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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 03/03)

O Onipotente Esplendor do Pai ordenou: - “Que a evolução dure tanto quanto um Meu respirar” – e no insondável seio dos abismos cósmicos, pela emanação de Sua Vontade, criaram-se as condições necessárias à execução da Sua Ordem.
Partindo do Infinito Centro Divino, em vibrações sempre mais vastas, que, irradiando de todos os lados e regiões, se ampliavam para atingir o término da expiração Paterna, o Movimento Criador estabeleceu as trajetórias que foram percorridas pelas esferas luminosas. A luz que fora o ornamento precioso tornou-se energia, encontrando-se em os núcleos que a massa gasosa envolvia.
Os invólucros desses núcleos evoluíram por milênios, ao longo das trajetórias infinitas, na preparação do que deveria ser o principio das futuras sedes das almas culpadas.
Depois, cada um, pela expressão da Potencia que não tem limites à Sua Fôrça, pelo equilíbrio da criação, explodiu, formando o universo.
Na lei que os movia, os compactos gasosos dos planetas e dos satélites começaram a evoluir em torno do núcleo central da massa energética, futuro sol de cada universo, uniformizando-se cada vez mais com a lei da transformação ... O alfa e o Omega da vida se haviam iniciado ...
Milênios transcorreram ...
Em cada centro energético solar, as almas que haviam pecado ficavam à espera de iniciar o Karma purificador.
As massas aeroforme girando nas trajetórias, sem descanso, condensaram-se. Os gases tornaram-se magma, esse solidificou-se, e sobre os planetas desceram, dos sóis, as primeiras almas culpadas ansiosas de iniciar a prática purificadora que, através das lutas e provas sem número, lhes daria a fôrça de remontar novamente à pureza absoluta e de realizar a ascensão à Suprema Chama Criadora.
Daquela roupagem, a princípio tão desejada e ora pungente de espinhos que as comprimia como uma capa opressiva de dores, fixaram ansiosas o olhar na longínqua infinidade do cosmos no constante desejo de desvelar o profundo mistério que os envolvia, e a razão da vida.
Enquanto assim se iniciava o Karma das almas culpadas, o príncipe da luz que deveria ser para sempre o seu guia e farol de toda beleza e de todo esplendor, tornou-se, ao contrário, exemplo de incitamento para o abismo. Pelo querer da Suprema Justiça Onipotente foi relegado ao reino das trevas. Tornava-se assim Lúcifer, o anjo decaído, o príncipe dos demônios, o eterno tentador, encaminhando às regiões inferiores e, porque havia atraído outros a segui-lo, devia ainda persistir na sua obra de tentador, fazendo mais árdua e dolorosa a volta ao Grande Fogo Criador dos que o haviam acompanhado.
Essa é a sua missão, a serviço do Querer Supremo e, para que pudesse desempenhá-la, foi-lhe negado tomar para si próprio aquela carne que tão tenazmente procurara.
Preso à cadeia da sua pena, na plena consciência do seu ser, ele vê a imensidade de seu erro e deseja ardentemente a Deus, enquanto a consciência do futuro lhe atormenta sem tréguas o espírito.
Milênios transcorreram ...
Quando, no ritmo aspirante do hálito imenso do Eterno, os universos voltaram a ser absorvido em feliz curso concêntrico em giros evolutivos de trajetórias de alegria, em direção ao almejado Centro Infinito, quando as ultimas almas tiverem atingido a luminosa e ansiada meta e a terra for um desolado deserto, somente então ele poderá finalmente iniciar a sua purificação, encarnando-se. A ultima mulher o conceberá, deixando-lhe como herança uma vida atormentada sem o dom do repouso que a morte concede a cada mortal.
Durante milênios ele assistira, impotente, à perda de tudo e de todos, à destruição da sua paixão, à desagregação, átomo por átomo, daquela matéria a princípio tão ardentemente desejada.
Errará no mundo vazio e desanimado, naquelas trevas tão almejadas, no silencioso albor espectral daquela obscuridade que violara. Na noite sem fim lhe farão companhia unicamente o eco de seu lamento atormentado por mil indizíveis torturas e o aguilhão implacável de sua insatisfeita sede de luz.
Milênios transcorrerão, e das chagas abertas da sua dor pelo exílio sem nome fluirá a água que cancelará a sua culpa.
No esplendor soberano de todos os esplendores, cujo fulgor inefável não pode ser concebido pela mente humana, na flamejante e deslumbrante claridade daquela Luz que é Sabedoria e Amor, Potência e Harmonia, Eterna Fonte de toda vida e de toda perfeição, junto à Infinita Majestade da Onipotência do Pai, foi elevada, em lugar do anjo decaído, a radiante fidelidade de Mickael que resplandece da Sua potência.
Êle teve a seu lado Gabriel, que se adorna do Seu amor, e Rafael que se ilumina da Sua Sabedoria.
Essa Divina Triade, conduzida pela majestosa força de Mickael, que, recebendo poderes da infinita energia da Causa de todas as causas, representa e retoma o eterno signo da vitória, pediu e obteve da Graça Suprema a permissão de proteger as almas perdidas, guiando-as no exaustivo caminho da ascensão.
E a missão da Divina Triade perdurará até que o infinito respirar do Pai haja terminado, quando todas as centelhas que um dia foram emanadas sejam novamente reabsorvidas na Sua Grande Luz.
Relegado Lúcifer àquele abismo que tanto havia procurado e que fora razão de sua queda, formara-se na Divina Triade um vácuo.
O equilíbrio supremo fora violado, mas a Harmonia Eterna o restabelecera com um novo inefável ato de amor.
O Paterno Centro Criador quis que, ao lado da Sua Augusta Potência, se acendesse a Eterna Luz do Infinito Amor do Filho para balancear a eterna Justiça do Espírito.
Da infinidade cósmica do Seu Querer emitiu outra centelha, e no vazio criado pela queda do anjo renegado surge triunfante o Filho de Deus.
Ao conhecimento que não bastara para salvaguardar a pureza da luz concedida às criaturas, mas que contribuíra para ofuscá-las, sucedia o incorruptível esplendor do Filho, Amor, novo farol aceso no caminho sem fim da eternidade. O primeiro havia, com o estímulo do desejo, levado a luz a confundir-se com as trevas. Êle, com o exemplo do sacrifício, reconduziria as criaturas das trevas à luz.
A suprema harmonia da Lei foi assim restabelecia.

Ergos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 02/03)

Luz lutava ainda consigo mesmo, presa frequentemente da lancinante dor do remorso, frente à amorosa efusão Paterna, vencido, muitas vezes, pelo desanimo, quando aflorando do incomensurável oceano da treva interdita, comparava a sua luz À imaculada, vitoriosamente esplendente e feliz nos sete graus da rosa angelical.
Mas a pungente solicitação da vaidade convidava-o sempre mais insistente e longamente ao proibido, que ocultava em si o veneno da orgulhosa revolta.
Milênios e milênios decorreram ...
Agora a única felicidade de Luz consistia em permanecer o mais possível nas trevas sem fim e aí considerar-se e admirar-se como centro infinito, irradiando fulgores admiráveis que desapareciam apenas quando voltava junto à Divina Chama.
Contudo – orgulho lhe sugeria – não era ele, porventura, emanação da Luz Criadora ? Não estava nele a própria potência criadora do Pai, que lhe havia confiado o governo de todas as suas criaturas ? E, se lhe fora concedido tanto poder, por que devia ser-lhe vedado o humilde e fugidio reino das trevas? A sombra que ora lhe fugia teria, reconhecida pela sua atividade criadora, participado de sua emanação luminosa.
Desejando que suas formas mentais, naquele plasma informe se condensassem e concretizassem, chamou a si a sombra.
Quis, e a sua vontade consubstanciou-se. Pode amalgamar-se e dissolver-se, segundo o seu desejo.
A ansiedade que o havia possuído, depois de haver manifestado a sua vontade e a expectativa não isenta de temor com que havia contemplado as primeiras realizações, cederam a uma quase prudente timidez que ele manifestava no consubstancializar-se em novas formas no plasma fugaz. Modelando os aspectos, que ficavam nas várias transformações cada vez mais apurados e completos, adquiriu pouco a pouco maior segurança de expressão e ele se quis sempre mais belo e admirável, em imagens a mais e mais perfeitas e magníficas.
Uma alegria louca o inebriava. Acreditava-se igual ao Único: também ele criava. A seu talante consubstanciavam-se, no dócil plasma etéreo da sombra, figuras de graça fascinante.
Pelo seu querer, nasciam as inúmeras variedades dos aspectos e das formas, o mutável mundo dos fenômenos: criaturas de beleza radiante; paisagens encantadas; flores de fragrâncias mil e das mais variadas cores; todo o ilimitado e inimaginável mundo da fantasia criadora.
Então surgiu o pensamento da revolta: “ÊLE, da luz não criou senão a luz; eu da obscuridade informe, criei o reino da beleza. Eu sou igual a ÊLE; eu sou mais do que ÊLE”.
O pensamento da revolta brotara, e Luz se condenara.
Atraídas pela nova experiência, arrastadas ou envolvidas pelo mesmo desejo de consubstancializar-se, muitas das centelhas divinas, partes da essência resplandente da sétupla rosa que estavam sob a custódia de Luz, imitaram-no.
Esquecidas de que a infinita felicidade eterna consistia sòmente em aspirar à mais alta perfeição e pureza do espírito, buscavam agora àquele plasma material que cada vez mais as aprisionava na sua ânsia.
E elas não adoravam mais a Suprema Causa Criadora, a Onipotência Paterna, Deus, mas volveram a sua culposa atenção para adorar a si mesmas.
E esse foi o início da queda ...
O olho de Deus, o Onividente para quem a própria imensidade do espaço não tem mistérios, viu a Sua Luz, difundida em Suas Criaturas, ofuscadas cada vez mais pelo véu opaco de desejos sempre crescentes.
A Sua Onisciência não podia escapar a causa; sabia que a Lei Suprema fora violada, mas, havendo deixado a cada uma de Suas Criaturas o livre arbítrio, esperou que a culpa não aumentasse.
Mas, também então, a Graça Paterna não quis aniquilar aquêle que o seu Fogo Criador, num ímpeto de amor, tinha gerado, e, na constante efusão amorosa com as Suas criaturas, não permitiu que outras luzes se precipitassem nas trevas.
Ordenou, por isso, às centelhas que haviam caído no erro que se afastassem da luz: “Que o vosso desejo se torne a Minha ordem” – foi a suprema determinação, e na treva a que tolamente se tinham dirigido fez residir o princípio material das centelhas culpadas.
Impôs que, desde então, a matéria não fosse a companheira voluptuosa de um capricho, mas o fardo doloroso que sobre elas pesaria, em uma sucessão ininterruptamente expiadoras de vidas, através das quais se conseguiriam purificar e redimir.
Só aprisionando-as no cárcere cego da carne, na limitação angustiosa das imperfeições da matéria, de suas faltas e traições, poderiam iniciar a devida expiação. Somente pelas aflições e angustias da instabilidade da jornada humana, do amargo e doloroso pranto que dela emana, atingirão o batismo salutar que pode permitir entrever, da prisão terrena, a primeira esperança de luz.
Por milênios e milênios, através do mortificante filtro das paixões, na angustia desse continuo morrer de cada instante, que é companheiro inseparável da criatura humana, no perene retorno da vida, superando vitoriosamente obstáculos cada vez mais árduos e difíceis, dominando a sedução corruptível existente na própria cadeia mordente, conquistando nessa vitória o caráter real da sua origem, elas, centelhas divinas que haviam pecado, deveriam reencontrar a força e a pureza para remontar à Fonte puríssima e eterna de todo o bem.
E na adamantina claridade, que já as havia feito brilhantes na inefável harmonia, tornariam a resplender de felicidade imortal no seio do Criador.
É esta a Lei do Karma da matéria, que naquele momento, teve o seu início. Por ela nasceram os universos, os sóis, os planetas, as terras, os homens.
 
Continua

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 01/03)

Do nada Deus criou a Vida.
Da vida nós criamos a fé.
ÊLE nos deu o céu e a terra, os abismos insondáveis
dos mares, o ardor do Sol, o sopro do eterno
existir, o oceano infinito das sombras, o gérmen do
princípio na infinita multiplicação de Si mesmo.
Fez-nos a dádiva da morte no Todo imortal da
Sua Muda Vontade
Fomos chama, depois nos tornamos forma para
ser espírito da divina eternidade.
Das essências das trevas surgimos na luz do
Absoluto, no hálito imortal da eterna realidade,
ansiosos de alcançar o Fogo Vivente de Deus.

Não existe o primeiro pensamento porque o Pensamento de todos os pensamentos, a Mente Suprema, sempre existiu. Não existe a primeira causa e não há a última porque a Causa Suprema sempre foi e sempre será.
O nada não existe porque o nada se transforma no todo e tem início no todo.
O todo não existe, porque é materializado do nada e tem início no nada.
Não existe matéria, não existe o nada, não existe o todo; existe apenas a Mente Criadora Suprema, o Espírito Infinito, o Ser, o Ente, Deus.
Passado, presente, futuro – distinções de uma medida humana; o tempo. Para o Eterno, subsiste apenas o incomensurável, o infinito e eterno presente, a eternidade, que os homens podem esforçar-se para conceber como uma perene sucessão de passados e de futuros.
Passados que vivem no eterno pensamento de Deus sempre presente; futuros que representam o respirar da Infinita Lei, surgindo, instante por instante, no teu fugacíssimo presente.
Quem pode, realmente, conceber, detê-lo, mantê-lo, por um só instante, seja embora fugitivo? Apenas o tens percebido, ele, já na sombra, é presa do passado; se o esperares na passagem da tua mente, enquanto ele ficar envolto nas névoas imperscrutáveis do incógnito amanhã é futuro; mas apenas o fluir do eterno movimento erga o véu e os teus lábios, trêmulos de expectativa, estejam por pronunciar a palavra do presente: é; ele não é mais; já foi.
Assim, quem pode conceber o infinito? Contudo, o finito não existe. Experimenta levantar uma barreira que limite um espaço até a extremidade mais remota que a mente possa perceber, até o último confim possível à tua imaginação. Ergue aquela barreira e encerra todo o espaço concebível: além dele, sentirás palpitar ainda outro espaço como um insondável e misterioso mar que se perderá na infinidade eterna do Cosmos.
Existe apenas o infinito, e no espaço infinito vibra o Centro Infinito de Vida.
No fulgor mais intenso de Sua deslumbrante pureza resplendia o Fogo Incriado, Divino Criador. E a Sua chama, em um ímpeto de amor, emitiu centelhas, estrelas substanciadas pela Sua Luz, que envolveram de triunfante apoteose a Sua Glória.
O amor do Pai era esplendor que se irradiava até a última de Suas criaturas, e essas, aspectos luminosos do palpitar Daquela Luz, vibravam na Harmonia Infinita, elevando gemas de incomparável pureza até ao Supremo Centro do Bem.
E tudo era puro, no tempo dos tempos, até mesmo as trevas infinitas, que com seu aveludado manto recobriam o mistério dos abismos siderais, porque também eram parte do Infinito Corpo de Deus e nenhuma culpa havia tido princípio.
Iniciou-se, assim, a adorante rota das refulgentes e translúcidas esferas dos bem-aventurados.
Em cada uma, inúmeras essências angélicas flamejavam de amor pela Graça Perfeita que as tinham gerado, em uma pulsação a cujo confronto a mais ardente paixão humana é apenas um imperceptível arrepio de frio.
A onipotência do Pai fez surgir duas Fôrças, que acima das outras participavam de Seu incomparável fulgor: LUZ e MICKAEL.
E o Pai, Luz e Mickael refulgiam, irradiando bem-aventurança às centelhas que os adoravam.
À Luz, entregou o Pai o governo das esferas angélicas.
A Mickael confiou a missão do Seu serviço direto, além da de Chefe dos Arcanjos e de coadjutor da obra de Luz.
Sete, com Mickael, eram os Arcanjos que se regozijavam na adoração ante o resplendente trono de Deus: Gabriel, Rafael, Anael, Azaziel, Azaquiel, Uriel.
Na pureza incontaminada de sua essência, partícipes da infinita luz, as legiões angélicas, na celeste rosa, felizes de existirem, cantavam hosanas ao Criador, fitos na contemplação do indizível esplendor da Mente Suprema.
Na sua missão, Luz perpassando entre as refulgentes gemas da rosa angélica, recolhia as humildes preces, o puro perfume das essências espirituais, trescalantes da absoluta devoção, da alegria perfeita que emanava do seu adorante amor, e os elevava aos pés do fulgurante trono do Pai.
Certa vez, porém, no esplendor de seus voos, Luz retardou por um instante o seu rápido perpassar de esfera em esfera, como se a sombra longínqua, apenas acenada e fugaz, de um desejo, o atraísse repentinamente ao abismo que circundava o luminoso Centro Infinito.
Puríssima essência, emanada da Excelsa Chama Divina, participe daquela Infinita Potência em ação, superior a toda expressão quando assumia os aspectos peculiares ao Absoluto e ao Eterno, nada, fora do Imaculado Esplendor Criador, devia atraí-lo. Todavia, imperceptível, quase inadvertidamente, o reverente temor que o arrastava aos confins misteriosos do nada diminuía, superado por um desejo cada vez mais premente e ansioso que maculava o esplendor original.
A escuridão eterna daquele abismo, insondável mesmo à sua potência, atraia-o irresistívelmente.
Milênios, como anéis desenlaçando-se em uma cadeia sem fim, como pausas ritmadas de um eterno fluir, sucederam-se a milênios, como o bater uniforme da onda que no eterno movimento se afasta e retorna com a voz e essência imutáveis.
Por um tempo longuíssimo lutou Luz contra a ânsia de mergulhar naquela treva abismal, onde sentia vibrar o infinito mistério de Deus, até que o mórbido fascínio da curiosidade o venceu, impelindo-o a transpor a zona resplendente e a profanar aquele espaço que o Pai lhe havia proibido.
Esquecido da alegria indizível da amorosa fusão na infinidade da Graça Geradora que, no Seu ardor, acalma toda ânsia e sacia todo desejo, penetrou no cobiçado mistério.
O sentimento de apreensão que experimentou, transpondo o vedado limite insondável fê-lo deter-se, apesar do aguilhão da curiosidade, ante a imensidade de sua audácia.
Às suas costas, o e4splendor amoroso da Chama Paterna e a felicidade, na harmonia de luzes e de cores, dos bem-aventurados vibravam na distância. Êle estava só no tenebroso silencio; só na escuridão profunda que à sua frente lhe fugia, quase temerosa de ser violada pela sua luz.
Mas a consciência de seu esplendor, que parecia crescer à medida que avançava, tornava-o orgulhoso e o encorajava.
Naquelas trevas ele resplandecia, como nunca, de inusitado clarão e as sombras fugidias que, ao alcance de suas emanações resplandecentes, se retraiam quase inclinando-se humildes e convidativas, ofereciam ao seu orgulho nascente maior incentivo para desenvolver-se.
Esquivo e convidativo, o infinito reino da sombra, desconhecido e proibido, estava à sua frente quase na expectativa de um Fiat novo e maravilhoso; e ele sentiu-se, na treva, como transmudado em um centro luminoso.
Assim, o orgulho apossou-se dele e o inebriava como o eflúvio de um aroma proibido e perturbador.
Sua luz refulgia vitoriosa no reino da treva infinita: “ por que não poderia parar para reinar e dominar” ? E ao orgulho se juntava, insidiosa, a soberba, incitando-o à revolta contra a proibição de superar o limite interdito. Mas esse estimulo doloroso tinha o poder de sacudi-lo, e ele ressurgia das trevas à pureza incontaminada e feliz do Fulgor Paterno, angustiado e taciturno.
Milênios e milênios decorreram ...

continua.