalmente e sexualmente, satisfazendo seus sórdidos desejos.

Esses casos são difíceis de serem perdoados, porque a moral do médium fica na lama em que ele mesmo se sujou.
Por mais que tente, nunca vai conseguir apagar a lembrança dos atos cometidos e sempre vai ter alguém a lembrá-lo de sua queda, pois iludiram, enganaram e usaram pessoas desequilibradas em seus sentimentos.

É uma mancha que, mesmo que nos reabilitemos, nunca será apagada.
Devido aos envolvimentos existentes com bajulações e fanatismo, ele constantemente é endeusado.
Daí, para receber elogios do sexo oposto (ou do mesmo sexo) fica visado, e tem a propensão para se deixar fascinar, quando se vê numa pessoa muito apessoada.

Quando trabalhamos na luz, constantemente somos combatidos pelo baixo astral, que envia todas as formas existentes, principalmente em nossas fraquezas, para que caiamos.
Lembre-se de Jesus: “Orai e vigiai, para não cairdes em tentação”.
Logo, quando o baixo astral vê uma brecha, e essa brecha é uma forte predisposição sexual, é aí que eles vêem a oportunidade de atacá-lo.

Lançam mão de todos os recursos, até conseguirem seus objetivos.
O médium que está desavisado, por ignorância espiritual, ou mesmo por ter o espírito doente, cai nas malhas do baixo astral, e se entrega ao sexo desmedido dentro do ambiente religioso.
Como temos dito, o médium é constantemente avisado pelos seus Guias Espirituais sobre todos os aspectos que o cercam.
Estão sempre vigilantes, mas acontece que esse médium, usando de seu livre- arbítrio, já dentro de uma incontida predisposição ao sexo, cai e vira as costas à moral, repelindo automaticamente toda influência benéfica que poderia tirá-lo de sua caída.
Tanto pela forte incontinência sexual, como por uma sexualidade irrefreável com os médiuns do “terreiro”, não há desculpas.
A caída do médium, pelo fato de se relacionar sem moral com os médiuns do “terreiro”, ocasiona seu fracasso, e nesse caso não há desculpas.

Quando o médium começa a sofrer as conseqüências do seu ato insano, vai à procura de Guias Espirituais de outros médiuns, a fim de resolverem seus problemas.
O Guia Espiritual, como é sabedor da questão, diz que: “em surra de Guia, eu não ponho a mão” ou “quando Caboclo bate, não reparte pancada”.

E haja punição.

Após algumas disciplinas necessárias, alguns desses médiuns se emendam, ficam com medo, e procuram não mais errar, e se voltam às linhas justas dos trabalhos espirituais.
Porém, a maior parte desses médiuns, mesmo passando por uma disciplina, não se emendam e continuam praticar os mesmos atos, como se nada houvesse acontecido e infelizmente acabam denegrindo a imagem de suas vitimas, geralmente dizendo que eles é que estavam sendo seduzidos por uma pessoa inescrupulosa e que essa pessoa é uma servidora das trevas para destruí-lo.
Então os Guias Espirituais vêem que não há mais jeito, e se afastam do médium, deixando-o a mercê da sua própria sorte.
Uma coisa é verdade. Nenhum desses médiuns fracassados ficou com o seu Guia Espiritual em sua guarda, pois erraram e persistiram no erro.

O que acontece muito é que esses médiuns costumam dar a desculpa que estão com uma demanda em cima deles, muito forte.
A força de pemba é tão grande em cima desses médiuns, que rapidamente fazem com que percam sua fé na Umbanda, e o redirecionam a outra religião, pois aqui não souberam sorver a Espiritualidade Superior emanada de nossos Guias Espirituais.
Creio que todos tenham entendido bem tudo o que aqui está escrito, e compreenderam bem, pois não é o erro em si, porque errar é humano e todos podemos errar um dia.

A questão é cometer o mesmo erro, é persistir nos mesmos erros.
Os nossos Guias Espirituais não são carrascos, mas não podem acobertar nossos erros, e nem a repetição dos mesmos.
Outro fato, até corriqueiro no meio Umbandista é quando temos pessoas ao nosso lado, dizendo serem nossas amigas, e quando, por qualquer motivo se afastam de nós, acabam tornando-se “inimigas” e a partir daí, tudo o que acontece de ruim na vida daquela pessoa é por força de demanda.
A mínima dor de cabeça, falta de dinheiro, mal estar, sempre será culpa do outro médium ou do outro terreiro que esta demandando com ele, querendo destruí-lo.

Inclusive, acontece também o fato de que outras pessoas que também se afastaram daquele terreiro, achegando-se àquela pessoa, através de comentários e fofocas, com suas mentes conturbadas acabam sendo alertadas por aquele individuo que estão com uma demanda, também mandada por aquele terreiro e assim a corrente da discórdia e das mentiras vai crescendo assustadoramente.
O baixo astral, astuto e inteligente, apossa-se desses médiuns incautos e através de persuasão mental acabam convencendo-os da realidade das demandas, inclusive fazendo até “vários videntes” verem a demanda sendo feita.

Com isso, o médium incauto acaba realizando magias defensivas e ofensivas, cometendo injustiça e ai sim, caindo de vez nas malhas do baixo astral que sai vitorioso.
O baixo astral é ardiloso e faz tudo para convencer as pessoas, utilizando todos os meios a fim de convencê-la, para que acredite estar sendo prejudicada por outros.
A coisa é grave, pois esses médiuns incautos ainda não aprenderam o Evangelho, o amor, a bondade, o perdão e a fé.
Quem é sabedor da Lei da Causa e Efeito e da Lei do Retorno, jamais deveria levantar sua mão contra ninguém, pois teria a certeza de que a providência Divina estaria do seu lado.'

segunda-feira, 18 de março de 2013

Equilibrio Espiritual

Num templo de Umbanda, nada acontece por acaso, ou melhor na vida uma folha não cai sem que o pai conceda a licença, mas em lugares de reforma íntima como igrajas, templos, sinagogas e etc. è mais nítida sua percepção e o ensinamento que Deus nos quis mostrar com aquele acontecimento.


A harmonia é essencial para que um trabalho espiritual possa fluir normalmente, alguns médiuns tem a prática da meditação, outros de orações repetitivas, outros de concentração, mantras, banhos de errvas entre outras técnicas para se harmonizar, para poder ter um contato mais rápido e mais nítido com sua entidades, mas infelizmente outros médiuns, não respeitam essa lei ou técnicas, chegam estressados, e despreparados para entrar em contato com energias sublimes, nesses casos o médiuns não está compátivel com as energias que ciscundam o templo é há um choque energético, choque este que causa "faíscas", essa faíscas, são desentendimentos com outros méduns que naquele dia estão preparados para tal tarefa.
Vejam por exemplo, o médiuns está numa vibração positivam junto com o templo, pois este se preparou para estar ali, enquanto o médium despreparado está com seu pólo negativo ativo, ao chegar no teplo sente-se que aquele mádum não está se compatibilizando com as energias emanadaspor médiuns preparados.
A preparação mediúnica independe de tempo ou tarimba, dependesim da boa vontade do médium, saebe que no mundo que vivemos é díficil para o médium chegar antes no templo para fazer tais técnicas, mas apenas 5 minutos de concentração já ajudaria muito, mas na maioria dos casos o que acontece é falta de vontade do médium.
Alguns médiuns alegam que independe de sua conduta e conhecimento o trabalho da entidade mas digo que isso é Mentira, pois como pode-se celar um cavalo que não sabe cavalgar, isto é, a entidade merece que seu médium tenha conhecimento, pois fica mais fácil seu trabalho.

Bem segue abaixo um texto muito interessante sobre este assunto.

"Espíritos acomodados, assim como um animal acuado, tendem a atacar coisas que não lhes são familiares, porque isso ameaça sua comodidade. A situação ainda piora quando esse defende alguma filosofia, ideais ultrapassados ou obscuros, então o orgulho não lhes permite admitir o erro. Não tente lhes apontar este fato, porque não vão entender, e vão te atacar ainda mais. Não perca tempo com discussões. Procure analisar tudo isso de uma forma humoradaÉ bobeira acatar as ofensas, a pessoa deve ter a frieza de acolher a ofensa sem se deixar dominar por sentimentos baixos; raiva, ódio, vingança, para que não se contamine.A pessoa que se sente impelida a revidar a uma agressão, prova que ainda dá muita importância para opiniões alheias. Se você não tem aquele mal dentro de si, então pra que dar bola!Seja mais tolerante, aproveite essas situações para eliminar o ego, não seja infantil.Jesus ouviu muitos insultos, seu espírito não acatou nenhum. Se você sabe que não possui aquele mal dentro de si, porque então dar credito ao que foi dito. O ignorante fala sem pensar ou por impulso, discutir é acatar o que foi dito, é quando a ‘carapuça serve’. Então você descobre ai o que precisa ser trabalhado dentro de ti.Quando uma pessoa se empenha na busca espiritual, muito maus podem surgir para serem queimados, seja firme e quando olhar para traz, verá que percorreu uma distancia enorme onde os insultos de antanho não mais lhe afetarão.Ao passear por um jardim e ser picado por um espinho de uma roseira, o erro é teu, nada adianta arranca-la ou pisoteá-la.Aja como um espírito que é o que você é. Ao receber uma ofensa, não se rebaixe para discutir como matéria.


Feche seu coração para o que é imperfeito, ao revidar uma ofensa ou agressão, discutindo, brigando, você abre seu coração interagindo com o imperfeito, e essas coisas vão sair e entrar nele, sintonizando-o com o agressor que a esse ponto já pode ser você mesmo. Se teu coração não é puro, não é assim, colocando essas impurezas pra fora que você vai se ver livre delas, isso alimentará teu ego apenas, o que sufocará ainda mais teu espírito.Teu coração potencializa tudo que há dentro dele, e o que você alimenta.Se ele não é puro, purifique-o acrescentando coisas boas (o que se consegue estudando e praticando espiritualismo) Como um copo cheio de água suja, se você abre uma torneira encima dele, aos poucos a água que há nele irá se tornando limpa e cristalina. O que tem em seu coração é como a água do copo, ele ficará limpo de acordo com a água (estudos e pratica espirituais) que entra, quanto maior o fluxo dessa água, melhor. E um dia você terá um coração tão puro e transparente como a água. Sendo transparente nada encobrirá a Luz que há nele permitindo que seus raios atinjam outros corações."


- Buda Sakya Muni (o sutra do diamante)

sábado, 16 de março de 2013

Ogum Xoroquê

Ogum Xoroquê sem dúvidas é dentro do Povo de Ogum a entidade que mais chama atenção, por ser dúbia, ter dois lados, um lado ser Ogum e do outro ser Exu. Esta forma quer dizer não que o orixá tem duas faces e sim que trabalha em dois pólos energéticos tanto positivo como negativo.

Divindade masculina figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. Foi uma das primeiras figuras do candomblé incorporada por outros cultos, notadamente pela Umbanda, onde é muito popular.

Tem sincretismo com São Jorge ou com Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa.
A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou.

Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.

Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados.

Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta. Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

Segundo as pesquisas de Monique Augras, na África, Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.

Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido.

É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.

Tem, junto com Exu, posição de destaque logo no início de um ritual. Tal como Exu, Ogum também gosta de vir à frente. A força de Ogum está tanto na coragem de se lançar à luta como na objetividade que o domina nesses momentos.

É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); segundo Pierre Verger. Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas .

Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa.

Ogum gosta de dormir no chão, precisa que o corpo entre em contato sempre direto com a natureza e dispensa roupas elaboradas e caras, que possam ser complicadas de vestir ou que exijam muito espaço na mochila. Não tem compromisso com ninguém, nem com seus próprios objetos.

A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Espiritualidade, Orgulho e Vaidade

Um assento ao fundo da Coluna do Norte

Só me lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui?

O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim. Contudo, não tinha coragem da aborda-las. Mas espere, que grupo seria aquele unido e de terno preto? Lógico ! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia é tão comum pessoas irem ao velório com roupa preta.

É claro, são Irmãos. Aproximei-me do grupo.

Ao me verem chegar interromperam a conversa. Discretamente executei o Sinal de Aprendiz, obtendo de imediato a resposta. Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo.

Respondera-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?

- Estão bem não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.

Ainda assustado, indaguei os motivos de suas vestes.

- Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico, foi a resposta.

- Templo Maçônico, vocês tem um?

- Sim , claro.

Por que não?

Senti-me mais à vontade, afinal de contas sou um Grande Inspetor Geral da Ordem e com certeza receberei as honras devidas ao meu elevado Grau. Pedi para acompanha-los, no que fui atendido.

Ao fim da pequena caminhada, divisei o templo. Confesso que fiquei abismado. Sua imponência era enorme. As Colunas do pórtico, majestosas. Nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos. Caminhamos em silêncio. Ao chegar ao salão de entrada verifiquei grupo de Irmãos conversando animadamente, porém em tom respeitoso.

O que parecia o Líder do grupo que acompanhava chamou a um Irmão que estava adiante.

- Irmão Experto: Acompanhai o Irmão recém-chegado e com ele aguarde.

Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para o grau 33 não se poderia esperar nada diferente. Verifiquei que os Irmãos formavam o corteja para a entrada ao Templo. A distância, não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos.

Adentraram silenciosamente no Templo.

Comigo ficou o Irmão Experto. De tanta emoção não conseguia dizer nada. O Tempo passou ....... não pude medir quanto. A porta do

Templo se entreabriu e o Irmão M.:.C.: encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendasnão estavam desleixadas e caminhei com ele. Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância?

Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo. Estranho ...... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riquezas.

Verifiquei rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vindo não sei de onde iluminava o ambiente.

Cumprimentei o Venerável Mestre e os Vigilantes na forma do ritual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos. Não sabia o que fazer... Aguardava ordens .... e elas

vinham na voz firme do Venerável:

- S.:M..:?

Reconhecendo a necessidade do Telhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo:

- M..: I.:.C.:T.:M.:R.:

Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.:.M.:. dirigindo-se aos presentes, perguntou?

- Os Irmãos aqui presentes, o reconhecem como Maçom?

Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? - O silêncio foi total. E dirigindo-se à mim, o Venerável emendou :

- Mas caro Irmão visitante, os Irmãos aqui presentes não o reconheceram como Maçom.

- Como não! Disse eu.

- Não vêem minhas insígnias? Não verificaram meus documentos e comendas?

- Sim caro Irmão, retrucou o Venerável. Contudo não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas, insígnias e comendas. Para ser

Maçom é preciso antes de tudo, ter construído o seu Templo Interior, mas verificamos que tal não ocorreu com o Irmão. Observamos ainda que, apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter o maior dos Graus, não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.

- Como efêmera? Vocês que tudo sabem são observaram minhas atitudes fraternas?

Fui interrompido.

- Irmãos, vejamos então sua defesa.

Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de irmãos tecendo comentários desrespeitosos contra a Administração de minha Loja. Era verdade. Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos.

Lembrei-me então de minhas ações beneficentes, indaguei-os sobre tal. Mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tronco de Beneficência. Era fato, costumeiramente, o fazia por achar que o óbolo não seria bem usado. Por não ter o que argumentar, calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me aos olhos. Decidi a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Venerável:

- Meu Irmão. Reconhecemos suas falhas, quando o orbe terrestre e na Maçonaria. Contudo, reconhecemos também, que o Irmão foi iniciado em nossos Augustos Mistérios. Prometemos em suas iniciações protege-lo e o faremos. O Irmão terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal todos nós aqui presentes já cometemos um dia. Descanse neste Plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a Ordem Maçônica, sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.

Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado. Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha pedra Bruta. Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado. Levantei-me assustado mas com certa alegria no peito. Havia sonhado?? Dirigi-me ao guarda-roupa.

Meu terno ali estava. Instintivamente retirei do meu paletó as
medalhas, insígnias e comendas, guardando-as numa caixa.


Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa, com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria envolvente retirei o Ritual de Aprendiz Maçom.

No dia seguinte ao dirigir-me à minha Loja, somente levei o Avental de Aprendiz e humildemente sentei-me ao fundo da Coluna do Norte.

....precisava lapidar minha Pedra Bruta

Blogger: www.filhosdoarquiteto.blogspot.com.br

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 03/03)

O Onipotente Esplendor do Pai ordenou: - “Que a evolução dure tanto quanto um Meu respirar” – e no insondável seio dos abismos cósmicos, pela emanação de Sua Vontade, criaram-se as condições necessárias à execução da Sua Ordem.
Partindo do Infinito Centro Divino, em vibrações sempre mais vastas, que, irradiando de todos os lados e regiões, se ampliavam para atingir o término da expiração Paterna, o Movimento Criador estabeleceu as trajetórias que foram percorridas pelas esferas luminosas. A luz que fora o ornamento precioso tornou-se energia, encontrando-se em os núcleos que a massa gasosa envolvia.
Os invólucros desses núcleos evoluíram por milênios, ao longo das trajetórias infinitas, na preparação do que deveria ser o principio das futuras sedes das almas culpadas.
Depois, cada um, pela expressão da Potencia que não tem limites à Sua Fôrça, pelo equilíbrio da criação, explodiu, formando o universo.
Na lei que os movia, os compactos gasosos dos planetas e dos satélites começaram a evoluir em torno do núcleo central da massa energética, futuro sol de cada universo, uniformizando-se cada vez mais com a lei da transformação ... O alfa e o Omega da vida se haviam iniciado ...
Milênios transcorreram ...
Em cada centro energético solar, as almas que haviam pecado ficavam à espera de iniciar o Karma purificador.
As massas aeroforme girando nas trajetórias, sem descanso, condensaram-se. Os gases tornaram-se magma, esse solidificou-se, e sobre os planetas desceram, dos sóis, as primeiras almas culpadas ansiosas de iniciar a prática purificadora que, através das lutas e provas sem número, lhes daria a fôrça de remontar novamente à pureza absoluta e de realizar a ascensão à Suprema Chama Criadora.
Daquela roupagem, a princípio tão desejada e ora pungente de espinhos que as comprimia como uma capa opressiva de dores, fixaram ansiosas o olhar na longínqua infinidade do cosmos no constante desejo de desvelar o profundo mistério que os envolvia, e a razão da vida.
Enquanto assim se iniciava o Karma das almas culpadas, o príncipe da luz que deveria ser para sempre o seu guia e farol de toda beleza e de todo esplendor, tornou-se, ao contrário, exemplo de incitamento para o abismo. Pelo querer da Suprema Justiça Onipotente foi relegado ao reino das trevas. Tornava-se assim Lúcifer, o anjo decaído, o príncipe dos demônios, o eterno tentador, encaminhando às regiões inferiores e, porque havia atraído outros a segui-lo, devia ainda persistir na sua obra de tentador, fazendo mais árdua e dolorosa a volta ao Grande Fogo Criador dos que o haviam acompanhado.
Essa é a sua missão, a serviço do Querer Supremo e, para que pudesse desempenhá-la, foi-lhe negado tomar para si próprio aquela carne que tão tenazmente procurara.
Preso à cadeia da sua pena, na plena consciência do seu ser, ele vê a imensidade de seu erro e deseja ardentemente a Deus, enquanto a consciência do futuro lhe atormenta sem tréguas o espírito.
Milênios transcorreram ...
Quando, no ritmo aspirante do hálito imenso do Eterno, os universos voltaram a ser absorvido em feliz curso concêntrico em giros evolutivos de trajetórias de alegria, em direção ao almejado Centro Infinito, quando as ultimas almas tiverem atingido a luminosa e ansiada meta e a terra for um desolado deserto, somente então ele poderá finalmente iniciar a sua purificação, encarnando-se. A ultima mulher o conceberá, deixando-lhe como herança uma vida atormentada sem o dom do repouso que a morte concede a cada mortal.
Durante milênios ele assistira, impotente, à perda de tudo e de todos, à destruição da sua paixão, à desagregação, átomo por átomo, daquela matéria a princípio tão ardentemente desejada.
Errará no mundo vazio e desanimado, naquelas trevas tão almejadas, no silencioso albor espectral daquela obscuridade que violara. Na noite sem fim lhe farão companhia unicamente o eco de seu lamento atormentado por mil indizíveis torturas e o aguilhão implacável de sua insatisfeita sede de luz.
Milênios transcorrerão, e das chagas abertas da sua dor pelo exílio sem nome fluirá a água que cancelará a sua culpa.
No esplendor soberano de todos os esplendores, cujo fulgor inefável não pode ser concebido pela mente humana, na flamejante e deslumbrante claridade daquela Luz que é Sabedoria e Amor, Potência e Harmonia, Eterna Fonte de toda vida e de toda perfeição, junto à Infinita Majestade da Onipotência do Pai, foi elevada, em lugar do anjo decaído, a radiante fidelidade de Mickael que resplandece da Sua potência.
Êle teve a seu lado Gabriel, que se adorna do Seu amor, e Rafael que se ilumina da Sua Sabedoria.
Essa Divina Triade, conduzida pela majestosa força de Mickael, que, recebendo poderes da infinita energia da Causa de todas as causas, representa e retoma o eterno signo da vitória, pediu e obteve da Graça Suprema a permissão de proteger as almas perdidas, guiando-as no exaustivo caminho da ascensão.
E a missão da Divina Triade perdurará até que o infinito respirar do Pai haja terminado, quando todas as centelhas que um dia foram emanadas sejam novamente reabsorvidas na Sua Grande Luz.
Relegado Lúcifer àquele abismo que tanto havia procurado e que fora razão de sua queda, formara-se na Divina Triade um vácuo.
O equilíbrio supremo fora violado, mas a Harmonia Eterna o restabelecera com um novo inefável ato de amor.
O Paterno Centro Criador quis que, ao lado da Sua Augusta Potência, se acendesse a Eterna Luz do Infinito Amor do Filho para balancear a eterna Justiça do Espírito.
Da infinidade cósmica do Seu Querer emitiu outra centelha, e no vazio criado pela queda do anjo renegado surge triunfante o Filho de Deus.
Ao conhecimento que não bastara para salvaguardar a pureza da luz concedida às criaturas, mas que contribuíra para ofuscá-las, sucedia o incorruptível esplendor do Filho, Amor, novo farol aceso no caminho sem fim da eternidade. O primeiro havia, com o estímulo do desejo, levado a luz a confundir-se com as trevas. Êle, com o exemplo do sacrifício, reconduziria as criaturas das trevas à luz.
A suprema harmonia da Lei foi assim restabelecia.

Ergos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 02/03)

Luz lutava ainda consigo mesmo, presa frequentemente da lancinante dor do remorso, frente à amorosa efusão Paterna, vencido, muitas vezes, pelo desanimo, quando aflorando do incomensurável oceano da treva interdita, comparava a sua luz À imaculada, vitoriosamente esplendente e feliz nos sete graus da rosa angelical.
Mas a pungente solicitação da vaidade convidava-o sempre mais insistente e longamente ao proibido, que ocultava em si o veneno da orgulhosa revolta.
Milênios e milênios decorreram ...
Agora a única felicidade de Luz consistia em permanecer o mais possível nas trevas sem fim e aí considerar-se e admirar-se como centro infinito, irradiando fulgores admiráveis que desapareciam apenas quando voltava junto à Divina Chama.
Contudo – orgulho lhe sugeria – não era ele, porventura, emanação da Luz Criadora ? Não estava nele a própria potência criadora do Pai, que lhe havia confiado o governo de todas as suas criaturas ? E, se lhe fora concedido tanto poder, por que devia ser-lhe vedado o humilde e fugidio reino das trevas? A sombra que ora lhe fugia teria, reconhecida pela sua atividade criadora, participado de sua emanação luminosa.
Desejando que suas formas mentais, naquele plasma informe se condensassem e concretizassem, chamou a si a sombra.
Quis, e a sua vontade consubstanciou-se. Pode amalgamar-se e dissolver-se, segundo o seu desejo.
A ansiedade que o havia possuído, depois de haver manifestado a sua vontade e a expectativa não isenta de temor com que havia contemplado as primeiras realizações, cederam a uma quase prudente timidez que ele manifestava no consubstancializar-se em novas formas no plasma fugaz. Modelando os aspectos, que ficavam nas várias transformações cada vez mais apurados e completos, adquiriu pouco a pouco maior segurança de expressão e ele se quis sempre mais belo e admirável, em imagens a mais e mais perfeitas e magníficas.
Uma alegria louca o inebriava. Acreditava-se igual ao Único: também ele criava. A seu talante consubstanciavam-se, no dócil plasma etéreo da sombra, figuras de graça fascinante.
Pelo seu querer, nasciam as inúmeras variedades dos aspectos e das formas, o mutável mundo dos fenômenos: criaturas de beleza radiante; paisagens encantadas; flores de fragrâncias mil e das mais variadas cores; todo o ilimitado e inimaginável mundo da fantasia criadora.
Então surgiu o pensamento da revolta: “ÊLE, da luz não criou senão a luz; eu da obscuridade informe, criei o reino da beleza. Eu sou igual a ÊLE; eu sou mais do que ÊLE”.
O pensamento da revolta brotara, e Luz se condenara.
Atraídas pela nova experiência, arrastadas ou envolvidas pelo mesmo desejo de consubstancializar-se, muitas das centelhas divinas, partes da essência resplandente da sétupla rosa que estavam sob a custódia de Luz, imitaram-no.
Esquecidas de que a infinita felicidade eterna consistia sòmente em aspirar à mais alta perfeição e pureza do espírito, buscavam agora àquele plasma material que cada vez mais as aprisionava na sua ânsia.
E elas não adoravam mais a Suprema Causa Criadora, a Onipotência Paterna, Deus, mas volveram a sua culposa atenção para adorar a si mesmas.
E esse foi o início da queda ...
O olho de Deus, o Onividente para quem a própria imensidade do espaço não tem mistérios, viu a Sua Luz, difundida em Suas Criaturas, ofuscadas cada vez mais pelo véu opaco de desejos sempre crescentes.
A Sua Onisciência não podia escapar a causa; sabia que a Lei Suprema fora violada, mas, havendo deixado a cada uma de Suas Criaturas o livre arbítrio, esperou que a culpa não aumentasse.
Mas, também então, a Graça Paterna não quis aniquilar aquêle que o seu Fogo Criador, num ímpeto de amor, tinha gerado, e, na constante efusão amorosa com as Suas criaturas, não permitiu que outras luzes se precipitassem nas trevas.
Ordenou, por isso, às centelhas que haviam caído no erro que se afastassem da luz: “Que o vosso desejo se torne a Minha ordem” – foi a suprema determinação, e na treva a que tolamente se tinham dirigido fez residir o princípio material das centelhas culpadas.
Impôs que, desde então, a matéria não fosse a companheira voluptuosa de um capricho, mas o fardo doloroso que sobre elas pesaria, em uma sucessão ininterruptamente expiadoras de vidas, através das quais se conseguiriam purificar e redimir.
Só aprisionando-as no cárcere cego da carne, na limitação angustiosa das imperfeições da matéria, de suas faltas e traições, poderiam iniciar a devida expiação. Somente pelas aflições e angustias da instabilidade da jornada humana, do amargo e doloroso pranto que dela emana, atingirão o batismo salutar que pode permitir entrever, da prisão terrena, a primeira esperança de luz.
Por milênios e milênios, através do mortificante filtro das paixões, na angustia desse continuo morrer de cada instante, que é companheiro inseparável da criatura humana, no perene retorno da vida, superando vitoriosamente obstáculos cada vez mais árduos e difíceis, dominando a sedução corruptível existente na própria cadeia mordente, conquistando nessa vitória o caráter real da sua origem, elas, centelhas divinas que haviam pecado, deveriam reencontrar a força e a pureza para remontar à Fonte puríssima e eterna de todo o bem.
E na adamantina claridade, que já as havia feito brilhantes na inefável harmonia, tornariam a resplender de felicidade imortal no seio do Criador.
É esta a Lei do Karma da matéria, que naquele momento, teve o seu início. Por ela nasceram os universos, os sóis, os planetas, as terras, os homens.
 
Continua

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 01/03)

Do nada Deus criou a Vida.
Da vida nós criamos a fé.
ÊLE nos deu o céu e a terra, os abismos insondáveis
dos mares, o ardor do Sol, o sopro do eterno
existir, o oceano infinito das sombras, o gérmen do
princípio na infinita multiplicação de Si mesmo.
Fez-nos a dádiva da morte no Todo imortal da
Sua Muda Vontade
Fomos chama, depois nos tornamos forma para
ser espírito da divina eternidade.
Das essências das trevas surgimos na luz do
Absoluto, no hálito imortal da eterna realidade,
ansiosos de alcançar o Fogo Vivente de Deus.

Não existe o primeiro pensamento porque o Pensamento de todos os pensamentos, a Mente Suprema, sempre existiu. Não existe a primeira causa e não há a última porque a Causa Suprema sempre foi e sempre será.
O nada não existe porque o nada se transforma no todo e tem início no todo.
O todo não existe, porque é materializado do nada e tem início no nada.
Não existe matéria, não existe o nada, não existe o todo; existe apenas a Mente Criadora Suprema, o Espírito Infinito, o Ser, o Ente, Deus.
Passado, presente, futuro – distinções de uma medida humana; o tempo. Para o Eterno, subsiste apenas o incomensurável, o infinito e eterno presente, a eternidade, que os homens podem esforçar-se para conceber como uma perene sucessão de passados e de futuros.
Passados que vivem no eterno pensamento de Deus sempre presente; futuros que representam o respirar da Infinita Lei, surgindo, instante por instante, no teu fugacíssimo presente.
Quem pode, realmente, conceber, detê-lo, mantê-lo, por um só instante, seja embora fugitivo? Apenas o tens percebido, ele, já na sombra, é presa do passado; se o esperares na passagem da tua mente, enquanto ele ficar envolto nas névoas imperscrutáveis do incógnito amanhã é futuro; mas apenas o fluir do eterno movimento erga o véu e os teus lábios, trêmulos de expectativa, estejam por pronunciar a palavra do presente: é; ele não é mais; já foi.
Assim, quem pode conceber o infinito? Contudo, o finito não existe. Experimenta levantar uma barreira que limite um espaço até a extremidade mais remota que a mente possa perceber, até o último confim possível à tua imaginação. Ergue aquela barreira e encerra todo o espaço concebível: além dele, sentirás palpitar ainda outro espaço como um insondável e misterioso mar que se perderá na infinidade eterna do Cosmos.
Existe apenas o infinito, e no espaço infinito vibra o Centro Infinito de Vida.
No fulgor mais intenso de Sua deslumbrante pureza resplendia o Fogo Incriado, Divino Criador. E a Sua chama, em um ímpeto de amor, emitiu centelhas, estrelas substanciadas pela Sua Luz, que envolveram de triunfante apoteose a Sua Glória.
O amor do Pai era esplendor que se irradiava até a última de Suas criaturas, e essas, aspectos luminosos do palpitar Daquela Luz, vibravam na Harmonia Infinita, elevando gemas de incomparável pureza até ao Supremo Centro do Bem.
E tudo era puro, no tempo dos tempos, até mesmo as trevas infinitas, que com seu aveludado manto recobriam o mistério dos abismos siderais, porque também eram parte do Infinito Corpo de Deus e nenhuma culpa havia tido princípio.
Iniciou-se, assim, a adorante rota das refulgentes e translúcidas esferas dos bem-aventurados.
Em cada uma, inúmeras essências angélicas flamejavam de amor pela Graça Perfeita que as tinham gerado, em uma pulsação a cujo confronto a mais ardente paixão humana é apenas um imperceptível arrepio de frio.
A onipotência do Pai fez surgir duas Fôrças, que acima das outras participavam de Seu incomparável fulgor: LUZ e MICKAEL.
E o Pai, Luz e Mickael refulgiam, irradiando bem-aventurança às centelhas que os adoravam.
À Luz, entregou o Pai o governo das esferas angélicas.
A Mickael confiou a missão do Seu serviço direto, além da de Chefe dos Arcanjos e de coadjutor da obra de Luz.
Sete, com Mickael, eram os Arcanjos que se regozijavam na adoração ante o resplendente trono de Deus: Gabriel, Rafael, Anael, Azaziel, Azaquiel, Uriel.
Na pureza incontaminada de sua essência, partícipes da infinita luz, as legiões angélicas, na celeste rosa, felizes de existirem, cantavam hosanas ao Criador, fitos na contemplação do indizível esplendor da Mente Suprema.
Na sua missão, Luz perpassando entre as refulgentes gemas da rosa angélica, recolhia as humildes preces, o puro perfume das essências espirituais, trescalantes da absoluta devoção, da alegria perfeita que emanava do seu adorante amor, e os elevava aos pés do fulgurante trono do Pai.
Certa vez, porém, no esplendor de seus voos, Luz retardou por um instante o seu rápido perpassar de esfera em esfera, como se a sombra longínqua, apenas acenada e fugaz, de um desejo, o atraísse repentinamente ao abismo que circundava o luminoso Centro Infinito.
Puríssima essência, emanada da Excelsa Chama Divina, participe daquela Infinita Potência em ação, superior a toda expressão quando assumia os aspectos peculiares ao Absoluto e ao Eterno, nada, fora do Imaculado Esplendor Criador, devia atraí-lo. Todavia, imperceptível, quase inadvertidamente, o reverente temor que o arrastava aos confins misteriosos do nada diminuía, superado por um desejo cada vez mais premente e ansioso que maculava o esplendor original.
A escuridão eterna daquele abismo, insondável mesmo à sua potência, atraia-o irresistívelmente.
Milênios, como anéis desenlaçando-se em uma cadeia sem fim, como pausas ritmadas de um eterno fluir, sucederam-se a milênios, como o bater uniforme da onda que no eterno movimento se afasta e retorna com a voz e essência imutáveis.
Por um tempo longuíssimo lutou Luz contra a ânsia de mergulhar naquela treva abismal, onde sentia vibrar o infinito mistério de Deus, até que o mórbido fascínio da curiosidade o venceu, impelindo-o a transpor a zona resplendente e a profanar aquele espaço que o Pai lhe havia proibido.
Esquecido da alegria indizível da amorosa fusão na infinidade da Graça Geradora que, no Seu ardor, acalma toda ânsia e sacia todo desejo, penetrou no cobiçado mistério.
O sentimento de apreensão que experimentou, transpondo o vedado limite insondável fê-lo deter-se, apesar do aguilhão da curiosidade, ante a imensidade de sua audácia.
Às suas costas, o e4splendor amoroso da Chama Paterna e a felicidade, na harmonia de luzes e de cores, dos bem-aventurados vibravam na distância. Êle estava só no tenebroso silencio; só na escuridão profunda que à sua frente lhe fugia, quase temerosa de ser violada pela sua luz.
Mas a consciência de seu esplendor, que parecia crescer à medida que avançava, tornava-o orgulhoso e o encorajava.
Naquelas trevas ele resplandecia, como nunca, de inusitado clarão e as sombras fugidias que, ao alcance de suas emanações resplandecentes, se retraiam quase inclinando-se humildes e convidativas, ofereciam ao seu orgulho nascente maior incentivo para desenvolver-se.
Esquivo e convidativo, o infinito reino da sombra, desconhecido e proibido, estava à sua frente quase na expectativa de um Fiat novo e maravilhoso; e ele sentiu-se, na treva, como transmudado em um centro luminoso.
Assim, o orgulho apossou-se dele e o inebriava como o eflúvio de um aroma proibido e perturbador.
Sua luz refulgia vitoriosa no reino da treva infinita: “ por que não poderia parar para reinar e dominar” ? E ao orgulho se juntava, insidiosa, a soberba, incitando-o à revolta contra a proibição de superar o limite interdito. Mas esse estimulo doloroso tinha o poder de sacudi-lo, e ele ressurgia das trevas à pureza incontaminada e feliz do Fulgor Paterno, angustiado e taciturno.
Milênios e milênios decorreram ...

continua.