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sábado, 19 de setembro de 2009

A verdadeira encruzilhada dos guardiões

Trecho extraído do livro: "A Magia das Oferendas na Umbanda" – autoria: Pai Juruá – no prelo

Oferenda: Objeto ou coisa qualquer que se oferece: presente; dádiva – Diz-se na Umbanda, que oferenda é um presente para captar apenas vibrações, ou melhor, para harmonizar vibrações.

Despacho: Ato ou efeito de despachar (dispensar os serviços de; mandar embora; despedir).

Muitos acreditam ser a encruzilhada de Guardiões estas de rua ou de cemitério. Mas a verdadeira "Encruza" está no campo astral e não no campo físico.

Os Guardiões somente realizam "despachos" em encruzilhadas de rua e de cemitério, desde que sejam para fins específicos, quando à necessidade de manipular energias humanas que se entrecruzam. Fora disso, as encruzilhadas de rua e de cemitério não são os pontos de força dos Guardiões.

Aquilo que rege o Macrocosmo também rege o Microcosmo, pois existe apenas uma Lei que comanda os mundos, adaptada conforme a forma de vida que esteja debaixo de sua ação e reação. As leis que ordenam e coordenam os astros, a natureza e os elementos são as mesmas leis que coordenam a biologia e a física do ser humano, exatamente por ser este influenciado pelo meio e pelas regras matemáticas dos astros e das potestades.

E a Lei que dá formação e ajuste à matéria e que faculta, inclusive, o próprio modo de ser da movimentação Cármica, a Lei Mater aplicada a movimentação dos elementos, é sintetizada na Encruzilhada dos Guardiões, ou na Roda Cabalística da Encruzilhada.

Sabemos que muitos irmãos realizam seus trabalhos ritualísticos nas chamadas encruzilhadas de rua ou cemitério. Achamos por bem alertar que encruzilhadas de rua e de cemitério são locais onde existem determinadas portas dimensionais que se ligam diretamente às covas mais profundas do Baixo Astral. São as chamadas "Portas Cruzadas" e os trabalhos feitos nestes locais, tem aceite somente por entidades que nada tem a ver com os verdadeiros Guardiões, ou são efetuados por ordens dos Guardiões de Lei, quando da manipulação energética necessária.

Nas encruzilhadas de rua e de cemitério habitam os seres mais estranhos e terríveis, verdadeiros monstros, que alteraram a forma de seu corpo astral (Zoantropia), devido a sua própria conduta mental e emocional. Adulteraram completamente seus sentidos e seus objetivos na caminhada evolutiva, sendo seres viciados, dementados e na sua maioria perversos, coléricos e vingativos. Estes são os famigerados quiumbas, seres que habitam a contraparte astral de locais como prostíbulos, matadouros, casas de jogos, cemitérios, bares e mesmo churrascarias, pois são loucos por sangue, morte, bebida e vícios, os mais variados. E são eles que recebem nas encruzilhadas de rua e de cemitério as oferendas feitas com sangue, animais mortos, ossos e todos os tipos de materiais de baixa vibratória.

Estes seres se agregam na aura dos infelizes que realizam tais práticas, como se realmente os vampirizassem, fomentando-os a realizarem sempre tais oferendas sangrentas no intuito de alimentá-los vibratoriamente. Muitos destes são acompanhados por outros seres que são chamados de "larvas astrais". Estas são formas pensamentos viciadas, que possuem a forma de baratas ou de algo semelhante a lagostas, polvos, lombrigas, etc. Tais coisas se agregam à vítima e funcionam como um sensor que a liga ao quiumba, mesmo à distância. Estas larvas trazem realmente muitas doenças, tanto mentais como físicas fazendo com que a vítima se sinta, na maior parte das vezes desanimada e sem força de vontade, só se recuperando quando estão em qualquer prática viciosa.

Esses quiumbas são combatidos pelos Guardiões de Lei da Umbanda, que exercem verdadeiro policiamento nas zonas onde existem o tóxico, o álcool, a prostituição e coisas piores. Os Guardiões os policiam para não utilizarem a contraparte etérica de elementos como o sangue, ossos, etc., por exemplo, para fins de contundência.

Na verdade, estes quiumbas são igualmente nossos irmãos, estando apenas caídos na rota evolutiva, desviados que foram por outros seres sumamente poderosos, embora intencionalmente voltados para o mal; os magos negros.

Quando os Guardiões aprisionam estes quiumbas, os levam a determinados postos corretivos no astral, onde ficarão recebendo um tratamento que lhes facultará a retomada de sua linha evolutiva afim e o possível reencarne. Dissemos possível pelo fato de muitos deles não terem condições vibratórias de reencarnarem, pois que seus corpos astrais se encontram em terrível desajuste e mesmo suas mentes estão em tal estado de revolta e ódio que seria prejudicial a si e as outras pessoas o passe reencarnatório.

Mas perguntará o leitor: já não encarnam tantos assassinos, facínoras e corruptos? Como estes conseguem o tal passe? E responderemos que estes se encontram nesta condição por já estarem extremamente melhorados e que as coisas no submundo astral são bem piores.
Determinados assassinos que reencarnam (ou mais exatamente são como que "jogados" na roda da encarnação para reajustar-se com seus afins. Só o mal corrige o mal) já foram e vieram muitas e muitas vezes, sendo que o seu livre arbítrio se torna cada vez menor enquanto não corrigirem as suas ações. Para muitos o passe da reencarnação é vedado e são estes – os mais perigosos – aprisionados em sua consciência como se fossem certas formas ovóides, em estágio estacionário. Mas este é um aspecto dos mais terríveis e perturbadores e que deixaremos de citá-lo de forma mais aprofundada para não causar traumas ao inconsciente de muitos...

É bom frisarmos que a Umbanda não doutrina o maniqueísmo, ou a
dicotomia BEM/MAL como se Deus fosse um déspota que se deleitasse em ver seus filhos sofrendo num inferno eterno. A única coisa eterna é o bem, o Amor Cósmico; sendo o mal uma distorção destas realidades e um artifício utilizado pelo Criador, a fim de sabermos diferenciar o bem do mal. O inferno está na consciência de cada um, sendo esta direcionada e escalonada de acordo com as atitudes que se realizem durante as encarnações. Pois a verdade é uma só: podemos enganar aos outros, mas jamais enganaremos a nós mesmos, que somos testemunhas de nossos próprios atos, Ninguém escapa do passado e os erros são contados e pesados não somente pelos Tribunais Cármicos, mas muito principalmente pela nossa própria consciência, pois quem já sentiu dentro de si uma fagulha que seja da Verdade e do Amor das Almas, sabe o quanto pesa as atitudes passadas e os atos infelizes realizados contra a natureza e os semelhantes.

E o que acontece com aqueles que não se questionam sobre seus atos? Estes, quando seu Carma se torna impraticável, repleto de ações negativas são direcionados a seus afins, para determinados planetas menos evoluídos ou mais primitivos que o nosso. Como? Se em nosso mundo que é uma casa abençoada necessitamos ainda pagarmos para nos alimentar, (o que já é resultado de excessivas ganâncias do passado...) embora não paguemos pela luz, ou pelo ar, existem mundos onde estas coisas são pagas, pois que estes seres formaram tal condição negativa sobre si que seus próprios atos os forçaram a construir uma sociedade afim a suas experiências passadas.

Achamos importante, para esclarecer os irmãos umbandistas, repetir que fazer entregas em encruzilhadas de rua ou de cemitério é atividade perigosíssima, principalmente quando estas entregas levam elementos animais ou mesmo materiais densamente negativos. Repetimos que a Umbanda não usa matar animais em hipótese alguma, seja para louvar Orixás ou para resolver qualquer desmando com o baixo astral. A Umbanda também não usa colocar sangue na cabeça de seus iniciandos. Acreditamos – pois temos certeza – de que o sangue atrai esta classe de espíritos do quais falamos. Os irmãos dos Cultos de Nação muitas vezes questionam a nós Umbandistas sobre o uso do sangue, alegando que este é Axé e que a sua utilização revitaliza todo o sistema magístico de um ritual; mas isto não faz parte da ritualística/doutrina da Umbanda Sagrada. Cada coisa no seu lugar, e cada liturgia na sua religião.

Nós também cremos que o sangue é Axé, mas este só realiza sua função de Princípio e Poder de Realização quando no animal vivo. Matar um animal ou vários e entregá-los no seio da Natureza é uma violação e uma afronta a esta mesma natureza, pois as vibrações expressas em oferendas deste tipo agridem aos espíritos elementares que atuam nas matas e nas cachoeiras, espíritos estes que estão aprendendo e se adaptando às realidades que os aguardam e são agredidos com estas vibrações negativas.

Pois bem, os locais corretos para se preceituar os Guardiões é simples:

1º) Identifique o ponto de força da Natureza que o Guardião irá utilizar.
2º) Providencie os materiais necessários para a oferenda, todos de energia positiva (nunca utilizar carnes, sangue, ossos ou qualquer tipo de material de baixa vibratória).
3º) Chegando ao ponto de força da Natureza, firme uma vela na cor da vibratória do Orixá correspondente; de joelhos, peça licença para o trabalho que irá realizar. Se afaste dessa vela por 77 (setenta e sete passos); aí esta o ponto de força onde os Guardiões do Orixá específico manipulam suas energias. Exemplo: O trabalho a ser
realizado necessitará a presença e a força do Guardião conhecido como – Veludo. Esse Guardião vibra as forças da Mãe Oxum. Com isso, já definiremos que teremos que realizar a nossa oferenda no ponto de força – Cachoeira. Lá chegando, firme uma vela cor-de-rosa para a Mãe Oxum, e de joelhos faça suas preces, pedindo o que necessita. Logo após, afaste-se 77 (setenta e sete) passos para qualquer lado. Nesse exato local, vibrará a energia poderosa dos Guardiões da Mãe Oxum. Assim o é para todos os Guardiões dos Orixás.

Esta é a verdadeira "encruzilhada" dos Guardiões, pois é situada na Natureza. A real encruzilhada dos Guardiões não está no campo físico, mas sim no campo astral, na combinação dos elementos naturais, que são os já conhecidos Ar – Fogo – Água – Terra – Vegetal – Mineral – Animal – Etérico Humano e Magnético Telúrico, formando o ciclo da vida, havendo os segredos invioláveis deste mistério que é conhecido apenas pelos Guias Espirituais da Umbanda e a quem eles abrem o mistério.

Esta encruzilhada, a verdadeira Encruzilhada ou Roda Cabalística obedece aos pontos cardeais e as entradas e saídas de força que agregam e desagregam os elementos e mantém a transformação da vida.

Estas transformações são possibilitadas pelas chamadas Linhas de Força, que são a consubstanciação da Energia dos Orixás, pois cada um dos Poderes Reinantes do Divino Criador (Orixás) é senhor de uma Energia:

• Pai Oxalá – senhor da energia etérica.
• Mãe Yemanjá – senhora da energia das águas salgadas
• Mãe Oxum – senhora das energias das águas doces.
• Pai Oxumarê – senhor das energias dos ciclos da vida
• Pai Ogum – senhor das energias dos metais
• Mãe Yansã – senhora das energias do ar
• Pai Xangô – senhor das energias do minerais
• Mãe Obá – senhora das energias das águas revoltas.
• Ibeji – senhor das energias da espiritualidade
• Oxossi – senhor das energias da fauna
• Ossain – senhora das energias da flora
• Omulú/Obaluaiê – senhor das energias da terra
• Nanã Buruquê – senhora das energias das águas paradas
• Yewá – senhora das energias das fontes
• Logunedé – senhor das energias das beiras dos rios junto das matas
• Kitembo – senhor das energias do tempo cronológico
• Exu – senhor das energias magnética telúrica
• Pomba Gira – senhora das energias do fogo

Estas Energias são transformadas pelos Guardiões em Forças Elementais propriamente ditas, chamadas de Forças Sutis e são coordenadas pelos Guardiões de Lei responsáveis pela Coroa da Encruzilhada, que são os que estão assentados a trabalho das Irradiações Divinas, Os Sagrados Orixás.

Lembramos que os Guardiões nos dão nomes simbólicos, não sendo os seus verdadeiros, embora eles tenham relação sonométrica com suas designações originais que são poderosos mantras e por isso não devem ser revelados sem a devida oportunidade e a qualquer pessoa. Mas mesmo estes nomes possuem a vibração correta dentro da magia de som para que suas invocações sejam atendidas.

Declinamos nos nomes simbólicos dos Maiorais, devido a grande confusão reinante quanto à denominação de cada um. Cada escritor ou mesmo sacerdote umbandista, cria a sua hierarquia, o que causa uma grande confusão entre os estudiosos. Por isso, vamos ligar os Guardiões somente à linhagem de trabalho pertinente a cada Orixá.

Seja qual for o Guardião pertencente à Linha Espiritual regida por qualquer Orixá, vai responder, com os atributos e atribuições do Maioral que rege essa Linha de trabalho.

Cada um dos Maiorais se agrupam conforme as forças (Orixás) que manipulam. E estas forças (Orixás) estão relacionadas aos pontos cardeais.

Esta é, então, a Verdadeira Encruzilhada de Guardião, sendo que suas oferendas e preceitos devem sempre seguir a orientação dos pontos cardeais, pois isto é importantíssimo na magia de imantação e desagregação.

Novamente nos explicaremos melhor, para orientar os menos atentos, pois sabemos que tal assunto é novo para a maioria dos irmãos de fé sendo assim, não é fácil de ser digerido.

A Encruzilhada de Guardião é a síntese magística da Umbanda e da Quimbanda. É interessante observar-se as entradas e saídas da encruzilhada, pois são elas as responsáveis diretas pela manutenção da vida e pela limpeza astral do planeta. Sabendo utilizar-se delas, é possível manter-se a saúde e a harmonia, além da paz interior.


Diremos que basta observar que o Norte e o Sul são entradas, o Leste e o Oeste são saídas. No centro da roda está o chamado "centro indiferenciado", que é de onde saem energias positivas e para onde são levadas todas as energias negativas ou estáticas de nosso planeta. Por isso, revelaremos apenas que se um indivíduo quiser revitalizar-se quando realizar algum preceito que não utilize, repetimos, NUNCA o elemento sangüíneo, deve-se voltar aos cardeais LESTE/OESTE e para se descarregar deve-se voltar aos cardeais NORTE/SUL pedindo o Agô (licença) e as forças necessárias aos senhores da Encruzilhada para imantar-se ou descarregar-se, dentro da Lei e da Justiça.

A Magia não se divide em negra ou branca, e também não existe magia da Umbanda, egípcia, cigana, etc. A magia é planetária e responde a uma só lei. Ela está condicionada a vontade ao saber e a moral do operador, pois os conceitos de bem ou de mal são condições ligadas à inteligência do espírito de acordo com o grau evolutivo ou com a abertura de seu consciencional, pois a Lei Cármica pode ser acionada de acordo com os atos conscientes ou inconscientes de quem manipulam as forças ocultas da matéria.

Isso é comprovado no fato de que muitas vezes o desconhecimento da existência de um carma coletivo, grupal e individual resulta na realização de atos que entram em choque com estas três leis reguladoras. Exemplificando: pode-se achar que está se fazendo um bem individual a uma pessoa, mas ao mesmo tempo pode-se prejudicar uma coletividade, pois através da magia é possível evitar-se que algo aconteça a alguém, mas e se esse alguém tiver em seu carma a suposta dívida que se desejou sanar?

Nesse caso a balança da Lei será pesada e contada, sendo que, cedo ou tarde, a Lei de Causa e Efeito aliada a seus choques de retorno será acionada.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

As quatro correntes de Umbanda

Por Rubens Saraceni

Se a Umbanda é uma religião nova, seus valores religiosos fundamentais são ancestrais e foram herdados de culturas religiosas anteriores ao Cristia­nismo.

A Umbanda tem na sua base de informação os cultos afros, os cultos nativos, a doutrina espírita kardecista, a religião católica e um pouco da religião oriental (budismo e hinduísmo) e também da magia, pois é uma religião magística por excelência o que a distingue e a honra, porque dentro dos seus templos a magia é combatida e anulada pelos espíritos que neles se manifestam incorporando nos seus médiuns.

Dos elementos formadores das bases da Umbanda surgiram as sua principais correntes religiosas, as quais interpretamos assim:

1ª Corrente: Formada pelos espíritos nativos que aqui viviam antes da chegada dos estrangeiros conquis­tadores. Esses espíritos já conheciam o fenômeno da mediunidade de in­corporação, pois o xamanismo multi­milenar já era praticado pelos seus pajés em suas cerimônias. Eles já acreditavam na imortalidade do espírito, na exis­tência do mundo sobrenatural e na ca­pa­cidade de “os mortos” interferirem na vida dos encarnados. Também acredi­tavam na existência de divindades associadas a aspectos da natureza e da Criação Divina. Tinham um panteão ao qual temiam, respeitavam e recor­riam sempre que se sentiam ameaçados pela natureza, pelos inimigos ou pelo mundo sobrenatural. Também acredi­tavam na existência de espíritos malig­nos e de demônios infernais, mas sem a elaboração da religião cristã que aqui se estabeleceu.

2ª Corrente: Os cultos de nação africana, sem contato com os nativos bra­sileiros, tinham essas mesmas cren­ças, só que mais elaboradas e muito bem definidas. Seus sacerdotes prati­cavam rituais e magias para equilibrar as influências do mundo sobrenatural sobre o mundo terreno e também para equilibrar as pessoas.

Acreditavam na imortalidade dos es­píritos e no poder deles sobre os en­carnados, chegando mesmo a criar um culto para eles (o culto de egungum dos povos nigerianos).

Também cultuavam os ancestrais por meios de ritos elaboradíssimos e que perduram até hoje, pois são um dos pilares de suas crenças religiosas.

Sua cultura era transmitida oral­men­te de pai para filho, na forma de lendas, preservando conhecimentos mui­to antigos, como a criação do mun­do, dos homens e até eventos análogos ao dilúvio bíblico.

A Umbanda herdou dos cultos de nação afro o seu vasto panteão Divino e tem no culto às divindades de Deus um dos seus fundamentos religiosos, tendo desenvolvido rituais próprios do religamento do encarnado com sua divindade.

O panteão Divino dos cultos afros era pontificado por um Ser Supremo e povoado por divindades quês são os executores e manifestadores Dele junto aos seres humanos, assim como são seus auxiliares Divinos que o ajudaram na concretização do mundo material, de­mons­trando-nos que, de forma simples, tinham uma noção exata, ainda que limitada por fatores culturais, da forma como se nos mostra Deus e seu universo Divino.

3ª Corrente: Formada pelos kar­decistas de mesa, que incorporavam espíritos de índios, de ex-excravos negros, de orientais, etc. Criaram a corrente denominada “Umbanda Bran­ca”, nos moldes espíritas, mas na qual aceitavam a manifestação de caboclos, pretos-velhos e crianças.

Esta corrente pode ser descrita como um meio termo entre o espiritismo, os cultos nativos e os afros, pois se fun­damenta na doutrina cristã, mas cultua valores religiosos herdados dos índios e negros.

Não abre seus cultos com cantos e atabaques, mas sim com orações a Jesus Cristo. As suas sessões são mais pró­ximas dos kardecistas que das um­bandistas genuínas, que usam cantos, palmas e atabaques. Seus membros se identificam como Espíritas de Umbanda.

4ª Corrente: A magia é comum a toda a humanidade e as pessoas re­correm a ela sempre que se sentem ameaçadas por fatores desconhecidos ou pelo mundo sobrenatural, principal­mente pela atuação de espíritos malig­nos e por processos de magia negra ou negativa.

Dentro da Umbanda, o uso da ma­gia branca ou magia positiva se disseminou de forma tão abrangente que se tornou parte da religião, sendo impossível separar os trabalhos religiosos espiri­tuais puros dos trabalhos espirituais má­gicos. Muitas pessoas desconhecem a magia classificada como magia religiosa. Mas esta nada mais é que a fusão da religião com a magia.

Estas são as principais correntes religiosas e doutrinarias que formam as bases da Umbanda. E isso sem falarmos do sincretismo religioso, pela qual a religião católica nos forneceu as suas imagens que, colocadas em nossos al­tares, facilitaram o processo de tran­sição de católicos para a Umbanda.

A estrutura religiosa espiritual da Umbanda já está pronta e só falta ser estruturada aqui, no plano material, pa­ra dar-lhe uma feição uniforme, quando seus valores religiosos e seus funda­mentos Divinos serão definitivos, dei­xan­do de mudar ao sabor das suas cor­rentes mais expressivas.

Os mensageiros espirituais nos aler­tam que esta estruturação deve ser feita de forma lenta e muito bem pen­sada. Nós temos certeza de que no fu­tu­ro a Umbanda terá uma feição re­ligiosa muito bem definida, pois suas cor­rentes formadoras se unificarão e se uniformizarão, fortalecendo a Umbanda como religião.

Texto extraído do livro do autor “ Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada - A Religião dos mistérios - Um hino de amor à vida”. - Editora Madras

sábado, 16 de maio de 2009

Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte V)

Em primeiro lugar notando que para tais caminhos a abordagem da realidade é diferente da que temos como "comum" ou "real". Falamos muito de energia, mas raramente encaramos o mundo como energia.

Para tais caminhos, nós somos energia, tudo que nos cerca é energia. Lidar com a gente mesmo e com a realidade como energia é um treino, pois não fomos acostumados a isso, embora muito se fale "somos energia" precisamos de trabalho com nossa percepção para tornar isso verdade.

Há outro detalhe, somos seres vivos, cercados de vida. Assim a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria propõem outra relação conosco mesmo e com o meio a nossa volta.

Precisamos começar nos observando mais, observando nossa energia em relação ao meio onde estamos. O que me equilibra, o que me desequilibra , o que me energiza, o que me desenergiza, temos de estar atentos a isto.

Onde nos alimentamos?

Isso é importante, não basta o alimento ser saudável, higienicamente preparado, como é a energia de quem faz o alimento?

Já imaginou uma pessoa frustrada, brava, com raiva preparando a comida, que tipo de energia vai ser impregnada no alimento?

Um truque é antes de comermos, respirarmos profundamente, encher os pulmões de ar, energizar esse ar dentro de nós, visualizando muita luz e soprar o alimento, discretamente, ao soprar mentalizar que toda energia desequilibrada tá sendo desmagnetizada e uma energia harmônica se estabelecendo (cuidado ao soprar a farofa!).

Como nos portamos pelo dia afora, sensíveis, presentes, atuantes ou ligamos o piloto automático e deixamos o dia passar ?

Dentro destes caminhos há a proposta de vivermos de forma mais real, mais presente, entender que tudo que temos é o aqui e agora, o passado já foi e o futuro não aconteceu ainda, assim é muito importante o foco no aqui e agora, pois como diz o I Ching: "Todo pensamento que transcende o momento faz sofrer o coração".

Como está nossa casa?

Para o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria a nossa Casa é um ser vivo, uma caverna onde moramos, uma caverna que tem uma energia que precisa ser cuidada, pois bem cuidada, a casa cuida da gente também. As cores que usamos nos ambientes, os objetos, a disposição dos móveis, tudo isto está ali por "acaso" ou fizemos uma decoração da casa através de uma sensibilidade efetiva?

Existe energia estagnada em nossa casa? Em nosso quarto?

Aparelhos como TV e outros no quarto de dormir geram energia deletérias, é sempre interessante, na hora de dormir, desligar tudo, tirando a tomada da parede mesmo, para evitar que fiquem gerando uma radiação, mínima que seja, que prejudica o descanso perfeito. Celular então nem se fala, nunca se deve dormir com um celular ligado por perto, o campo de energia que ele gera perturba completamente o descanso real do corpo.

É muito importante garantir que a energia da casa, especialmente do quarto de dormir, esteja harmônica. Existem muitos meios de checar isso, a radiestesia por exemplo, tem instrumental para checarmos se a energia em nossa casa está fluindo ou estagnada, se estiver estagnada precisamos trabalhar para colocá-la em fluxo de novo.

Plantas e pedras. Como estão presentes em nossa casa? Em que lugar? Foram imantadas com o propósito de energizar o lar ou apenas colocadas ali?

Nossa atmosfera psíquica?

Temos uma atmosfera psíquica, um campo de energia ao nosso redor que determina muito a qualidade de nossa vida.

Quem vive sempre reclamando, assistindo só filmes e programas pesados, violentos, quem só fala de coisas desequilibradas e só se expõe a ambientes desequilibrados vai gerar uma atmosfera psíquica nada interessante, que vai acabar atraindo eventos existenciais também nada interessantes.

Como vamos ao trabalho? Todo dia pelo mesmo lugar, andamos sempre pelos mesmos caminhos? Nunca inovamos? Criamos "trilhas" de energia que acabam se desgastando, inventar novos caminhos é sempre útil para ampliar nossa energia.

Prestamos atenção nas pessoas com as quais convivemos? Existem pessoas que são vampiros inconscientes de energia e agem de várias formas.

Tem o (a) Vampiro (a) coitadinho (a) , vai sempre te contar algo triste, se fazer de vítima, para que ao se condoer, tu te identifiques e abra suas comportas de energia, que será então sugada de canudinho. Há o vampiro que age criando situações que te irritam profundamente, quer com vc quer com alguém, então, na hora que tu te identificas, sua energia é drenada.

Existem os que agem sempre contando coisas negativas, são os arautos da desgraça, só param para te contar coisas desequilibradas, na hora que tu te identificas a energia é sugada. O segredo com estes (as) vampiros é não lhes dar atenção, cortar o assunto, se imaginar numa bolha de energia que lhe isola dessa pessoa, basicamente é não se identificar.

Estes são alguns pontos simples e práticos que podemos checar para melhorar nossa qualidade de vida.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte IV)

Comentei em artigo anterior que o conceito de Divindade para o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia Telúrica que estamos estudando aqui é completamente diferente do conceito comum que se tem da divindade, mesmo nos ramos tidos por esotéricos. Para nós, a Existência, emana da inexistência, emana, não "é criada", mas emana o que implica em toda uma abordagem fenomenológica distinta daquela que vem de um "deus criador" .


Se tudo emana, emanamos também e temos assim elos profundos com tudo mais que foi emanado, outra abordagem, ao invés de criaturas diversas, seccionadas e a parte, somos uma teia de eventos inter-relacionados.


Para nós xamãs, bruxos e magistas telúricos somos todos (as) parte da ETernidade, não "criaturas", e sendo partes somos igualmente misteriosos, complexos e assim da formiga à estrela, somos todos (as) complexidades existenciais distintas. Dessa forma toda vida passa ser sagrada, toda manifestação da vida é sagrada e o fato da atual civilização dominante ter rompido esse pacto com a vida, com a criação de uma civilização dominadora, belicista, degradadora do meio é um alerta que algo vai muito errado com a humanidade, que pode estar em perigosa rota de extinção planetária.

Para nós, nestes caminhos, a vida e a consciência são mistérios supremos e impregnam várias estâncias da realidade que nos circundam.


Não há vida "superior" ou vida " inferior" há "VIDA" , tão pouco consideramos o ser humano mais consciente que os animais, são diferentes , mas não superiores ou inferiores, lógico que para os paradigmas dominantes isso não é aceito, o próprio esoterismo do senso comum vai contra isso colocando que a "pedra evolui em planta, a planta em animal e o animal em humano". Negamos isso aqui, cada momento da vida e da consciência é completo em si.


Hoje se começa a questionar esses conceitos neo-darwinistas de evolução que o esoterismo do senso comum se impregnou no século XIX principalmente, (pois no século XX pouca coisa nova foi gerada neste campo, muito se copiou, mas poucos geraram pelo menos consultas a fontes mais sólidas).


Principalmente o espiritismo e a teosofia usaram muito desses paradigmas, dessa "evolução espiritual" pela linha do tempo, mas isto hoje é questionado até mesmo em termos de física quântica quando vamos perceber que são ilusórias as idéias de passado e futuro que temos, fruto do senso comum e não fatos experimentais.


O xamanismo, a magia e a bruxaria telúrica enquanto caminhos nunca entraram por estas veredas, mantiveram sempre uma abordagem bem própria da realidade, que agora, com novos instrumentais cognitivos, começam a fazer sentido mesmo para quem não é iniciado nestes campos.





Tais elaborações racionais muito específicas tem seu apelo, é verdade, mas isso parece ter tanto valor porque manifestamos tais elaborações neste contexto alienante e alienado que chamamos de realidade, um estado de ser artificial e convencionado.

O ser humano se arroga direitos que ninguém lhe deu. Para os (as) xamãs, bruxos (as) e magistas a realidade é composta da somatória de suas partes, assim cada ente vivo neste planeta e no universo como um todo tem seu papel.


Discutir superioridades de papéis é como declarar que células de um órgão são mais importantes que de outros.


Cada ser vivo enquanto espécie está seguindo complexo caminho existencial, onde representa um papel que só quem é "irmanado" a tais linhagens pode mesmo entender que não é racionalizar, mas sentir.


Quando os golfinhos mergulham e ficam longo tempo desaparecidos da vista humana, quando as baleias entram em seu transe com seus mântricos cantos, sabemos mesmo o que estão fazendo?


Que tessituras de poder estão tecendo?


Que mundos visitam?


Nos tempos ancestrais as manadas de elefantes caminhavam em longas jornadas para ir acompanhar os seus anciões na última viagem, viagem até o lugar onde estes mágicos e poderosos seres haviam, por gerações, escolhido morrer.


Os famosos cemitérios de elefantes, lugares sagrados, onde o poder de gerações desses seres esteve contido, de repente se determinou que tais lugares deveriam ser explorados, porque quem, em juízo e lucidez, vai dar valor a histórias bobas de nativos supersticiosos que grandes desequilíbrios viriam ao mundo se tais lugares fossem profanados?


Todo povo ancestral tinha áreas que declarava: "não é área para humanos". Montanhas, cavernas, locais em deserto ou florestas, áreas sagradas onde a presença humana não devia ocorrer.


Quem respeita isso hoje?


Lidar com Xamanismo, Magia e Bruxaria é muito mais complexo que brincar com alguns símbolos, algumas vestimentas, decorar meia dúzia de termos em alguma língua antiga , induzir transe por alguma prática repetitiva e chamar o agito da luz astral, o deslocamento superficial da consciência de "transe".


Tais Artes vem de um tempo em que a forma de existir e ser era outra e assim tudo era diferente.


Implica em reconectar outra abordagem da realidade, muito, muito distante da hoje dominante.


É preciso uma profunda abertura de nossa percepção para irmos além dos limites conceituais nos quais esta civilização nos prende e realmente mergulharmos nos paradigmas oriundos de uma civilização onde ser humano, plantas, animais e entes de outras esferas viviam em contato íntimo entre si.

Dando seqüência a nossa abordagem desses temas hoje vamos falar sobre como estes caminhos abordam a VIDA. Sempre lembrando que os termos Magia, Xamanismo e Bruxaria são vastos e tem muitas linhagens que os usam, estamos falando aqui de um tipo específico de Magia, Xamanismo e Bruxaria. Para estes caminhos que estamos estudando, a Vida é sagrada, assim não existe aqui a idéia que o "corpo" é "prisão" do espírito, muito menos que este mundo é um mundo de "provação" , com isto fica também fora o tema do "pecado", da "culpa".

Viver é sagrado, estar vivo é sacro, cada momento é divino, assim não temos um plano "espiritual", "superior", e um plano "carnal", "material", "inferior", para nós estas são divisões falsas que falseiam o que tocam.

Vivemos numa vastidão de muitas dimensões, como uma cebola, vivemos numa realidade de muitas camadas, mas cada camada tem suas próprias características, assim não temos "planos superiores" e "planos inferiores", temos planos de realidade, temos energia.

Para tais caminhos a Vida é uma aventura incrível, misteriosa, a ser celebrada a cada instante, tudo que está a nossa volta é prá ser usufruído, com equilíbrio, com bom senso, com o foco que tudo é VIDA e não coisas, assim sendo a postura perante a Vida e a Existência da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria é completamente diferente de grande parte dos esoterismos (esquisoterismos) que estão por aí e que pregam a "superação" desse mundo, que tem por meta ir para algum plano "espiritual".

A forma de sentir e estar no mundo do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia já foi a forma das pessoas em geral, quando a vida era celebrada, quando cada lugar da natureza era vivo e sagrado, as montanhas, os rios, as cachoeiras, os animais, mas este modo de ser uno(a) com o mundo foi se perdendo, primeiro pelas religiões que criaram deuses fora desta realidade, deuses fora da natureza, acima dela, desconectados dela, deuses julgadores, deuses aos quais se implora, aos quais se suborna através de seus sacerdotes.

A revolução industrial que terminou de "coisificar" tudo e todos, dentro de uma perspectiva da Bruxaria, da Magia e do Xamanismo nunca teria ocorrido como ocorreu, levando o mundo a esse caos ecológico no qual estamos.

Isto é muito interessante de abordar, a "ciência" resultante da Bruxaria , da Magia e do Xamanismo é uma ciência branda, ecológica e ao mesmo tempo com possibilidades muito mais amplas que a ciência pesada, agressiva e coisificadora que a civilização industrial desenvolveu.

A Ciência oficial criou o mito que ela é a única forma de investigar a realidade. Ledo engano, sempre existiram outros caminhos.

Precisamos lembrar que a alquimia não é a avó caduca da química, a astrologia não é a tia avó esquizofrênica da Astronomia.

São "ciências mãe", abordagens complexas e completas da natureza a partir de outros pontos de validação, de outras realidades perceptivas.

Os astrônomos ficam insistindo que a "gravidade" de tal ou qual planeta não apresenta efeitos significativos para isso ou aquilo, mas quem tá falando de gravidade?

A ciência oficial tem essa arrogância, quer limitar tudo aos seus paradigmas, como tenta fazer com a acupuntura. O fato da acupuntura funcionar leva cientistas a elaborarem teorias das mais forçadas, quando não precisa nada disso, a acupuntura já tem suas explicações, geradas há milhares de anos.

A Astrologia tem outra leitura, está lendo outro nível de energia que os planetas emanam, que resultam em efeitos reais, embora o instrumental da astronomia não possa captar tais energias.

A Alquimia foi muito deturpada, especialmente pela idéia do ouro, que muitos ocultistas, como São Germano , Cagliostro e outros fizeram veicular para justificar o soldo em ouro que recebiam como agentes de coroas e governos para espionar outros. Quem estuda alquimia sabe que o Ferro é o elemento chave e que o tal "gerar ouro" é quando muito um simbolismo para o trabalho interior, não que não seja possível gerar ouro, não é isto, mas esta não é a meta da Alquimia. Isto deturpou a alquimia que é complexa ciência mãe, só agora com a quântica a mente civilizada se encontra em condições de "começar" a compreender tal complexa ciência.

Portanto as tradições dos povos têm sua abordagem e seu valor e não são "antepassadas pueris" que agora foram explicadas e superadas pela "evoluída" ciência contemporânea.

Temos que prestar bastante atenção nisso, existem ramos do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que realmente emanam da aurora dos tempos, que têm sido transmitidos de boca para ouvido e aí estão, como tradições vivas que podem nos auxiliar no desafio da Vida, do estar vivo e do descobrir a nós mesmos.

Mas existem ramos da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria que foram "adaptados" por pessoas que fizeram leituras superficiais do tema, que não foram de fato iniciadas, que apenas se aproximaram do tema, imitaram a forma sem entender o conteúdo. Há ramos da Magia, Xamanismo e Bruxaria que se pretendem ancestrais mas pela sintaxe das colocações, pela forma que o conhecimento é apresentado a gente logo vê que é uma leitura de pessoas desta época de coisas que "ouviram" ou "pegaram pedaços".

Por isso estudar tais campos é compreender que são Caminhos e existe uma diferença entre estudar um caminho e trilhar um caminho. Trilhar um caminho é ser cada vez mais uno com ele, por isso a Magia, a Bruxaria, o Xamanismo provocam mudanças profundas, pois nos tornam outras pessoas, nos dão acesso a outras realidades.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte III)

O conceito de Divindade.

É muito importante, a meu ver, percebermos como o conceito que temos de divindade interfere muito na forma de sentirmos e percebermos o mundo.


Recebemos uma educação religiosa vinda do meio onde fomos criados, isso acontece numa fase bem imatura da percepção. Na maior parte das vezes aprendemos a identificar conceitos complexos como inicio, criadores, poderes primordiais com projeções de nossas carências e medos.


Na maior parte de nós os conceitos religiosos vieram de nossos pais e a igreja a qual estavam ligados. Mas esses conceitos têm uma historicidade, foram gerados por situações diversas, por grupos que em sua luta pelo poder não tiveram receio de alterar e deturpar conhecimentos, desde que continuassem no poder.


Estes dados são importantes para melhor compreendermos o deus único, que é tido como evolução quando os uga-uga primitivos deixaram de ser politeístas e evoluíram para o nível monoteísta. Será real isso? Os povos ancestrais sentiam a divindade em tudo, suas várias faces, na chuva, no vento, no trovão, na Terra que dá o alimento, no Sol, na Lua, era o um manifesto no múltiplo.


É muito importante compreender isso, pelos meus estudos e contatos com tradições nativas tenho notado que o saber ancestral se manifesta em matrizes com muitas dimensões, então podemos ter um povo que tem um conhecimento em comparação com o nosso, menos sofisticado em alguns aspectos, como os Maias que não usaram as rodas, mas que em outros níveis podem extrapolar muitos de nossos limites, como os já citados Maias e sua matemática com nove dimensões , seus calendários exatos e tudo mais.


Assim o conceito de divindade nos povos ancestrais era bem amplo e variado, não podemos limitar o pouco que sabemos das crenças de algumas partes da população como o todo da forma de lidar com tais realidades, por parte desses povos. O cidadão simples, o comerciante, o homem e a mulher do povo egípcio com certeza tinham uma concepção da divindade bem diferente dos sacerdotes e sacerdotisas dos templos e das escolas iniciáticas que ali existiam.


Da mesma forma entre todos os povos vamos ter o exoterismo religioso, as crenças e cultos de domínio público e o esoterismo, reservado a quem fosse iniciado nos mistérios. Os povos ancestrais lidavam com as várias faces da ETernidade, em suas multiplas manifestações. Mas pegar um deus tribal de um povo e elegê-lo deus único é evolução? Um deus único que sendo de fora da terra, a regendo de fora não inspira nenhuma atitude ecológica ou equilibrada, coisa que acontece com os povos nativos e suas superstições. Quando falamos deus o conceito de deus é algo muito complexo. Quando falamos de um deus criador estamos num paradigma e em minhas investigações sobre estes caminhos que estamos estudando encontrei um conceito diferente, uma forma de falar da ETERNIDADE sem limitá-la a padrões antropomórficos ou fazer da mesma uma tela onde projetamos carências e medos.


Ao invés de um deus que cria, de fora, depois cria testes além da capacidade dos testados e depois os castiga, os deixa confusos, ao invés de uma família primordial onde o homem é um fraco, a mulher é uma que vai atrás da primeira serpente que aparece, um filho é assassino e tudo dá tão errado que destrói tudo e começa de novo, existem outras histórias de como o mundo veio a ser o que é .


Existem cosmogonias, antropogêneses e cosmogêneses que abordam outras possibilidades, um universo que emana, que surge de uma outra realidade pré-existente, num ciclo infindável. É interessante observar que quanto mais avança a astrofísica e a física de partículas, mais as visões de realidade que surgem dos experimentos realizados, são similares as visões dos antigos mitos, dos povos ancestrais e pouco relacionadas com as histórias moralistas que nos ensinaram na religião oficial. Um só deus, uma só verdade, um só rei , foram argumentos sempre usados pelos tiranos de várias épocas.


Perceber isso é perceber que a abordagem religiosa da realidade tal qual a concebemos hoje está ligada a conversão, basta ver o fervor com que vários homens e mulheres matam outros em vários países do mundo em nome de suas crenças. Interessante a intolerância religiosa, ela não admite a diversidade, todos devem se reduzir a uma nauseante homogeneidade. Como se as células do fígado resolvessem converter as células do coração a serem como elas e depois de cumprida sua missão teríamos um corpo com dois fígados, mas que morreria em seguida, sem o coração que bombearia o sangue.


Esses são os perigos da conversão, o fato de surgir de povos gananciosos e desrespeitar o fato que a diversidade sempre foi necessária à vida. Somos seres que fazemos parte de um vasto esquema cósmico. Estamos na periferia da galáxia, estamos num lugar que indica que somos novos e imaturos se comparados com formas de vida que já se desenvolveram bilhões de anos antes de nós. Mas temos nosso papel.


Assim o que julgo errado e fora de propósito para mim, pode ser justamente o papel que outra pessoa deve desempenhar. Este é um perigo dos pseudos agrupamentos iniciáticos, a vontade caprichosa de um (a) pseudo líder é seguida, isto falseia tudo. O trabalho de um grupo é que cada um desperte sua essência que se torne o mais profundamente o que trás em seu interior, quem auxilia nisso deve agir como um jardineiro, ajudar a desabrochar, nunca impor seus próprios modos.


Essa diferença sutil nos leva ao cerne deste trabalho: A concepção de divindade. Se imponho a quem aprende minha forma de perceber este algo transcendente que de fato existe, vou estar limitando a um conceito, a um dado informacional, mas se crio situações para que quem aprende vivencie por si mesmo então teremos outro tipo de aprendizado. Por isso é difícil colocar em palavras o que vai além das palavras. Palavras vêm do racional, do arquivo da memória, do já vivido. E o novo é não vivido, tem que surgir pela experiência. Assim, cientes da limitação das palavras, da sintaxe, vamos ainda assim abordar o fato que a percepção da divindade e da vida por parte dos caminhos naturais, dos caminhos pagãos, dos caminhos mágicos obedece a outra profundidade.


Temos quando crianças, sempre a presença de um adulto por perto. Qualquer perigo e um adulto virá nos proteger, nos salvar. Ao crescermos descobrimos que tal salvamento é relativo e papai e mamãe são crianças como você. Isso muda tudo e surge uma carência aí, que grande parte ao invés de superar extrapola e cria um papai do céu e uma mamãe do céu . Os messianismos diversos tem aí uma de suas raízes, a crença que alguém lá fora virá nos salvar.


Para grande parte das pessoas é isso a divindade, uma transferência dos sentimentos confusos da relação com pai e mãe para uma pretensa entidade cósmica que nos criou e pode nos julgar, ajudar ou castigar.


Esta relação imatura com a realidade é ampla e notável nas religiões não pagãs, que centralizam seu poder numa divindade fora do mundo e temível. A divindade sempre existe, cria um mundo, cria os humanos, a sua imagem e semelhança. Não seria mais correto dizer que os seres humanos criaram um deus a sua imagem e semelhança?

A Bruxaria, a Magia e o Xamanismo aos quais me refiro não estão nessa linha. Tem a noção de seres, de forças, de entes, de poderes que vivem neste mundo e nos mundos além desse, mas mesmo os mais poderosos, são nitidamente entes, que podem parecer deuses e deusas, mas mesmo na proporção de uma estrela para uma vela não precisamos adorá-los, ou crer que os servindo vamos ter tudo resolvido.


Os deuses e deusas são entes amplos, podemos fazer parte deles, podemos ser como células das vastas realidades que eles e elas compõe, mas em todos os níveis são seres com começo e fim, entes que também brotaram em um certo momento da existência e vão chegar a um fim um dia. Como nós.


A DIVINDADE em seu sentido mais amplo é algo que extrapola a compreensão, é para ser sentida diretamente, experiência direta do numinoso, do que vai além do conceitual.

Por isso ao sentir a força de uma árvore, de uma montanha, de um rio ou do vento e expressar isso como divindades, com suas particularidades não pode ser confundida com uma abordagem supersticiosa da realidade.


Rezar com medo para deuses e deusas numa tempestade é diferente da postura pagã de reconhecer nestas forças se manifestando facetas da Amplitude e buscar encantar tais poderes.


A relação que temos conosco mesmo, a relação que temos com as outras pessoas, a relação que temos com o mundo circundante, tudo isso está envolto em nosso conceito de divindade. É interessante meditar sobre isso, perceber se ainda temos uma relação de pai psicológico ou mãe psicológica com a ETERNIDADE, se continuamos apenas projetando carências ou estamos mesmo começando a ir além dos medos que nos plantaram e ousando sentir a ETERNIDADE em toda sua incompreensível vastidão.


Para mergulharmos mais fundo nos temas Bruxaria, Magia e Xamanismo precisamos compreender que estes caminhos abordam a questão da Vida, da Divindade, de ter uma alma, de conseguirmos nos eternizar, tudo isso com outros paradigmas e não podemos cair no erro da moda esotérica em voga que pega os mesmos temas já gastos e nitidamente ineficazes e os fantasia com outras roupagens. Pecado agora é carma, outras vidas substitui céu e inferno, os ascensionados são os novos santos e ministros de deus e por aí vai.

Se ficarmos presos aos conceitos estereotipados nascidos durante esta era de dominação vai sempre nos escapar o sentido profundo dos caminhos que estamos estudando. Creio que isto é um fato muito importante, temos que ir além da sintaxe imposta pelo mundo atual, isto não é fácil, nem simples, mas pode ser feito.


A prior prisão das muitas que nos deram neste mundo, é a perceptiva, sermos obrigados a concordar e participar de um só tipo de realidade, com variações de interpretaçòes subjetivas, mas normatizada e linearizada em várias estâncias.


Então questionar profundamente os pretensos dogmas, mesmo dos esoterismos de plantão é não só um hábito saudável como necessário, questionar, questionar tudo e buscar uma nova resposta.


O que eu tenho percebido até aqui é que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria não te dão respostas prontas, te ensinam a fazer melhores perguntas.

Xamanismo Urbano é um ramo contemporâneo da ancestral árvore do Xamanismo.

Xamanismo é o conhecimento dos povos ancestrais, ao contrário de cultos de povos que já foram completamente exterminados, assim só podemos estudá-los indiretamente, o xamanismo ainda tem linhagens vivas em todos os continentes, que vem transmitindo o conhecimento de boca para ouvido desde antes da aurora do tempo e o faz ainda hoje. O Xamanismo nesse sentido é um conhecimento vivo, que tem uma energia de transmissão.

Nas tradições isto é algo muito interessante de ser avaliado. Existem tradições que foram geradas dentro desse tempo-espaço, assim tem a energia deste tempo e espaço. Outras tradições vem de antes do tempo, trazem consigo uma energia de fora , um algo diferente que não pertence a esta realidade.

É este poder, esta baraka , esta graça que uma TRADIÇÃO transmite a quem nela se inicia. Uma energia que não é desta realidade, vem de antes, de tudo que temos por realidade surgir. O Xamanismo, embora este termo hoje seja usado também por pessoas que copiam a forma mas pouco entendem do conteúdo, é um caminho que sempre propõe um estado de viver que é bem mais que o sobreviver ao qual estamos expostos.

É natural que o Xamanismo sempre busque se adaptar ao tempo e ao lugar onde está, mas esse se adaptar não é abandonar sua essência, não é adulterar-se, não é fantasiar-se ou travestir-se.





Todo Caminho está sempre em sincronia com o aqui e agora no qual está.



Isto a meu ver caracteriza um caminho profundo, ele flui pelo tempo e espaço com naturalidade, leva a essência do conhecimento, não a forma, assim xamãs hoje podem estar bem mais de terno e gravata que com penas e cocares, sem que isto lhes faça menos unos à Fonte de onde tudo nos vem.

O Xamanismo tem formas inteligentes, estratégicas e mágicas de nos permitir viver nas cidades de forma mais harmônica e sofrendo menos os efeitos nefastos que a vida urbana está sempre a inflingir sobre nossos organismos.

Ondas de celular, de rádio, TV, alimentos sem energia vital, com verdadeiros venenos e substâncias agressoras em sua composição, fumaça, barulho, tudo isto a cidade nos oferece. A violência urbana, a neurose das pessoas, as atmosferas psiquícas desequilibradas que a maior parte dos lugares urbanos insiste em desenvolver, tudo isso é uma agressão a nosso bem estar.

A vida em prédios, num espaço como de um prédio quantas familias e pessoas vivem? Auras se interpenetrando, energias se misturando...

A tudo isso a cidade nos expõe, mas não nos ensinaram a lidar com tais desafios de forma satisfatória, o consumo de remédios e drogas (drogas desde álcool e religiões fanáticas até coisas pesadas mesmo), a infelicidade das pessoas, doenças constantes, a violência, são sinais desta falência geral do sistema social que ai está.

A questão é mais profunda.


Nós mesmos, tidos civilizados, o somos, enquanto espécie há tão pouco tempo. Essa vida de cativeiro nos é recente em termos de espécie, nossa células carregam em si uma saudade imensa, ainda, de tempos em que os ritmos do sol e da lua lhes eram mais fortes que a imposição de um escravizador moderno chamado relógio.

Nossa ancestralidade selvagem é muito mais ampla e forte que os poucos milhares de anos transitando para esta sociedade que como nós, ninguém conheceu: artificial, programada, dominada de tal forma que os povos livres nem em seus medos mais profundos imaginaram.

Como explicamos à essas forças ancestrais e selvagens que gritam em cada célula nossa que devem ser "boazinhas, educadas e cordatas?" Como explicar aos tambores que batem em nosso peito que devem se calar?

Como explicar ao grito selvagem que queremos emitir que deve continuar ali, preso?

Como explicar a sensualidade que visceja de tempos em tempos como suor em nossos poros, que deve ser reprimida?

Negamos nossa selvageria, nós que nascemos em cidades. Filhos e filhas dos conquistadores, é bom que não nos esqueçamos que somos isso, os filhos(as) dos conquistadores, dos que vieram para cá e de forma direta ou indireta colaboraram para o genocídio quase completo das populações nativas.

Como você agora, colabora de forma direta ou indireta para a continuidade desse genocídio, que ocorre enquanto escrevo, estará ocorrendo quando estiver lendo este artigo. Por ação ou omissão continuamos cúmplices.

O Xamanismo é um caminho Selvagem, tentar transformar o Xamanismo nestas bobeiras insossas de " disco do animal de poder"; querer gerar um "xamanismo new age" como tantos fazem e outras coisas que a gente vê por aí é mais apenas continuar com a farsa que o sistema tem lançado sobre tudo ligado a esta tradição, oriunda de povos nativos sobre os quais sabemos muito, muito pouco em termos de ciência oficial.

Pois não apenas ao genocídio condenaram a esses povos, como sua memória foi apagada da história oficial, ignorados em suas sofisticadas civilizações.

O xamanismo foi mantido e desenvolvido por povos nativos de vários continentes, mas não começa neles, vem de antes, vem dos véus além da aurora dos tempos. Isto é fundamental ficar claro para irmos as reais origens do Xamanismo, os povos nativos são guardiães do Xamanismo, não seus geradores, como uma escola de música não inventa a música, apenas aprimora e acumula técnicas e formas de ajudar novos artistas a desabrocharem cada vez com mais amplitude.

Isto é o mais importante, entender que o xamanismo não é um conhecimento humano, é um conhecimento de outras esferas que foi "capturado" quando a raça humana começou e veio se desenvolvendo, como está agora. Não é uma verdade pronta, não tem dogmas, é um campo de estudo, em aberto, onde cada praticante é desafiado a provar por si e em si o que está estudando, estudo aqui é sinônimo de prática. O xamanismo surge em outra civilização que já existiu neste planeta, que se foi, que deixou seu saber que continuou sendo "cultivado" por gerações e gerações de praticantes, até chegar a este tempo e espaço no qual estamos.

Quando olhamos para o passado os estudos científicos vão nos dizer que a Terra era do mesmo tamanho, mas isto é falso, a Terra era muito maior.

Existiam mais lugares para se ir na Terra do que há hoje, e os lugares não estavam sempre nas mesmas "coordenadas". Existem muitos lugares que existiam e "foram embora da Terra". Demorou muito para prenderem o mundo nessa descrição que temos hoje por "real", o mundo já foi muito mais desconhecido, ainda o é em certos lugares e em certos momentos, embora o paradigma geral da "mentalidade" dominante negar isso.

Essa fantastica homogeinizaçào perceptiva que vivemos nesta idade globalizada é em si uma magia interessante e espantosa, mas realizada e a serviço do interesse dos neo-senhores feudais, dos neo-senhores da guerra, das neo-companhias das índias ocidentais e orientais e dos neo-clero a que temos em nossa época que continuam fazendo o que sempre fizeram, dividir o mundo entre si, provocar discórdias e acirrar disputas para obter benefício desta divisão entre povos, buscar mercados consumidores, fornecedores de matéria prima, transformar tudo que possível em coisa a ser vendida e converter, limitar a percepção humana a seus estreitos padrões. É importante notar como isso mudou, hoje os jesuítas não são mais os campeões em obrigar outros a se converterem a seus paradigmas, a CIA tem tido muito mais sucesso .

Mas os fatos bases continuam e o Xamanismo observa tudo isso acontecendo com espanto, pois partilha da pergunta dos povos nativos:

"Por que os ventos que regem os destinos humanos colocaram no poder um povo como o homem branco? Que não ama a Terra? Nem seus ancestrais ? Nem a seu irmão, irmã, pai, mãe? Que trai seus amigos? Que não respeita suas crianças? Que condena todos nós, humanos, animais e vegetais a um fim cada vez mais evidente e próximo?

Nós xamãs-curandeiros há muito temos como fato que a Terra está doente. Muito doente, praticamente em coma. Os absurdos e desmesurados atos da era industrial geraram uma doença profunda no Ser Terra. Por isso, encontros no mundo inteiro tem objetivado gerar energias de cura, para que o Ser Terra se recupere, sabemos que se Ele se recuperar vamos conseguir ter uma mudança real no estado de consciência coletivo.

Os povos nativos celebravam a vida e os ciclos da natureza em seus cultos, não eram cultos de adoração apenas, eram cultos de "sintonização".

Os cultos "exotéricos" das religiões que foram dominando o mundo cada vez mais destruiram esse elo do Ser humano com a Terra, passaram a cultuar egrégoras, imagens de um deus distante, fora da Terra, julgando, punindo ou "agraciando" o ser humano segundo misteriosos caprichos, mas sempre necesssitando de ser "adorado" , "temido" , "idolatrado", assim tivemos a quebra do elo do ser humano com a Terra e com o Sol, fontes reais de vida, seres realmente vivos, fontes reais da nossa vida, para nos ligarmos a abstrações mentais de deuses feitos a imagem e semelhança dos medos e caprichos humanos.

Notem, nos cultos que surgiram, o ser humano deixa de se harmonizar com as forças do Sol, da Terra e dos Astros e outras forças cósmicas que os festivais e ritos dos ancestrais realizavam e passa a adorar uma representação abstrata de um pretenso principio único de um pretenso deus único e verdadeiro que torna toda pessoa que chame a divindade por outro nome, "infiel" .

Essa passagem do contato direto com a VIDA com a NATUREZA, para uma religiosidade de adoração a "imagens" e "representações" é tida por "evolução", passagem do "primitivo e pagão politeísmo" para o avançado, progressista e evoluído " monoteísmo".

E o que fizeram esses Deuses, cada um se dizendo "único e maior", desde que começaram a ser adorados Serviram de desculpa pra toda guerra que houve desde então, até hoje, basta ligar a TV e ver esses deuses brigando, até versão 1 e versão 2 do mesmo deus (como no caso de cristãos e protestantes na Irlanda).

Sentir a Vida como Divina, logo a natureza como divina, viva e consciente é algo fundamental ao caminho xamânico. Nas cidades isto é mais difícil, por isto é mais fácil ser praticante dessas abordagens mais racionais e menos sensíveis da realidade, da religiosidade. Na cidade, com supermercados, açougues e feiras pode-se esquecer que tudo aquilo, alimento, ainda vem da Terra, depende do Sol, da chuva, dos ventos, pássaros e insetos polinizadores, do ciclo correto das estações. Assim os natais de presentes e páscoa de ovos de chocolate são celebrações mais importantes que a primavera que volta com a vida ou o momento da colheita. Para nós do xamanismo é claro que a vida tem seus ciclos, suas formas de se manifestar, isto celebramos, com estes ciclos nos sintonizamos. Na Terra e no Sol temos as forças fundamentais a Vida, sem elas nada existiria, e este poder só está ali, nenhum ser ou espectros de outras dimensões que tantas vezes atribuímos mais valor que a força viva da natureza a nossa volta, pode nos sustentar enquanto "seres vivos e conscientes".

A magia telúrica, a Bruxaria telúrica são parceiras do xamanismo nesta abordagem. Nosso corpo lê a energia das estrelas, metaboliza mesmo tal energia, mas nossos pés precisam estar no chão e temos de estar bem alimentados e saudáveis para interpretarmos corretamente o que tais forças nos mostram.

O Sol é nossa fonte de vida, mais forte que qualquer rito, que qualquer símbolo mágico, que qualquer eucaristia, lá está ele, Sol, fonte da Vida, sem o qual nada aqui existiria e mesmo que nos destruamos nessa loucura de guerras com fundo econômico que estamos gerando, ainda assim continuará lá, iluminando o céu de um planeta desolado porque os conquistadores tomaram o mundo e impuseram seu modo de ser.

O Xamanismo urbano é uma resposta.


Uma resposta da ancestral Arte do Xamanismo aos desafios que este momento está nos trazendo. Pois agora estamos no tempo em que ou nitidamente vivemos a história, como participantes atuantes, ou só nos resta "sofrer a história".

Agora, mais que nunca, precisamos de caminhos que nos ensinem a usar nossa mais profunda e poderosa magia, pois loucos dominam o mundo, esses loucos tem armas poderosas e respeito algum a vida, apenas sua insanidade e frustração existencial como guias.

Como nas antigas lendas nativas, temos de ousar sair na jornada mágica da busca de meios de nos protegermos desses loucos, para que a vida ainda seja possível a nós e nossa descendência.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte II)

Vivemos numa civilização globalizada.

O fato é que hoje estamos integrados em termos de mundo de uma forma muito intensa.
Se algo acontece agora no Japão, quase que imediatamente vamos estar sabendo, muitas vezes uma pessoa da zona rural do Japão, que esteja longe dos meios de comunicação durante uma tarde pode demorar mais a saber de um evento importante que aconteceu numa cidade vizinha onde está, do que uma pessoa morando no outro lado do mundo.

Criamos uma série de interconexões entre os países e os povos desses países. Agora mesmo estou ligado na internet, mantendo contato on line, via icq, com gente de vários lugares do mundo. Esta nova forma de interagir cria uma forma de perceber o mundo bem diferente das gerações anteriores. Alvin Tofler chamou de 3 ª Onda.

Quando vamos estudar o passado para compreender as origens do que hoje denominamos Xamanismo, Magia, Bruxaria, temos que ir muito além de uma leitura intelectual de pretensas descrições históricas.

Temos que recuperar a liberdade de perceber além do que nos determinaram como realidade. Para irmos mesmo as origens de tais faces da ARTE temos que ir além do próprio conceito de tempo que temos. O Tempo tal qual ele se manifesta em sua vida, este tempo dos relógios que te mantém servil, este tempo é fruto da construção de uma realidade que é a dominante.

Essa realidade foi desenvolvida a partir de elementos de diversas culturas, tem influência dos egípicios, helenos, dos hebreus, dos romanos, vem caminhando num jogo crescente entre grupos antagônicos que querem o poder sobre outros, imperialismo e conquista é sua meta. Temos que estar bem atentos a estes aspectos manipuladores, a este background imperialista que impregna toda a base existencial da chamada "sociedade contemporânea".

Temos que estar atentos porque esta sociedade criada assepticamente em projetos de colaboração entre estes e estas que querem tudo dominar também criaram pseudos caminhos, pseudos xamanismos, pseudo bruxarias e pseudo magias. Estão aí estes caminhos, esperando por quem quer apenas fantasias, arrepios, brincadeiras de salão. Assim brincam com fantasias, agitam a luz astral, mas nada além do reflexo de seu inconstante interior descobrem. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que podem ser usados no mundo cotidiano, de forma discreta e com um grau de eficiência incrível. E após Eras de perseguição e numa época de escravizadores é claro que aqueles homens e mulheres que de fato trilham esse caminho se tornaram hábeis em ser discretos, quase sumidos, deixando entrar em seus círculos vez por outras pessoas que estão ainda entre os escravos, para que voltem e contem o que viram.

Quando olhamos o mundo notamos que num certo momento uma doença começa a atacar o organismo formado por todos os humanos do planeta. Em vários locais a guerra de conquista e a escravidão, o transformar outros seres humanos em objetos, se tornam a proposta fundamental de nações, clãs.

Vamos observar este estado de consciência ir tomando área após área do globo, as guerras de conquista do Império Romano, depois os impérios Cristãos e agora o neo-colonialismo chamado "globalização", onde os neo-cristãos com seus valores consumistas pretendem manter toda a humanidade sob sua descrição da realidade.

Há muito o que meditar aqui, pois Xamanismo, Magia e Bruxaria são heranças de outros tempos, dos tempos dos povos livres, que iam e vinham pelos caminhos naturais do mundo. O presente modelo de realidade que hoje nos foi imposto, foi habilmente implantado, num projeto organizado que começa de forma sistematizada com Júlio César e Cleópatra, passa pelas Cruzadas e Inquisição e segue sempre em frente, a Águia que quer dominar sozinha o mundo.

Há muitas águias e que algumas sejam assim tão egoístas é apenas uma pena. Nós, herdeiros espirituais dos(as) Xamãs, Magistas e Bruxos (as) da ancestralidade somos agudamente conscientizados durante nosso treinamento de como o mundo "oficial" é o mundo dos escravos, onde o dom da vida é empregado por gigantescas máquinas, onde seres humanos são apenas extensões biológicas de tais engrenagens.

Nossas tradições nos contam como era antes, nos contam como foi a lenta queda dos povos ancestrais que viviam em harmonia com a Terra. Os conquistadores trouxeram consigo suas doenças físicas e existenciais e contaminaram o povo nativo com ambas, matando assim em corpo e espírito milhões de nativos em poucos anos.

Quando em certos ritos, em certas práticas, usando de certas habilidades que o aprender efetivamente nestes caminhos desperta em nós, podemos ir até este passado diferente, mas temos que ter o cuidado de não "onirizar" o que vemos. Podemos ficar limitados a interpretar a energia que estamos percebendo com base no repertório ordinário que temos, que é fruto deste sistema, que é escravizante.

Assim antes de mais nada, antes de falarmos de outros mundos temos que reconsiderar nossa própria percepção desse mundo. Esse mundo maravilhoso no qual estamos, mas ao qual também fomos embotados. Percebemos fragmentos da realidade, mesmo desta que dizemos ser a única. Vivemos de forma incidental, não com presença e profundidade reais. Agora o que sentes, como esta tua respiração, que sons , imagens, cheiros, temperaturas te circundam?

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria, tem a inquietante capacidade de realmente funcionar a partir do momento de quem os procura, e que com sinceridade o faça. Pois está presente em muitas tradições o fato que quando nos pomos a lutar pelo nosso encontro com a Verdade, ela também começa a lutar por nós, se põe mesmo a caminho e fará todo o possível para nos encontrar também.

Há um tambor batendo no peito de cada um de nós. Há uma fogueira no interior do coração. Como está tua fogueira interior? Plena, a luz presente no brilho de teus olhos, o calor presente na realidade dos teus atos?

Ou estará tal fogueira já em cinzas, fria, apenas tocos queimados de madeira, sem luz, sem calor? Por que isso está assim? O Xamanismo, a Magia, a Bruxaria acreditam que cada um de nós pode evocar uma vez na vida o Grande Fogo. O Irmão Fogo no seu aspecto Vida.

Quando o Fogo é evocado em tal rito, se houver uma chispa de brasa em nossa fogueira interior, será a partir dela que a fogueira será plenamente acesa de novo. Não será este o teu momento de reacender tua fogueira interior?

Pois ler sobre atos de poder é ler contos de poder e os contos de poder têm a inquietante capacidade de nos levar a este mundo misterioso que é o mundo do poder. E sem o calor interior da tua fogueira, sem a luz da mesma, irás usar de teu poder para ter coisas que já tens em ti só falta realizá-las. E é essa a primeira armadilha de quem busca o poder sem antes acender sua fogueira interior. Querer usar do Poder para sanar suas carências, irresoluções e tudo mais que resulta de ser ausente de si mesmo.

O passado ao qual me refiro está além do passado racional, mergulha mesmo no passado mítico, mas no mito vivo não no mito congelado. Um passado além do tempo onde as tradições que comentamos, tem suas raízes profundas , onde a base é ao mesmo tempo a nutridora.

Ali era comum e não exceção, o estado de liberdade, de estar desperto, de perceber outras realidades, de ir e vir por mundos outros que não esse.

Nesse "passado" ao qual me refiro temos povos vivendo de forma muito diferente da atual, povos lidando com as diferentes realidades de seu cotidiano com outras formas de interpretação.

Este passado lançou caminhos de existência alternativos, deste passado nem todas as linhas conduzem para a destruição e subjugação, condições que nos geraram, mas algumas linhas vão para mundos paralelos e criam vidas diferentes, que agora, existem com tanta realidade como os que habitam os outros continentes deste planeta, pode-se dizer que com mais realidade, por serem mais livres e conscientes, uma vez que partimos do princípio que este mundo está quase todo escravizado.

É hilário ver certas definições que pretendem estabelecer verdades finais, como se a dança das energias espalhadas pelas emanações da Eternidade pudessem mesmo ser limitadas a compreensão linear e racional. O fato de só operar com uma pequena parte de si leva o ser humano a só perceber uma pequena parte da Realidade Total.

Mas a amplitude também está lá , apenas esperando que decidamos usar outro modelo para interagirmos com a ETERNIDADE. Um conjunto de paradigmas que já foi usado antes, que tem o apoio conceitual de gerações sem conta de praticantes. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm esta característica comum. É um caminho que pode ser ensinado.

Aprende-se. Mas como toda ARTE, podem ajudar a desabrochar o artista em ti, não podem te moldar. Na ARTE a palavra educar reencontra seu sentido etimológico mais raiz: "Desabrochar na essência perceptiva o que esta trás em si." Cada povo tem sua linguagem, cada espécie tem sua linguagem, composta da interação com a Eternidade a sua volta. Usamos nossa mente para raciocinar, usamos nosso sentir para nos emocionarmos, usamos de nossas habilidades em nos inserirmos concretamente na realidade circundante para apenas reagir a estímulos diversos.

Assim raciocinamos, emocionamo-nos e reagimos. Mas podemos ir além disso. Podemos usar a mente, o sentir e o agir de formas plenas, tão plenas que gerem tais campos de energia que tal qual um buraco negro possa abrir portas para outras realidades.

Alguns vão ficar esperando que construam máquinas que façam isso. Outras pessoas podem recuperar o elo com a tradição que se manifesta na Magia, na Bruxaria e no Xamanismo. Em todos esses caminhos, vamos saber então, os (as) praticantes usavam o próprio corpo como instrumento mais refinado de contato com outras realidades, tanto quanto essa.

Mas para falar disso vamos nos limitar a linguagem. E vivendo experiências diversas, abordando a realidade dentro de uma sintaxe diferente fica por vezes complicado falar de mares a quem viveu toda a vida no fundo de um poço.

Imagine como que tu explicarias a um morcego sobre o Vermelho? O Azul? Poderias desenvolver uma linguagem comum a partir da idéia de ondas e tal , mas um aspecto desta totalidade chamada cor só existe para a tua visão.

Neste período que estou comentando a interação com as várias realidades era tão plena que falar desse momentum é muito mais impreciso que falar de cores ao morcego, como ele também vai ser limitado em nos passar sua forma de perceber pelos nossos conceitos.

Assim é importante lembrar que só compreendemos um caminho quando somos unos (as) com o caminho. As raízes da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria vem de um tempo onde estávamos naturalmente conectados com a VIDA e seus fluxos e o Ser Terra que nos habita era respeitado, como um feto respeita o ventre que lhe gera.

Quem leu a carta do Chefe Seatle ao então presidente dos EUA notará tal consciência que hoje chamaríamos de ecológica. Assim o modo de interagir com a realidade dos povos nativos é muito distante dos modos que surgiram com o desenvolvimento dos impérios e seus modos de domínio.

Quando os humanos começaram a se escravizar entre si ocorreu algo inédito. Pela primeira vez, propositadamente, um humano da mesma espécie enfraquecia outro ser humano propositalmente para dele se aproveitar num grau de subjugação forte.

O modo de vida que estava pouco a pouco dominando a espécie humana no planeta era um modo de vida onde pequenos grupos cuidavam de condicionar, do berço a maturidade, os novos membros de sua própria espécie a serem servis e em fuga de si mesmos. Aproveitando-se de carências naturais ou geradas pela engenharia social e religiosa conseguiram transformar a humanidade nisso que aí está. E vejam como o mundo está. Estamos a beira do abismo, fundo, destruidor, e os donos e donas do mundo ainda insistem em suas batalhas egóicas que podem nos levar todos a destruição.

Os seres humanos são criados como rebanhos. "O Senhor é meu pastor, nada me faltará". Senhor, Domine, Domínio. Quem já andou por granjas e anda pelas cidades "grandes" verá que o sistema de empilhar as galinhas em cubículos superpostos e dar-lhes comida e água criou variações interessantes quando aplicado à espécie humana cativa.

Criaram TVs para evitar que os seres humanos desenvolvessem suas habilidades de ir com sua própria consciência a outros lugares, conforto para ajudar a enfraquecer os que agora temem perder a "comida e água" que têm servidas. De Potosi, das minas de prata e ouro no "novo mundo" que invadido pelos conquistadores e pela varíola quase desapareceu da existência, passando pelas explorações que acontecem agora onde povos nativos são escravizados de formas diversas, das mais óbvias as mais sutis, em todos esses momentos há uma guerra, os conquistadores e escravizadores subjugando e destruindo o povo nativo em essência e forma, quer pela morte , quer pela escravidão.

E tu que me lês também podes ser mais um dos que estão escravizados neste sistema que criou celas sutis, celas conceituais. Prisão perceptiva é a arte desse sistema que hoje domina. Mas a liberdade perceptiva é a chave que pode nos colocar mais perto de entender outro ponto comum, retas onde os planos da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo coexistem. Nós, que trazemos conosco a fogueira e os tambores dos povos nativos nos assombramos que os (as) escravos (as) aceitem passivamente tal condição.

Mas existem caminhos de recuperar o poder pessoal perdido e o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são caminhos que levam a esta meta. Portanto, quando vamos nos aproximar do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria, mesmo que só aqui, para ler sobre tais linhas, é importante compreender que nossa energia deve estar bem sintonizada, ampla, presente.

Do contrário a verdadeira informação será perdida e apenas uma compreensão linear e limitada, reduzida a interpretações medianas, será notada. Se espreguice, não leia apenas, ouse fazer, se espreguice total enquanto lê, abra a boca, boceje, alongue os dedos do pé, os dedos das mãos, alongue bem, inspire, expire e solta e relaxa, relaxa de uma vez.

Se pôs em prática o que leu acima vai notar que é bem diferente ler assim, fazendo, do que apenas o ler passivo. Volte 3 parágrafos acima e leia de novo, fazendo o exercício, vai notar que teu corpo vai estar bem mais "esperto" quando terminar de ler o parágrafo.

Tu lestes com o corpo quando fizestes o exercício. Esta leitura corporal é mais ampla que ler só com os olhos e decodificar as palavras.

Leia: "A mão mexe em algo." Isto é só um conto de poder. Faça: (sim, faça na real aí onde estás) Mexa algo aí, onde estás. Mexeu em algo? Causaste uma alteração real, efetiva na realidade a tua volta.

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são atos, portanto, só ler sobre eles é uma parte muito pequena para se fiar em algo. Temos que observar a nós mesmos, nos sentir em nossas próprias vidas para a partir de uma auto observação sincera e plena possamos ter elementos para realmente entender o que estamos nos referindo quando falamos de Magia , Xamanismo e Bruxaria.

Assim sendo um tema importante para esta semana seria que cada um(a) que está acompanhando esta série de artigos fizesse um exercício simples. Cada vez que falasse "Eu" notar e anotar.

Cada vez no dia , todo dia que disser "eu" anote. Tem vários jeitos. Tu podes colocar vários palitos de fósforo ou grãos de arroz num bolso da calça, cada vez que disser "eu" passe um palito ou grão para o outro bolso, no final do dia tente lembrar de cada momento que falou eu e confira se o número de lembranças é o mesmo de palitos ou grãos que usou para contar.

O ideal é que apenas se tire os palitos ou grãos do bolso depois de ter sido feita essa lembrança. É um exercício que ativa certos níveis de conexões internas que permitem um acessar de uma qualidade de energia mais sutil, a qualidade de energia que nos permite entender melhor que a "Intenção" desses (as) xamãs, magistas e bruxos (as) da ancestralidade ainda está viva e nós podemos nos conectar a esta linha de força.

Isto é uma informação que as linhagens xamânicas, mágicas e bruxas da Tradição têm em comum também, são caminhos com conexões profundas, cujas estruturas interiores estão em harmonia com o fluxo do próprio Tao, da Eternidade, do Intento.

O que diferencia uma linhagem tradicional efetiva nestes caminhos de uma falsa é a realidade da energia primordial que trazem em si. EM diferentes religiões dão diferentes nomes a isso, "Graça", "Baraka".

O que sei é que quando o caminho que se coloca como xamanismo, magia ou bruxaria tem mesmo essa energia viva, por transmissão direta, há uma conexão com um nível de poder muito mais amplo. Quando conectados (as) a uma linhagem assim cada tanto que trabalhamos em rumo nossa meta a própria presença da linhagem também trabalha em nós.

É sobre isso que falamos aqui. Não em definir Xamanismo, Bruxaria ou Magia de forma linear, em conceitos tirados do sistema que se esmera em negar tais abordagens da realidade.

O que trabalhamos aqui é para um mergulho de cada um, que por estas palavras aqui se sintoniza, com a realidade-vida que representam tais caminhos. E para perceber isso há uma pergunta que tens de responder ao guardião desse portal, pois só a resposta sincera poderá realmente lhe levar para o próximo momento deste encontro virtual. A questão é:

Qual a realidade da sua vida?

É uma pergunta dinâmica, que respondes dia a dia, instante a instante. A qualidade da tua resposta determina a qualidade da tua compreensão do que vem pela frente.

Um dos pontos que temos de rever quando vamos estudar com profundidade o que se esconde por trás dos conceitos de Xamanismo, Magia e Bruxaria é nosso próprio paradigma de historicidade.

Temos uma educação formal que nos alimentou com "verdades" prontas, que nos deu uma visão da história dentro de paradigmas que cada vez mais se prova não serem os verdadeiros, que representam apenas a força dominante dos vencedores, que constroem sua versão dos fatos e condenam os derrotados a desaparecerem da própria história, provocando-lhes não só a morte e a destruição enquanto seres vivos, mas também apagam toda informação sobre estes deserdados da história.

A civilizaçao que domina o mundo hoje, com seus valores impostos pelas bolsas de valores, com as corporações quais novos senhores feudais a determinar os valores sobre os quais devemos viver e com as religiões de massa, ao lado da mídia, numa luta para impor padrões quanto ao pensar e agir da humanidade, é resultado de um processo histórico complexo, onde conscientemente grupos diversos atuaram para não apenas vencer outros grupos, quer escravizando-os (em corpo ou alma , pela força das armas ou das religiões dogmáticas) quer matando grupos étnicos inteiros, seguindo da destruição de todos os dados culturais desses povos.

Temos uma espécie de neodarwinismo social que nos obriga a crer que esta civilização, pelo fato de ter alcançado um surpreendente desenvolvimento tecnológico é a mais desenvolvida, o pináculo de toda evolução social humana.

Estamos presos de tal forma a estes paradigmas que pouco percebemos como várias das obras que se referem a Magia, a Bruxaria e ao Xamanismo o fazem descaracterizando tais artes , tais tradições de seus contextos e tentando "explicar" ou "provar" que tais caminhos são "evoluídos", caindo na armadilha de usar os critérios do dominador como instrumento de avaliação, quando o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm seus próprios critérios cognitivos, são campos complexos em si mesmo.

Podemos fazer uma analogia com o que ocorre na acupuntura. Ela funciona e muito bem. Aí vem a ciência ocidental querendo explicar que tal nódulo nervoso, ativado pela agulha faz isso e aquilo, mas não é real nem necessária esta explicação, porque a acupuntura já foi explicada em seus próprios termos há milhares de anos, o estudo dos meridianos, da energia tal qual ela se manifesta em suas polaridades Yin e Yang, como sedar e ativar tudo isso já faz parte do corpo de conhecimento da acupuntura.

Da mesma forma a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria já tem suas próprias explicações do porquê funcionam, do porquê são reais, e toda tentativa de tentar limitar estes vastos campos com explicações limitadas oriundas de abordagens pseudocientíficas servirá apenas para criar confusão.

O positivismo, e a ciência que dele resultou, tinha uma abordagem tão presa ao senso comum, tão limitada, que era natural não conseguir sequer conceber a vastidão que existe por detrás dos conceitos de Magia, Xamanismo e Bruxaria.

Só agora com a Mecânica Quântica, com ramos sofisticados da psicologia e outras áreas de vanguarda da ciência se torna possível de novo estabelecer um diálogo entre estes campos .

Portanto, vamos compreender que a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria estão dentro de outro contexto cultural, são artes/ciências, oriundas de uma civilização ancestral que há milênios existiu, que depois caiu e a humanidade que restou regrediu a um estado de perda quase completa desse saber, mas tal saber ficou guardado em irmandades e grupos, depois durante a era na qual grupos foram tomando o poder no mundo, escravizando outros, tornando tudo e todos meras "coisas" a lhes servir, continuaram estas artes ciências protegidas em grupos e linhagens.

Podemos compreender aqui que as torturas da Inquisição nunca foram destinadas ao "arrependimento" dos "hereges" mas a tentativa de extrais desses iniciados e iniciadas algo de sua arte-ciência, com as migalhas extraídas nas câmaras de tortura, com fragmentos revelados por alguns foi se formando o que geraria as ciências e as universidades da modernidade.

Este é um lado desconhecido da "história das ciências" que poucos contam, o tanto do "saber" oficial que foi "arrancado" nas masmorras e câmaras de tortura, dos "hereges".

É fato conhecido que mesmo Newton, Galileu e outros tantos "pais" da ciência moderna tinham um ativo contato com o chamado "ocultismo", "hermetismo" e afins.

Assim sendo, para irmos ao estudo da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria não devemos nos deixar impregnar por pseudo-histórias, por abordagens equivocadas do que foi o nosso passado, mas temos mesmo de ousar procurar outra linha de história.

Existem aqueles que crêem em outra linha de história, e crêem não por concordância passiva, por mera aceitação, mas crêem porque foram levados (as) a presenciar por si as evidências desta outra linha.

Somos "sócios" de uma visão de mundo.

Estamos numa prisão perceptiva que em última estância é mantida porque aceitamos que seja assim, esse nosso incrível poder de dar realidade ao que cremos real é subestimado em nós. Somos a somatória de nossas crenças, nem sempre as que verbalizamos e as que fingimos adotar, somos a manifestação do que interiormente cremos.

A força de nossa crença é tremenda e não é a toa que grupos diversos brigam e tentam a todo tempo, estipular o que é real e o que não é real para a humanidade, sempre com o propósito subliminar de manter sua descrição de mundo dominando.

Esta outra história conta ter a humanidade atual surgido de uma fase após uma profunda queda. Sem pecados aqui, sem castigos ou leituras assim, uma queda causada por causas impessoais, todo nosso planeta entrou num "eclipse", numa sombra onde ficamos isolados de um tipo de energia que vem do centro da Galáxia, dos buracos negros duplos que giram tudo tragando, gerando a forma dessa galáxia espiral, na periferia da qual vivemos.

E neste eclipse, como num inverno, a energia favorecida no planeta ia gerar um tipo de gente ambiciosa, insegura, que teria de impor a todos seu modo de vida para se sentirem seguras. "Um só deus, um só senhor, uma só fé" e tudo que isto representa.

E a Bruxaria, a Magia e o Xamanismo passaram a ser perseguidos. Temidos, pois são caminhos de liberdade e quem pretende tornar o mundo um vasto curral de escravos, animais e humanos e deles todos fazer uso como coisas não aprecia que existam homens e mulheres que lhe são inacessíveis, que suas manipulações e mesmo o uso da sua pretensa força não pode atingir.

E as Eras de perseguição são cada vez mais intensas, o braço que se forma sobre o Império Romano, depois com a Igreja Romana é forte em destruir todos os sinais da antiga civilização planetária, de onde as diversas tribos sabiam um dia ter feito parte.

O sentido dessa civilização planetária não tem nada a ver com o de hoje. Hoje temos computadores e nos achamos o máximo porque podemos entrar em sintonia com outras pessoas, em diferentes tempos e espaços, como eu agora contigo nessa mensagem que escrevo numa tarde , na Serra e tu lerás alhures.

Mas toda nossa tecnologia é um simulacro, como um "ciborg" que amplia de certa forma nossas habilidades naturais, mas somos mais que isso. Nesta ancestral civilização planetária, a sintonia era em outras ondas. Cada corpo humano é por si mesmo um gerador e captador de ondas. Este treinamento continua hoje no Xamanismo, na Bruxaria e na Magia. Então usando uma fogueira, um espelho mágico, feito não só de vidro, mas de metais polidos diversos, (existe um espelho mágico que existe nas árvores, certas aberturas em sua casca externa), enfim, usando meios diversos entravam em plena sintonia com outras pessoas , de qualquer canto deste mundo e ainda de outros mundos.

A Internet não acessa outros mundos. Então para entendermos como viviam estes povos antes desse momento de queda que acontece, de desconexão, temos que usar muito nossa intuição, para evitar falsear a percepção com os preconceitos históricos que herdamos dos condicionamentos que nos impuseram. Foi uma queda que levou toda uma civilização planetária a se esfacelar, mas que mantem, apesar do trabalho violento dos grupos dominantes em ocultar todas as evidências, alguns sinais desta época anterior de amplo conhecimento.

As pirâmides no Egito (as três mais antigas e principais, no chamado vale dos Reis) a Esfinge, Angkor no Camboja, Menires, Dolmens e câmaras em Carnac, França, os grandes desenhos nas Ilhas Britânicas, ruínas encontradas no mar ao redor do Japão.

Tudo isso e mais lugares que nem se sabem existir, estão alinhados de tal forma que agora não apontam exatamente para nada significativo, fora o fato de estarem sempre marcando de alguma forma equinócios e solstícios.

Mas se levamos em consideração a "precessão dos equinócios", fenômeno astronômico que desloca o eixo da terra em relação a elíptica das estrelas a nossa volta, e fazemos os ajustes, estes marcos ancestrais todos se alinham com um esquema que inclusive os relaciona, quando monumentos de um canto da Terra estão se alinhando com suas constelações significativas os outros grupos estão também sincronicamente fazendo o mesmo.

São astro-arqueólogos que usam o conhecimento astronômico dos povos estudados para entender melhor a complexidade dessas ancestrais culturas, que cada vez mais percebemos, tinham uma cultura muito mais sofisticada que a atual tecnologia que nos domina, e que nos faz extensões biológicas das máquinas e ainda nos engana, negando-nos a magia que é a nossa realidade por simulacros estereotipados de vida e prazer.

E impõe a idéia que o "homem das cavernas" era algum bruto insosso, que foi evoluindo, passando por mutações até que surgem culturas como a Egípcia, a Chinesa, as tradições que construíram os "livros de pedra" nas terras hoje chamadas América Central.

E então surge a idéia que esta civilização dominante é a mais evoluída que aqui já existiu e que suas respostas ao desafio de estarmos vivos são as melhores já dadas. Ao invés de ensinarmos as novas gerações a buscarem respostas, a perguntarem com eficiência, acabamos nos limitando a condicioná-las a decorar respostas prontas, para passar nos pseudo testes que o mundo lhe dará, quando a verdadeira prova ficará esquecida. Assim as práticas da Bruxaria, do Xamanismo, da Magia são vistas como superstições pueris, de um tempo no qual as benesses da ciência ainda não havia esclarecido os seres humanos. E existem ramos que pretendem ser da árvore do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia mas operam com paradigmas que nos são completamente estranhos.

Como alguém que coisifica coisas e pessoas pode mesmo mergulhar em caminhos vivos, onde sentir a Vida é condição fundamental? É claro que esta informação é completamente equivocada e nada mais equivocado há que pseudo estudiosos de Magia, Xamanismo e Bruxaria quererem demonstrar que suas práticas são "cientificas" .

É a ciência contemporânea que tem de fazer muito esforço ainda para compreender a ancestral e ampla abordagem da realidade que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria realizam e não o contrário, assim como é o Avô que deve ter a paciência de compreender e falar na linguagem que seu neto entenda e não o contrário. A ciência contemporânea tem seu valor sim, tem seus méritos e quando não está a serviço de grupos de poder, de egos inflados de "catedráticos" que prezam mais sua posição na "comunidade acadêmica" que a verdade em si, quando não está a serviço de laboratórios farmacêuticos e similares, esta ciência, o método cientifico é um caminho inteligente e funcional de abordarmos a realidade em buscas de respostas efetivas para os grandes mistérios que nos envolvem.

Mas assim como existem cientistas de diversos graus de profundidade e geniliadade vamos encontrar magistas, xamãs e bruxos (as) de diversos naipes. Não podemos generalizar nestes campos, temos pessoas de diversas formas de ser e posturas que se aproximam da ciência, por analogia podemos entender o mesmo de pessoas que se aproximam de tais campos. O fruto é a artimanha da árvore, para que a semente permaneça e seja levada onde amplie .

Os mistérios da Semente, de seu tempo na Terra, de seu morrer para nascer de novo, o vencer da terra resistente e escura que se lhe apresenta após a primeira porta, passar pela noite escura e então também resistir ao ofuscante dia claro. Como planta completa aprender a crescer tanto em raízes como em caule e galhos, pois a copa só acariciará as nuvens quando as raízes se sentem firmes nos mundos mais profundos. Os ritos mágicos são, ainda hoje, a mesma representação destes mistérios , entre outros.

Pois o Caminho nos leva ao recolhimento da semente que se deixa ir enquanto semente para poder realizar seu Ser árvore e cada fase de nossa caminhada nesta trilha está nestes ritos traçada e simbolizada. Assim a atenta observação da natureza e seus fluxos marca todos os ritos ancestrais, quando ritualizar era reatualizar o mito, tornar-se o mito encarnado, por vivência ativa e não mera incorporação. O primeiro ponto a recuperar neste trabalho é a consciência que a Terra é a grande provedora e seus ciclos, em relação a si e aos astros e corpos celestes que nos circundam em suas elipses irregulares, são os momentos de trabalharmos com os fluxos por tais alinhamentos gerados.

Experimente sentir o poder da Terra pelos próximos dias, observe cada árvore, cada planta que aparece durante o dia, tens um lugar de terra que podes mexer? São perguntas interessantes, pois como lidar com a Magia , o Xamanismo e a Bruxaria sem um contato real e efetivo com a TERRA?

ando olhamos para o mundo a nossa volta notamos que ele tem um contexto, uma historicidade. Refiro-me ao mundo social, ao mundo tal qual vemos em nossas relações cotidianas. As pessoas em nossas vidas teceram eventos, conosco e em suas próprias esferas, que criam uma historicidade, um conjunto de fatores que nos ajuda a "localizar" pessoas e eventos na nossa percepção. É uma grande magia isso que fazemos, tecer eventos na vasta e emaranhada teia da existência e dar uma solução de continuidade a isso, criando o que chamamos de "realidade sensível".

É muito importante libertarmos nossa memória das falsas histórias e falseados mitos que nos impuseram. Tal liberdade não é atingida apenas pelo intelectual. Temos que usar MAGIA para podermos ir além, precisamos de ritos que reatualizem o mito que perdemos, nosso mito original, que foi oculto de nós pelo falso brilho da personalidade que em nós criaram. Não somos apenas o que fizeram de nós. Podemos ser quem faz algo com tudo o que herdou da realidade.

Somos entidades perceptivas, percebemos.

Aquilo que é percebido nos foi ensinado, a percepção em si não, mas a interpretação sim.

Temos o conceito de Pierce segundo o qual num primeiro instante temos a percepção plena do evento, sem o "enformamento" das palavras, do conceitual. Depois vamos conceituar, vamos significar. A secundidade, o momento no qual usamos os signos linguísticos para nos comunicarmos com nós mesmos, o diálogo interno que nos leva a compreender e sentir o mundo tal qual o fazemos, é também um limite.

Linguagem implica em código, algo que compara o que é sentido/percebido, com o conjunto de memórias já existentes. Assim os Caminhos profundos insistem, na memória, no já vivido, não há o novo, o novo só pode ser criado, na magia do instante presente.

Por isso a "iluminação", o "despertar", o "Satori" é sem palavras.

Na percepção primeira há só presença, na percepção interpretativa, vamos usar palavras para designar, aludir, apontar para o que desejamos expressar.

O diálogo interno de uma época possui matizes comuns, bandas de variação mensuráveis , entre os membros da mesma nação. Mas o mundo que estamos destruiu sistematicamente formas várias de ser de várias nações, nações nativas aos montes foram cruelmente mortas, escravizadas, ainda hoje com pastores e pregadores diversos as religiões que servem aos conquistadores continuam escravizando os povos nativos, em corpo e alma. Temos esse condicionamento como herança, por isso é tão importante a quem vai trilhar o Caminho da MAGIA, do XAMANISMO ou da BRUXARIA ter sua jornada pessoal de poder, onde encontra consigo mesmo, com suas fraquezas e forças e descobre-se um ente perceptivo livre de qualquer condicionamento, de qualquer rótulo que lhe queiram dar.

Em todos os caminhos temos que ter a coragem de morrer para o velho para renascermos de nós, por nós e para nossa meta. Quando um certo momento chega a gente vai rir um pouco se continuar a usar termos como " magista" "xamã" ou bruxo (a)" , mas vai entender o que está além das palavras, coisas que só com brilho do olhar, tom de voz, vento presente, respiração sincrônica se pode transmitir de verdade, no mais, como fazemos aqui, é só aludir, só apontar para algo que nos toca vindo da ETERNIDADE. Algo que a civilização de escravos (as) foi levada a esquecer mas nós nos lembramos e buscamos agir com o que lembramos e aprendemos.

Assim, MAGIA, XAMANISMO, BRUXARIA são caminhos de liberdade, que nos auxiliam a recuperarmos a nós mesmos. São caminhos de LIBERDADE, caminhos onde o PODER é acessível, mas não somos "donos(as)" desse poder, apenas acessíveis a Ele. Dado interessante: foram caminhos perseguidos e ainda hoje desmerecidos e injuriados, por que o sistema que cria escravos teme tanto tais caminhos?

São caminhos onde a realidade é outra, vasta como uma cebola de incontáveis camadas e tudo que chamamos de realidade, está apenas numa dessas camadas. São caminhos que redespertam em nós nosso poder interior e o brilho de nossos olhos quando estamos de fato vivos e não sobreviventes, sempre incomodou entre os que pactuam com a morte para ter poder sobre os vivos. Dividir para governar tem sido a meta destes conquistadores. Os povos nativos vêm sendo destruídos porque realizaram alianças equivocadas, líderes inescrupulosos e manipuladores, sequiosos de poder momentâneo levaram seus povos a minar a força dos vastos impérios como o Andino. Já Impérios, já a praga comportamental que se abateu sobre a humanidade em ação, Impérios gerando ódios que iriam enfraquecê-los quando mais precisavam ser fortes. E o ocaso do Mundo Ancestral veio e a longa noite começou. Mas a noite segue seu curso e há algo de alvorada no ar...

Hoje a espécie humana tem seu estilo de diálogo interno mexido pelo fenômeno da interação entre culturas diversas, via meios de comunicação para as massas ou ainda pela NET. Portanto avaliar a MAGIA, o XAMANISMO e a BRUXARIA a partir de nossa época é delicado, pois ainda estamos recuperando a amplitude perceptiva necessária para realmente entender os profundos caminhos que se escondem atrás de tão incompreendidos rótulos. Estes caminhos são mensagens secretas que sobrevivem apesar de toda a perseguição, são caminhos, elos com outros povos e mundos que ao contrário do que a falsa história conta não foram destruídos ou sumiram, mas apenas mudaram de mundo, estando noutra camada da cebola, nos mandando sinais constantes.

Mas tais sinais são deturpados pelos conquistadores e histórias despropositadas substituem a real origem de tais sinais. Nossos ancestrais não foram destruídos, partiram e nos acenam de outras ilhas de realidade entre o vasto Mar da Consciência. Os carcereiros tentam iludir, não é nada, é Vênus brilhando, é um balão meteorológico, estais louco, vamos te dar remédios para que voltes ao "normal", estas e outras formas são meios efetivos de impedir que percebamos a realidade, os sinais estão sendo mandados. Ficamos aqui, nascemos aqui, neste mundo onde nossos ancestrais foram escravizados, ambos, tanto o conquistador como os conquistados eram escravos do mesmo sistema que usa os conquistadores para estender seus domínios onde ainda se é livre. E da fusão do conquistador com o conquistado surgimos nós, aqui, híbridos, cheios de potencial, mas em grande parte ignorando tudo isso.

O positivismo e outras escolas que se declararam únicos caminhos para a compreensão efetiva da realidade, são resultantes da ERA Industrial e de uma abordagem supersticiosa da realidade. As limitações da ciência positivista ainda não foram completamente superadas, nem tão pouco os paradigmas de religiões, ainda dominantes, que foram desenvolvidas em suas formas atuais pelas elites governantes dos conquistadores e agora querem ter sua própria historicidade, vil, mascarada, pois em realidade sempre foram instrumentos da conquista. Mas então cerraremos fileiras com os ateus, os agnósticos, os que em nada crêem? Iremos estar com os cínicos que descrentes de tudo negam a própria felicidade para apenas com sarcasmo aplaudir a destruição do mundo deixando que a indolência lhe encha de intelectualizados argumentos para não agir? Somos meros acidentes cósmicos de algo sem nenhum sentido? Que é crer para nós? Confiar cegamente num pai/mãe psicológico que sane nossas carências e oculte de nós o fato de nossa solitude frente a incomensurável Eternidade que nos envolve, nós, efêmeras criaturas?

Os (as) Xamãs, Bruxos (as) e Magistas de todas as eras que nos antecederam foram sempre homens e mulheres que souberam se ligar a outra linhagem de conhecimento, tão sistêmica como a ciência, ampla como a filosofia, mística e profundamente artística. Tinham uma abordagem da REALIDADE bem distinta, mas totalmente pragmática e efetiva, isto é, seu conhecimento se traduzia em ATOS de PODER não apenas elocubrações teóricas. Tal Arte / Ciência tinha no ser humano seu instrumento de prospecção e avaliação de outras realidades perceptivas. Em tais caminhos é o ser humano que se amplia e se desenvolve para investigar outros mundos. Não com naves pretendemos ir a outros mundos, não queremos minerar outros mundos, queremos aprender mais. Assim XAMÃS, BRUXOS (AS) e MAGISTAS vão a outros mundos pela força de seus conhecimentos.

Conhecimento que faz parte da herança ancestral presente num caminho pleno. Conhecimentos que em câmaras de torturas a Inquisição quis roubar-nos. Foi com o que escorreu pelo vão dos dedos, ao terem os capturados que apertar com força a substância viva do conhecimento na mão que os protegia, que se construiu esta civilização industrial, que explora e subjuga a Natureza, nossa Mãe de fato, não de crença. Esta civilização que aí está é fruto de um conjunto de atitudes tomadas por todas as pessoas que dela fazem parte. Assim temos vários grupos lutando por terem o poder de dizer às pessoas como dever sentir e pensar o mundo. Este estado de heteronímia existencial é estimulado e facilitado de formas as mais diversas, basta notar como é o mundo hoje.

Heterônomo, ausente de si mesmo, fora de eixo, suicida. Sim suicida, pois o que é uma civilização que armazena formas de se destruir? Este tipo de condicionamento gera bons servos ao sistema, mas os critérios cognitivos, os paradigmas da MAGIA, do XAMANISMO e da BRUXARIA são muito distantes desses hoje usados. Não que sejam inexistentes, são apenas caminhos cheios de caprichos que mais prendem que libertam, usarem da denominação, desses rótulos. Existem pseudo caminhos de magia, de xamanismo e de bruxaria. Mas estamos falando aqui de MAGIA, de XAMANISMO e de BRUXARIA e em tais caminhos a conquista da autonomia existencial é necessária, é fundamental, pois quem viaja por muitos mundos deve estar sempre pronto a lidar com as mais inesperadas situações e é sua habilidade de reagir com tranqüilidade e foco em qualquer situação que permite ao (à) magista, ao (à) xamã e ao (à) Bruxo (a) serem realmente a expressão do caminho que trilham. E só somos unos com o caminho quando o expressamos pela força de nossos atos. A força de nossos atos é medida pela realidade de nossas vidas, pelo estado de nosso corpo, pela força de nossa mente, pelas emoções que temos a habilidade de harmonizar até que surja o pleno sentimento em nós.

A BRUXARIA, a MAGIA e o XAMANISMO são caminhos de essência, toda vez que alguém trilha pela personalidade, pelos valores mesquinhos e ausentes de significação efetiva da personalidade, cria confusões, para si e para outros. Temos um mundo confuso aí, a nossa volta, porque foi gerado numa luta de personalidades em busca do poder sobre outros, sobre todos. Grupos querendo subjugar grupos, dominar, ao invés de interagir criativamente. Nessa guerra de dominação grupos foram muito além de seus próprios limites naturais e se impuseram como império global e pouco a pouco estamos assistindo as nações nativas serem destruídas enquanto fonte de energia sonhadora para o mundo. O mundo é sustentando pelo sonho dos povos, se padronizarmos demais os sonhos do mundo ele se desintegrará por excesso de emanações da mesma banda. De certa forma esta civilização parece que se matará de tédio. Não podemos mais deixar que as civilizações imperialistas dominem nosso sonhar, dominem nossas visões.

Somos herdeiros dos povos nativos, é hora de recuperarmos as antigas visões, é hora de vivermos dentro de nosso modo de vida. Garanto-lhes que é possível. Basta coragem e foco e o caminho se revelará. Este é um desafio. Qual é sua VISÃO? Vive de acordo com seu Coração? Sua mente é sua auxiliar em investigar o mundo ou uma tirana que lhe impõe uma visão pronta da realidade? A qualidade das respostas a estas perguntas revela muito sobre tuas chances de entender de fato o que abordamos aqui. Pois se a MAGIA, o XAMANISMO e a BRUXARIA tem algo a ensinar é para seres inteiros ou que buscam de fato se tornarem plenos.

Aí temos o nosso próximo tema. Existem dois níveis de MAGIA, de XAMANISMO e de BRUXARIA. Num nível são caminhos para nos reintegrarmos a realidade mais ampla da existência, para nos recuperarmos desse estado robótico e sonambúlico que fomos postos. Um caminho de reencontro, um "religare". Depois que "acordamos", que morremos e nascemos de novo a vida continua, há todo um novo desafio agora, lidar com o mundo sem ser dele, não ser mais escravo mas não ser tolo de colar isso na testa e virar alvo dos neo-inquisidores, muito mais sutis e aparelhados, que continuam em ação. Então tem a MAGIA, A BRUXARIA e o XAMANISMO que te ensinam, conhecimentos mais sutis e profundos. A maior parte do material que existe publicado fala da primeira fase do trabalho de contato com estes caminhos.