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domingo, 20 de novembro de 2011

Mediunidade e prosperidade

Retirado do Livro Diário Mediúnico - Guia de estudos da Umbanda - Noberto Peixoto

Mediunidade combina com prosperidade financeira?

É certo que o exercício mediúnico deve se pautar pela seguinte máxima: “dar de graça o que de graça recebemos”.

O que me chama atenção é que seguidamente temos médiuns operosos, dedicados, assíduos, e suas vidas não têm prosperidade. Conversando aqui e ali, verifico que ainda temos marcado muito forte em nosso inconsciente que ganhar dinheiro é uma coisa ruim, que não combina com o sagrado, que vai nos atrapalhar. Verifico, ainda, um medo de “não se entrar no Céu”, decorrente da explicação de Jesus acerca da dificuldade de um rico alcançar esse feito, quando disse ser mais fácil um camelo passar no buraco da agulha do que isso acontecer.

A resposta de Jesus para o jovem rico que o perquiriu não se baseou só em sua riqueza, mas no fato de que seu coração estava cheio de avareza e idolatria pelas moedas. Não é possível que Deus seja contra a riqueza, a troca mercantil, o progresso.

O jovem rico, ao inquirir de Jesus sobre o que fazer para herdar a vida eterna, ouviu do Mestre que deveria desfazer-se de suas riquezas, para ter um tesouro no Céu. A questão não era o dinheiro que o jovem acumulava, e, sim, sua idolatria pelo material.

A explicação de Jesus, dizendo que é mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que um rico entrar no Céu, incorretamente interpretada até os dias atuais, faz muitos pregarem contra os bens materiais e acreditarem na trilogia: espírito, Céu e pobreza. Com certeza, nosso coração e nossa
consciência não devem estar apenas nas riquezas pueris. Todavia, ganhar dinheiro honestamente, em abundância, não constitui maior empecilho que o mundo profano, os apelos carnais e o próprio orgulho, uma vez que ser pobre não é ser humilde e vice-versa.

No exemplo do jovem, diante de Jesus, recomendou-se, de forma figurada, que ele deveria deixar o apego às riquezas. Na verdade, a riqueza potencializará o que nossas emoções negativas exprimem em nosso modo de ser, como um meio de exacerbação involuntária da falta de autoconhecimento, como o são o apego à fama, ao talento reconhecido, à boa aparência, com roupas da moda, ou ao intelectualismo exagerado, à sexolatria e à vaidade desmedidas.

Infelizmente, a mentalidade dominante no meio judaicocristão – incluindo-se o espiritismo e também nossa Umbanda, pois seria impensável negarmos a influência católica em nossas comunidades – é a de “bem-aventurados os pobres”, quando deveríamos enfatizar: “O Senhor é meu pastor; nada me faltará”.

Um dia desses, escutei de um dirigente Umbandista que tem seu terreiro quase caindo aos pedaços, em um barracão de madeira, que não reformava o local para o povo não pensar que eles tinham dinheiro, mesmo o agrupamento sendo auto suficiente financeiramente e o terreno sendo deles. Pode?

Voltando à pergunta de que se mediunidade combina com prosperidade, respondo: é claro que sim. Temos, na Umbanda, a linha dos Ciganos, que nos trazem uma alegre mensagem de axé – força – para abundância, fartura e prosperidade em nossas vidas.

É preciso falar um pouco da origem dos Ciganos, para entender seu trabalho e por que ele é realizado na Umbanda.

Primeiramente, temos de desmistificar a imagem do andarilho cigano, malandro, ladrão, sequestrador de criancinhas, falastrão, desonesto. Isso foi fruto do preconceito diante dessa etnia
livre e alegre, principalmente pelo fato de a crença deles não ser católica, religião dominante, confundida com os estados monárquicos por muito tempo.

Os Ciganos chegaram ao Brasil oficialmente a partir de 1574. Existiam disposições régias proibindo-os de entrarem em Portugal. Em 15 de julho de 1686, Dom Pedro II, rei de Portugal, em conluio com o clero sacerdotal da Igreja, determinou que os Ciganos de Castela fossem exterminados e que seus
filhos e netos (Ciganos portugueses) tivessem domicílio certo ou fossem enviados para o Brasil, mais especificamente para o Maranhão.

Dom João V (1689-1750), rei de Portugal, decretou a expulsão das mulheres Ciganas para as terras do pau-brasil. Por anos a fio, promulgaram-se dezenas de leis, decretos, alvarás, exilando os Ciganos para os estados de Maranhão, Recife, Bahia e Rio de Janeiro, onde se encontravam os núcleos populacionais mais importantes da colônia portuguesa. Este mesmo rei, Dom João V, proibiu os Ciganos de falar o romani, uma de suas línguas.

Afirma-se que as mais importantes contribuições dos Ciganos para o progresso e a prosperidade de nosso país foram negligenciadas até hoje pelos historiadores e livros escolares. Eles foram coparticipantes da integração e da expansão territorial brasileira. Ouso afirmar, ainda, que, se não fossem os Ciganos, as comunidades de antigamente, pequenos centros habitacionais, vilarejos, teriam progredido muito mais lentamente.

Os portugueses e africanos que vieram para cá não eram nômades. Os lusitanos procuravam fixar-se em terras alémmar, e os africanos fixavam-se a estes últimos como escravos.

Então, de norte a sul, de leste a oeste, em todos os lugares, lá estavam os Ciganos, livres, viajando em suas carroças, negociando animais, arreios, consertando engenhos, alambiques, soldando tachos, levando notícias, medicamentos, emplastros e também dançando, festejando e participando de atividades circenses.

Alegres, prudentes, místicos, magos e excelentes negociantes, quando chegavam aos vilarejos conservadores, era comum senhoras se benzerem com os rosários em mãos, esconderem as crianças nos armários, pois chegavam os Ciganos com suas crenças pagãs.

Assim como os espíritos de negros e índios foram abrigados na Umbanda, por falta de espaço para suas manifestações nas lides espíritas, todas as raças encontraram no mediunismo Umbandista liberdade de expressão. Os fatores mais importantes que permanecem em um povo, desde a mais remota antiguidade, são de consistência espiritual, com manifestação nos sentimentos e no modo de ser mais íntimo, com comportamentos típicos, frutos da memória coletiva, ou seja, de uma herança atávica.

É inconcebível, como o fazem nas hostes kardecistas, doutrinar um espírito milenar em minutos, fazendo-o deixar de ser um brâmane, um filósofo grego, um mago persa, um aborígene, um negro africano, um índio ou um cigano, passando a ser “só um espírito”.

Com respeito a todas as formas raciais, a Umbanda foi plasmada no Astral para oportunizar a manifestação de todos esses espíritos comprometidos com suas histórias e consciências coletivas, que não se desfazem e refazem em minutos de oratória racionalista, em uma mesa espírita.

Não faz pouco tempo, estive envolvido no aluguel de uma sala comercial para instalar minha empresa de distribuição de catálogos por vendas diretas. Estava apreensivo com a inadimplência e temeroso de que esse novo passo, para o qual teria que assumir investimento e novas representações, não fosse bem-sucedido. Fiz uma prece fervorosa no congá da choupana, pedindo amparo e que, se fosse de meu merecimento, conseguisse intuição para tomar as decisões certas em relação ao novo empreendimento, dado o baixo capital de giro de que dispunha.

Sou da opinião de que quem não pede não leva e de que devemos saber pedir, para não ganharmos o que não queremos.

Podemos pedir um cavalo ligeiro e ganhar um burrico manco, tendo ainda que dar de comer ao bichano. Na dúvida sobre a equidade do que se pede, melhor calar.

Na mesma noite da prece no congá, no meio da madrugada, senti uma Cigana ao lado de minha cama; alta, com saia rodada vermelha, uma tiara prendendo os longos cabelos negros, cantava e dançava flamenco com castanholas, dizendo ser a Cigana formosa da Andaluzia, região da Espanha.

Em desdobramento, pegou minha mão fluídica, a esquerda, e comprimiu dois pontos, dizendo-me que estava ativando algumas linhas de força em meu chacra palmar, que me fortaleceriam, no sentido de ter maior tenacidade e não desistir facilmente do novo projeto.

Ao acordar, senti comichão forte em dois pontos da palma esquerda, que ficou quente e vermelha. Nesse momento, ouvi a Cigana formosa dizendo-me que estaria, a partir de então, junto comigo em meu estabelecimento comercial e de trabalho.

Atendia um pedido de caboclo Pery e fora, então, designada pelo senhor Tranca Rua das Almas, por ser o Exu guardião da choupana, zelador da corrente mediúnica, para que me acompanhasse, ajudando-me para que meus caminhos de prosperidade estivessem abertos e assim atraísse, pela lei de atração e afinidade, negócios em mesma faixa vibratória, de abundância e progresso.

Deu-me um recado, ao final dessa experiência:


Meu caro cigano Zartheu. É assim que te conheço de longa data: tua preocupação com a coletividade religiosa com que estás envolvido, esquecendo-te da tua própria bonança, muitas vezes sem uma moeda no bolso e mesmo assim não se abatendo diante de tantas rogativas e choro por falta de emprego, dinheiro e penúria dos consulentes. Este simples fato de não pensares em ti, quando vestes o branco da Umbanda para auxiliar os que te batem à porta do terreiro, deu-te merecimento para que fosse ajudado. Nada é um acaso. Em idos antigos, quando ocupávamos o mesmo clã e eu te era a amada, cuidava de todos os negócios de nossa família Cigana, que era enorme. Tu confiavas em mim cegamente, até o dia que te traí com um jovem cigano galanteador de outro clã. Não te lembras do ataque em tuas tendas em altas horas de madrugada, do assalto e assassinatos infames?

Caímos, eu e ele, na mais grossa traição, conspurcando nossa fé e etnia. Não sabes quanto sofri por isto; “expulsa” de nossa tribo por nossas leis, deixada a esmo no interior da Espanha católica, acabei me recolhendo em convento. Por não ter procedência aceita, terminei meus dias como serviçal das freiras, que, por qualquer motivo, escarneciam da minha origem étnica, chamando-me de bruxa megera, pelo fato de a arte da leitura das mãos ser uma heresia. Quanto sofrimento, meu querido, e agora tenho a oportunidade sagrada de me reequilibrar com as leis divinas, auxiliando-te como fiel e formosa olheira no Astral, contribuindo para que recebas novamente um pouco de tudo que te fiz perder. Meu amor pela história de nosso povo é enorme e compreendo que nada é definitivo. As oportunidades são eternas, diante da bondade infinita do Pai. Conta com tua amiga, agora mais fiel do que nunca, para que consigas um pouco na Terra, o suficiente para uma vida digna, com bonança, e te dediques cada vez mais ao espiritual.

Todos aqueles que de alguma forma dependem de ti neste corpo, desde a filha de Iemanjá, que está muito próxima, zelando por ti e amando-te como mulher, e teus familiares, médiuns, consulentes, público leitor, entre tantos, encontrem sempre a serenidade em teu semblante, que a abundância e a prosperidade oferecem, quando associados com a espiritualização do ser que a nossa amada Umbanda forja. Que Deus e os sagrados orixás nos abençoem. Tua eterna amiga, hoje Cigana formosa.


O vento vai trazer uma Cigana
Que as flores da campina vão vergar.
São uma, são duas, são três flores,
De onde seu perfume vai tirar.
Quando cheguei à aldeia
Senti um aroma de rosas.
Havia uma Cigana formosa,
Qual Cigana eu encontrei.
Levanta a saia, oh, Cigana!
Não deixa a saia arrastar,
A saia custa dinheiro,
Dinheiro custa ganhar.

Retirado do Livro Diário Mediúnico - Guia de estudos da Umbanda - Noberto Peixoto

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Oração a Santa Sarah Kali

Em Romanês:

Manglimos Katar e Santa Sara Kali Tu Ke San Pervo Icana Romli Anelumia Tu Ke Biladiato Le Gajie Anassogodi Guindiças Tu Ke daradiato Le Gajie, Tai Chudiato Anemaria Thie Meres Bi Paiesco Tai Bocotar Janes So Si e Dar, E Bock, Thai O Duck Ano Ilô Thiena Mekes Murre Dusmaia Thie Açal Mandar Thai Thie Bilavelma Thie Aves Murri Dukata Angral O Dhiel Thie Dhiesma Bar, Sastimôs Thai Thie Blagois Murrô Traio Thie Diel O Dhiel.

Tradução livre:
Tu que és a única Santa Cigana do Mundo. Tu que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos. Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar. Para que morresses de sede e de fome. Tu sabes o que é o medo, a fome, a mágoa e a dor no coração. Não permitas que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem. Que Tu sejas minha advogada perante à Deus. Que Tu me concedas sorte, saúde e que abençoe a minha vida. AMÉM.

Outra Oração de Santa Sara Kali

Sara, Sara, Sara, fostes escrava de José de Arimatéia, no mar fostes abandonada ( pedir para que nada nos abandone: amor, saúde, felicidade, fé, amigos, dinheiro... ).

Teus milagres no mar se sucederam e como Santa te tornastes; à beira do mar chegastes e o ciganos te acolheram. Sara, Rainha, Mãe dos Ciganos, ajudaste e a ti eles consagraram como sua protetora e mãe vinda das águas. Sara, Mãe dos Aflitos, a ti imploro proteção para o meu corpo, luz para os meus olhos enxergarem até no escuro ( pedir forças para os seus olhos, vidência ), luz para o meu espírito e amor para todos os meus irmãos, brancos, negros, mulatos, enfim, a todos os que me cercam.

Aos pés de Maria Santíssima, tu, Sara, me colocarás e a todos que me cercam para que possamos vencer as agruras que a terra nos oferece.

Sara, Sara, Sara, não sentirei dores nem tremores, espíritos perdidos não me encontrarão e assim como conseguistes o milagre do mar, a todos que me desejarem mal, tu com as águas me fará vencer ( quando a pessoa não está bem e querendo resolver algo muito importante, nesse momento, beber três goles de água ).

Sara, Sara, Sara, não sentirei dores nem tremores e continuarei caminhando sem parar, assim como as caravanas passam, no meu interior tudo passará e a união comigo ficará; e sentirei o perfume das caravanas que passam deixando o rastro de alegria e felicidade. Teus ensinamentos deixarás!

Amai-nos Sara, para que eu possa ajudar a todos que me procurem, ajudados pelos poderes de nossos irmãos ciganos. Serei alegre e compreensiva(o) com todos os que me cercam.

Corre no Céu, corre na Terra, corre no Mundo e Sara, Sara, Sara, estará sempre na minha frente.

Assim como os ciganos pedem: Sara fique sempre na minha frente, sempre atrás, do lado esquerdo, do lado direito .

E assim dizemos: somos protegidos pelos ciganos e pela Sara que me ensinará a caminhar e a perdoar.

Reze três Ave-Marias: a 1ª para Santa Sara, a 2ª para os Ciganos e a 3ª para você.

Milagroso Canto à Santa Sara

Farol do meu caminho!
Facho de Luz!
Paz!
Manto Protetor! Suave conforto.
Amor!
Hino de Alegria! Abertura dos meus caminhos!
Harmonia!
Livra-me dos cortes. Afasta-me das perdas.
Dai-me a sorte!
Faz da minha vida um hino de alegria,
e aos seus pés me coloco,
minha Sara, minha Virgem Cigana.
Toma-me como oferenda
e me faz de flor profana
o mais puro lírio que orna e traz
bons presságios à Tenda.
Salve! Salve! Salve!

(Cigana Mirian Stanescom)

terça-feira, 24 de maio de 2011

24 de maio: Dia de Santa Sarah Kali

A Slava (comemoração) de Sara Kali acontece nos dia 24 e 25 de maio. A Cigana Escrava que Venceu os Mares com sua Fé e Virou Santa.
Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões. Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias. Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio.

Segundo o livro oráculo (único escrito por uma verdadeira cigana) "Lilá Romai: Cartas Ciganas", escrito por Mirian Stanescon - Rorarni, princesa do clã Kalderash, deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: "Dalto chucar diklô" (Te darei um bonito lenço). Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no Sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um Diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.

Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.

Considerada pela Igreja Católica como Santa de culto local , pois nunca passou pelos processo de canonização, Sara esta ligada à história das tradições cristãs da Idade Média e o assim chamado culto às virgens negras. Não se conhece a razão exata que levou os ciganos a eleger Santa Sara como sua padroeira, mas foi ela quem converteu os ciganos para o Cristianismo.

Ela é a mais venerada Santa para os ciganos e todo acampamento cigano conduz uma estátua da virgem negra depositada num altar de uma das tendas cercadas por velas, incenso, flores, frutas e alimentos. Contam as lendas que os restos mortais de Sara foi encontrados por um rei em 1448 e depositados na cripta da pequena Igreja de Saint-Michel em Saint Maries de La Mer.

Assim, todos os anos na madrugada de 24 de maio milhares de ciganos de quase todas as regiões da Europa, África, Oriente e dos quatro cantos do mundo, reunem-se na pequena igreja de Saint-Michel em louvor e homenagem a sua padroeira.

Outras versões são contadas, mas essa é a mais popular entre todas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Povo Cigano: Uma breve dissertação sobre este surpreendente povo

Tudo que dissermos sobre os ciganos é baseado em conjecturas pois não se tem como fazer uma reconstituição histórica por falta de dados suficientes para garantir sua autenticidade.Sendo que os ciganos não possuem até hoje uma linguagem escrita fica impossível saber qual a verdadeira origem deste povo.Baseamos então em suposições e similaridades.
Supõe-se que eles tiveram seu berço na civilização da índia antiga,dois ou 3 milênios antes de Cristo.
Foi feito pelos estudiosos uma comparação do Sânscrito (que é o idioma da Índia –um dos mais antigos idiomas do mundo) e do idioma falado pelos ciganos e assim encontraram muitas palavras com o mesmo significado.
Outras observações foram feitas com relação ao tipo físico e cor de pele que tem semelhança entre os ciganos que são de tez morena e também os hindus, e assim como a forma de se vestirem , o gosto pelas roupas coloridas vistosas, além das crenças religiosas que fala sobre reencarnação e na existência de Deus Pai e Absoluto.
Para ambos os povos a religiosidade é de grande importância,conhecem e dão grande ênfase ao respeito às leis divinas , e a lei do karma .
Interessante também observar que os hindus veneram uma deusa de nome Kali,considerada mãe universal e que esta tem a tez negra , e os ciganos também possuem uma santa de tez negra conhecida por Santa Sara Kali, acreditando-se aí ter sido feito um paralelismo com a deusa hindu.
Outro ponto que nos chama a atenção é o gosto pela dança e pela música , e as vestes coloridas que tantos os ciganos usam com os hindus.
Bem contudo tudo que temos foi dito no início que são suposições e nada foi provado.
Num passado este povo buscou terras novas onde pudessem viver com liberdade., foi daí que se tornaram um povo nômade.Não se fixando na verdade em nenhum lugar.Contudo era importante para eles manter seus costumes , crenças e tradição vivas.Não se apegaram em lugar algum , sempre se mudando de um lugar para o outro.Foi assim que criaram as tendas ,suas moradias de tecido resistentes acampanhando-se onde desejavam e era possível.
Sendo nômades não possuem uma pátria ,são universais.Possuem um profundo sentido de união, viajam e vivem em grupos, em família.Possuidores de um grande companheirismo e profundo sentimento de solidariedade.Dentro do grupo em que vivem seguem regras e normas,para que possam conviver de uma forma harmoniosa.Sua cultura e tradição foram perpetuadas até os dias de hoje, mesmo sendo perseguidos , e difamados mantiveram suas regras e respeitam-na , e é isto que faz com que o grupo sobreviva, assim como sua cultura e tradição.
O idioma falado pelos ciganos é o ROMANÊ OU ROMANEZ ,que é uma linguagem própria e exclusiva.Sendo uma língua ágrafa não possui uma escrita e é passado oralmente de uma geração para a outra.E uma linguagem que não tem representação gráfica definida e não existe um dicionário da língua dos ciganos.Portanto tanto o idioma a sua cultura e tradição é transmitido oralmente.

O povo cigano se espalhou por todas as regiões do planeta,por longo período de existência muitos grupos se extinguiram naturalmente ou por força de guerras e lutas nos paises onde estiveram acampados , contudo novos grupos surgiram e estão entre eles os mais importantes como os Grupos Kalon, que são da Espanha e Portugal, o grupo Moldovano que originou da Rússia, os Hoharanó da Turquia, os grupos Kalderash e Matchuiya que são da Romênia da antiga Iugoslávia.
Os primeiros grupos ciganos chegaram ao Brasil em meados do século XVII e vieram de Portugal.
A família para os ciganos representa a unidade que se juntando a outras, forma um clã, que para ser respeitado como um todo deve ser respeitado suas unidades constituintes.


O comando da família é exercido pelo homem, que é o responsável pela família,pois ele é o líder e compete a ele a segurança e o sustento da família.O homem exerce as tarefas mais pesadas, e é ele quem resolve as situações mais difíceis.È respeitado pela mulher e os filhos, que são a ele inteiramente subordinados.Cabe ao homem resolver as pendências , o casamento dos filhos, e é quem decide o destino das viagens que devam fazer e para onde ir, alem de todos os assuntos que diz respeito ao clã .Geralmente os ciganos não vivem no concubinato , são casados ,unidos pelos laços matrimoniais.Já a esposa cigana está sempre pronta a servir o marido, a ela compete cuidar da casa dos filhos, educar e zelar pelos filhos além de cuidar dos sogros como se fossem seus pais. Ambos ,marido e mulher respeitam o lar como se fosse um ambiente sagrado .Evitam desavenças diante dos outros e tampouco diante dos filhos.
A mulher cigana significa o lado terno e espiritual dos lares ciganos, embora esteja em posição inferior ao homem é tratada com muito respeito por ser ela aquela que possui a maternidade.As meninas aprendem com a mãe a realizar as tarefas do lar, e ajuda a cuidar dos irmãos menores.Além de desempenhar tarefas de casa aprendem a dançar , a ler as cartas, e a ler as mãos , a executarem rituais e cerimônias , os preceitos religioso.
No momento de se casar é escolhido um marido para ela e feito um acordo entre eles e um dote deve se dado.Geralmente a moça cigana se casa jovem e devem ser virgens; caso aconteça uma experiência antes do casamento para eles constitui uma grande desgraça.
As vestimentas das ciganas são coloridas e longas mas sempre resguardando do corpo , nenhum decote ousado , saias rodadas, lenços na cabeça, xales, tudo muito colorido. As vestimentas representam um dos aspectos mais importantes dentro da cultura cigana. São atraentes e sedutoras.Possuidoras de grandes intuições usam seus dons de adivinhação,através das cartas e lendo as linhas das mãos e desta maneira ganham algum dinheiro .
Os homens ciganos no passado executavam profissões simples como ferreiros ,artesões, pequenos comerciantes , cavaleiros e também eram adestradores e comerciantes de cavalos .


Atualmente os ciganos trabalham dentro das artes como músicos, dançarinos, compositores ,artistas de teatro e cinema , dentro também do mundo dos circos, e nas bandas musicais.
A pessoa idosa para os ciganos merece a maior estima e é muito respeitado pois ele detém o conhecimento a sabedoria , a experiência de vida , portanto os seus conselhos são ouvidos pelos jovens e pelos adultos. São considerados os mais sábios.


As crianças ciganas vivem em total liberdade e contato com a natureza mas acompanham seus pais em todas as ocasiões de festividades e cerimônias assim como estão sempre boa parte do tempo com os mais velhos.São muito amadas e respeitadas,
Quando os ciganos se estabelecem por um longo período em um lugar as crianças freqüentam a escola por um curto tempo, o suficiente para aprender o básico como a língua do país, as operações matemáticas mais simples.
Quando um cigano ou uma cigana infringem as leis ,ele é julgado no Tribunal de Justiça Cigano ou o CRIS ROMANI, este tribunal é formados pelos ciganos idosos homens somente ou pelos mais velhos dos grupos.O CRIS ROMANI é totalmente falado em Romanê ,e não exime o réu ou a ré da justiça do país local caso o delito seja mais sério ou se enquadre nas leis universais, ou particulares do país onde estes estejam acampados.


A dança cigana é uma das mais vivas e exuberantes formas de expressão , é uma dança alegre e contagiante de muita vivacidade e acompanhada pela musica de seus instrumentos,assim como pelo bater de palmas e castanholas , além das batidas secas do pé no chão .Espantam qualquer negatividade.Dizem que os ciganos dançam com alma, ou seja com o sentimento.Não existe uma regra e nem uma coreografia propriamente dita.
Nas festas as ciganas usam suas melhores roupas além de suas jóias; Ao executarem os movimentos da dança se torna muito belo e cheio de graça.Este tipo de dança se assemelha muito com a dança árabe e hindu.Sempre usando muito as mãos e os braços e balançando-se da cintura pra cima.E é dançada pelo prazer nunca por obrigatoriedade.Com alegria nos olhos e sorriso nos lábios.
Se olharmos de uma forma mágica diríamos que a “Vida Cigana” é uma dança permanente!



Em homenagem do Cigano Yago´


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Biografia-CIGANOS –OS FILHOS MÁGICOS DA NATUREZA.
Editora Madras - Rosaly Mariza.

sábado, 21 de maio de 2011

Santa Sarah Kali e o povo cigano

O povo cigano é envolvido de mistérios. Da Lua Cheia, retira a magia; da dança e da música, toda a alegria; da natureza, a força e a energia. E para Santa Sara, ou Sarah Kali (pronuncia Kalí), ele volta sua fé, seus pedidos e seus agradecimentos.
A religiosidade faz parte da vida dos ciganos, desde o nascimento até a morte, e para poderem cultuar seus santos sem serem vítimas dos preconceitos dos não-ciganos, costumavam se converter à religião dominante do local em que se estabeleciam. Então, os grupos que foram para a Europa se declararam católicos e se ligaram a Santa Sara que tinha origens misteriosas e a pele morena, como eles.
Para desvendar um pouco do mistério que acompanha Santa Sara e descobrir porque ela é tão venerada pelos ciganos, é preciso voltar ao tempo. Ela é considerada uma santa católica, mas não passou pelos processos de canonização desta igreja. Também se liga a uma forte tradição européia medieval, o culto às virgens negras. Muitas santidades femininas, representadas por estátuas negras, foram adoradas durante toda a Idade Média. Durante a Santa Inquisição, os ciganos eram considerados bruxos e eram marginalizados pela igreja. Para que Santa Sara Kali fosse santificada pela igreja católica, foi preciso trocar sua origem cigana, para de escrava egípcia. Não se conhece a razão exata que levou os ciganos a eleger Santa Sara como sua padroeira.
Os dias 24 e 25 de maio são consagrados ao culto da Santa. Para os ciganos, a peregrinação festiva até Camargue, para a adoração da santa, é uma tradição sagrada e secular. Milhares de ciganos de quase todas as regiões da Europa, África, Oriente e dos quatro cantos do mundo, reúnem-se na pequena igreja de Saint-Michel em louvor e homenagem a Sara.
Uma semana antes da festa, numerosas clãs e grupos ciganos, vindos de todas as partes do mundo, chegam à região para a procissão. A figura da santa negra é transportada no andor pelas ruas da vila e a viagem termina nas águas do Mediterrâneo.
A passagem dos ciganos por aquela vila francesa não tem apenas um objetivo religioso. Durante cerca de uma semana os ciganos mostram o que a sua cultura tem de mais belo e tradicional, com os ciganos a encher as pequenas ruas de Saintes-Maries-de-la-Mer com a música e as danças tradicionais. Os terrenos em redor da vila são totalmente ocupados pelos acampamentos ciganos. Mas, salvo raras exceções, as carroças de tração animal do passado deram hoje lugar às cômodas "roulottes" (ou traillers), com televisão e parabólica puxadas pelos últimos modelos das mais conceituadas marcas automóveis. E todos os anos, no dia 24 de Maio, a história repete-se...

O Local da Peregrinação:
No sul da França, entre os rios Grand Rhône e Petit Rhône, situa-se a planície dos alagados de Camargue.
Camargue tornou-se célebre pelas festas que acontecem na cidade de LES-SAINTES-MARIES-DE-LA-MER, pacata vila com cerca de três mil habitantes, região de Provence no sul da França; pelo seu caráter religioso e peregrino. A serenidade da localidade é abalada com a chegada dos cerca de dez mil ciganos, que conseguem trazem a cor, o odor e o som característicos.


Histórias ou Lendas?
Segundo alguns historiadores, por volta dos anos 50 d.c, uma embarcação teria cruzado os mares a partir de terras Palestinas levando a bordo para fugir das perseguições de Roma aos primeiros cristãos, um grupo de personagens bíblicos: Maria Jacobina ou Jacobé, irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro, Maximiliano e Sara, uma negra serva das mulheres santas e aportado em uma pequena ilha situada em águas do Mediterrâneo. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias. Sara teria sido uma das primeiras convertidas ao cristianismo e morrido a serviço de suas companheiras de viagem.
Uma outra versão contada é que Sara era uma escrava egípcia de uma das três Marias, Madalena, Jacobé ou Salomé; e junto com José de Arimatéia, Trófimo e Lázaro foi colocada, pelos judeus, em uma barca sem remos e alimentos. Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito (acredita-se que deste gesto de Sara Kali tenha nascido a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: Dalto chucar diklô (Te darei um bonito lenço)). Talvez por um milagre, ou por obra do destino, eles chegaram a salvo a uma praia próxima a Saintes Maries de La Mer. Depois de muitos dias, o barco foi resgatado por moradores de uma vila próxima aos arredores da costa marítima. Todos, por serem brancos, foram acolhidos, exceto Sara, por ser escrava (egípcia) e negra. Um grupo de ciganos a fez, pois estavam nas proximidades e presenciaram o fato. Sendo assim, passaram a cuidar de Sara, que, com sua morte, posteriormente, os mesmos passaram a recorrer com pedidos à mesma, por ter sido uma pessoa querida em vida, e esta, os atendeu em espírito, realizando milagres. A partir disso, Sara se tornou Mãe e Rainha dos Ciganos, honrando-os e protegendo-os. O surgimento de sua capela - foi criada após a sua morte. Quando veio à falecer, os Ciganos foram até a igreja da vila pedindo que seu funeral se realizasse na mesma. Devido ao preconceito, os católicos da época recusaram. A partir de então, foi feito uma espécie de gruta/igreja para Sara, visitada até os dias de hoje. Quando em 1935 a Igreja tirou Sarah de sua Cripta, muitos ciganos se aplicaram à prova do punhal (punhal avermelhado no fogo sobre a veia do pulso). Diz-se que o Sol queimou o olhar de Sarah.
Quando o número de ciganos aumentou, a Cripta não deu para todos, e foi feito um acordo entre um gadjo chamado "Marquês de Baroncelli" e um cigano chamado "Cocou Baptista", um chefe cigano muito influente. Até um certo tempo o acordo foi cumprido, mas os seus sucessores não levaram o trato a diante. Este chefe cigano foi usado, simplesmente um instrumento do gadjo, ele foi renegado e expulso pelo povo cigano.
Os ciganos de origem Calon, com o passar dos anos, alteraram algumas palavras da língua regional do povo cigano. Devido a estas alterações, houve algumas modificações idiomáticas no significado das palavras. Entre elas, podemos citar a palavra Kalin, que em Calon representa a palavra "cigana". Já para os ciganos que ainda preservam a língua regional, Kali representa negra. Há algum tempo, existe esta confusão idiomática, envolvendo a cor da pele da Santa.Para os Calons, seria Santa Sara Kalín (a cigana) e não Santa Sara - a negra. Paralelamente, a história de Sarah chegou à Índia, onde os ciganos a associaram à deusa Kali, negra, poderosa, transformadora.
Outra versão conta que Sara era moradora de Camargue e teve piedade das Marias, resolvendo ajudá-las. Também dizem que ela era uma rainha das terras de Camargue ou uma sacerdotisa do antigo culto celta ao deus Mitra. Uma das explicações para estas histórias é que em Camargue existiram várias colônias de antigas civilizações, como a egípcia, a cretense, a fenícia e a grega. Por isso, muitos poetas e menestréis contaram a história de Sara, de acordo com o que ouviram de seu povo, e assim, o mito em torno dessa poderosa santa foi difundido pelo mundo e ela continua, até hoje, a ser adorada entre as comunidades ciganas. Nos dias atuais, a santa padroeira dos ciganos é comemorada com muitos rituais e tradições por mais de 15 milhões de ciganos espalhados em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, Austrália e Nova Zelândia.
Para preservar a história original de Santa Sara Kali, é necessário lembrar que a igreja católica santificou-a como SANTA e, que é dessa forma que o povo cigano a cultua (e não em rituais).
Aqui no Brasil, Santa Sara divide a preferência dos ciganos brasileiros com Nossa Senhora Aparecida e São Jorge Guerreiro. Os ciganos brasileiros adoram Nossa Senhora de Aparecida, talvez por causa de sua cor, e muitos a equiparam à Santa Sara Kali. Se não têm a imagem dela, por ser difícil encontrá-la, por certo possui em sua Thiera (barraca) ou casa uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Às vezes têm as duas.
Certo é que ela é a mais venerada Santa para os ciganos e todo acampamento cigano conduz uma estátua da virgem negra depositada num altar de uma das tendas cercadas por velas, incenso, flores, frutas e alimentos.

Atualmente, as relíquias da Santas: Sara, Maria Jacobé e Maria Salomé, encontram-se na capela alta da Igreja de SAINTES-MARIES-DE-LA-MER; uma construção erguida desde o século IX, no antigo local do oratório dos discípulos. Contam-se as lendas que os restos mortais de Sara foram encontrados por um rei em 1448 e depositados na cripta da pequena Igreja de Saint-Michel.
No local são cumpridas promessas, feitas à Santa Sara Kali. Milhares de velas acesas são oferecidas à Santa. Em conseqüência disto, o calor torna-se intenso, não sendo possível às pessoas permanecerem muito tempo no local. Dizem até que o gás carbônico liberado pela queima das velas tornou a imagem da Santa Sara Kali escura, havendo até uma modificação na crença da cor da pele da Santa.
Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.
Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô (lenço), o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
As mulheres ciganas também confeccionam saias, com as quais vestem a imagem da Santa.
A proteção de Sarah confere às pessoas emanações sempre benéficas que representam simbolicamente o ventre da sua mãe, seu sorriso, a irmã e a rainha: a "phuri dai" secreta dos Roms. Dizem que a pessoa de bom coração consegue ver o sorriso na estátua de Santa Sara. Verá que tanto seu sorriso como o dela estarão diferentes. Para os ciganos a estátua de Sara está carregada. Nela se condensam as energias sutis de muitas gerações de ciganos feiticeiros. Ela sempre atende a todos, principalmente às pessoas que têm a intuição mais desenvolvida e usam os oráculos como forma de divinação.
É de costume festejar as slavas (promessas ou comemorações em homenagem a algum santo). A Slava de Sara Kali é nos dias 24 e 25 de maio. A Slava de Nossa Senhora de Aparecida coincide com a comemoração dos gadjés, a 12 de outubro. Na Slava, é oferecido um banquete ao santo homenageado, onde é colocado o Santo do Dia no centro da mesa, em lugar de destaque e junto a Ele, um manrô (pão) redondo, que é furado no meio e onde coloca-se um punhado de sal junto com a vela. Esse pão é posto em uma bandeja cheia de arroz cru, para chamar saúde e prosperidade e, ao término do almoço, ele é dividido entre os convidados pelos donos da casa, junto com essas palavras de bençãos:

THIE AVÊS THIAILÔ LOM, MANRÔ TAI SUNKAI
(Que você seja abençoado com o sal, com o pão e com ouro).

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Roda Cigana

Uma canção triste.
Assim começa a música cigana, como um lamento pelas injustiças sofridas por seus antepassados.
Não demora muito e a melodia ganha um ritmo alegre, anunciando que as dificuldaes poderão ser vencidas.

Nesse momento de descontração as mulheres ganham um destaque especial.É na roda, geralmente ao redor de uma fogueira, que ela podem conquistar a liberdade, mesmo que por poucos minutos.
Já que os homens quase sempre apenas batem os pés e estalam os dedos.

Para demonstrar alegria, as ciganas giram, lançam olhares maliciosos e deixam os braços soltos.
Para seduzir, o corpo faz um balanço para frente e para trás, com um leve gingado de quadris.
Povo Cigano


terça-feira, 17 de maio de 2011

A fé cigana

Os ciganos não possuem pajés ou curandeiros, ou ainda um feiticeiro em particular, pois cada cigano e cigana tem seus talentos para a magia, possui dons místicos, sendo portanto um feiticeiro em si mesmo. Todo povo cigano se considera portador de virtudes doadas por Deus como patrimônio de berço, cabendo à cada um desenvolver e aprimorar seus dons divinos da melhor e mais adequada maneira.
Existem autores que citam que cada grupo cigano tem seu feiticeiro particular denominado kakú, porém isso pode variar de clã para clã, para alguns essa palavra significa apenas tio.

O ciganos não são politeístas. Adoram e veneram um só Deus, mas tais como vários povos viveram e vivem em estreito contato com a natureza, vêem as naturais manifestações desta como divindades. Assimilam dos astros do céu, abençoam e pedem bençãos à chuva, as águas dos rios, cachoeiras, às árvores das matas, respeitando os trovões, a força devastadora dos raios e o fogo, que aquece, protege e purifica. Admiram os pássaros, as flores, os animais, toda a forma de vida que brota da natureza, pois entendem que todas são maneiras de Deus se revelar aos homens, sendo tratados portanto com carinho e respeito. Eles compreendem que o ar é energia vital, o elemento vivificante da vida e oram para que as ventanias, tufões e vendavais não destruam seus acampamentos e seus lares (tendas).

O povo Cigano é místico por essência e trazem latente na alma a religiosidade e o amor pelas divindades e, dentro de seu mundo espiritual, mantém seu equilíbrio e harmonia cultuando a grande Kali. Santa Sara Kali é tida como a santa do povo cigano. Hoje mais do que nunca, devido a cultura dos ciganos entrar em quase todos os países, os não ciganos passaram a conhecer e venerar o culto a Santa Sara.

Santa Sara Kali, esta presente em toda tenda cigana, com sua tradicional veste azul-céu e o rosto negro. A lenda nos conta que os inimigos do Nazareno , que naquela época não eram poucos, condenaram por diversas artimanhas as três Marias. Maria Madelena, Maria Jacobé (mãe do Tiago menor) e Maria Salomé (mãe de São João). Elas deveriam ser jogadas ao mar, numa barca sem remos ou previsões, acompanhadas tão somente de uma das escravas de José de Arimatéia, Sara a Kali ( Kali em romanês, quer dizer negra).

Esse barco teria miraculosamente apostado numa praia próxima a foz do RIO PETIT-RHÔNE, onde hoje se encontra a igreja de SAINTES-MAIES-DE-LA-MER ( Santa Marias Vindas do Mar), um lugar de peregrinação e de culto para Santa Sara Kali, que foi quem converteu os ciganos para o Cristianismo.

Das Marias, a história não guarda vestígios ou mesmo seus destinos, mas quanto a Sara, dizem que ela foi cuidada pelo povo cigano e o ajudou a tornar-se unido e a desenvolver-se como povo e como cultura.

domingo, 15 de maio de 2011

Origem do povo cigano

Feiticeiros, andarilhos, artistas... Quem são os ciganos? Qual é a sua origem? Para onde caminham?

Muitos talvez nem imaginam que esse povo começou a imigrar da Índia por volta do século 16 a.c. mas, como uma cultura em constante fuga ao controle da história, existem mais versões do que fatos concretos. É certo que eles passaram pelo Egito, Grécia, Irã, Ásia Ocidental, Romênia, e já no século 15 podiam ser encontrados por toda a Europa. Perseguidos, excomungados, tachados de bruxos ou odiados pela sociedade que não conseguiam submetê-los, os ciganos sobreviveram graças as força da sua alma indomável. Força essa que não lhes faltava nem a beira da morte, quando aguardavam o extermínio com palmas e cantos.

Os ciganos chegaram ao Brasil no século XVII, como degredados ou enviados de Portugal para trabalhar como ferreiros e ferramenteiros. Os do grupo Kalon, foram os primeiros a chegar e marcaram a sua presença fortemente nesta terra. Eles eram católicos, mas conheciam os mistérios da Mãe Natureza e sabiam que os queridos ancestrais, podiam se comunicar, apesar de habitarem outros mundos.

Hoje se estima cerca de 150 mil ciganos espalhados pelo nosso país. Dizemos que são os nômades, justamente por ser os mais perceptíveis. Mas, se fôssemos considerar os criptociganos ( os ciganos ocultos, os não assumidos), esse número triplicaria. Então seria quase que meio milhão de ciganos no Brasil.

Apesar de não terem uma pátria, eles formam uma etnia, pois têm uma unidade lingüística o romanês, que é a língua do povo. O cigano possui a pátria dentro de si mesmo. A sua pátria é onde ele está, o que é muito difícil de ser entendido pelos gadje (não ciganos).

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cigano Rodrigo

Este cigano é natural da Hungria, de familia Louvara. Desde a mais tenra idade já conseguia influenciar as pessoas, atraves de suas colocações, da sua forma de pontuar a hora certa. Rodrigo, bem jovem já tinha aprovação dos Barôs, para no futuro tambem ser um. Aconselhador, prima pela justiça sem impor glata, impoe sim, respeito e argumentação convincente que faz com que o caminho seja tomado após analise de todos os angulos da questao. Sempre foi um cigano em querido e com uma ligação muito forte com os elementais do ar. Os ventos vinham lhe contar o que estava acontecendo e mesmo estando na posição de kaku, nem sempre dizia tudo o que sabia.
Estava com 29 anos, sempre adorado e bem querido pelas pessoas, principalmente pelas mulheres, se envolveu com uma cigana rudari. Esta lhe enredou, atraves dos sentimentos, da magia e da conversa. Ela dizia estar muito apaixonada, e apesar de ter a mesma idade que ele, era muito mais experta. Viúva, havia voltado a conviver com sua propria familia, que de certa forma a rechaçava. Rodrigo achava uma injustiça, mas nunca emitiu uma opiniao mais vigorosa. Deixava-se se queixar, a ouvia e confortava em seus braços. Ele sempre tinha uma sensação de que ela lhe escondia algo, mas passando por cima do amor que acreditava sentir, não dava credito a seu coração, a sua intuição. Um dia necessitou viajar e deixou sua amada que já estava morando com ele, para aconselhar um cla longe que estava com serios problemas de relacionamento. Ao voltar, ela o recebeu igual, com todo ardor.

Mas muitas coisas haviam mudado. Sua familia não só a rechaçava, como a condenava, e procurava Rodrigo para aconselhar que ele a deixasse. Ela no entanto sempre conseguia evitar que isto acontecesse. Chorava, chantageava, fazia tudo para que isso não ocorre-se. Nas primeiras semanas, Rodrigo aceitou, mas depois alegando viagem, foi ao encontro dos que queriam lhe falar. Logo ficou sabendo que ela mantinha o relacionamento com ele para ter um alibi. Ela mantinha um romance com o marido de sua irma. Rodrigo ficou chocado, chateado, mas não saiu do seu eixo. Ao chegar em casa conversou com ela, e o fato dela reagir aos gritos, fez com que ele soubesse o carater que ela tinha. Depois deste relacionamento, ele ficou muito decepcionado com as pessoas em geral. Mas o amor ao que é justo falava mais alto no seu coração e na sua consciencia. Deste forma, ele amadureceu muito e passou ainda mais a aconselhar, principalmente para que as pessoas não saiam do seu eixo.

Para este cigano, o importante é que se de o valor devido a cada situação, não guarde magoas, e ensine sempre, pois aquele que não valoriza os ensinamentos da vida, é incapaz de resolver positivamente e justamente as questoes que se apresentam ao longo de nossa existencia. O Cigano Rodrigo, quando presente em forma de energia, sente-se um conforto mesmo que estejamos diante de problemas mais graves. Ele quando incorporado, nota-se no medium uma juventude que contrasta com as sabias palavras que ele distribui, enquanto recebe as pessoas com carinho. Mas não se engane, porque Rodrigo prima pelo que é justo, analisando bem todos os lados da mesma questao. Ele trabalha com oraculos tradicionais, mas no entanto prediz, observando o jeito da pessoa se portar.

Dando conselhos inusitados, sendo capaz de entender a todos sem distinção. Ama o violino cigano, os cigarros finos, os cristais (com os quais faz muitas magias), os incensos e as velas coloridas. Quem se consulta com este cigano sai surpreso, pois ele não se espanta com nada. Seu ditado favorito é: “Ir ao chao é ruim, mas sempre servirá para mostrar, que la não é o seu lugar!”
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os sete ensinamentos ciganos

1- FELICIDADE - um campo aberto, um luar, um violão, uma fogueira, o canto do sabiá e a magia de uma cigana.

2- ORGULHO
- é saber que nunca participamos de guerras e nunca armamos para matar nossos semelhantes. Somos os menestréis da paz.

3- AMOR
- amar é vivermos em comunidade, é repartir o pão, nossas alegrias e até nossas aflições.

4- LEALDADE
- é não abandonar nossos irmãos quando precisam. É nunca negar o ombro amigo, a mão forte e o incentivo à vida.

5- RIQUEZA
- é termos o suficiente para seguirmos pela estrada da vida.

6- NOBREZA
- é fazermos da humilhação um incentivo ao perdão.

7- HUMILDADE
- é não importar-se em ser súdito ou nobre, importar-se apenas em saber servir.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cigana Íris

Esta cigana faz sua magia com as maçãs vermelhas.
Quando joga suas patacas (radem ou moedas), precisa ter uma maçã cortada em quatro partes.
É com esta maçã que ela confirma suas previsões.
A cigana Íris usa sempre um lenço vermelho noelos: é com este lenço que forra a terra para jogar as suas patacas.

Íris adora a cor vermelha, diz que é a força ardente das paixões, do amor e do sangue que corre nas veias dos seres humanos para que eles sobrevivam no planeta Terra.

Esta cigana tem um certo mistério, de que infelizmente não podemos falar.

Quem tem essa cigana, precisa tomar muito cuidado, pois foi da maçã que veio o pecado original da humanidade.

Ela não gosta de mentiras e não admite que as pessoas finjam estar incorporando seu espirito; quando isso acontece, dias depois a pessoa começa a ter dores de cabeça, tonteira e outros problemas de saúde.

Cuidado a meiguice da Íris, pois ela é perigosa quando está irada.

Cigana da saia estampada, seu saquinho contém 17 moedas antigas
amarelas, um rubí, que é seu cristal vermelho, e uma estrela de cinco pontas.

No braço, traz 17 pulseiras douradas e, nas orelhas, argolas dourados. Seu cordão contém 17 moedas pequenas penduradas.

É a cigana do jogo das patacas(moedas): tira o lenço vermelho da cabeça e coloca-o como toalha para jogar as moedas.

Sua fruta predileta é a maçã e a champanghe é sua bebida referida;
gosta de rosas vermelhas e fitas vermelhas penduradas no cabelo.

Seu pandeiro tem fitas e moedas penduradas.

Sua magia é feita com doce de maçã e maçã crua.

Suas oferendas são sempre colocadas em morro que tenha muito verde, no local mais alto; levam sempre maçã vermelha.

Sempre que uma pessoa levar maçã para ela, deve levar junto uma rosa vermelha; passe-a pelo corpo e jogue do alto do morro para baixo. pedindo que ela tire tudo de negativo de sua vida.

O banho de purificação que essa cigana ensina é feito com folha de maçã quinada, a maçã picadinha ou a casca de maçã.

Ela usa muito a simpatia da maçã para o casamento.

Retirado do Livro Mistérios do Povo Cigano de Ana da Cigana Natasha e Edileuza da Cigana Nazira E Como descobrir e cuidar dos ciganos dos seus caminhos de Ana da Cigana Natasha

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mestres ciganos astrais


Ao falar destes Espíritos Amigos, é preciso que primeiramente se diga da estrutura básica do mundo astral. Quando desencarnamos, temos do outro lado um vasto mundo igual ao nosso em toda a sua totalidade. Dependendo do nosso grau de evolução, teremos um período de aprendizado mais ou menos intenso ou doloroso. Continuamos a ter nossas principais características de personalidade e através de sucessivas reencarnações determinadas pelo Pai Eterno, evoluiremos.

Devido ao passar dos tempos, o nosso aprendizado tem cada vez maior aproveitamento. Isto é fator determinante independendo de credo, ou região do globo terrestre. Existem hoje inúmeras Colônias Espirituais, nos mais diferentes graus de aprendizado, em locais também diferentes, como no espaço astral mais adiantado, como nas camadas mais sublimadas, como na crosta terrestre e até nas profundezas da terra.

Explicar este processo se faz preciso, por que falando sobre os Espíritos Ciganos, é preciso que se diga que a base espiritual destes espíritos, é a soma do aprendizado das encarnações que já tiveram, e também que são de uma Colônia Espiritual distinta. Os Espíritos Ciganos são como todos os outros espíritos e também dispõe da liberdade do livre arbítrio. Hoje existe uma discussão muito grande sobre o trabalho destes amigos astrais em linhas não apropriadas para Ciganos, como Umbanda e Candomblé, torno a dizer que o livre arbítrio é dádiva de Deus, e assim sendo podem estes espíritos, entrarem em qualquer linha espiritual que lhe convenha. Os ditos Exu Wladimir, Exu Cigano, Pombagira Cigana, Ciganinha da Estrada, e muitos outros, são espíritos que por vezes assim se apresentam para a melhor identificação de seus médiuns e clientes, trabalhando com o mesmo padrão apresentado e conhecido. A denominação destes espíritos para os próprios pouco importa, se é para fazer o trabalho para o qual se tem permissão de Deus, não irá fazer diferença.

O espírito quase sempre prefere se aproximar de quem tem sintonia astral ou afinidade espiritual, uma vez que estamos também em fase de evolução. Vejo e ouço dizer muitas vezes, que os médiuns em geral nas sessões do Povo de Rua, quando estão na vibração das Pombagiras ou Exus Ciganos, se balançam demais para incorporar, e que nos casos de Espíritos Ciganos de linha pura, a incorporação se dá na mesma proporção que se sente um vento, uma brisa, caracterizando-se muito diferentes.

Isto se dá porque os primeiros estão em fase de evolução e purificação, logo num mesmo ciclo espiritual vívido pelo médium, o espírito conforme o esclarecimento que o médium for tendo, poderá mudar e se apresentar de maneira diferente. Isto vem confirmar o fato da existência destes espíritos, fatos que são negados por muitos que não tem este esclarecimento. Os Espíritos Ciganos de outras linhas são espíritos tão ciganos quanto os de linha mais pura, somente ainda não tiveram oportunidade de integrar seu protegido para que os trabalhos sejam feitos numa linha Rômani.

O esclarecimento dado, antes de falar dos amigos espirituais formadores dos Clãs, se dá porque estes amigos que formam os círculos são tão importantes pontos de apoio quanto em qualquer outro ponto, e por vezes alguns deles tem que se apresentar de maneira diferente do que lhes é habitual unicamente com o fito de ajudar, ciganos encarnados ou não ciganos.

Cada Mestre Espiritual tem a sua “Equipe” composta de três sub chefes, e muitos ajudantes numa hierarquia rígida e complexa. Muitos ajudantes que trabalham para alcançar um patamar mais sublimado, são batizados algumas vezes com os nomes dos Mestres, nomes derivados dos nomes, nomes dos Sub Chefes e nomes do Clã de quando viveram encarnados.

Sabemos nós, os nomes dos Mestres mais conhecidos e também o nome dos sub chefes de cada um, assim como a sua correlação astrológica. Sendo que os Clãs mais extensos são o de Wladimir e Manolo.
Os signos estão em ordem, da astrologia cigana, astrologia de caldeus, e astrologia dos mestres.
O Grupo regido pela Cigana Sulamita, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Punhal/Áries/Daga, e seus Sub Chefes são: O Cigano Marlos, e as Ciganas Celina e Guadalupe.
O Grupo regido pela Cigana Carmem, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Corôa/Touro/Galardóm, e seus Sub Chefes são: Os Ciganos Carlos e Mirro e a Cigana Conchita.
O Grupo regido pela Cigana Madalena, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Candeias/Gêmeos/Canilha, e seus Sub Chefes são: As Ciganas Melani e Katrina e o Cigano Ramur.
O Grupo regido pela Cigana Esmeralda, tem a sua correspondência Astrológica com o signos de Roda/Câncer/Ambages, e seus Sub Chefes são: Os Ciganos Tizibor e Zeno e a Cigana Paloma.
O Grupo regido pelo Cigano Juan, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Leão/Estrela/Ertredjá, e seus Sub Chefes são: As Ciganas Nazira e Tamirez e o Cigano Raphael.
O Grupo regido pelo Cigano Artêmio, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Sino/Virgem/Campanjá e seus Sub Chefes são: Os Ciganos Hiago e Boris e a Cigana Ilarim.
O Grupo regido pelo Cigano Wladimir, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Moeda/Libra/Caucha e seus Sub Chefes são: As Ciganas Ísis e Carmencita e o Cigano Gonzalez.
O Grupo regido pelo Cigano Manolo, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Adaga/ Escorpião/Sablé e seus Sub Chefes são: Os Ciganos Pedrowic e Justus e a Cigana Salomé.
O Grupo regido pelo Cigano Sandro, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Machado/Sagitário/ Puzebla e seus Sub Chefes são: As Ciganas Leoni e Zaíra e o Cigano Rámon.
O Grupo regido pela Cigana Natasha, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Ferradura/Capricórnio/Aparejo e seus Sub Chefes são: Os Ciganos Thiago e Júlio e a Cigana Sâmara.
O Grupo regido pela Cigana Yasmim, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Taça/Aquário/Tatjo e seus Sub Chefes são: As Ciganas Ariana e Íris e o Cigano Pablo.
O Grupo regido pelo Cigano Ramiro, tem a sua correspondência Astrológica com o signo de Capelas/Peixes/Templos e seus Sub Chefes são: Os Ciganos Diego e Rodrigues e a Cigana Elizabeth.

Estes grandes amigos são bastante conhecidos e vibram geralmente pelo domínio do Mestre do Clã que pertence, no entanto cada um deles tem as suas próprias especialidades mágicas, e características próprias advindas de sua vida terrena. Temos também outros amigos, sendo impossível citar todos.

Os Ciganos encarnados, os que ainda estão nesta nossa dimensão, costumam fazer o que também chamamos de Roda Cigana, ou mais conhecido como “Avém Vourdakie Rromá” que reúne ao mesmo tempo elementos de ritual e festa, a tradução exata é “Tradicional Roda Cigana”, esse encontro de ciganos é feito para que se faça celebração de algo e obedecem a etapas precisas como se fossem um encontro espiritual, isto porque a espiritualidade esta sempre presente em nossas vidas. Por isso A Roda Cigana Espiritual é diferente de outros encontros espirituais, diferente de uma “gira” por exemplo, apesar da semelhança em ter etapas que precisam ser respeitadas.

A “Avém Vourdakie Rromá” Espiritual ou Ânima, tem entre seus preceitos, uma seqüência, todos são de supra importância e por isso todos detalhes devem ser cuidadosamente preparados para que nossos protetores astrais possam estar conosco através da corporificação, com a sua alegria mais pura.


Ramona Torres

sábado, 24 de outubro de 2009

Histórias dos espíritos ciganos e as características da incorporação de cada um

Falar sobre o desenvolvimento da incorporação, é difícil devido ao caráter pessoal de cada Entidade espiritual, de modo que farei um apanhado do que nestes anos de convivência com as forças astrais, observei serem comuns a quase todos os tipos de entidades que tem permissão para “chegar” até o protegido/médium de forma corporificada.

A pessoa que como missão na terra trazer o convívio destes Mestres astrais, de forma mais próxima para os seres encarnados, são pessoas que tem uma grande responsabilidade por ser médium incorporativo.
O desenvolvimento geralmente é acompanhado de um estudo iniciático, confirmado através de oráculos, e por vezes quando a mediunidade é evidente e trazida pela pessoa desde o berço, é confirmada pela própria entidade que o introduz no meio espiritual. Apesar disto, direi do início do processo de incorporação como se dá geralmente.

A pessoa começa a sentir as irradiações dos ambientes, percebendo que aflora de repente uma sensibilidade maior que as das outras pessoas. Isto pode se dar em qualquer idade, pois independe de fatores como esse, começa o médium a sentir muitas coisas antes que elas aconteçam, as sensações são freqüentes, por vezes até mesmo assustando quem esta no transito do processo.

Pessoas que estão com sua mediunidade evidenciadas sentem a força das energias presentes em qualquer local, boas ou más vibrações são imediatamente sentidas, se a pessoa não sabe o que esta acontecendo, pode sentir sintomas como, dores de cabeça, sono, irritação, e ninguém parece entender o que se passa. É o começo da jornada canalizadora de forças astrais.

Quando a pessoa trás para si condições para que o desenvolvimento da incorporação se dê, fica mais suave e fácil, isto pode se dar através dos conhecimentos adquiridos. Como? Lendo, se informando, conversando com pessoas sérias, meditando, buscando entender sem repelir o que esta acontecendo.

Quando falo de desenvolvimento específico da Linha de Espíritos Ciganos, lembramos que por ser uma linha pura e que dela muito precisamos aprender, temos que saber que estes espíritos são muito inteligentes e que por estarem num patamar de astralidade mais sublimada, descartarão os que pretenderem fraudar informações, ou que não estão em um rito cigano com o coração aberto. Se afastando e deixando estes médiuns maus intencionados à mercê de espíritos da mais baixa vibração. Até que o médium tenha consciência de seu erro e possa adentrar no trabalho astral com responsabilidade. Os Espíritos Ciganos, assim como outros se baseiam na afinidade, vida etérica do protegido e inteligência, para poder se articular através deste. A capacidade incorporativa não nos torna diferentes de outras pessoas; muito menos especiais.

Quando estivermos em processo de desenvolvimento da incorporação para receber em nossa aura os Mestres Ciganos Astrais, teremos pontos comuns a serem observados no trabalho astral destes espíritos, levando em consideração o Grupo ao qual pertencem, e também pontos comuns a todos os espíritos ciganos.Quanto maior for o abandono e a concentração nesta hora, os sentidos ficarão mais aguçados e o trabalho astral fluirá com mais facilidade.

Pontos comuns a todos os espíritos ciganos são: Sensação de frio e calor ao mesmo tempo na altura do umbigo, sensação de peso na nuca, alegria, sensação de ser outra pessoa, incomodo na garganta/laringe, desequilibro, sensação de flutuação, formigação em todo o corpo, pontas dos dedos sensíveis, olhos pesados, sensação de energia sobre posta, região lombar sensível em toda extensão (coluna).

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Primeiro Grupo que é chefiado por Sulamita, tem características como: Dores na altura dos rins, tórax pesado, enjôo, pernas fracas e sensibilidade exacerbada.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Segundo Grupo que é chefiado por Carmem, tem características como: Vontade de chorar, dor no peito, emoção exacerbada, conflito de sentimentos (tristeza e alegria ao mesmo tempo) e braços fracos.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Terceiro Grupo que é chefiado por Madalena, tem características como: conflito de sensações (sentimentos de raiva e amor ao mesmo tempo), quentura acima da linha do órgão genital, pressão no coração, incomodo na linha do pescoço e topor geral.
Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Quarto Grupo que é chefiado por Esmeralda, tem características como: formigamento nas mãos, sensação de ser grande, sensação de poder, embaraço na garganta e peso nas costas.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Quinto Grupo que é chefiado por Juan, tem características como: Sentimentos de união e amor, emoção exacerbada, responsabilidade pelos demais, peso nos ombros e riso solto.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Sexto Grupo que é chefiado por Artêmio, tem características como: Pena das pessoas, responsabilidade pelos demais, dor na altura do umbigo, sensação de poder e mãos quentes.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Sétimo Grupo que é chefiado por Wladimir, tem características como: Sensação de poder chefiar, preocupação com as mulheres, corpo dolorido, sensação de ser grande e responsabilidade por todos.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Oitavo Grupo, que é chefiado por Manolo, tem características como: grande círculo energético a volta do corpo, vontade de conversar, sensação de poder, barriga pesada e pernas moles.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Nono Grupo que é chefiado por Sandro, tem características como: Vontade de dançar, enjôo ao cheiro de bebidas alcoólicas, garganta fechada, pena das mulheres e peso nas costas.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Décimo Grupo que é chefiado por Natasha, tem características como: Braços moles, coração apertado, responsabilidade pelas pessoas, cabeça quente e coluna lombar formigando.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Décimo Primeiro Grupo que é chefiado por Yasmim, tem características como: Sonolência, sensação de ser amiga de todos, mãos com formigamento, olhos arranhando, e sensação de poder harmonizar tudo.

Sensações comuns sentidas na incorporação, relativa aos Espíritos do Décimo Segundo Grupo que é chefiado por Ramiro, tem características como: Poder de transformar qualquer coisa ou situação, sensação de ser grande, sensação de poder, incomodo na altura do pescoço e sensação de vidência aguçada.
Estas sensações podem variar dependendo de um espírito para outro, evidenciando mais uma do que outra, e quando incoporados, dependendo do grau de mediunidade que tenha o protegido, a sensação de leveza e alegria é sentida com muita emoção.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cigano yago

(Este Cigano é um dos Sub – Chefes direto do Cigano Artêmio, que é Mestre do Clã Espiritual)
Este Cigano protege as pessoas que sofrem por motivos de falta de saúde, os que sofrem de vícios e querem se regenerar, as pessoas sem opção na vida e que transitam à noite (é um cigano que anda nas sombras e só ataca para se defender), detesta brigas, pois sabe que sua força, mesmo moderada pode vir a machucar, protege também os músicos, os artistas e as plantações de flores. Não se sabe a origem certa deste cigano, pois ele fala vários dialetos e idiomas, o mais marcante nele é o seu apurado gosto por música de vários estilos diferentes. Faz muitas magias tirando som das coisas, usa mãos, castanholas, 02 varinhas (tipo baquetas) e uma sacola com objetos e coisas de origem árabe, como snujjis, (chama-se esnuje, são pequenos sinos que se coloca nos dedos, usados na dança do ventre), fumo mentolado, nozes e frutas secas. Em vida foi um grande músico (violinista), por isso conhece todas as faces das pessoas quando ouvem determinados sons, e define muito bem quando a pessoa esta mentindo. Seus protegidos têm voz marcante, e a maioria tem dons artísticos. Ele ajuda aos que se enganam e não querem ver a verdade, para estes ele fala de um modo até por vezes ríspido, para que a pessoa veja a situação real das coisas. Seus instrumentos musicais servem para evocar os amigos astrais, toca também violino, enfeitiçando a todos. Não dispensa o lenço, as baquetas e as nozes. Seu vinho deverá ser distribuído enquanto ele da suas consultas. Faz passos leves de dança, como se estivesse ouvindo um violino muito bonito. Trabalha com ciganas astrais incorporadas ou não, é um comandante suave porém firme. Fala baixo, e só sorri com vontade quando tem criança por perto (ele adora). Descobre mentiras sem procurar saber, é como se o vento viesse lhe contar. Ama os animais e as plantas. Seu trabalho astral é firme, mas não é muito de vir a terra, a ser que o chamem para integrar clãs ou fazer feitiços específicos. Nunca deixa seus protegidos sozinhos, ainda mais quando estão trabalhando com o astral, fica sempre por perto e se necessário, vem até a terra, para resolver os problemas. Muitas casas que recebem Yago, colocam um cd de violino (músicas lentas), para agradá-lo.

Ele trabalha com várias magias, quando oferece o galler kuta (figo seco) para alguém, a pessoa deve comer na hora em que ele mandar, pois seus alimentos são imantados, e podem ser talismãs comestíveis na hora da resolução de problemas. Trabalha também com um pote de vidro e 07 moedas de cobre com o valor para cima e coloca em cima sal grosso e água, quando evaporar a água, o pote fica coberto de sal, significando que a energia negativa do ambiente foi tirada. Quando em locais de atendimento espiritual deve-se trocar a cada 15 dias.

Ele prediz com cristais, moedas, baralho e através da natureza (olhando o céu, o sol, a lua e o vento). Suas consultas devem ser breves, a não ser que o problema seja de saúde. Com suas baquetas ou castanholas, ele faz sons e muitos consulentes “caiam em transe na hora da consulta” é um sinal de que estão precisando trabalhar espiritualmente na linha cigana.

Obs: Quando ele joga os cristais e o baralho junto, é porque a pessoa esta precisando demais. E chama os ciganos da terra para fazer uma roda cigana, para poder ajudar o consulente. Nunca minta para este cigano, nem médium, nem consulente, pois tudo ele descobre.

Sensações comuns na incorporação de Yago: Sensação de ter responsabilidade pelos demais, dor no umbigo e nas costas, aumento de tamanho das costas, sensação de poder, mãos quentes, vontade de ouvir músicas de violino, sensação de poder e vontade de cuidar de plantas e animais.

Retirado de http://ramonatorres.blogspot.com/2009/02/cigano-yago.html

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ceferino Malla - O padroeiro dos ciganos

Salve!

Um bonito e pequeno documentário sobre o Beato CEFERINO MALLA, o padroeiro dos ciganos.

Ele foi um Rom (cigano) incomum e muito místico. Morreu mártir por defender a liberdade
de crer e cultuar.

Assista:

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Flamenco

O Flamenco é a alma do povo andaluz. Foi criada a partir da fusão da cultura árabe (moura) , a cultura cigana de indianos, romenos e a cultura regional espanhola. Sua maior identificação está na música. O cante, o baile e a guitarra são seus maiores representativos. Mas Flamenco nao é so cultura. É um estilo de vida, uma arte; é poesia, historia,vida de povos que agem pela emoção. Flamenco é a cultura das paixões. Ergue-se na dor e na felicidade. É associado ao amor intenso e a tristeza profunda. É alegria, burla (brincadeira), jondo (chorado), profundo, intenso e inspirador! Conheça!

O Flamenco é uma forma de expressão artística que reflecte a cultura da Andaluzia, região sul de Espanha, que ao longo dos anos se difundiu a nível mundial transformando-se, provavelmente, na mais conhecida expressão da cultura espanhola.

Podemos dizer que a Arte Flamenca é o resultado da mistura dos elementos das muitas culturas que atravessaram a Andaluzia durante séculos, que juntando-se às formas expressivas elaboradas e difundidas pelos ciganos, originaram uma arte popular, tecnicamente elaborada e com grande expressão emocional.

Porém, mais importante que sua história e as suas técnicas, o Flamenco é uma atitude, é a manifestação da alma de uma pessoa. Ser Flamenco é colocar para fora sentimentos e emoções trancadas e compartilhá-las através da música, do cante, do baile e dos "jaleos". Flamenco é antes de tudo emoção, sentimento, expressão interior e prazer!.

O FLAMENCO

Vários estudiosos pesquisam a etimologia da palavra Flamenco, aplicada aos Bailes e Cantes da Andaluzia. As conclusões são variadas, sendo a palavra relacionada com Flamengos, povo cigano que chegou a Espanha originário da região da Flandres. Outra origem está no árabe felag mengu que significa camponeses nômada. Outros atestam que as próprias características de cante ardente e flamejante é que originaram a palavra.

O Flamenco é uma mistura de culturas, raças, cores, religiões, classes e costumes, com um forte apelo emocional que relata a condição humana de viver dos povos que o formaram.

As primeiras referências que se tem do Flamenco, mesmo que incertas, datam de cerca de 1760. O Flamenco nasceu na Andaluzia, Sul de Espanha, em locais como Sevilha, Jerez de La Frontera e Cádiz. Entre os vários povos que contribuíram para a formação da cultura e arte flamenca destacam-se:

EL PUEBLO ANDALUZ - os íberos que se localizavam na parte Sul de Espanha, também conhecidos como "El Pueblo Tartésico" que se estabeleceram no vale "Del Guadalquivir", tantos anos ou mais que os descendentes das dinastias egípcias às margens do Nilo. Era um povo muito ligado aos ritmos espirituais, inexplicáveis, magias e fantasias.

LOS ÁRABES - dois povos invadiram Espanha, cerca do século VII. Ligados pela religião Mahometana, um desses povos eram procedentes da Ásia, região de Damasco e o outro eram os Bérberes, ou Mouros, provenientes do norte de África. Esses povos fundiram os seus costumes e os seus elementos culturais, música e coreografia principalmente, cuja descendência temperamental revela a união sanguínea Andaluzo-Moura. Como influência direta pode-se citar o Canto Flamenco, cujas características se assemelham muito às orações mahometanas.


LOS GITANOS - a palavra gitano, cigano, provém do espanhol antigo egiptano, egípcio. As primeiras migrações que se tem indício são do ano de 1447, na época do reinado de Aragón Alfonso V. Aproximadamente nesta data, uma importante tribo gitana entrou em Espanha por Barcelona, espalhando-se por toda península ibérica. A Espanha foi uma das primeiras nações a ditar disposições coercitivas contra os povos ciganos, sendo que a primeira disposição legal foi ditada pelos reis católicos em Medina del Campo, em1499. Em 1528, novas disposições foram ditadas contra eles, referindo-se ao estilo de vida errante que levavam porque não tinham ofício para o próprio sustento, viviam de esmolas e de venda de objetos de metal, "enganavam" as pessoas com o uso da magia, além do contabando e furto. Como condenação à vadiagem, eram açoitados, presos, escravizados e presos. Essa perseguição continuou até 1783, quando Carlos III lhes concedeu os mesmos privilégios dos demais habitantes. Quando os ciganos se estabeleceram na Andaluzia passaram a exercer ofícios como ferreiros e comerciantes de roupas e utensílios.

O Flamenco é essa mistura de raças e culturas. Nas suas influências também se encontra o povo judeu e o indiano. Como bem define o grande poeta e escritor Garcia Lorca, o Flamenco é uma das maiores invenções do povo espanhol. As canções trágicas, tristes e emocionantes refletem o sofrimento do povo cigano.

"Ser Flamengo é ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram(...)É comungar a humildade com o rei eterno de cada um"ArthurTávola

domingo, 14 de junho de 2009

Pombagira Cigana da Estrada


Esta entidade queridíssima e respeitada dentro dos terreiros de Umbanda, quando chega ao mundo vem sempre sorrindo e dando gargalhadas, mostrando que sua vinda no astral é tão alegre quanto o seu tempo aqui na terra. Pomba-Gira da Estrada gosta de trabalhar para o amor e para trazer o pão (dinheiro) a quem a sua ajuda precisa. Tudo ela faz com satisfação e alegria, mais como toda a cigana... gosta de bons agrados... pulseiras, anéis, perfumes e lenços coloridos... Gosta de receber suas oferendas e pedidos nas Campinas das estradas... pode ser nas segundas ou sextas-feiras de lua cheia para trabalhos de amor e na lua crescente para trabalhos de dinheiro... Peça com fé e respeito que pomba-gira da Estrada vem alegre para lhe ajudar!“ Vinha caminhando a pé para ver se encontrava uma cigana de fé... Ela parou e leu minha mão... me disse toda a verdade... eu queria saber a onde mora a pomba-gira cigana!”Sarava cigana da Estrada!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pombagira Sete Saias


Esta é uma das entidades mais conhecidas e queridas dentro da Umbanda e Povo do Oriente, é a cigana Sete Saias. Muitos médiuns e chefes de terreiros por falta de informação não costumam apresentar esta maravilhosa entidade com a sua verdadeira origem cigana, fazendo desta linda gira uma pomba-gira de encruzilhada. A Pomba –Gira Cigana Sete Saias é considerada a Deusa do Amor pelo povo do oriente, e a ela que as moças recorrem quando desesperadas por falta de amor. “ A lenda conta que a Cigana Sete Saias foi apaixonada por um moço “não cigano” o que seus pais não aceitavam... e proibida de viver este amor parou de comer até vir a falecer. Quando seu corpo estava sendo preparado para velar, sua mãe trouxe suas sete saias favoritas e colocou a seus pés para poder rodar e jogar cartas nos caminhos do astral superior. A moça chegando as astral, foi recebida por Santa Sara a qual a designou a proteger e ajudar todas as moças que choravam por seus amores proibidos e impossíveis... É a esta entidade poderosa que as mais serias mandingas de amor são realizadas... e há quem diga que o que a Cigana Sete Saias Une... Ninguém separa!Esta pomba-gira gosta de receber suas oferendas e presentes nas encruzilhadas de campo e preferencialmente as 18:00 nas sexta-feiras de lua cheia. Nas suas oferendas não pode faltar perfume de flores ou gardênia... sua velas são coloridas quase sempre vermelhas, brancas e Rosas... que são as cores que simbolizam o sexo, o amor e a tranquilidade nas relações.“Há quem diga que ela vem dos cruzeiros... há quem diga que ela vem do luar... me diga oh meu Deus de onde vem Pomba-Gira Sete Saias e onde ela quer trabalhar!?”Saravá cigana Sete Saias!

domingo, 24 de maio de 2009

Santa Sarah Kali

Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sarah, uma cigana escrava, foram atirados ao mar pelos judeus, numa barca sem remos e sem provisões. Milagrosamente a barca, sem rumo, atravessou o oceano e aportou em Petit-Rhône, hoje a nossa tão querida Saintes Marie’ deLa Mer, França. (que seria as santas marias do mar).

Kali em romanês, quer dizer negra; e Sara, por ser uma cigana egípcia, possui a tez bem morena. Daí o nome. Os ciganos brasileiros adoram Nossa Senhora de Aparecida, talvez por causa de sua cor, e muitos a equiparam à Santa Sara Kali. Se não têm a imagem dela, por ser difícil encontrá-la, por certo possui em sua Thiera (barraca) ou casa uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Às vezes têm as duas.

É costume festejarmos nossas slavas (promessas ou comemorações em homenagem a algum santo). A Slava de Sara Kali é nos dias 24 de maio.

A Salva de Nossa Senhora de Aparecida coincide com a comemoração dos gadjés, a 12 de outubro.
Na Slava, é oferecido um banquete ao santo homenageado, onde colocamos o Santo do Dia no centro da mesa, em lugar de destaque e junto a Ele, um manrô (pão) redondo, que é furado no meio e onde colocamos um punhado de sal junto com a vela. Esse pão é posto em uma bandeja cheia de arroz cru, para chamar saúde e prosperidade e, ao término do almoço, ele é dividido entre os convidados pelos donos da casa, junto com essas palavras de bençãos:

(Que você seja abençoado com o sal, com o pão e com ouro).


A festa de Santa Sarah
No final de maio, os Ciganos aos milhares, vão se reunindo na cidade de Les Saintes Maries' de la Mer, na região de Camargue ao sul da França para cantar, dançar e pagar promessas para a sua santa padroeira .

É em parte uma reunião, parte festival e parte peregrinação. Assim fique de olho na sua carteira, perca suas inibições e fique pronto para uma de "livre para tudo".

Enquanto as crenças espirituais ciganas são pagãs de natureza, a maioria dos ciganos foram batizados e respeitam a parte essencial da religião cristã.

Eles vem para Les Saintes Maries’de la Mer ("as santas marias do mar’) porque a lenda diz que Maria Jacob e Maria Salomé, (parentes próximas de Jesus, da Virgem Maria, e uma delas mãe dos apóstolos João e Tiago) vieram para esta cidade de barco, quando foram expulsas da Judéia no século primeiro. Elas converteram o povo da cidade para o cristianismo, com a ajuda da líder matriarca da cidade, chamada Sarah. Os ciganos a adotaram como padroeira, embora ela não seja oficialmente reconhecida pela Igreja.

O centro da reunião é a igreja matriz de Les Saintes Maries’de la Mer, onde as relíquias (como os ossos dos santos ) são guardados na igreja.

Os ossos são cerimoniosamente abaixados por polias e guindastes enquanto os fieis cantam acompanhados de violinos e sinos.

Então as relíquias são carregadas para o mar, junto com uma grande estátua de Santa Sarah, de modo que ela pode "esperar" a chegada das Marias. No dia seguinte as estátuas de Maria Jacob e Maria Salomé são colocadas junto ao oceano, pelos peregrinos, em sinal que elas chegaram as praias da França.

A bordo de um tradicional barco de pesca o bispo abençoa o mar, a terra e os Ciganos.

Diz a tradição que o bom Rei Renê mandou escavar a igreja, em 1448 eles relataram que foram encontraram dois corpos docemente perfumados. Muitos anos mais tarde esses corpos femininos foram datados como sendo do primeiro século(pode ser verdade ou apenas lenda). Outra lenda diz que as pedras onde os corpos estavam sepultados eram na verdade "pedras milagrosas" e eram usadas para curar olhos doentes e mulheres estéreis.

Não deixe de ver na cripta debaixo da igreja se você necessita de alguma cura.