A marca mais característica da Umbanda, uma religião surgida no Brasil no final do século XIX e início do século XX, é a manifestação de entidades espirituais, por meio da mediunidade de incorporação. Os primeiros espíritos a "baixar" nos terreiros de Umbanda foram aqueles conhecidos como Caboclos e Pretos-velhos, a seguir surgiram outras formas de apresentação como as Crianças, conhecidas, variadamente, como Erês, Cosme e Damião, Dois-dois, Candengos, Ibejis ou Yori. Essas três formas, Crianças, Caboclos e Pretos-velhos, podem ser consideradas as principais porque resumem vários símbolos: representam, por exemplo, as raças formadoras do povo brasileiro - indígenas, negros e brancos europeus - e também representam as três fases da vida - a criança, o adulto e o velho - mostrando a dialética da existência. Além disso, trazem valores arquetipais de Pureza e Alegria na Criança; Simplicidade e Fortaleza no Caboclo e a Sabedoria e Humildade dos Pretos-velhos, mostrando o caminho para a evolução espiritual dos sentimentos, do corpo físico e da mente. Com a expansão da Umbanda, muitas entidades apareceram, como os Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e outras, sem falar de Exu, outro grande ícone umbandista.
Essa diversidade confirma a abrangência desse movimento espiritual que chama a todos e recebe seres encarnados e desencarnados, com vibrações de fraternidade e amizade sob a luz de Oxalá. Caboclos são espíritos de humanos que já viveram encarnados no plano físico e são, portanto, nossos ancestrais, e se relacionam com os espíritos da natureza, recebendo nomes de animais, plantas ou outros elementos naturais, e aproximando esse fato ao Orixá Oxossi, que em África é cultuado como Odé, o caçador, o Senhor das Florestas, conhecedor dos segredos das matas e dos animais que lá vivem, diz-se que os Caboclos que baixam na Umbanda são espíritos ligados a Oxossi. Muitos entendem que somente esses são caboclos e que as entidades da vibração de Ogum, Xangô, Yemanjá e Oxalá não seriam, propriamente, caboclos. No entanto, há caboclos da praia, do mar e das ondas, das pedreiras, das cachoeiras, dos rios etc., cujos elementos se associam mais aos outros Orixás que a Oxossi. Aqui estamos entendendo os Caboclos de maneira mais ampla, como símbolo de fortaleza, do vigor da fase adulta, existindo caboclos de Oxossi, Xangô, Ogum etc.
Caboclos de Oxossi: Caboclo Sete Flechas, Caboclo Folha Seca, Caboclo Pena Vermelha, Cacique das Matas, Caboclo Cobra-coral, Cabocla Jurema, Cabocla Jacyra, Caboclo Ventania, Caboclo Caçador,Arruda, Aimoré, Arapuí, Boiadeiro, Caçador, Flecheiro, Folha Verde, Guarani, Japiassú, Javarí, Paraguassu, Mata Virgem, Pena Azul, Pena Branca, Pena Verde, Pena Dourada, Rei da Mata, Rompe Folha, Serra Azul, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Ubá, Sete Encruzilhadas, Junco Verde, Tapuia, etc.
. Para citar alguns da linha de Oxalá, que dificilmente baixam, temos Caboclo Ubiratan, Caboclo Girassol, Caboclo Ipojucan, Caboclo Guaracy e Caboclo Tupi. Esses caboclos, normalmente, vêm fazendo cruzamento vibratório com outros orixás, especialmente com Oxossi.
Para quem vivência o terreiro, que há anos luta as batalhas espirituais e já viu os caboclos vencendo as demandas dos filhos-de-fé, afastando entidades negativas, tratando doenças que a medicina muitas vezes não resolve e dando lições de simplicidade, humildade, coragem e persistência, ouvir ou mesmo lembrar esses pontos cantados, traz uma sensação de alegria que enche o coração, renova o ânimo e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Melhor do que qualquer leitura sobre caboclo é vê-lo incorporado atendendo quem precisa.
Oi Saravá Meu Pai Oxóssi auê auâ!
Oi Macutara de Maleme!
Oi que bamba o crime é de Maracambi!
Okê Caboclos!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Limpeza Xamânica
Limpeza Xamânica
A limpeza xamânica divide-se em quatro etapas:
- Preparação
- Purificação
- Consagração
- Preservação
Preparação:
Você deve ter uma intenção clara, um propósito:
- Qual o seu objetivo geral?
- Quais as suas intenções específicas?
- Qual o seu propósito?
Após defini-los, escreva e confirme seus objetivos.
Exemplo:
1. Intenção geral: casa próspera e tranqüila.
2. Intenção especifica: harmonia nas relações familiares; prosperidade para os moradores; outras intenções dos demais moradores ou cômodos da casa.
3. Propósito: prosperidade e harmonia constante.
Purificação:
Maneira de desbloquear e energizar os pontos do aposento onde a energia estagnou. A energia estagnada está nos cantos da casa e onde há a doenças, pensamentos negativos e emanações de objetos não adequados ao local.
Dica: Comece por instrumentos mais potentes e depois use os mais refinados à medida que for limpando. Faça a limpeza sempre no sentido anti-horário.
1. Solicite assistência e orações de seus Guias, do Grande Espírito, dos Deuses. Imagine um tubo de luz branco envolvendo todo seu ser e protegendo-o.
2. Antes de limpar, deixe que o ambiente transmita sua mensagem.
3. Na entrada da casa, mentalize o objetivo e ao entrar fique no centro do cômodo e mentalmente diga a intenção e irradie pelo ambiente.
4. Respire profundamente. Sinta a energia fluindo entre suas mãos.
5. Circule no aposento iniciando pelo Norte (pelo costume celta começamos por este quadrante) com o pêndulo na mão esquerda verifique a energia e, com a mão direita, limpe o local com um sino, chocalho, pena, incenso, sálvia, água... Use as correlações com os quatro elementos.
6. Continue circulando e à medida que a energia se torna mais leve, utilize os instrumentos mais refinados. Dê bastante atenção aos nichos, armários e cantos. Quando o cômodo estiver limpo você perceberá as cores mais brilhantes, sons mais claros, respiração fácil e sensação de leveza.
7. Ao final da limpeza, sacuda o corpo, respire fundo e com tempo diminua o ritmo dos movimentos ate parar e fique aberta a energia que circula no seu corpo.
Consagração:
Invocação da energia para dentro da casa. Podem ser usados os mesmo instrumentos mais com objetivos diferentes.
1. Invoque os elementais para trazerem a energia do propósito ao local. Seja específico ao tipo de energia que deseja.
2. Expanda a aura. Para casa toda, invoque o objetivo geral e para cada cômodo, os objetivos específicos. Mantenha todas as portas e janelas abertas. Utilize os instrumentos no sentido horário percorrendo toda a casa, abençoando.
3. Ao terminar faça uma oração de agradecimento.
Preservação:
Para manter e assegurar os campos de energia invocados os protetores e energizadores do lar:
1. Cristais: drusas, quartzo fume, turmalina negra, ametista para proteção do ambiente.
2. Totens: use o seu animal de poder como protetor do ambiente.
3. Preces: as preces ou mantras sutilizam a freqüência do ambiente, aumentando o padrão energético.
4. Objetos sagrados: objetos religiosos e outros que você considera sagrado podem estar espalhado em alguns pontos da casa.
5. Objetos feitos à mão: artesanatos feitos por pessoas com boa energia e consagrados.
6. Objetos naturais: objetos que representam os elementos como: conchas, pedras, plantas etc.
7. Lembre-se de imantar e consagrar os objetos com a energia do seu propósito.
Preparação física e espiritual para a limpeza:
- Dia anterior à limpeza:
Decida os métodos que utilizará.
Faça uma faxina geral na casa.
- Noite anterior:
Opte por uma comida leve ou jejum
Prepare os utensílios que vai usar defumando-os ou expondo-os ao Sol.
Purifique também as roupas que vai usar.
Antes de dormir, peça ao Grande Espírito, que o prepare em seus sonhos para atuar na limpeza.
- No dia da limpeza:
(ao nascer do sol, início da manhã)
Medite pedindo auxílio aos seus guias pessoais.
Visualize cada cômodo limpo e purificado, a cerimônia concluída e a casa radiante e luminosa.
Tome banho de ervas.
Vista uma roupa adequada e fique descalça.
Estique cada parte do corpo, deixando que a energia circule.
Beba um copo de água energizada.
Limpezas rápidas:
Ar: 1 sino grande e 1 incenso.
Água: Água energizada com cristal: turmalina negra, quartzo fume, olho de tigre, ônix
Fogo: 1 vela
Terra: Sal grosso
Procedimento: Acenda a vela com uma prece, espalhe o sal pelo chão, use o sino no sentido anti-horário. Termine borrifando a água no sentido horário.
Estimulando e invocando energia:
Ar: Penas, tambor, chocalho.
Água: Água da fonte ou energizada para espargir.
Fogo: Incenso de sálvia
Terra: Sal grosso
Procedimento: Coloque sal em cada canto com uma prece e defume a sálvia com a pena, no sentido anti-horário. Toque o tambor, chocalho ou sino e borrife a água no sentido horário.
Criando um templo de luz e proteção:
Ar: uma pena
Água: água lunarizada da lua cheia.
Fogo: velas brancas
Terra: 4 cristais brancos
Procedimento: Acenda a vela, limpe o espaço com a pena (no sentido anti-horário) coloque os cristais nos 4 cômodos da casa para criar uma pirâmide etérea. Borrife com a água da lua cheia.
Limpeza sem acessórios:
Faça uma faxina. Abra portas e janelas. Tire fotos e pinturas tristes. Livre-se de objetos que não usa mais, plantas mortas e objetos quebrados. Acenda uma vela, use incenso e ande pela casa no sentido anti-horário, se preferir use a mão para fazer a limpeza. Jogue sal nos cantos (anti-horário). Coloque uma música tranqüila e depois no sentido horário borrife um aroma ou perfume suave pela casa. Coloque flores frescas. Encerre fazendo uma prece e visualizando toda a casa iluminada.
Periodicidade da limpeza:
Toda a casa: 1 a 2 vezes por ano no mínimo. Preferencialmente duas semanas antes do solstício da primavera. Limpeza leve: 1 vez por mês, quando desejar mudar algo na sua vida, depois de uma doença ou sofrimento, depois de hóspede difícil ou experiência negativa no ambiente ou caso sinta-se sempre cansado e esgotado.
Acessórios de apoio:
- Pêndulo.
Penas de águia, gavião, arara.
Sálvia para defumar.
- Incenso de lavanda.
Sal grosso, Carvão, Alho.
Água do mar, água da fonte, água de rosas, água de flor de laranjeira.
Tintura de ervas.
- Aromatizador de ambiente especifico.
Chocalho, Tambor, Sinos.
Bambu, Cristais, Velas.
Ervas como: sálvia, arruda, manjericão e louro.
Adaptação do livro:
Espaço Sagrado de Denise Linn
A limpeza xamânica divide-se em quatro etapas:
- Preparação
- Purificação
- Consagração
- Preservação
Preparação:
Você deve ter uma intenção clara, um propósito:
- Qual o seu objetivo geral?
- Quais as suas intenções específicas?
- Qual o seu propósito?
Após defini-los, escreva e confirme seus objetivos.
Exemplo:
1. Intenção geral: casa próspera e tranqüila.
2. Intenção especifica: harmonia nas relações familiares; prosperidade para os moradores; outras intenções dos demais moradores ou cômodos da casa.
3. Propósito: prosperidade e harmonia constante.
Purificação:
Maneira de desbloquear e energizar os pontos do aposento onde a energia estagnou. A energia estagnada está nos cantos da casa e onde há a doenças, pensamentos negativos e emanações de objetos não adequados ao local.
Dica: Comece por instrumentos mais potentes e depois use os mais refinados à medida que for limpando. Faça a limpeza sempre no sentido anti-horário.
1. Solicite assistência e orações de seus Guias, do Grande Espírito, dos Deuses. Imagine um tubo de luz branco envolvendo todo seu ser e protegendo-o.
2. Antes de limpar, deixe que o ambiente transmita sua mensagem.
3. Na entrada da casa, mentalize o objetivo e ao entrar fique no centro do cômodo e mentalmente diga a intenção e irradie pelo ambiente.
4. Respire profundamente. Sinta a energia fluindo entre suas mãos.
5. Circule no aposento iniciando pelo Norte (pelo costume celta começamos por este quadrante) com o pêndulo na mão esquerda verifique a energia e, com a mão direita, limpe o local com um sino, chocalho, pena, incenso, sálvia, água... Use as correlações com os quatro elementos.
6. Continue circulando e à medida que a energia se torna mais leve, utilize os instrumentos mais refinados. Dê bastante atenção aos nichos, armários e cantos. Quando o cômodo estiver limpo você perceberá as cores mais brilhantes, sons mais claros, respiração fácil e sensação de leveza.
7. Ao final da limpeza, sacuda o corpo, respire fundo e com tempo diminua o ritmo dos movimentos ate parar e fique aberta a energia que circula no seu corpo.
Consagração:
Invocação da energia para dentro da casa. Podem ser usados os mesmo instrumentos mais com objetivos diferentes.
1. Invoque os elementais para trazerem a energia do propósito ao local. Seja específico ao tipo de energia que deseja.
2. Expanda a aura. Para casa toda, invoque o objetivo geral e para cada cômodo, os objetivos específicos. Mantenha todas as portas e janelas abertas. Utilize os instrumentos no sentido horário percorrendo toda a casa, abençoando.
3. Ao terminar faça uma oração de agradecimento.
Preservação:
Para manter e assegurar os campos de energia invocados os protetores e energizadores do lar:
1. Cristais: drusas, quartzo fume, turmalina negra, ametista para proteção do ambiente.
2. Totens: use o seu animal de poder como protetor do ambiente.
3. Preces: as preces ou mantras sutilizam a freqüência do ambiente, aumentando o padrão energético.
4. Objetos sagrados: objetos religiosos e outros que você considera sagrado podem estar espalhado em alguns pontos da casa.
5. Objetos feitos à mão: artesanatos feitos por pessoas com boa energia e consagrados.
6. Objetos naturais: objetos que representam os elementos como: conchas, pedras, plantas etc.
7. Lembre-se de imantar e consagrar os objetos com a energia do seu propósito.
Preparação física e espiritual para a limpeza:
- Dia anterior à limpeza:
Decida os métodos que utilizará.
Faça uma faxina geral na casa.
- Noite anterior:
Opte por uma comida leve ou jejum
Prepare os utensílios que vai usar defumando-os ou expondo-os ao Sol.
Purifique também as roupas que vai usar.
Antes de dormir, peça ao Grande Espírito, que o prepare em seus sonhos para atuar na limpeza.
- No dia da limpeza:
(ao nascer do sol, início da manhã)
Medite pedindo auxílio aos seus guias pessoais.
Visualize cada cômodo limpo e purificado, a cerimônia concluída e a casa radiante e luminosa.
Tome banho de ervas.
Vista uma roupa adequada e fique descalça.
Estique cada parte do corpo, deixando que a energia circule.
Beba um copo de água energizada.
Limpezas rápidas:
Ar: 1 sino grande e 1 incenso.
Água: Água energizada com cristal: turmalina negra, quartzo fume, olho de tigre, ônix
Fogo: 1 vela
Terra: Sal grosso
Procedimento: Acenda a vela com uma prece, espalhe o sal pelo chão, use o sino no sentido anti-horário. Termine borrifando a água no sentido horário.
Estimulando e invocando energia:
Ar: Penas, tambor, chocalho.
Água: Água da fonte ou energizada para espargir.
Fogo: Incenso de sálvia
Terra: Sal grosso
Procedimento: Coloque sal em cada canto com uma prece e defume a sálvia com a pena, no sentido anti-horário. Toque o tambor, chocalho ou sino e borrife a água no sentido horário.
Criando um templo de luz e proteção:
Ar: uma pena
Água: água lunarizada da lua cheia.
Fogo: velas brancas
Terra: 4 cristais brancos
Procedimento: Acenda a vela, limpe o espaço com a pena (no sentido anti-horário) coloque os cristais nos 4 cômodos da casa para criar uma pirâmide etérea. Borrife com a água da lua cheia.
Limpeza sem acessórios:
Faça uma faxina. Abra portas e janelas. Tire fotos e pinturas tristes. Livre-se de objetos que não usa mais, plantas mortas e objetos quebrados. Acenda uma vela, use incenso e ande pela casa no sentido anti-horário, se preferir use a mão para fazer a limpeza. Jogue sal nos cantos (anti-horário). Coloque uma música tranqüila e depois no sentido horário borrife um aroma ou perfume suave pela casa. Coloque flores frescas. Encerre fazendo uma prece e visualizando toda a casa iluminada.
Periodicidade da limpeza:
Toda a casa: 1 a 2 vezes por ano no mínimo. Preferencialmente duas semanas antes do solstício da primavera. Limpeza leve: 1 vez por mês, quando desejar mudar algo na sua vida, depois de uma doença ou sofrimento, depois de hóspede difícil ou experiência negativa no ambiente ou caso sinta-se sempre cansado e esgotado.
Acessórios de apoio:
- Pêndulo.
Penas de águia, gavião, arara.
Sálvia para defumar.
- Incenso de lavanda.
Sal grosso, Carvão, Alho.
Água do mar, água da fonte, água de rosas, água de flor de laranjeira.
Tintura de ervas.
- Aromatizador de ambiente especifico.
Chocalho, Tambor, Sinos.
Bambu, Cristais, Velas.
Ervas como: sálvia, arruda, manjericão e louro.
Adaptação do livro:
Espaço Sagrado de Denise Linn
sábado, 16 de maio de 2009
Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte V)
Em primeiro lugar notando que para tais caminhos a abordagem da realidade é diferente da que temos como "comum" ou "real". Falamos muito de energia, mas raramente encaramos o mundo como energia.
Para tais caminhos, nós somos energia, tudo que nos cerca é energia. Lidar com a gente mesmo e com a realidade como energia é um treino, pois não fomos acostumados a isso, embora muito se fale "somos energia" precisamos de trabalho com nossa percepção para tornar isso verdade.
Há outro detalhe, somos seres vivos, cercados de vida. Assim a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria propõem outra relação conosco mesmo e com o meio a nossa volta.
Precisamos começar nos observando mais, observando nossa energia em relação ao meio onde estamos. O que me equilibra, o que me desequilibra , o que me energiza, o que me desenergiza, temos de estar atentos a isto.
Onde nos alimentamos?
Isso é importante, não basta o alimento ser saudável, higienicamente preparado, como é a energia de quem faz o alimento?
Já imaginou uma pessoa frustrada, brava, com raiva preparando a comida, que tipo de energia vai ser impregnada no alimento?
Um truque é antes de comermos, respirarmos profundamente, encher os pulmões de ar, energizar esse ar dentro de nós, visualizando muita luz e soprar o alimento, discretamente, ao soprar mentalizar que toda energia desequilibrada tá sendo desmagnetizada e uma energia harmônica se estabelecendo (cuidado ao soprar a farofa!).
Como nos portamos pelo dia afora, sensíveis, presentes, atuantes ou ligamos o piloto automático e deixamos o dia passar ?
Dentro destes caminhos há a proposta de vivermos de forma mais real, mais presente, entender que tudo que temos é o aqui e agora, o passado já foi e o futuro não aconteceu ainda, assim é muito importante o foco no aqui e agora, pois como diz o I Ching: "Todo pensamento que transcende o momento faz sofrer o coração".
Como está nossa casa?
Para o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria a nossa Casa é um ser vivo, uma caverna onde moramos, uma caverna que tem uma energia que precisa ser cuidada, pois bem cuidada, a casa cuida da gente também. As cores que usamos nos ambientes, os objetos, a disposição dos móveis, tudo isto está ali por "acaso" ou fizemos uma decoração da casa através de uma sensibilidade efetiva?
Existe energia estagnada em nossa casa? Em nosso quarto?
Aparelhos como TV e outros no quarto de dormir geram energia deletérias, é sempre interessante, na hora de dormir, desligar tudo, tirando a tomada da parede mesmo, para evitar que fiquem gerando uma radiação, mínima que seja, que prejudica o descanso perfeito. Celular então nem se fala, nunca se deve dormir com um celular ligado por perto, o campo de energia que ele gera perturba completamente o descanso real do corpo.
É muito importante garantir que a energia da casa, especialmente do quarto de dormir, esteja harmônica. Existem muitos meios de checar isso, a radiestesia por exemplo, tem instrumental para checarmos se a energia em nossa casa está fluindo ou estagnada, se estiver estagnada precisamos trabalhar para colocá-la em fluxo de novo.
Plantas e pedras. Como estão presentes em nossa casa? Em que lugar? Foram imantadas com o propósito de energizar o lar ou apenas colocadas ali?
Nossa atmosfera psíquica?
Temos uma atmosfera psíquica, um campo de energia ao nosso redor que determina muito a qualidade de nossa vida.
Quem vive sempre reclamando, assistindo só filmes e programas pesados, violentos, quem só fala de coisas desequilibradas e só se expõe a ambientes desequilibrados vai gerar uma atmosfera psíquica nada interessante, que vai acabar atraindo eventos existenciais também nada interessantes.
Como vamos ao trabalho? Todo dia pelo mesmo lugar, andamos sempre pelos mesmos caminhos? Nunca inovamos? Criamos "trilhas" de energia que acabam se desgastando, inventar novos caminhos é sempre útil para ampliar nossa energia.
Prestamos atenção nas pessoas com as quais convivemos? Existem pessoas que são vampiros inconscientes de energia e agem de várias formas.
Tem o (a) Vampiro (a) coitadinho (a) , vai sempre te contar algo triste, se fazer de vítima, para que ao se condoer, tu te identifiques e abra suas comportas de energia, que será então sugada de canudinho. Há o vampiro que age criando situações que te irritam profundamente, quer com vc quer com alguém, então, na hora que tu te identificas, sua energia é drenada.
Existem os que agem sempre contando coisas negativas, são os arautos da desgraça, só param para te contar coisas desequilibradas, na hora que tu te identificas a energia é sugada. O segredo com estes (as) vampiros é não lhes dar atenção, cortar o assunto, se imaginar numa bolha de energia que lhe isola dessa pessoa, basicamente é não se identificar.
Estes são alguns pontos simples e práticos que podemos checar para melhorar nossa qualidade de vida.
Para tais caminhos, nós somos energia, tudo que nos cerca é energia. Lidar com a gente mesmo e com a realidade como energia é um treino, pois não fomos acostumados a isso, embora muito se fale "somos energia" precisamos de trabalho com nossa percepção para tornar isso verdade.
Há outro detalhe, somos seres vivos, cercados de vida. Assim a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria propõem outra relação conosco mesmo e com o meio a nossa volta.
Precisamos começar nos observando mais, observando nossa energia em relação ao meio onde estamos. O que me equilibra, o que me desequilibra , o que me energiza, o que me desenergiza, temos de estar atentos a isto.
Onde nos alimentamos?
Isso é importante, não basta o alimento ser saudável, higienicamente preparado, como é a energia de quem faz o alimento?
Já imaginou uma pessoa frustrada, brava, com raiva preparando a comida, que tipo de energia vai ser impregnada no alimento?
Um truque é antes de comermos, respirarmos profundamente, encher os pulmões de ar, energizar esse ar dentro de nós, visualizando muita luz e soprar o alimento, discretamente, ao soprar mentalizar que toda energia desequilibrada tá sendo desmagnetizada e uma energia harmônica se estabelecendo (cuidado ao soprar a farofa!).
Como nos portamos pelo dia afora, sensíveis, presentes, atuantes ou ligamos o piloto automático e deixamos o dia passar ?
Dentro destes caminhos há a proposta de vivermos de forma mais real, mais presente, entender que tudo que temos é o aqui e agora, o passado já foi e o futuro não aconteceu ainda, assim é muito importante o foco no aqui e agora, pois como diz o I Ching: "Todo pensamento que transcende o momento faz sofrer o coração".
Como está nossa casa?
Para o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria a nossa Casa é um ser vivo, uma caverna onde moramos, uma caverna que tem uma energia que precisa ser cuidada, pois bem cuidada, a casa cuida da gente também. As cores que usamos nos ambientes, os objetos, a disposição dos móveis, tudo isto está ali por "acaso" ou fizemos uma decoração da casa através de uma sensibilidade efetiva?
Existe energia estagnada em nossa casa? Em nosso quarto?
Aparelhos como TV e outros no quarto de dormir geram energia deletérias, é sempre interessante, na hora de dormir, desligar tudo, tirando a tomada da parede mesmo, para evitar que fiquem gerando uma radiação, mínima que seja, que prejudica o descanso perfeito. Celular então nem se fala, nunca se deve dormir com um celular ligado por perto, o campo de energia que ele gera perturba completamente o descanso real do corpo.
É muito importante garantir que a energia da casa, especialmente do quarto de dormir, esteja harmônica. Existem muitos meios de checar isso, a radiestesia por exemplo, tem instrumental para checarmos se a energia em nossa casa está fluindo ou estagnada, se estiver estagnada precisamos trabalhar para colocá-la em fluxo de novo.
Plantas e pedras. Como estão presentes em nossa casa? Em que lugar? Foram imantadas com o propósito de energizar o lar ou apenas colocadas ali?
Nossa atmosfera psíquica?
Temos uma atmosfera psíquica, um campo de energia ao nosso redor que determina muito a qualidade de nossa vida.
Quem vive sempre reclamando, assistindo só filmes e programas pesados, violentos, quem só fala de coisas desequilibradas e só se expõe a ambientes desequilibrados vai gerar uma atmosfera psíquica nada interessante, que vai acabar atraindo eventos existenciais também nada interessantes.
Como vamos ao trabalho? Todo dia pelo mesmo lugar, andamos sempre pelos mesmos caminhos? Nunca inovamos? Criamos "trilhas" de energia que acabam se desgastando, inventar novos caminhos é sempre útil para ampliar nossa energia.
Prestamos atenção nas pessoas com as quais convivemos? Existem pessoas que são vampiros inconscientes de energia e agem de várias formas.
Tem o (a) Vampiro (a) coitadinho (a) , vai sempre te contar algo triste, se fazer de vítima, para que ao se condoer, tu te identifiques e abra suas comportas de energia, que será então sugada de canudinho. Há o vampiro que age criando situações que te irritam profundamente, quer com vc quer com alguém, então, na hora que tu te identificas, sua energia é drenada.
Existem os que agem sempre contando coisas negativas, são os arautos da desgraça, só param para te contar coisas desequilibradas, na hora que tu te identificas a energia é sugada. O segredo com estes (as) vampiros é não lhes dar atenção, cortar o assunto, se imaginar numa bolha de energia que lhe isola dessa pessoa, basicamente é não se identificar.
Estes são alguns pontos simples e práticos que podemos checar para melhorar nossa qualidade de vida.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte IV)
Comentei em artigo anterior que o conceito de Divindade para o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia Telúrica que estamos estudando aqui é completamente diferente do conceito comum que se tem da divindade, mesmo nos ramos tidos por esotéricos. Para nós, a Existência, emana da inexistência, emana, não "é criada", mas emana o que implica em toda uma abordagem fenomenológica distinta daquela que vem de um "deus criador" .
Se tudo emana, emanamos também e temos assim elos profundos com tudo mais que foi emanado, outra abordagem, ao invés de criaturas diversas, seccionadas e a parte, somos uma teia de eventos inter-relacionados.
Para nós xamãs, bruxos e magistas telúricos somos todos (as) parte da ETernidade, não "criaturas", e sendo partes somos igualmente misteriosos, complexos e assim da formiga à estrela, somos todos (as) complexidades existenciais distintas. Dessa forma toda vida passa ser sagrada, toda manifestação da vida é sagrada e o fato da atual civilização dominante ter rompido esse pacto com a vida, com a criação de uma civilização dominadora, belicista, degradadora do meio é um alerta que algo vai muito errado com a humanidade, que pode estar em perigosa rota de extinção planetária.
Para nós, nestes caminhos, a vida e a consciência são mistérios supremos e impregnam várias estâncias da realidade que nos circundam.
Não há vida "superior" ou vida " inferior" há "VIDA" , tão pouco consideramos o ser humano mais consciente que os animais, são diferentes , mas não superiores ou inferiores, lógico que para os paradigmas dominantes isso não é aceito, o próprio esoterismo do senso comum vai contra isso colocando que a "pedra evolui em planta, a planta em animal e o animal em humano". Negamos isso aqui, cada momento da vida e da consciência é completo em si.
Hoje se começa a questionar esses conceitos neo-darwinistas de evolução que o esoterismo do senso comum se impregnou no século XIX principalmente, (pois no século XX pouca coisa nova foi gerada neste campo, muito se copiou, mas poucos geraram pelo menos consultas a fontes mais sólidas).
Principalmente o espiritismo e a teosofia usaram muito desses paradigmas, dessa "evolução espiritual" pela linha do tempo, mas isto hoje é questionado até mesmo em termos de física quântica quando vamos perceber que são ilusórias as idéias de passado e futuro que temos, fruto do senso comum e não fatos experimentais.
O xamanismo, a magia e a bruxaria telúrica enquanto caminhos nunca entraram por estas veredas, mantiveram sempre uma abordagem bem própria da realidade, que agora, com novos instrumentais cognitivos, começam a fazer sentido mesmo para quem não é iniciado nestes campos.
Tais elaborações racionais muito específicas tem seu apelo, é verdade, mas isso parece ter tanto valor porque manifestamos tais elaborações neste contexto alienante e alienado que chamamos de realidade, um estado de ser artificial e convencionado.
O ser humano se arroga direitos que ninguém lhe deu. Para os (as) xamãs, bruxos (as) e magistas a realidade é composta da somatória de suas partes, assim cada ente vivo neste planeta e no universo como um todo tem seu papel.
Discutir superioridades de papéis é como declarar que células de um órgão são mais importantes que de outros.
Cada ser vivo enquanto espécie está seguindo complexo caminho existencial, onde representa um papel que só quem é "irmanado" a tais linhagens pode mesmo entender que não é racionalizar, mas sentir.
Quando os golfinhos mergulham e ficam longo tempo desaparecidos da vista humana, quando as baleias entram em seu transe com seus mântricos cantos, sabemos mesmo o que estão fazendo?
Que tessituras de poder estão tecendo?
Que mundos visitam?
Nos tempos ancestrais as manadas de elefantes caminhavam em longas jornadas para ir acompanhar os seus anciões na última viagem, viagem até o lugar onde estes mágicos e poderosos seres haviam, por gerações, escolhido morrer.
Os famosos cemitérios de elefantes, lugares sagrados, onde o poder de gerações desses seres esteve contido, de repente se determinou que tais lugares deveriam ser explorados, porque quem, em juízo e lucidez, vai dar valor a histórias bobas de nativos supersticiosos que grandes desequilíbrios viriam ao mundo se tais lugares fossem profanados?
Todo povo ancestral tinha áreas que declarava: "não é área para humanos". Montanhas, cavernas, locais em deserto ou florestas, áreas sagradas onde a presença humana não devia ocorrer.
Quem respeita isso hoje?
Lidar com Xamanismo, Magia e Bruxaria é muito mais complexo que brincar com alguns símbolos, algumas vestimentas, decorar meia dúzia de termos em alguma língua antiga , induzir transe por alguma prática repetitiva e chamar o agito da luz astral, o deslocamento superficial da consciência de "transe".
Tais Artes vem de um tempo em que a forma de existir e ser era outra e assim tudo era diferente.
Implica em reconectar outra abordagem da realidade, muito, muito distante da hoje dominante.
É preciso uma profunda abertura de nossa percepção para irmos além dos limites conceituais nos quais esta civilização nos prende e realmente mergulharmos nos paradigmas oriundos de uma civilização onde ser humano, plantas, animais e entes de outras esferas viviam em contato íntimo entre si.
Dando seqüência a nossa abordagem desses temas hoje vamos falar sobre como estes caminhos abordam a VIDA. Sempre lembrando que os termos Magia, Xamanismo e Bruxaria são vastos e tem muitas linhagens que os usam, estamos falando aqui de um tipo específico de Magia, Xamanismo e Bruxaria. Para estes caminhos que estamos estudando, a Vida é sagrada, assim não existe aqui a idéia que o "corpo" é "prisão" do espírito, muito menos que este mundo é um mundo de "provação" , com isto fica também fora o tema do "pecado", da "culpa".
Viver é sagrado, estar vivo é sacro, cada momento é divino, assim não temos um plano "espiritual", "superior", e um plano "carnal", "material", "inferior", para nós estas são divisões falsas que falseiam o que tocam.
Vivemos numa vastidão de muitas dimensões, como uma cebola, vivemos numa realidade de muitas camadas, mas cada camada tem suas próprias características, assim não temos "planos superiores" e "planos inferiores", temos planos de realidade, temos energia.
Para tais caminhos a Vida é uma aventura incrível, misteriosa, a ser celebrada a cada instante, tudo que está a nossa volta é prá ser usufruído, com equilíbrio, com bom senso, com o foco que tudo é VIDA e não coisas, assim sendo a postura perante a Vida e a Existência da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria é completamente diferente de grande parte dos esoterismos (esquisoterismos) que estão por aí e que pregam a "superação" desse mundo, que tem por meta ir para algum plano "espiritual".
A forma de sentir e estar no mundo do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia já foi a forma das pessoas em geral, quando a vida era celebrada, quando cada lugar da natureza era vivo e sagrado, as montanhas, os rios, as cachoeiras, os animais, mas este modo de ser uno(a) com o mundo foi se perdendo, primeiro pelas religiões que criaram deuses fora desta realidade, deuses fora da natureza, acima dela, desconectados dela, deuses julgadores, deuses aos quais se implora, aos quais se suborna através de seus sacerdotes.
A revolução industrial que terminou de "coisificar" tudo e todos, dentro de uma perspectiva da Bruxaria, da Magia e do Xamanismo nunca teria ocorrido como ocorreu, levando o mundo a esse caos ecológico no qual estamos.
Isto é muito interessante de abordar, a "ciência" resultante da Bruxaria , da Magia e do Xamanismo é uma ciência branda, ecológica e ao mesmo tempo com possibilidades muito mais amplas que a ciência pesada, agressiva e coisificadora que a civilização industrial desenvolveu.
A Ciência oficial criou o mito que ela é a única forma de investigar a realidade. Ledo engano, sempre existiram outros caminhos.
Precisamos lembrar que a alquimia não é a avó caduca da química, a astrologia não é a tia avó esquizofrênica da Astronomia.
São "ciências mãe", abordagens complexas e completas da natureza a partir de outros pontos de validação, de outras realidades perceptivas.
Os astrônomos ficam insistindo que a "gravidade" de tal ou qual planeta não apresenta efeitos significativos para isso ou aquilo, mas quem tá falando de gravidade?
A ciência oficial tem essa arrogância, quer limitar tudo aos seus paradigmas, como tenta fazer com a acupuntura. O fato da acupuntura funcionar leva cientistas a elaborarem teorias das mais forçadas, quando não precisa nada disso, a acupuntura já tem suas explicações, geradas há milhares de anos.
A Astrologia tem outra leitura, está lendo outro nível de energia que os planetas emanam, que resultam em efeitos reais, embora o instrumental da astronomia não possa captar tais energias.
A Alquimia foi muito deturpada, especialmente pela idéia do ouro, que muitos ocultistas, como São Germano , Cagliostro e outros fizeram veicular para justificar o soldo em ouro que recebiam como agentes de coroas e governos para espionar outros. Quem estuda alquimia sabe que o Ferro é o elemento chave e que o tal "gerar ouro" é quando muito um simbolismo para o trabalho interior, não que não seja possível gerar ouro, não é isto, mas esta não é a meta da Alquimia. Isto deturpou a alquimia que é complexa ciência mãe, só agora com a quântica a mente civilizada se encontra em condições de "começar" a compreender tal complexa ciência.
Portanto as tradições dos povos têm sua abordagem e seu valor e não são "antepassadas pueris" que agora foram explicadas e superadas pela "evoluída" ciência contemporânea.
Temos que prestar bastante atenção nisso, existem ramos do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que realmente emanam da aurora dos tempos, que têm sido transmitidos de boca para ouvido e aí estão, como tradições vivas que podem nos auxiliar no desafio da Vida, do estar vivo e do descobrir a nós mesmos.
Mas existem ramos da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria que foram "adaptados" por pessoas que fizeram leituras superficiais do tema, que não foram de fato iniciadas, que apenas se aproximaram do tema, imitaram a forma sem entender o conteúdo. Há ramos da Magia, Xamanismo e Bruxaria que se pretendem ancestrais mas pela sintaxe das colocações, pela forma que o conhecimento é apresentado a gente logo vê que é uma leitura de pessoas desta época de coisas que "ouviram" ou "pegaram pedaços".
Por isso estudar tais campos é compreender que são Caminhos e existe uma diferença entre estudar um caminho e trilhar um caminho. Trilhar um caminho é ser cada vez mais uno com ele, por isso a Magia, a Bruxaria, o Xamanismo provocam mudanças profundas, pois nos tornam outras pessoas, nos dão acesso a outras realidades.
Se tudo emana, emanamos também e temos assim elos profundos com tudo mais que foi emanado, outra abordagem, ao invés de criaturas diversas, seccionadas e a parte, somos uma teia de eventos inter-relacionados.
Para nós xamãs, bruxos e magistas telúricos somos todos (as) parte da ETernidade, não "criaturas", e sendo partes somos igualmente misteriosos, complexos e assim da formiga à estrela, somos todos (as) complexidades existenciais distintas. Dessa forma toda vida passa ser sagrada, toda manifestação da vida é sagrada e o fato da atual civilização dominante ter rompido esse pacto com a vida, com a criação de uma civilização dominadora, belicista, degradadora do meio é um alerta que algo vai muito errado com a humanidade, que pode estar em perigosa rota de extinção planetária.
Para nós, nestes caminhos, a vida e a consciência são mistérios supremos e impregnam várias estâncias da realidade que nos circundam.
Não há vida "superior" ou vida " inferior" há "VIDA" , tão pouco consideramos o ser humano mais consciente que os animais, são diferentes , mas não superiores ou inferiores, lógico que para os paradigmas dominantes isso não é aceito, o próprio esoterismo do senso comum vai contra isso colocando que a "pedra evolui em planta, a planta em animal e o animal em humano". Negamos isso aqui, cada momento da vida e da consciência é completo em si.
Hoje se começa a questionar esses conceitos neo-darwinistas de evolução que o esoterismo do senso comum se impregnou no século XIX principalmente, (pois no século XX pouca coisa nova foi gerada neste campo, muito se copiou, mas poucos geraram pelo menos consultas a fontes mais sólidas).
Principalmente o espiritismo e a teosofia usaram muito desses paradigmas, dessa "evolução espiritual" pela linha do tempo, mas isto hoje é questionado até mesmo em termos de física quântica quando vamos perceber que são ilusórias as idéias de passado e futuro que temos, fruto do senso comum e não fatos experimentais.
O xamanismo, a magia e a bruxaria telúrica enquanto caminhos nunca entraram por estas veredas, mantiveram sempre uma abordagem bem própria da realidade, que agora, com novos instrumentais cognitivos, começam a fazer sentido mesmo para quem não é iniciado nestes campos.
Tais elaborações racionais muito específicas tem seu apelo, é verdade, mas isso parece ter tanto valor porque manifestamos tais elaborações neste contexto alienante e alienado que chamamos de realidade, um estado de ser artificial e convencionado.
O ser humano se arroga direitos que ninguém lhe deu. Para os (as) xamãs, bruxos (as) e magistas a realidade é composta da somatória de suas partes, assim cada ente vivo neste planeta e no universo como um todo tem seu papel.
Discutir superioridades de papéis é como declarar que células de um órgão são mais importantes que de outros.
Cada ser vivo enquanto espécie está seguindo complexo caminho existencial, onde representa um papel que só quem é "irmanado" a tais linhagens pode mesmo entender que não é racionalizar, mas sentir.
Quando os golfinhos mergulham e ficam longo tempo desaparecidos da vista humana, quando as baleias entram em seu transe com seus mântricos cantos, sabemos mesmo o que estão fazendo?
Que tessituras de poder estão tecendo?
Que mundos visitam?
Nos tempos ancestrais as manadas de elefantes caminhavam em longas jornadas para ir acompanhar os seus anciões na última viagem, viagem até o lugar onde estes mágicos e poderosos seres haviam, por gerações, escolhido morrer.
Os famosos cemitérios de elefantes, lugares sagrados, onde o poder de gerações desses seres esteve contido, de repente se determinou que tais lugares deveriam ser explorados, porque quem, em juízo e lucidez, vai dar valor a histórias bobas de nativos supersticiosos que grandes desequilíbrios viriam ao mundo se tais lugares fossem profanados?
Todo povo ancestral tinha áreas que declarava: "não é área para humanos". Montanhas, cavernas, locais em deserto ou florestas, áreas sagradas onde a presença humana não devia ocorrer.
Quem respeita isso hoje?
Lidar com Xamanismo, Magia e Bruxaria é muito mais complexo que brincar com alguns símbolos, algumas vestimentas, decorar meia dúzia de termos em alguma língua antiga , induzir transe por alguma prática repetitiva e chamar o agito da luz astral, o deslocamento superficial da consciência de "transe".
Tais Artes vem de um tempo em que a forma de existir e ser era outra e assim tudo era diferente.
Implica em reconectar outra abordagem da realidade, muito, muito distante da hoje dominante.
É preciso uma profunda abertura de nossa percepção para irmos além dos limites conceituais nos quais esta civilização nos prende e realmente mergulharmos nos paradigmas oriundos de uma civilização onde ser humano, plantas, animais e entes de outras esferas viviam em contato íntimo entre si.
Dando seqüência a nossa abordagem desses temas hoje vamos falar sobre como estes caminhos abordam a VIDA. Sempre lembrando que os termos Magia, Xamanismo e Bruxaria são vastos e tem muitas linhagens que os usam, estamos falando aqui de um tipo específico de Magia, Xamanismo e Bruxaria. Para estes caminhos que estamos estudando, a Vida é sagrada, assim não existe aqui a idéia que o "corpo" é "prisão" do espírito, muito menos que este mundo é um mundo de "provação" , com isto fica também fora o tema do "pecado", da "culpa".
Viver é sagrado, estar vivo é sacro, cada momento é divino, assim não temos um plano "espiritual", "superior", e um plano "carnal", "material", "inferior", para nós estas são divisões falsas que falseiam o que tocam.
Vivemos numa vastidão de muitas dimensões, como uma cebola, vivemos numa realidade de muitas camadas, mas cada camada tem suas próprias características, assim não temos "planos superiores" e "planos inferiores", temos planos de realidade, temos energia.
Para tais caminhos a Vida é uma aventura incrível, misteriosa, a ser celebrada a cada instante, tudo que está a nossa volta é prá ser usufruído, com equilíbrio, com bom senso, com o foco que tudo é VIDA e não coisas, assim sendo a postura perante a Vida e a Existência da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria é completamente diferente de grande parte dos esoterismos (esquisoterismos) que estão por aí e que pregam a "superação" desse mundo, que tem por meta ir para algum plano "espiritual".
A forma de sentir e estar no mundo do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia já foi a forma das pessoas em geral, quando a vida era celebrada, quando cada lugar da natureza era vivo e sagrado, as montanhas, os rios, as cachoeiras, os animais, mas este modo de ser uno(a) com o mundo foi se perdendo, primeiro pelas religiões que criaram deuses fora desta realidade, deuses fora da natureza, acima dela, desconectados dela, deuses julgadores, deuses aos quais se implora, aos quais se suborna através de seus sacerdotes.
A revolução industrial que terminou de "coisificar" tudo e todos, dentro de uma perspectiva da Bruxaria, da Magia e do Xamanismo nunca teria ocorrido como ocorreu, levando o mundo a esse caos ecológico no qual estamos.
Isto é muito interessante de abordar, a "ciência" resultante da Bruxaria , da Magia e do Xamanismo é uma ciência branda, ecológica e ao mesmo tempo com possibilidades muito mais amplas que a ciência pesada, agressiva e coisificadora que a civilização industrial desenvolveu.
A Ciência oficial criou o mito que ela é a única forma de investigar a realidade. Ledo engano, sempre existiram outros caminhos.
Precisamos lembrar que a alquimia não é a avó caduca da química, a astrologia não é a tia avó esquizofrênica da Astronomia.
São "ciências mãe", abordagens complexas e completas da natureza a partir de outros pontos de validação, de outras realidades perceptivas.
Os astrônomos ficam insistindo que a "gravidade" de tal ou qual planeta não apresenta efeitos significativos para isso ou aquilo, mas quem tá falando de gravidade?
A ciência oficial tem essa arrogância, quer limitar tudo aos seus paradigmas, como tenta fazer com a acupuntura. O fato da acupuntura funcionar leva cientistas a elaborarem teorias das mais forçadas, quando não precisa nada disso, a acupuntura já tem suas explicações, geradas há milhares de anos.
A Astrologia tem outra leitura, está lendo outro nível de energia que os planetas emanam, que resultam em efeitos reais, embora o instrumental da astronomia não possa captar tais energias.
A Alquimia foi muito deturpada, especialmente pela idéia do ouro, que muitos ocultistas, como São Germano , Cagliostro e outros fizeram veicular para justificar o soldo em ouro que recebiam como agentes de coroas e governos para espionar outros. Quem estuda alquimia sabe que o Ferro é o elemento chave e que o tal "gerar ouro" é quando muito um simbolismo para o trabalho interior, não que não seja possível gerar ouro, não é isto, mas esta não é a meta da Alquimia. Isto deturpou a alquimia que é complexa ciência mãe, só agora com a quântica a mente civilizada se encontra em condições de "começar" a compreender tal complexa ciência.
Portanto as tradições dos povos têm sua abordagem e seu valor e não são "antepassadas pueris" que agora foram explicadas e superadas pela "evoluída" ciência contemporânea.
Temos que prestar bastante atenção nisso, existem ramos do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que realmente emanam da aurora dos tempos, que têm sido transmitidos de boca para ouvido e aí estão, como tradições vivas que podem nos auxiliar no desafio da Vida, do estar vivo e do descobrir a nós mesmos.
Mas existem ramos da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria que foram "adaptados" por pessoas que fizeram leituras superficiais do tema, que não foram de fato iniciadas, que apenas se aproximaram do tema, imitaram a forma sem entender o conteúdo. Há ramos da Magia, Xamanismo e Bruxaria que se pretendem ancestrais mas pela sintaxe das colocações, pela forma que o conhecimento é apresentado a gente logo vê que é uma leitura de pessoas desta época de coisas que "ouviram" ou "pegaram pedaços".
Por isso estudar tais campos é compreender que são Caminhos e existe uma diferença entre estudar um caminho e trilhar um caminho. Trilhar um caminho é ser cada vez mais uno com ele, por isso a Magia, a Bruxaria, o Xamanismo provocam mudanças profundas, pois nos tornam outras pessoas, nos dão acesso a outras realidades.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte III)
O conceito de Divindade.
É muito importante, a meu ver, percebermos como o conceito que temos de divindade interfere muito na forma de sentirmos e percebermos o mundo.
Recebemos uma educação religiosa vinda do meio onde fomos criados, isso acontece numa fase bem imatura da percepção. Na maior parte das vezes aprendemos a identificar conceitos complexos como inicio, criadores, poderes primordiais com projeções de nossas carências e medos.
Na maior parte de nós os conceitos religiosos vieram de nossos pais e a igreja a qual estavam ligados. Mas esses conceitos têm uma historicidade, foram gerados por situações diversas, por grupos que em sua luta pelo poder não tiveram receio de alterar e deturpar conhecimentos, desde que continuassem no poder.
Estes dados são importantes para melhor compreendermos o deus único, que é tido como evolução quando os uga-uga primitivos deixaram de ser politeístas e evoluíram para o nível monoteísta. Será real isso? Os povos ancestrais sentiam a divindade em tudo, suas várias faces, na chuva, no vento, no trovão, na Terra que dá o alimento, no Sol, na Lua, era o um manifesto no múltiplo.
É muito importante compreender isso, pelos meus estudos e contatos com tradições nativas tenho notado que o saber ancestral se manifesta em matrizes com muitas dimensões, então podemos ter um povo que tem um conhecimento em comparação com o nosso, menos sofisticado em alguns aspectos, como os Maias que não usaram as rodas, mas que em outros níveis podem extrapolar muitos de nossos limites, como os já citados Maias e sua matemática com nove dimensões , seus calendários exatos e tudo mais.
Assim o conceito de divindade nos povos ancestrais era bem amplo e variado, não podemos limitar o pouco que sabemos das crenças de algumas partes da população como o todo da forma de lidar com tais realidades, por parte desses povos. O cidadão simples, o comerciante, o homem e a mulher do povo egípcio com certeza tinham uma concepção da divindade bem diferente dos sacerdotes e sacerdotisas dos templos e das escolas iniciáticas que ali existiam.
Da mesma forma entre todos os povos vamos ter o exoterismo religioso, as crenças e cultos de domínio público e o esoterismo, reservado a quem fosse iniciado nos mistérios. Os povos ancestrais lidavam com as várias faces da ETernidade, em suas multiplas manifestações. Mas pegar um deus tribal de um povo e elegê-lo deus único é evolução? Um deus único que sendo de fora da terra, a regendo de fora não inspira nenhuma atitude ecológica ou equilibrada, coisa que acontece com os povos nativos e suas superstições. Quando falamos deus o conceito de deus é algo muito complexo. Quando falamos de um deus criador estamos num paradigma e em minhas investigações sobre estes caminhos que estamos estudando encontrei um conceito diferente, uma forma de falar da ETERNIDADE sem limitá-la a padrões antropomórficos ou fazer da mesma uma tela onde projetamos carências e medos.
Ao invés de um deus que cria, de fora, depois cria testes além da capacidade dos testados e depois os castiga, os deixa confusos, ao invés de uma família primordial onde o homem é um fraco, a mulher é uma que vai atrás da primeira serpente que aparece, um filho é assassino e tudo dá tão errado que destrói tudo e começa de novo, existem outras histórias de como o mundo veio a ser o que é .
Existem cosmogonias, antropogêneses e cosmogêneses que abordam outras possibilidades, um universo que emana, que surge de uma outra realidade pré-existente, num ciclo infindável. É interessante observar que quanto mais avança a astrofísica e a física de partículas, mais as visões de realidade que surgem dos experimentos realizados, são similares as visões dos antigos mitos, dos povos ancestrais e pouco relacionadas com as histórias moralistas que nos ensinaram na religião oficial. Um só deus, uma só verdade, um só rei , foram argumentos sempre usados pelos tiranos de várias épocas.
Perceber isso é perceber que a abordagem religiosa da realidade tal qual a concebemos hoje está ligada a conversão, basta ver o fervor com que vários homens e mulheres matam outros em vários países do mundo em nome de suas crenças. Interessante a intolerância religiosa, ela não admite a diversidade, todos devem se reduzir a uma nauseante homogeneidade. Como se as células do fígado resolvessem converter as células do coração a serem como elas e depois de cumprida sua missão teríamos um corpo com dois fígados, mas que morreria em seguida, sem o coração que bombearia o sangue.
Esses são os perigos da conversão, o fato de surgir de povos gananciosos e desrespeitar o fato que a diversidade sempre foi necessária à vida. Somos seres que fazemos parte de um vasto esquema cósmico. Estamos na periferia da galáxia, estamos num lugar que indica que somos novos e imaturos se comparados com formas de vida que já se desenvolveram bilhões de anos antes de nós. Mas temos nosso papel.
Assim o que julgo errado e fora de propósito para mim, pode ser justamente o papel que outra pessoa deve desempenhar. Este é um perigo dos pseudos agrupamentos iniciáticos, a vontade caprichosa de um (a) pseudo líder é seguida, isto falseia tudo. O trabalho de um grupo é que cada um desperte sua essência que se torne o mais profundamente o que trás em seu interior, quem auxilia nisso deve agir como um jardineiro, ajudar a desabrochar, nunca impor seus próprios modos.
Essa diferença sutil nos leva ao cerne deste trabalho: A concepção de divindade. Se imponho a quem aprende minha forma de perceber este algo transcendente que de fato existe, vou estar limitando a um conceito, a um dado informacional, mas se crio situações para que quem aprende vivencie por si mesmo então teremos outro tipo de aprendizado. Por isso é difícil colocar em palavras o que vai além das palavras. Palavras vêm do racional, do arquivo da memória, do já vivido. E o novo é não vivido, tem que surgir pela experiência. Assim, cientes da limitação das palavras, da sintaxe, vamos ainda assim abordar o fato que a percepção da divindade e da vida por parte dos caminhos naturais, dos caminhos pagãos, dos caminhos mágicos obedece a outra profundidade.
Temos quando crianças, sempre a presença de um adulto por perto. Qualquer perigo e um adulto virá nos proteger, nos salvar. Ao crescermos descobrimos que tal salvamento é relativo e papai e mamãe são crianças como você. Isso muda tudo e surge uma carência aí, que grande parte ao invés de superar extrapola e cria um papai do céu e uma mamãe do céu . Os messianismos diversos tem aí uma de suas raízes, a crença que alguém lá fora virá nos salvar.
Para grande parte das pessoas é isso a divindade, uma transferência dos sentimentos confusos da relação com pai e mãe para uma pretensa entidade cósmica que nos criou e pode nos julgar, ajudar ou castigar.
Esta relação imatura com a realidade é ampla e notável nas religiões não pagãs, que centralizam seu poder numa divindade fora do mundo e temível. A divindade sempre existe, cria um mundo, cria os humanos, a sua imagem e semelhança. Não seria mais correto dizer que os seres humanos criaram um deus a sua imagem e semelhança?
A Bruxaria, a Magia e o Xamanismo aos quais me refiro não estão nessa linha. Tem a noção de seres, de forças, de entes, de poderes que vivem neste mundo e nos mundos além desse, mas mesmo os mais poderosos, são nitidamente entes, que podem parecer deuses e deusas, mas mesmo na proporção de uma estrela para uma vela não precisamos adorá-los, ou crer que os servindo vamos ter tudo resolvido.
Os deuses e deusas são entes amplos, podemos fazer parte deles, podemos ser como células das vastas realidades que eles e elas compõe, mas em todos os níveis são seres com começo e fim, entes que também brotaram em um certo momento da existência e vão chegar a um fim um dia. Como nós.
A DIVINDADE em seu sentido mais amplo é algo que extrapola a compreensão, é para ser sentida diretamente, experiência direta do numinoso, do que vai além do conceitual.
Por isso ao sentir a força de uma árvore, de uma montanha, de um rio ou do vento e expressar isso como divindades, com suas particularidades não pode ser confundida com uma abordagem supersticiosa da realidade.
Rezar com medo para deuses e deusas numa tempestade é diferente da postura pagã de reconhecer nestas forças se manifestando facetas da Amplitude e buscar encantar tais poderes.
A relação que temos conosco mesmo, a relação que temos com as outras pessoas, a relação que temos com o mundo circundante, tudo isso está envolto em nosso conceito de divindade. É interessante meditar sobre isso, perceber se ainda temos uma relação de pai psicológico ou mãe psicológica com a ETERNIDADE, se continuamos apenas projetando carências ou estamos mesmo começando a ir além dos medos que nos plantaram e ousando sentir a ETERNIDADE em toda sua incompreensível vastidão.
Para mergulharmos mais fundo nos temas Bruxaria, Magia e Xamanismo precisamos compreender que estes caminhos abordam a questão da Vida, da Divindade, de ter uma alma, de conseguirmos nos eternizar, tudo isso com outros paradigmas e não podemos cair no erro da moda esotérica em voga que pega os mesmos temas já gastos e nitidamente ineficazes e os fantasia com outras roupagens. Pecado agora é carma, outras vidas substitui céu e inferno, os ascensionados são os novos santos e ministros de deus e por aí vai.
Se ficarmos presos aos conceitos estereotipados nascidos durante esta era de dominação vai sempre nos escapar o sentido profundo dos caminhos que estamos estudando. Creio que isto é um fato muito importante, temos que ir além da sintaxe imposta pelo mundo atual, isto não é fácil, nem simples, mas pode ser feito.
A prior prisão das muitas que nos deram neste mundo, é a perceptiva, sermos obrigados a concordar e participar de um só tipo de realidade, com variações de interpretaçòes subjetivas, mas normatizada e linearizada em várias estâncias.
Então questionar profundamente os pretensos dogmas, mesmo dos esoterismos de plantão é não só um hábito saudável como necessário, questionar, questionar tudo e buscar uma nova resposta.
O que eu tenho percebido até aqui é que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria não te dão respostas prontas, te ensinam a fazer melhores perguntas.
Xamanismo Urbano é um ramo contemporâneo da ancestral árvore do Xamanismo.
Xamanismo é o conhecimento dos povos ancestrais, ao contrário de cultos de povos que já foram completamente exterminados, assim só podemos estudá-los indiretamente, o xamanismo ainda tem linhagens vivas em todos os continentes, que vem transmitindo o conhecimento de boca para ouvido desde antes da aurora do tempo e o faz ainda hoje. O Xamanismo nesse sentido é um conhecimento vivo, que tem uma energia de transmissão.
Nas tradições isto é algo muito interessante de ser avaliado. Existem tradições que foram geradas dentro desse tempo-espaço, assim tem a energia deste tempo e espaço. Outras tradições vem de antes do tempo, trazem consigo uma energia de fora , um algo diferente que não pertence a esta realidade.
É este poder, esta baraka , esta graça que uma TRADIÇÃO transmite a quem nela se inicia. Uma energia que não é desta realidade, vem de antes, de tudo que temos por realidade surgir. O Xamanismo, embora este termo hoje seja usado também por pessoas que copiam a forma mas pouco entendem do conteúdo, é um caminho que sempre propõe um estado de viver que é bem mais que o sobreviver ao qual estamos expostos.
É natural que o Xamanismo sempre busque se adaptar ao tempo e ao lugar onde está, mas esse se adaptar não é abandonar sua essência, não é adulterar-se, não é fantasiar-se ou travestir-se.
Todo Caminho está sempre em sincronia com o aqui e agora no qual está.
Isto a meu ver caracteriza um caminho profundo, ele flui pelo tempo e espaço com naturalidade, leva a essência do conhecimento, não a forma, assim xamãs hoje podem estar bem mais de terno e gravata que com penas e cocares, sem que isto lhes faça menos unos à Fonte de onde tudo nos vem.
O Xamanismo tem formas inteligentes, estratégicas e mágicas de nos permitir viver nas cidades de forma mais harmônica e sofrendo menos os efeitos nefastos que a vida urbana está sempre a inflingir sobre nossos organismos.
Ondas de celular, de rádio, TV, alimentos sem energia vital, com verdadeiros venenos e substâncias agressoras em sua composição, fumaça, barulho, tudo isto a cidade nos oferece. A violência urbana, a neurose das pessoas, as atmosferas psiquícas desequilibradas que a maior parte dos lugares urbanos insiste em desenvolver, tudo isso é uma agressão a nosso bem estar.
A vida em prédios, num espaço como de um prédio quantas familias e pessoas vivem? Auras se interpenetrando, energias se misturando...
A tudo isso a cidade nos expõe, mas não nos ensinaram a lidar com tais desafios de forma satisfatória, o consumo de remédios e drogas (drogas desde álcool e religiões fanáticas até coisas pesadas mesmo), a infelicidade das pessoas, doenças constantes, a violência, são sinais desta falência geral do sistema social que ai está.
A questão é mais profunda.
Nós mesmos, tidos civilizados, o somos, enquanto espécie há tão pouco tempo. Essa vida de cativeiro nos é recente em termos de espécie, nossa células carregam em si uma saudade imensa, ainda, de tempos em que os ritmos do sol e da lua lhes eram mais fortes que a imposição de um escravizador moderno chamado relógio.
Nossa ancestralidade selvagem é muito mais ampla e forte que os poucos milhares de anos transitando para esta sociedade que como nós, ninguém conheceu: artificial, programada, dominada de tal forma que os povos livres nem em seus medos mais profundos imaginaram.
Como explicamos à essas forças ancestrais e selvagens que gritam em cada célula nossa que devem ser "boazinhas, educadas e cordatas?" Como explicar aos tambores que batem em nosso peito que devem se calar?
Como explicar ao grito selvagem que queremos emitir que deve continuar ali, preso?
Como explicar a sensualidade que visceja de tempos em tempos como suor em nossos poros, que deve ser reprimida?
Negamos nossa selvageria, nós que nascemos em cidades. Filhos e filhas dos conquistadores, é bom que não nos esqueçamos que somos isso, os filhos(as) dos conquistadores, dos que vieram para cá e de forma direta ou indireta colaboraram para o genocídio quase completo das populações nativas.
Como você agora, colabora de forma direta ou indireta para a continuidade desse genocídio, que ocorre enquanto escrevo, estará ocorrendo quando estiver lendo este artigo. Por ação ou omissão continuamos cúmplices.
O Xamanismo é um caminho Selvagem, tentar transformar o Xamanismo nestas bobeiras insossas de " disco do animal de poder"; querer gerar um "xamanismo new age" como tantos fazem e outras coisas que a gente vê por aí é mais apenas continuar com a farsa que o sistema tem lançado sobre tudo ligado a esta tradição, oriunda de povos nativos sobre os quais sabemos muito, muito pouco em termos de ciência oficial.
Pois não apenas ao genocídio condenaram a esses povos, como sua memória foi apagada da história oficial, ignorados em suas sofisticadas civilizações.
O xamanismo foi mantido e desenvolvido por povos nativos de vários continentes, mas não começa neles, vem de antes, vem dos véus além da aurora dos tempos. Isto é fundamental ficar claro para irmos as reais origens do Xamanismo, os povos nativos são guardiães do Xamanismo, não seus geradores, como uma escola de música não inventa a música, apenas aprimora e acumula técnicas e formas de ajudar novos artistas a desabrocharem cada vez com mais amplitude.
Isto é o mais importante, entender que o xamanismo não é um conhecimento humano, é um conhecimento de outras esferas que foi "capturado" quando a raça humana começou e veio se desenvolvendo, como está agora. Não é uma verdade pronta, não tem dogmas, é um campo de estudo, em aberto, onde cada praticante é desafiado a provar por si e em si o que está estudando, estudo aqui é sinônimo de prática. O xamanismo surge em outra civilização que já existiu neste planeta, que se foi, que deixou seu saber que continuou sendo "cultivado" por gerações e gerações de praticantes, até chegar a este tempo e espaço no qual estamos.
Quando olhamos para o passado os estudos científicos vão nos dizer que a Terra era do mesmo tamanho, mas isto é falso, a Terra era muito maior.
Existiam mais lugares para se ir na Terra do que há hoje, e os lugares não estavam sempre nas mesmas "coordenadas". Existem muitos lugares que existiam e "foram embora da Terra". Demorou muito para prenderem o mundo nessa descrição que temos hoje por "real", o mundo já foi muito mais desconhecido, ainda o é em certos lugares e em certos momentos, embora o paradigma geral da "mentalidade" dominante negar isso.
Essa fantastica homogeinizaçào perceptiva que vivemos nesta idade globalizada é em si uma magia interessante e espantosa, mas realizada e a serviço do interesse dos neo-senhores feudais, dos neo-senhores da guerra, das neo-companhias das índias ocidentais e orientais e dos neo-clero a que temos em nossa época que continuam fazendo o que sempre fizeram, dividir o mundo entre si, provocar discórdias e acirrar disputas para obter benefício desta divisão entre povos, buscar mercados consumidores, fornecedores de matéria prima, transformar tudo que possível em coisa a ser vendida e converter, limitar a percepção humana a seus estreitos padrões. É importante notar como isso mudou, hoje os jesuítas não são mais os campeões em obrigar outros a se converterem a seus paradigmas, a CIA tem tido muito mais sucesso .
Mas os fatos bases continuam e o Xamanismo observa tudo isso acontecendo com espanto, pois partilha da pergunta dos povos nativos:
"Por que os ventos que regem os destinos humanos colocaram no poder um povo como o homem branco? Que não ama a Terra? Nem seus ancestrais ? Nem a seu irmão, irmã, pai, mãe? Que trai seus amigos? Que não respeita suas crianças? Que condena todos nós, humanos, animais e vegetais a um fim cada vez mais evidente e próximo?
Nós xamãs-curandeiros há muito temos como fato que a Terra está doente. Muito doente, praticamente em coma. Os absurdos e desmesurados atos da era industrial geraram uma doença profunda no Ser Terra. Por isso, encontros no mundo inteiro tem objetivado gerar energias de cura, para que o Ser Terra se recupere, sabemos que se Ele se recuperar vamos conseguir ter uma mudança real no estado de consciência coletivo.
Os povos nativos celebravam a vida e os ciclos da natureza em seus cultos, não eram cultos de adoração apenas, eram cultos de "sintonização".
Os cultos "exotéricos" das religiões que foram dominando o mundo cada vez mais destruiram esse elo do Ser humano com a Terra, passaram a cultuar egrégoras, imagens de um deus distante, fora da Terra, julgando, punindo ou "agraciando" o ser humano segundo misteriosos caprichos, mas sempre necesssitando de ser "adorado" , "temido" , "idolatrado", assim tivemos a quebra do elo do ser humano com a Terra e com o Sol, fontes reais de vida, seres realmente vivos, fontes reais da nossa vida, para nos ligarmos a abstrações mentais de deuses feitos a imagem e semelhança dos medos e caprichos humanos.
Notem, nos cultos que surgiram, o ser humano deixa de se harmonizar com as forças do Sol, da Terra e dos Astros e outras forças cósmicas que os festivais e ritos dos ancestrais realizavam e passa a adorar uma representação abstrata de um pretenso principio único de um pretenso deus único e verdadeiro que torna toda pessoa que chame a divindade por outro nome, "infiel" .
Essa passagem do contato direto com a VIDA com a NATUREZA, para uma religiosidade de adoração a "imagens" e "representações" é tida por "evolução", passagem do "primitivo e pagão politeísmo" para o avançado, progressista e evoluído " monoteísmo".
E o que fizeram esses Deuses, cada um se dizendo "único e maior", desde que começaram a ser adorados Serviram de desculpa pra toda guerra que houve desde então, até hoje, basta ligar a TV e ver esses deuses brigando, até versão 1 e versão 2 do mesmo deus (como no caso de cristãos e protestantes na Irlanda).
Sentir a Vida como Divina, logo a natureza como divina, viva e consciente é algo fundamental ao caminho xamânico. Nas cidades isto é mais difícil, por isto é mais fácil ser praticante dessas abordagens mais racionais e menos sensíveis da realidade, da religiosidade. Na cidade, com supermercados, açougues e feiras pode-se esquecer que tudo aquilo, alimento, ainda vem da Terra, depende do Sol, da chuva, dos ventos, pássaros e insetos polinizadores, do ciclo correto das estações. Assim os natais de presentes e páscoa de ovos de chocolate são celebrações mais importantes que a primavera que volta com a vida ou o momento da colheita. Para nós do xamanismo é claro que a vida tem seus ciclos, suas formas de se manifestar, isto celebramos, com estes ciclos nos sintonizamos. Na Terra e no Sol temos as forças fundamentais a Vida, sem elas nada existiria, e este poder só está ali, nenhum ser ou espectros de outras dimensões que tantas vezes atribuímos mais valor que a força viva da natureza a nossa volta, pode nos sustentar enquanto "seres vivos e conscientes".
A magia telúrica, a Bruxaria telúrica são parceiras do xamanismo nesta abordagem. Nosso corpo lê a energia das estrelas, metaboliza mesmo tal energia, mas nossos pés precisam estar no chão e temos de estar bem alimentados e saudáveis para interpretarmos corretamente o que tais forças nos mostram.
O Sol é nossa fonte de vida, mais forte que qualquer rito, que qualquer símbolo mágico, que qualquer eucaristia, lá está ele, Sol, fonte da Vida, sem o qual nada aqui existiria e mesmo que nos destruamos nessa loucura de guerras com fundo econômico que estamos gerando, ainda assim continuará lá, iluminando o céu de um planeta desolado porque os conquistadores tomaram o mundo e impuseram seu modo de ser.
O Xamanismo urbano é uma resposta.
Uma resposta da ancestral Arte do Xamanismo aos desafios que este momento está nos trazendo. Pois agora estamos no tempo em que ou nitidamente vivemos a história, como participantes atuantes, ou só nos resta "sofrer a história".
Agora, mais que nunca, precisamos de caminhos que nos ensinem a usar nossa mais profunda e poderosa magia, pois loucos dominam o mundo, esses loucos tem armas poderosas e respeito algum a vida, apenas sua insanidade e frustração existencial como guias.
Como nas antigas lendas nativas, temos de ousar sair na jornada mágica da busca de meios de nos protegermos desses loucos, para que a vida ainda seja possível a nós e nossa descendência.
É muito importante, a meu ver, percebermos como o conceito que temos de divindade interfere muito na forma de sentirmos e percebermos o mundo.
Recebemos uma educação religiosa vinda do meio onde fomos criados, isso acontece numa fase bem imatura da percepção. Na maior parte das vezes aprendemos a identificar conceitos complexos como inicio, criadores, poderes primordiais com projeções de nossas carências e medos.
Na maior parte de nós os conceitos religiosos vieram de nossos pais e a igreja a qual estavam ligados. Mas esses conceitos têm uma historicidade, foram gerados por situações diversas, por grupos que em sua luta pelo poder não tiveram receio de alterar e deturpar conhecimentos, desde que continuassem no poder.
Estes dados são importantes para melhor compreendermos o deus único, que é tido como evolução quando os uga-uga primitivos deixaram de ser politeístas e evoluíram para o nível monoteísta. Será real isso? Os povos ancestrais sentiam a divindade em tudo, suas várias faces, na chuva, no vento, no trovão, na Terra que dá o alimento, no Sol, na Lua, era o um manifesto no múltiplo.
É muito importante compreender isso, pelos meus estudos e contatos com tradições nativas tenho notado que o saber ancestral se manifesta em matrizes com muitas dimensões, então podemos ter um povo que tem um conhecimento em comparação com o nosso, menos sofisticado em alguns aspectos, como os Maias que não usaram as rodas, mas que em outros níveis podem extrapolar muitos de nossos limites, como os já citados Maias e sua matemática com nove dimensões , seus calendários exatos e tudo mais.
Assim o conceito de divindade nos povos ancestrais era bem amplo e variado, não podemos limitar o pouco que sabemos das crenças de algumas partes da população como o todo da forma de lidar com tais realidades, por parte desses povos. O cidadão simples, o comerciante, o homem e a mulher do povo egípcio com certeza tinham uma concepção da divindade bem diferente dos sacerdotes e sacerdotisas dos templos e das escolas iniciáticas que ali existiam.
Da mesma forma entre todos os povos vamos ter o exoterismo religioso, as crenças e cultos de domínio público e o esoterismo, reservado a quem fosse iniciado nos mistérios. Os povos ancestrais lidavam com as várias faces da ETernidade, em suas multiplas manifestações. Mas pegar um deus tribal de um povo e elegê-lo deus único é evolução? Um deus único que sendo de fora da terra, a regendo de fora não inspira nenhuma atitude ecológica ou equilibrada, coisa que acontece com os povos nativos e suas superstições. Quando falamos deus o conceito de deus é algo muito complexo. Quando falamos de um deus criador estamos num paradigma e em minhas investigações sobre estes caminhos que estamos estudando encontrei um conceito diferente, uma forma de falar da ETERNIDADE sem limitá-la a padrões antropomórficos ou fazer da mesma uma tela onde projetamos carências e medos.
Ao invés de um deus que cria, de fora, depois cria testes além da capacidade dos testados e depois os castiga, os deixa confusos, ao invés de uma família primordial onde o homem é um fraco, a mulher é uma que vai atrás da primeira serpente que aparece, um filho é assassino e tudo dá tão errado que destrói tudo e começa de novo, existem outras histórias de como o mundo veio a ser o que é .
Existem cosmogonias, antropogêneses e cosmogêneses que abordam outras possibilidades, um universo que emana, que surge de uma outra realidade pré-existente, num ciclo infindável. É interessante observar que quanto mais avança a astrofísica e a física de partículas, mais as visões de realidade que surgem dos experimentos realizados, são similares as visões dos antigos mitos, dos povos ancestrais e pouco relacionadas com as histórias moralistas que nos ensinaram na religião oficial. Um só deus, uma só verdade, um só rei , foram argumentos sempre usados pelos tiranos de várias épocas.
Perceber isso é perceber que a abordagem religiosa da realidade tal qual a concebemos hoje está ligada a conversão, basta ver o fervor com que vários homens e mulheres matam outros em vários países do mundo em nome de suas crenças. Interessante a intolerância religiosa, ela não admite a diversidade, todos devem se reduzir a uma nauseante homogeneidade. Como se as células do fígado resolvessem converter as células do coração a serem como elas e depois de cumprida sua missão teríamos um corpo com dois fígados, mas que morreria em seguida, sem o coração que bombearia o sangue.
Esses são os perigos da conversão, o fato de surgir de povos gananciosos e desrespeitar o fato que a diversidade sempre foi necessária à vida. Somos seres que fazemos parte de um vasto esquema cósmico. Estamos na periferia da galáxia, estamos num lugar que indica que somos novos e imaturos se comparados com formas de vida que já se desenvolveram bilhões de anos antes de nós. Mas temos nosso papel.
Assim o que julgo errado e fora de propósito para mim, pode ser justamente o papel que outra pessoa deve desempenhar. Este é um perigo dos pseudos agrupamentos iniciáticos, a vontade caprichosa de um (a) pseudo líder é seguida, isto falseia tudo. O trabalho de um grupo é que cada um desperte sua essência que se torne o mais profundamente o que trás em seu interior, quem auxilia nisso deve agir como um jardineiro, ajudar a desabrochar, nunca impor seus próprios modos.
Essa diferença sutil nos leva ao cerne deste trabalho: A concepção de divindade. Se imponho a quem aprende minha forma de perceber este algo transcendente que de fato existe, vou estar limitando a um conceito, a um dado informacional, mas se crio situações para que quem aprende vivencie por si mesmo então teremos outro tipo de aprendizado. Por isso é difícil colocar em palavras o que vai além das palavras. Palavras vêm do racional, do arquivo da memória, do já vivido. E o novo é não vivido, tem que surgir pela experiência. Assim, cientes da limitação das palavras, da sintaxe, vamos ainda assim abordar o fato que a percepção da divindade e da vida por parte dos caminhos naturais, dos caminhos pagãos, dos caminhos mágicos obedece a outra profundidade.
Temos quando crianças, sempre a presença de um adulto por perto. Qualquer perigo e um adulto virá nos proteger, nos salvar. Ao crescermos descobrimos que tal salvamento é relativo e papai e mamãe são crianças como você. Isso muda tudo e surge uma carência aí, que grande parte ao invés de superar extrapola e cria um papai do céu e uma mamãe do céu . Os messianismos diversos tem aí uma de suas raízes, a crença que alguém lá fora virá nos salvar.
Para grande parte das pessoas é isso a divindade, uma transferência dos sentimentos confusos da relação com pai e mãe para uma pretensa entidade cósmica que nos criou e pode nos julgar, ajudar ou castigar.
Esta relação imatura com a realidade é ampla e notável nas religiões não pagãs, que centralizam seu poder numa divindade fora do mundo e temível. A divindade sempre existe, cria um mundo, cria os humanos, a sua imagem e semelhança. Não seria mais correto dizer que os seres humanos criaram um deus a sua imagem e semelhança?
A Bruxaria, a Magia e o Xamanismo aos quais me refiro não estão nessa linha. Tem a noção de seres, de forças, de entes, de poderes que vivem neste mundo e nos mundos além desse, mas mesmo os mais poderosos, são nitidamente entes, que podem parecer deuses e deusas, mas mesmo na proporção de uma estrela para uma vela não precisamos adorá-los, ou crer que os servindo vamos ter tudo resolvido.
Os deuses e deusas são entes amplos, podemos fazer parte deles, podemos ser como células das vastas realidades que eles e elas compõe, mas em todos os níveis são seres com começo e fim, entes que também brotaram em um certo momento da existência e vão chegar a um fim um dia. Como nós.
A DIVINDADE em seu sentido mais amplo é algo que extrapola a compreensão, é para ser sentida diretamente, experiência direta do numinoso, do que vai além do conceitual.
Por isso ao sentir a força de uma árvore, de uma montanha, de um rio ou do vento e expressar isso como divindades, com suas particularidades não pode ser confundida com uma abordagem supersticiosa da realidade.
Rezar com medo para deuses e deusas numa tempestade é diferente da postura pagã de reconhecer nestas forças se manifestando facetas da Amplitude e buscar encantar tais poderes.
A relação que temos conosco mesmo, a relação que temos com as outras pessoas, a relação que temos com o mundo circundante, tudo isso está envolto em nosso conceito de divindade. É interessante meditar sobre isso, perceber se ainda temos uma relação de pai psicológico ou mãe psicológica com a ETERNIDADE, se continuamos apenas projetando carências ou estamos mesmo começando a ir além dos medos que nos plantaram e ousando sentir a ETERNIDADE em toda sua incompreensível vastidão.
Para mergulharmos mais fundo nos temas Bruxaria, Magia e Xamanismo precisamos compreender que estes caminhos abordam a questão da Vida, da Divindade, de ter uma alma, de conseguirmos nos eternizar, tudo isso com outros paradigmas e não podemos cair no erro da moda esotérica em voga que pega os mesmos temas já gastos e nitidamente ineficazes e os fantasia com outras roupagens. Pecado agora é carma, outras vidas substitui céu e inferno, os ascensionados são os novos santos e ministros de deus e por aí vai.
Se ficarmos presos aos conceitos estereotipados nascidos durante esta era de dominação vai sempre nos escapar o sentido profundo dos caminhos que estamos estudando. Creio que isto é um fato muito importante, temos que ir além da sintaxe imposta pelo mundo atual, isto não é fácil, nem simples, mas pode ser feito.
A prior prisão das muitas que nos deram neste mundo, é a perceptiva, sermos obrigados a concordar e participar de um só tipo de realidade, com variações de interpretaçòes subjetivas, mas normatizada e linearizada em várias estâncias.
Então questionar profundamente os pretensos dogmas, mesmo dos esoterismos de plantão é não só um hábito saudável como necessário, questionar, questionar tudo e buscar uma nova resposta.
O que eu tenho percebido até aqui é que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria não te dão respostas prontas, te ensinam a fazer melhores perguntas.
Xamanismo Urbano é um ramo contemporâneo da ancestral árvore do Xamanismo.
Xamanismo é o conhecimento dos povos ancestrais, ao contrário de cultos de povos que já foram completamente exterminados, assim só podemos estudá-los indiretamente, o xamanismo ainda tem linhagens vivas em todos os continentes, que vem transmitindo o conhecimento de boca para ouvido desde antes da aurora do tempo e o faz ainda hoje. O Xamanismo nesse sentido é um conhecimento vivo, que tem uma energia de transmissão.
Nas tradições isto é algo muito interessante de ser avaliado. Existem tradições que foram geradas dentro desse tempo-espaço, assim tem a energia deste tempo e espaço. Outras tradições vem de antes do tempo, trazem consigo uma energia de fora , um algo diferente que não pertence a esta realidade.
É este poder, esta baraka , esta graça que uma TRADIÇÃO transmite a quem nela se inicia. Uma energia que não é desta realidade, vem de antes, de tudo que temos por realidade surgir. O Xamanismo, embora este termo hoje seja usado também por pessoas que copiam a forma mas pouco entendem do conteúdo, é um caminho que sempre propõe um estado de viver que é bem mais que o sobreviver ao qual estamos expostos.
É natural que o Xamanismo sempre busque se adaptar ao tempo e ao lugar onde está, mas esse se adaptar não é abandonar sua essência, não é adulterar-se, não é fantasiar-se ou travestir-se.
Todo Caminho está sempre em sincronia com o aqui e agora no qual está.
Isto a meu ver caracteriza um caminho profundo, ele flui pelo tempo e espaço com naturalidade, leva a essência do conhecimento, não a forma, assim xamãs hoje podem estar bem mais de terno e gravata que com penas e cocares, sem que isto lhes faça menos unos à Fonte de onde tudo nos vem.
O Xamanismo tem formas inteligentes, estratégicas e mágicas de nos permitir viver nas cidades de forma mais harmônica e sofrendo menos os efeitos nefastos que a vida urbana está sempre a inflingir sobre nossos organismos.
Ondas de celular, de rádio, TV, alimentos sem energia vital, com verdadeiros venenos e substâncias agressoras em sua composição, fumaça, barulho, tudo isto a cidade nos oferece. A violência urbana, a neurose das pessoas, as atmosferas psiquícas desequilibradas que a maior parte dos lugares urbanos insiste em desenvolver, tudo isso é uma agressão a nosso bem estar.
A vida em prédios, num espaço como de um prédio quantas familias e pessoas vivem? Auras se interpenetrando, energias se misturando...
A tudo isso a cidade nos expõe, mas não nos ensinaram a lidar com tais desafios de forma satisfatória, o consumo de remédios e drogas (drogas desde álcool e religiões fanáticas até coisas pesadas mesmo), a infelicidade das pessoas, doenças constantes, a violência, são sinais desta falência geral do sistema social que ai está.
A questão é mais profunda.
Nós mesmos, tidos civilizados, o somos, enquanto espécie há tão pouco tempo. Essa vida de cativeiro nos é recente em termos de espécie, nossa células carregam em si uma saudade imensa, ainda, de tempos em que os ritmos do sol e da lua lhes eram mais fortes que a imposição de um escravizador moderno chamado relógio.
Nossa ancestralidade selvagem é muito mais ampla e forte que os poucos milhares de anos transitando para esta sociedade que como nós, ninguém conheceu: artificial, programada, dominada de tal forma que os povos livres nem em seus medos mais profundos imaginaram.
Como explicamos à essas forças ancestrais e selvagens que gritam em cada célula nossa que devem ser "boazinhas, educadas e cordatas?" Como explicar aos tambores que batem em nosso peito que devem se calar?
Como explicar ao grito selvagem que queremos emitir que deve continuar ali, preso?
Como explicar a sensualidade que visceja de tempos em tempos como suor em nossos poros, que deve ser reprimida?
Negamos nossa selvageria, nós que nascemos em cidades. Filhos e filhas dos conquistadores, é bom que não nos esqueçamos que somos isso, os filhos(as) dos conquistadores, dos que vieram para cá e de forma direta ou indireta colaboraram para o genocídio quase completo das populações nativas.
Como você agora, colabora de forma direta ou indireta para a continuidade desse genocídio, que ocorre enquanto escrevo, estará ocorrendo quando estiver lendo este artigo. Por ação ou omissão continuamos cúmplices.
O Xamanismo é um caminho Selvagem, tentar transformar o Xamanismo nestas bobeiras insossas de " disco do animal de poder"; querer gerar um "xamanismo new age" como tantos fazem e outras coisas que a gente vê por aí é mais apenas continuar com a farsa que o sistema tem lançado sobre tudo ligado a esta tradição, oriunda de povos nativos sobre os quais sabemos muito, muito pouco em termos de ciência oficial.
Pois não apenas ao genocídio condenaram a esses povos, como sua memória foi apagada da história oficial, ignorados em suas sofisticadas civilizações.
O xamanismo foi mantido e desenvolvido por povos nativos de vários continentes, mas não começa neles, vem de antes, vem dos véus além da aurora dos tempos. Isto é fundamental ficar claro para irmos as reais origens do Xamanismo, os povos nativos são guardiães do Xamanismo, não seus geradores, como uma escola de música não inventa a música, apenas aprimora e acumula técnicas e formas de ajudar novos artistas a desabrocharem cada vez com mais amplitude.
Isto é o mais importante, entender que o xamanismo não é um conhecimento humano, é um conhecimento de outras esferas que foi "capturado" quando a raça humana começou e veio se desenvolvendo, como está agora. Não é uma verdade pronta, não tem dogmas, é um campo de estudo, em aberto, onde cada praticante é desafiado a provar por si e em si o que está estudando, estudo aqui é sinônimo de prática. O xamanismo surge em outra civilização que já existiu neste planeta, que se foi, que deixou seu saber que continuou sendo "cultivado" por gerações e gerações de praticantes, até chegar a este tempo e espaço no qual estamos.
Quando olhamos para o passado os estudos científicos vão nos dizer que a Terra era do mesmo tamanho, mas isto é falso, a Terra era muito maior.
Existiam mais lugares para se ir na Terra do que há hoje, e os lugares não estavam sempre nas mesmas "coordenadas". Existem muitos lugares que existiam e "foram embora da Terra". Demorou muito para prenderem o mundo nessa descrição que temos hoje por "real", o mundo já foi muito mais desconhecido, ainda o é em certos lugares e em certos momentos, embora o paradigma geral da "mentalidade" dominante negar isso.
Essa fantastica homogeinizaçào perceptiva que vivemos nesta idade globalizada é em si uma magia interessante e espantosa, mas realizada e a serviço do interesse dos neo-senhores feudais, dos neo-senhores da guerra, das neo-companhias das índias ocidentais e orientais e dos neo-clero a que temos em nossa época que continuam fazendo o que sempre fizeram, dividir o mundo entre si, provocar discórdias e acirrar disputas para obter benefício desta divisão entre povos, buscar mercados consumidores, fornecedores de matéria prima, transformar tudo que possível em coisa a ser vendida e converter, limitar a percepção humana a seus estreitos padrões. É importante notar como isso mudou, hoje os jesuítas não são mais os campeões em obrigar outros a se converterem a seus paradigmas, a CIA tem tido muito mais sucesso .
Mas os fatos bases continuam e o Xamanismo observa tudo isso acontecendo com espanto, pois partilha da pergunta dos povos nativos:
"Por que os ventos que regem os destinos humanos colocaram no poder um povo como o homem branco? Que não ama a Terra? Nem seus ancestrais ? Nem a seu irmão, irmã, pai, mãe? Que trai seus amigos? Que não respeita suas crianças? Que condena todos nós, humanos, animais e vegetais a um fim cada vez mais evidente e próximo?
Nós xamãs-curandeiros há muito temos como fato que a Terra está doente. Muito doente, praticamente em coma. Os absurdos e desmesurados atos da era industrial geraram uma doença profunda no Ser Terra. Por isso, encontros no mundo inteiro tem objetivado gerar energias de cura, para que o Ser Terra se recupere, sabemos que se Ele se recuperar vamos conseguir ter uma mudança real no estado de consciência coletivo.
Os povos nativos celebravam a vida e os ciclos da natureza em seus cultos, não eram cultos de adoração apenas, eram cultos de "sintonização".
Os cultos "exotéricos" das religiões que foram dominando o mundo cada vez mais destruiram esse elo do Ser humano com a Terra, passaram a cultuar egrégoras, imagens de um deus distante, fora da Terra, julgando, punindo ou "agraciando" o ser humano segundo misteriosos caprichos, mas sempre necesssitando de ser "adorado" , "temido" , "idolatrado", assim tivemos a quebra do elo do ser humano com a Terra e com o Sol, fontes reais de vida, seres realmente vivos, fontes reais da nossa vida, para nos ligarmos a abstrações mentais de deuses feitos a imagem e semelhança dos medos e caprichos humanos.
Notem, nos cultos que surgiram, o ser humano deixa de se harmonizar com as forças do Sol, da Terra e dos Astros e outras forças cósmicas que os festivais e ritos dos ancestrais realizavam e passa a adorar uma representação abstrata de um pretenso principio único de um pretenso deus único e verdadeiro que torna toda pessoa que chame a divindade por outro nome, "infiel" .
Essa passagem do contato direto com a VIDA com a NATUREZA, para uma religiosidade de adoração a "imagens" e "representações" é tida por "evolução", passagem do "primitivo e pagão politeísmo" para o avançado, progressista e evoluído " monoteísmo".
E o que fizeram esses Deuses, cada um se dizendo "único e maior", desde que começaram a ser adorados Serviram de desculpa pra toda guerra que houve desde então, até hoje, basta ligar a TV e ver esses deuses brigando, até versão 1 e versão 2 do mesmo deus (como no caso de cristãos e protestantes na Irlanda).
Sentir a Vida como Divina, logo a natureza como divina, viva e consciente é algo fundamental ao caminho xamânico. Nas cidades isto é mais difícil, por isto é mais fácil ser praticante dessas abordagens mais racionais e menos sensíveis da realidade, da religiosidade. Na cidade, com supermercados, açougues e feiras pode-se esquecer que tudo aquilo, alimento, ainda vem da Terra, depende do Sol, da chuva, dos ventos, pássaros e insetos polinizadores, do ciclo correto das estações. Assim os natais de presentes e páscoa de ovos de chocolate são celebrações mais importantes que a primavera que volta com a vida ou o momento da colheita. Para nós do xamanismo é claro que a vida tem seus ciclos, suas formas de se manifestar, isto celebramos, com estes ciclos nos sintonizamos. Na Terra e no Sol temos as forças fundamentais a Vida, sem elas nada existiria, e este poder só está ali, nenhum ser ou espectros de outras dimensões que tantas vezes atribuímos mais valor que a força viva da natureza a nossa volta, pode nos sustentar enquanto "seres vivos e conscientes".
A magia telúrica, a Bruxaria telúrica são parceiras do xamanismo nesta abordagem. Nosso corpo lê a energia das estrelas, metaboliza mesmo tal energia, mas nossos pés precisam estar no chão e temos de estar bem alimentados e saudáveis para interpretarmos corretamente o que tais forças nos mostram.
O Sol é nossa fonte de vida, mais forte que qualquer rito, que qualquer símbolo mágico, que qualquer eucaristia, lá está ele, Sol, fonte da Vida, sem o qual nada aqui existiria e mesmo que nos destruamos nessa loucura de guerras com fundo econômico que estamos gerando, ainda assim continuará lá, iluminando o céu de um planeta desolado porque os conquistadores tomaram o mundo e impuseram seu modo de ser.
O Xamanismo urbano é uma resposta.
Uma resposta da ancestral Arte do Xamanismo aos desafios que este momento está nos trazendo. Pois agora estamos no tempo em que ou nitidamente vivemos a história, como participantes atuantes, ou só nos resta "sofrer a história".
Agora, mais que nunca, precisamos de caminhos que nos ensinem a usar nossa mais profunda e poderosa magia, pois loucos dominam o mundo, esses loucos tem armas poderosas e respeito algum a vida, apenas sua insanidade e frustração existencial como guias.
Como nas antigas lendas nativas, temos de ousar sair na jornada mágica da busca de meios de nos protegermos desses loucos, para que a vida ainda seja possível a nós e nossa descendência.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte II)
Vivemos numa civilização globalizada.
O fato é que hoje estamos integrados em termos de mundo de uma forma muito intensa.
Se algo acontece agora no Japão, quase que imediatamente vamos estar sabendo, muitas vezes uma pessoa da zona rural do Japão, que esteja longe dos meios de comunicação durante uma tarde pode demorar mais a saber de um evento importante que aconteceu numa cidade vizinha onde está, do que uma pessoa morando no outro lado do mundo.
Criamos uma série de interconexões entre os países e os povos desses países. Agora mesmo estou ligado na internet, mantendo contato on line, via icq, com gente de vários lugares do mundo. Esta nova forma de interagir cria uma forma de perceber o mundo bem diferente das gerações anteriores. Alvin Tofler chamou de 3 ª Onda.
Quando vamos estudar o passado para compreender as origens do que hoje denominamos Xamanismo, Magia, Bruxaria, temos que ir muito além de uma leitura intelectual de pretensas descrições históricas.
Temos que recuperar a liberdade de perceber além do que nos determinaram como realidade. Para irmos mesmo as origens de tais faces da ARTE temos que ir além do próprio conceito de tempo que temos. O Tempo tal qual ele se manifesta em sua vida, este tempo dos relógios que te mantém servil, este tempo é fruto da construção de uma realidade que é a dominante.
Essa realidade foi desenvolvida a partir de elementos de diversas culturas, tem influência dos egípicios, helenos, dos hebreus, dos romanos, vem caminhando num jogo crescente entre grupos antagônicos que querem o poder sobre outros, imperialismo e conquista é sua meta. Temos que estar bem atentos a estes aspectos manipuladores, a este background imperialista que impregna toda a base existencial da chamada "sociedade contemporânea".
Temos que estar atentos porque esta sociedade criada assepticamente em projetos de colaboração entre estes e estas que querem tudo dominar também criaram pseudos caminhos, pseudos xamanismos, pseudo bruxarias e pseudo magias. Estão aí estes caminhos, esperando por quem quer apenas fantasias, arrepios, brincadeiras de salão. Assim brincam com fantasias, agitam a luz astral, mas nada além do reflexo de seu inconstante interior descobrem. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que podem ser usados no mundo cotidiano, de forma discreta e com um grau de eficiência incrível. E após Eras de perseguição e numa época de escravizadores é claro que aqueles homens e mulheres que de fato trilham esse caminho se tornaram hábeis em ser discretos, quase sumidos, deixando entrar em seus círculos vez por outras pessoas que estão ainda entre os escravos, para que voltem e contem o que viram.
Quando olhamos o mundo notamos que num certo momento uma doença começa a atacar o organismo formado por todos os humanos do planeta. Em vários locais a guerra de conquista e a escravidão, o transformar outros seres humanos em objetos, se tornam a proposta fundamental de nações, clãs.
Vamos observar este estado de consciência ir tomando área após área do globo, as guerras de conquista do Império Romano, depois os impérios Cristãos e agora o neo-colonialismo chamado "globalização", onde os neo-cristãos com seus valores consumistas pretendem manter toda a humanidade sob sua descrição da realidade.
Há muito o que meditar aqui, pois Xamanismo, Magia e Bruxaria são heranças de outros tempos, dos tempos dos povos livres, que iam e vinham pelos caminhos naturais do mundo. O presente modelo de realidade que hoje nos foi imposto, foi habilmente implantado, num projeto organizado que começa de forma sistematizada com Júlio César e Cleópatra, passa pelas Cruzadas e Inquisição e segue sempre em frente, a Águia que quer dominar sozinha o mundo.
Há muitas águias e que algumas sejam assim tão egoístas é apenas uma pena. Nós, herdeiros espirituais dos(as) Xamãs, Magistas e Bruxos (as) da ancestralidade somos agudamente conscientizados durante nosso treinamento de como o mundo "oficial" é o mundo dos escravos, onde o dom da vida é empregado por gigantescas máquinas, onde seres humanos são apenas extensões biológicas de tais engrenagens.
Nossas tradições nos contam como era antes, nos contam como foi a lenta queda dos povos ancestrais que viviam em harmonia com a Terra. Os conquistadores trouxeram consigo suas doenças físicas e existenciais e contaminaram o povo nativo com ambas, matando assim em corpo e espírito milhões de nativos em poucos anos.
Quando em certos ritos, em certas práticas, usando de certas habilidades que o aprender efetivamente nestes caminhos desperta em nós, podemos ir até este passado diferente, mas temos que ter o cuidado de não "onirizar" o que vemos. Podemos ficar limitados a interpretar a energia que estamos percebendo com base no repertório ordinário que temos, que é fruto deste sistema, que é escravizante.
Assim antes de mais nada, antes de falarmos de outros mundos temos que reconsiderar nossa própria percepção desse mundo. Esse mundo maravilhoso no qual estamos, mas ao qual também fomos embotados. Percebemos fragmentos da realidade, mesmo desta que dizemos ser a única. Vivemos de forma incidental, não com presença e profundidade reais. Agora o que sentes, como esta tua respiração, que sons , imagens, cheiros, temperaturas te circundam?
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria, tem a inquietante capacidade de realmente funcionar a partir do momento de quem os procura, e que com sinceridade o faça. Pois está presente em muitas tradições o fato que quando nos pomos a lutar pelo nosso encontro com a Verdade, ela também começa a lutar por nós, se põe mesmo a caminho e fará todo o possível para nos encontrar também.
Há um tambor batendo no peito de cada um de nós. Há uma fogueira no interior do coração. Como está tua fogueira interior? Plena, a luz presente no brilho de teus olhos, o calor presente na realidade dos teus atos?
Ou estará tal fogueira já em cinzas, fria, apenas tocos queimados de madeira, sem luz, sem calor? Por que isso está assim? O Xamanismo, a Magia, a Bruxaria acreditam que cada um de nós pode evocar uma vez na vida o Grande Fogo. O Irmão Fogo no seu aspecto Vida.
Quando o Fogo é evocado em tal rito, se houver uma chispa de brasa em nossa fogueira interior, será a partir dela que a fogueira será plenamente acesa de novo. Não será este o teu momento de reacender tua fogueira interior?
Pois ler sobre atos de poder é ler contos de poder e os contos de poder têm a inquietante capacidade de nos levar a este mundo misterioso que é o mundo do poder. E sem o calor interior da tua fogueira, sem a luz da mesma, irás usar de teu poder para ter coisas que já tens em ti só falta realizá-las. E é essa a primeira armadilha de quem busca o poder sem antes acender sua fogueira interior. Querer usar do Poder para sanar suas carências, irresoluções e tudo mais que resulta de ser ausente de si mesmo.
O passado ao qual me refiro está além do passado racional, mergulha mesmo no passado mítico, mas no mito vivo não no mito congelado. Um passado além do tempo onde as tradições que comentamos, tem suas raízes profundas , onde a base é ao mesmo tempo a nutridora.
Ali era comum e não exceção, o estado de liberdade, de estar desperto, de perceber outras realidades, de ir e vir por mundos outros que não esse.
Nesse "passado" ao qual me refiro temos povos vivendo de forma muito diferente da atual, povos lidando com as diferentes realidades de seu cotidiano com outras formas de interpretação.
Este passado lançou caminhos de existência alternativos, deste passado nem todas as linhas conduzem para a destruição e subjugação, condições que nos geraram, mas algumas linhas vão para mundos paralelos e criam vidas diferentes, que agora, existem com tanta realidade como os que habitam os outros continentes deste planeta, pode-se dizer que com mais realidade, por serem mais livres e conscientes, uma vez que partimos do princípio que este mundo está quase todo escravizado.
É hilário ver certas definições que pretendem estabelecer verdades finais, como se a dança das energias espalhadas pelas emanações da Eternidade pudessem mesmo ser limitadas a compreensão linear e racional. O fato de só operar com uma pequena parte de si leva o ser humano a só perceber uma pequena parte da Realidade Total.
Mas a amplitude também está lá , apenas esperando que decidamos usar outro modelo para interagirmos com a ETERNIDADE. Um conjunto de paradigmas que já foi usado antes, que tem o apoio conceitual de gerações sem conta de praticantes. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm esta característica comum. É um caminho que pode ser ensinado.
Aprende-se. Mas como toda ARTE, podem ajudar a desabrochar o artista em ti, não podem te moldar. Na ARTE a palavra educar reencontra seu sentido etimológico mais raiz: "Desabrochar na essência perceptiva o que esta trás em si." Cada povo tem sua linguagem, cada espécie tem sua linguagem, composta da interação com a Eternidade a sua volta. Usamos nossa mente para raciocinar, usamos nosso sentir para nos emocionarmos, usamos de nossas habilidades em nos inserirmos concretamente na realidade circundante para apenas reagir a estímulos diversos.
Assim raciocinamos, emocionamo-nos e reagimos. Mas podemos ir além disso. Podemos usar a mente, o sentir e o agir de formas plenas, tão plenas que gerem tais campos de energia que tal qual um buraco negro possa abrir portas para outras realidades.
Alguns vão ficar esperando que construam máquinas que façam isso. Outras pessoas podem recuperar o elo com a tradição que se manifesta na Magia, na Bruxaria e no Xamanismo. Em todos esses caminhos, vamos saber então, os (as) praticantes usavam o próprio corpo como instrumento mais refinado de contato com outras realidades, tanto quanto essa.
Mas para falar disso vamos nos limitar a linguagem. E vivendo experiências diversas, abordando a realidade dentro de uma sintaxe diferente fica por vezes complicado falar de mares a quem viveu toda a vida no fundo de um poço.
Imagine como que tu explicarias a um morcego sobre o Vermelho? O Azul? Poderias desenvolver uma linguagem comum a partir da idéia de ondas e tal , mas um aspecto desta totalidade chamada cor só existe para a tua visão.
Neste período que estou comentando a interação com as várias realidades era tão plena que falar desse momentum é muito mais impreciso que falar de cores ao morcego, como ele também vai ser limitado em nos passar sua forma de perceber pelos nossos conceitos.
Assim é importante lembrar que só compreendemos um caminho quando somos unos (as) com o caminho. As raízes da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria vem de um tempo onde estávamos naturalmente conectados com a VIDA e seus fluxos e o Ser Terra que nos habita era respeitado, como um feto respeita o ventre que lhe gera.
Quem leu a carta do Chefe Seatle ao então presidente dos EUA notará tal consciência que hoje chamaríamos de ecológica. Assim o modo de interagir com a realidade dos povos nativos é muito distante dos modos que surgiram com o desenvolvimento dos impérios e seus modos de domínio.
Quando os humanos começaram a se escravizar entre si ocorreu algo inédito. Pela primeira vez, propositadamente, um humano da mesma espécie enfraquecia outro ser humano propositalmente para dele se aproveitar num grau de subjugação forte.
O modo de vida que estava pouco a pouco dominando a espécie humana no planeta era um modo de vida onde pequenos grupos cuidavam de condicionar, do berço a maturidade, os novos membros de sua própria espécie a serem servis e em fuga de si mesmos. Aproveitando-se de carências naturais ou geradas pela engenharia social e religiosa conseguiram transformar a humanidade nisso que aí está. E vejam como o mundo está. Estamos a beira do abismo, fundo, destruidor, e os donos e donas do mundo ainda insistem em suas batalhas egóicas que podem nos levar todos a destruição.
Os seres humanos são criados como rebanhos. "O Senhor é meu pastor, nada me faltará". Senhor, Domine, Domínio. Quem já andou por granjas e anda pelas cidades "grandes" verá que o sistema de empilhar as galinhas em cubículos superpostos e dar-lhes comida e água criou variações interessantes quando aplicado à espécie humana cativa.
Criaram TVs para evitar que os seres humanos desenvolvessem suas habilidades de ir com sua própria consciência a outros lugares, conforto para ajudar a enfraquecer os que agora temem perder a "comida e água" que têm servidas. De Potosi, das minas de prata e ouro no "novo mundo" que invadido pelos conquistadores e pela varíola quase desapareceu da existência, passando pelas explorações que acontecem agora onde povos nativos são escravizados de formas diversas, das mais óbvias as mais sutis, em todos esses momentos há uma guerra, os conquistadores e escravizadores subjugando e destruindo o povo nativo em essência e forma, quer pela morte , quer pela escravidão.
E tu que me lês também podes ser mais um dos que estão escravizados neste sistema que criou celas sutis, celas conceituais. Prisão perceptiva é a arte desse sistema que hoje domina. Mas a liberdade perceptiva é a chave que pode nos colocar mais perto de entender outro ponto comum, retas onde os planos da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo coexistem. Nós, que trazemos conosco a fogueira e os tambores dos povos nativos nos assombramos que os (as) escravos (as) aceitem passivamente tal condição.
Mas existem caminhos de recuperar o poder pessoal perdido e o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são caminhos que levam a esta meta. Portanto, quando vamos nos aproximar do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria, mesmo que só aqui, para ler sobre tais linhas, é importante compreender que nossa energia deve estar bem sintonizada, ampla, presente.
Do contrário a verdadeira informação será perdida e apenas uma compreensão linear e limitada, reduzida a interpretações medianas, será notada. Se espreguice, não leia apenas, ouse fazer, se espreguice total enquanto lê, abra a boca, boceje, alongue os dedos do pé, os dedos das mãos, alongue bem, inspire, expire e solta e relaxa, relaxa de uma vez.
Se pôs em prática o que leu acima vai notar que é bem diferente ler assim, fazendo, do que apenas o ler passivo. Volte 3 parágrafos acima e leia de novo, fazendo o exercício, vai notar que teu corpo vai estar bem mais "esperto" quando terminar de ler o parágrafo.
Tu lestes com o corpo quando fizestes o exercício. Esta leitura corporal é mais ampla que ler só com os olhos e decodificar as palavras.
Leia: "A mão mexe em algo." Isto é só um conto de poder. Faça: (sim, faça na real aí onde estás) Mexa algo aí, onde estás. Mexeu em algo? Causaste uma alteração real, efetiva na realidade a tua volta.
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são atos, portanto, só ler sobre eles é uma parte muito pequena para se fiar em algo. Temos que observar a nós mesmos, nos sentir em nossas próprias vidas para a partir de uma auto observação sincera e plena possamos ter elementos para realmente entender o que estamos nos referindo quando falamos de Magia , Xamanismo e Bruxaria.
Assim sendo um tema importante para esta semana seria que cada um(a) que está acompanhando esta série de artigos fizesse um exercício simples. Cada vez que falasse "Eu" notar e anotar.
Cada vez no dia , todo dia que disser "eu" anote. Tem vários jeitos. Tu podes colocar vários palitos de fósforo ou grãos de arroz num bolso da calça, cada vez que disser "eu" passe um palito ou grão para o outro bolso, no final do dia tente lembrar de cada momento que falou eu e confira se o número de lembranças é o mesmo de palitos ou grãos que usou para contar.
O ideal é que apenas se tire os palitos ou grãos do bolso depois de ter sido feita essa lembrança. É um exercício que ativa certos níveis de conexões internas que permitem um acessar de uma qualidade de energia mais sutil, a qualidade de energia que nos permite entender melhor que a "Intenção" desses (as) xamãs, magistas e bruxos (as) da ancestralidade ainda está viva e nós podemos nos conectar a esta linha de força.
Isto é uma informação que as linhagens xamânicas, mágicas e bruxas da Tradição têm em comum também, são caminhos com conexões profundas, cujas estruturas interiores estão em harmonia com o fluxo do próprio Tao, da Eternidade, do Intento.
O que diferencia uma linhagem tradicional efetiva nestes caminhos de uma falsa é a realidade da energia primordial que trazem em si. EM diferentes religiões dão diferentes nomes a isso, "Graça", "Baraka".
O que sei é que quando o caminho que se coloca como xamanismo, magia ou bruxaria tem mesmo essa energia viva, por transmissão direta, há uma conexão com um nível de poder muito mais amplo. Quando conectados (as) a uma linhagem assim cada tanto que trabalhamos em rumo nossa meta a própria presença da linhagem também trabalha em nós.
É sobre isso que falamos aqui. Não em definir Xamanismo, Bruxaria ou Magia de forma linear, em conceitos tirados do sistema que se esmera em negar tais abordagens da realidade.
O que trabalhamos aqui é para um mergulho de cada um, que por estas palavras aqui se sintoniza, com a realidade-vida que representam tais caminhos. E para perceber isso há uma pergunta que tens de responder ao guardião desse portal, pois só a resposta sincera poderá realmente lhe levar para o próximo momento deste encontro virtual. A questão é:
Qual a realidade da sua vida?
É uma pergunta dinâmica, que respondes dia a dia, instante a instante. A qualidade da tua resposta determina a qualidade da tua compreensão do que vem pela frente.
Um dos pontos que temos de rever quando vamos estudar com profundidade o que se esconde por trás dos conceitos de Xamanismo, Magia e Bruxaria é nosso próprio paradigma de historicidade.
Temos uma educação formal que nos alimentou com "verdades" prontas, que nos deu uma visão da história dentro de paradigmas que cada vez mais se prova não serem os verdadeiros, que representam apenas a força dominante dos vencedores, que constroem sua versão dos fatos e condenam os derrotados a desaparecerem da própria história, provocando-lhes não só a morte e a destruição enquanto seres vivos, mas também apagam toda informação sobre estes deserdados da história.
A civilizaçao que domina o mundo hoje, com seus valores impostos pelas bolsas de valores, com as corporações quais novos senhores feudais a determinar os valores sobre os quais devemos viver e com as religiões de massa, ao lado da mídia, numa luta para impor padrões quanto ao pensar e agir da humanidade, é resultado de um processo histórico complexo, onde conscientemente grupos diversos atuaram para não apenas vencer outros grupos, quer escravizando-os (em corpo ou alma , pela força das armas ou das religiões dogmáticas) quer matando grupos étnicos inteiros, seguindo da destruição de todos os dados culturais desses povos.
Temos uma espécie de neodarwinismo social que nos obriga a crer que esta civilização, pelo fato de ter alcançado um surpreendente desenvolvimento tecnológico é a mais desenvolvida, o pináculo de toda evolução social humana.
Estamos presos de tal forma a estes paradigmas que pouco percebemos como várias das obras que se referem a Magia, a Bruxaria e ao Xamanismo o fazem descaracterizando tais artes , tais tradições de seus contextos e tentando "explicar" ou "provar" que tais caminhos são "evoluídos", caindo na armadilha de usar os critérios do dominador como instrumento de avaliação, quando o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm seus próprios critérios cognitivos, são campos complexos em si mesmo.
Podemos fazer uma analogia com o que ocorre na acupuntura. Ela funciona e muito bem. Aí vem a ciência ocidental querendo explicar que tal nódulo nervoso, ativado pela agulha faz isso e aquilo, mas não é real nem necessária esta explicação, porque a acupuntura já foi explicada em seus próprios termos há milhares de anos, o estudo dos meridianos, da energia tal qual ela se manifesta em suas polaridades Yin e Yang, como sedar e ativar tudo isso já faz parte do corpo de conhecimento da acupuntura.
Da mesma forma a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria já tem suas próprias explicações do porquê funcionam, do porquê são reais, e toda tentativa de tentar limitar estes vastos campos com explicações limitadas oriundas de abordagens pseudocientíficas servirá apenas para criar confusão.
O positivismo, e a ciência que dele resultou, tinha uma abordagem tão presa ao senso comum, tão limitada, que era natural não conseguir sequer conceber a vastidão que existe por detrás dos conceitos de Magia, Xamanismo e Bruxaria.
Só agora com a Mecânica Quântica, com ramos sofisticados da psicologia e outras áreas de vanguarda da ciência se torna possível de novo estabelecer um diálogo entre estes campos .
Portanto, vamos compreender que a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria estão dentro de outro contexto cultural, são artes/ciências, oriundas de uma civilização ancestral que há milênios existiu, que depois caiu e a humanidade que restou regrediu a um estado de perda quase completa desse saber, mas tal saber ficou guardado em irmandades e grupos, depois durante a era na qual grupos foram tomando o poder no mundo, escravizando outros, tornando tudo e todos meras "coisas" a lhes servir, continuaram estas artes ciências protegidas em grupos e linhagens.
Podemos compreender aqui que as torturas da Inquisição nunca foram destinadas ao "arrependimento" dos "hereges" mas a tentativa de extrais desses iniciados e iniciadas algo de sua arte-ciência, com as migalhas extraídas nas câmaras de tortura, com fragmentos revelados por alguns foi se formando o que geraria as ciências e as universidades da modernidade.
Este é um lado desconhecido da "história das ciências" que poucos contam, o tanto do "saber" oficial que foi "arrancado" nas masmorras e câmaras de tortura, dos "hereges".
É fato conhecido que mesmo Newton, Galileu e outros tantos "pais" da ciência moderna tinham um ativo contato com o chamado "ocultismo", "hermetismo" e afins.
Assim sendo, para irmos ao estudo da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria não devemos nos deixar impregnar por pseudo-histórias, por abordagens equivocadas do que foi o nosso passado, mas temos mesmo de ousar procurar outra linha de história.
Existem aqueles que crêem em outra linha de história, e crêem não por concordância passiva, por mera aceitação, mas crêem porque foram levados (as) a presenciar por si as evidências desta outra linha.
Somos "sócios" de uma visão de mundo.
Estamos numa prisão perceptiva que em última estância é mantida porque aceitamos que seja assim, esse nosso incrível poder de dar realidade ao que cremos real é subestimado em nós. Somos a somatória de nossas crenças, nem sempre as que verbalizamos e as que fingimos adotar, somos a manifestação do que interiormente cremos.
A força de nossa crença é tremenda e não é a toa que grupos diversos brigam e tentam a todo tempo, estipular o que é real e o que não é real para a humanidade, sempre com o propósito subliminar de manter sua descrição de mundo dominando.
Esta outra história conta ter a humanidade atual surgido de uma fase após uma profunda queda. Sem pecados aqui, sem castigos ou leituras assim, uma queda causada por causas impessoais, todo nosso planeta entrou num "eclipse", numa sombra onde ficamos isolados de um tipo de energia que vem do centro da Galáxia, dos buracos negros duplos que giram tudo tragando, gerando a forma dessa galáxia espiral, na periferia da qual vivemos.
E neste eclipse, como num inverno, a energia favorecida no planeta ia gerar um tipo de gente ambiciosa, insegura, que teria de impor a todos seu modo de vida para se sentirem seguras. "Um só deus, um só senhor, uma só fé" e tudo que isto representa.
E a Bruxaria, a Magia e o Xamanismo passaram a ser perseguidos. Temidos, pois são caminhos de liberdade e quem pretende tornar o mundo um vasto curral de escravos, animais e humanos e deles todos fazer uso como coisas não aprecia que existam homens e mulheres que lhe são inacessíveis, que suas manipulações e mesmo o uso da sua pretensa força não pode atingir.
E as Eras de perseguição são cada vez mais intensas, o braço que se forma sobre o Império Romano, depois com a Igreja Romana é forte em destruir todos os sinais da antiga civilização planetária, de onde as diversas tribos sabiam um dia ter feito parte.
O sentido dessa civilização planetária não tem nada a ver com o de hoje. Hoje temos computadores e nos achamos o máximo porque podemos entrar em sintonia com outras pessoas, em diferentes tempos e espaços, como eu agora contigo nessa mensagem que escrevo numa tarde , na Serra e tu lerás alhures.
Mas toda nossa tecnologia é um simulacro, como um "ciborg" que amplia de certa forma nossas habilidades naturais, mas somos mais que isso. Nesta ancestral civilização planetária, a sintonia era em outras ondas. Cada corpo humano é por si mesmo um gerador e captador de ondas. Este treinamento continua hoje no Xamanismo, na Bruxaria e na Magia. Então usando uma fogueira, um espelho mágico, feito não só de vidro, mas de metais polidos diversos, (existe um espelho mágico que existe nas árvores, certas aberturas em sua casca externa), enfim, usando meios diversos entravam em plena sintonia com outras pessoas , de qualquer canto deste mundo e ainda de outros mundos.
A Internet não acessa outros mundos. Então para entendermos como viviam estes povos antes desse momento de queda que acontece, de desconexão, temos que usar muito nossa intuição, para evitar falsear a percepção com os preconceitos históricos que herdamos dos condicionamentos que nos impuseram. Foi uma queda que levou toda uma civilização planetária a se esfacelar, mas que mantem, apesar do trabalho violento dos grupos dominantes em ocultar todas as evidências, alguns sinais desta época anterior de amplo conhecimento.
As pirâmides no Egito (as três mais antigas e principais, no chamado vale dos Reis) a Esfinge, Angkor no Camboja, Menires, Dolmens e câmaras em Carnac, França, os grandes desenhos nas Ilhas Britânicas, ruínas encontradas no mar ao redor do Japão.
Tudo isso e mais lugares que nem se sabem existir, estão alinhados de tal forma que agora não apontam exatamente para nada significativo, fora o fato de estarem sempre marcando de alguma forma equinócios e solstícios.
Mas se levamos em consideração a "precessão dos equinócios", fenômeno astronômico que desloca o eixo da terra em relação a elíptica das estrelas a nossa volta, e fazemos os ajustes, estes marcos ancestrais todos se alinham com um esquema que inclusive os relaciona, quando monumentos de um canto da Terra estão se alinhando com suas constelações significativas os outros grupos estão também sincronicamente fazendo o mesmo.
São astro-arqueólogos que usam o conhecimento astronômico dos povos estudados para entender melhor a complexidade dessas ancestrais culturas, que cada vez mais percebemos, tinham uma cultura muito mais sofisticada que a atual tecnologia que nos domina, e que nos faz extensões biológicas das máquinas e ainda nos engana, negando-nos a magia que é a nossa realidade por simulacros estereotipados de vida e prazer.
E impõe a idéia que o "homem das cavernas" era algum bruto insosso, que foi evoluindo, passando por mutações até que surgem culturas como a Egípcia, a Chinesa, as tradições que construíram os "livros de pedra" nas terras hoje chamadas América Central.
E então surge a idéia que esta civilização dominante é a mais evoluída que aqui já existiu e que suas respostas ao desafio de estarmos vivos são as melhores já dadas. Ao invés de ensinarmos as novas gerações a buscarem respostas, a perguntarem com eficiência, acabamos nos limitando a condicioná-las a decorar respostas prontas, para passar nos pseudo testes que o mundo lhe dará, quando a verdadeira prova ficará esquecida. Assim as práticas da Bruxaria, do Xamanismo, da Magia são vistas como superstições pueris, de um tempo no qual as benesses da ciência ainda não havia esclarecido os seres humanos. E existem ramos que pretendem ser da árvore do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia mas operam com paradigmas que nos são completamente estranhos.
Como alguém que coisifica coisas e pessoas pode mesmo mergulhar em caminhos vivos, onde sentir a Vida é condição fundamental? É claro que esta informação é completamente equivocada e nada mais equivocado há que pseudo estudiosos de Magia, Xamanismo e Bruxaria quererem demonstrar que suas práticas são "cientificas" .
É a ciência contemporânea que tem de fazer muito esforço ainda para compreender a ancestral e ampla abordagem da realidade que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria realizam e não o contrário, assim como é o Avô que deve ter a paciência de compreender e falar na linguagem que seu neto entenda e não o contrário. A ciência contemporânea tem seu valor sim, tem seus méritos e quando não está a serviço de grupos de poder, de egos inflados de "catedráticos" que prezam mais sua posição na "comunidade acadêmica" que a verdade em si, quando não está a serviço de laboratórios farmacêuticos e similares, esta ciência, o método cientifico é um caminho inteligente e funcional de abordarmos a realidade em buscas de respostas efetivas para os grandes mistérios que nos envolvem.
Mas assim como existem cientistas de diversos graus de profundidade e geniliadade vamos encontrar magistas, xamãs e bruxos (as) de diversos naipes. Não podemos generalizar nestes campos, temos pessoas de diversas formas de ser e posturas que se aproximam da ciência, por analogia podemos entender o mesmo de pessoas que se aproximam de tais campos. O fruto é a artimanha da árvore, para que a semente permaneça e seja levada onde amplie .
Os mistérios da Semente, de seu tempo na Terra, de seu morrer para nascer de novo, o vencer da terra resistente e escura que se lhe apresenta após a primeira porta, passar pela noite escura e então também resistir ao ofuscante dia claro. Como planta completa aprender a crescer tanto em raízes como em caule e galhos, pois a copa só acariciará as nuvens quando as raízes se sentem firmes nos mundos mais profundos. Os ritos mágicos são, ainda hoje, a mesma representação destes mistérios , entre outros.
Pois o Caminho nos leva ao recolhimento da semente que se deixa ir enquanto semente para poder realizar seu Ser árvore e cada fase de nossa caminhada nesta trilha está nestes ritos traçada e simbolizada. Assim a atenta observação da natureza e seus fluxos marca todos os ritos ancestrais, quando ritualizar era reatualizar o mito, tornar-se o mito encarnado, por vivência ativa e não mera incorporação. O primeiro ponto a recuperar neste trabalho é a consciência que a Terra é a grande provedora e seus ciclos, em relação a si e aos astros e corpos celestes que nos circundam em suas elipses irregulares, são os momentos de trabalharmos com os fluxos por tais alinhamentos gerados.
Experimente sentir o poder da Terra pelos próximos dias, observe cada árvore, cada planta que aparece durante o dia, tens um lugar de terra que podes mexer? São perguntas interessantes, pois como lidar com a Magia , o Xamanismo e a Bruxaria sem um contato real e efetivo com a TERRA?
ando olhamos para o mundo a nossa volta notamos que ele tem um contexto, uma historicidade. Refiro-me ao mundo social, ao mundo tal qual vemos em nossas relações cotidianas. As pessoas em nossas vidas teceram eventos, conosco e em suas próprias esferas, que criam uma historicidade, um conjunto de fatores que nos ajuda a "localizar" pessoas e eventos na nossa percepção. É uma grande magia isso que fazemos, tecer eventos na vasta e emaranhada teia da existência e dar uma solução de continuidade a isso, criando o que chamamos de "realidade sensível".
É muito importante libertarmos nossa memória das falsas histórias e falseados mitos que nos impuseram. Tal liberdade não é atingida apenas pelo intelectual. Temos que usar MAGIA para podermos ir além, precisamos de ritos que reatualizem o mito que perdemos, nosso mito original, que foi oculto de nós pelo falso brilho da personalidade que em nós criaram. Não somos apenas o que fizeram de nós. Podemos ser quem faz algo com tudo o que herdou da realidade.
Somos entidades perceptivas, percebemos.
Aquilo que é percebido nos foi ensinado, a percepção em si não, mas a interpretação sim.
Temos o conceito de Pierce segundo o qual num primeiro instante temos a percepção plena do evento, sem o "enformamento" das palavras, do conceitual. Depois vamos conceituar, vamos significar. A secundidade, o momento no qual usamos os signos linguísticos para nos comunicarmos com nós mesmos, o diálogo interno que nos leva a compreender e sentir o mundo tal qual o fazemos, é também um limite.
Linguagem implica em código, algo que compara o que é sentido/percebido, com o conjunto de memórias já existentes. Assim os Caminhos profundos insistem, na memória, no já vivido, não há o novo, o novo só pode ser criado, na magia do instante presente.
Por isso a "iluminação", o "despertar", o "Satori" é sem palavras.
Na percepção primeira há só presença, na percepção interpretativa, vamos usar palavras para designar, aludir, apontar para o que desejamos expressar.
O diálogo interno de uma época possui matizes comuns, bandas de variação mensuráveis , entre os membros da mesma nação. Mas o mundo que estamos destruiu sistematicamente formas várias de ser de várias nações, nações nativas aos montes foram cruelmente mortas, escravizadas, ainda hoje com pastores e pregadores diversos as religiões que servem aos conquistadores continuam escravizando os povos nativos, em corpo e alma. Temos esse condicionamento como herança, por isso é tão importante a quem vai trilhar o Caminho da MAGIA, do XAMANISMO ou da BRUXARIA ter sua jornada pessoal de poder, onde encontra consigo mesmo, com suas fraquezas e forças e descobre-se um ente perceptivo livre de qualquer condicionamento, de qualquer rótulo que lhe queiram dar.
Em todos os caminhos temos que ter a coragem de morrer para o velho para renascermos de nós, por nós e para nossa meta. Quando um certo momento chega a gente vai rir um pouco se continuar a usar termos como " magista" "xamã" ou bruxo (a)" , mas vai entender o que está além das palavras, coisas que só com brilho do olhar, tom de voz, vento presente, respiração sincrônica se pode transmitir de verdade, no mais, como fazemos aqui, é só aludir, só apontar para algo que nos toca vindo da ETERNIDADE. Algo que a civilização de escravos (as) foi levada a esquecer mas nós nos lembramos e buscamos agir com o que lembramos e aprendemos.
Assim, MAGIA, XAMANISMO, BRUXARIA são caminhos de liberdade, que nos auxiliam a recuperarmos a nós mesmos. São caminhos de LIBERDADE, caminhos onde o PODER é acessível, mas não somos "donos(as)" desse poder, apenas acessíveis a Ele. Dado interessante: foram caminhos perseguidos e ainda hoje desmerecidos e injuriados, por que o sistema que cria escravos teme tanto tais caminhos?
São caminhos onde a realidade é outra, vasta como uma cebola de incontáveis camadas e tudo que chamamos de realidade, está apenas numa dessas camadas. São caminhos que redespertam em nós nosso poder interior e o brilho de nossos olhos quando estamos de fato vivos e não sobreviventes, sempre incomodou entre os que pactuam com a morte para ter poder sobre os vivos. Dividir para governar tem sido a meta destes conquistadores. Os povos nativos vêm sendo destruídos porque realizaram alianças equivocadas, líderes inescrupulosos e manipuladores, sequiosos de poder momentâneo levaram seus povos a minar a força dos vastos impérios como o Andino. Já Impérios, já a praga comportamental que se abateu sobre a humanidade em ação, Impérios gerando ódios que iriam enfraquecê-los quando mais precisavam ser fortes. E o ocaso do Mundo Ancestral veio e a longa noite começou. Mas a noite segue seu curso e há algo de alvorada no ar...
Hoje a espécie humana tem seu estilo de diálogo interno mexido pelo fenômeno da interação entre culturas diversas, via meios de comunicação para as massas ou ainda pela NET. Portanto avaliar a MAGIA, o XAMANISMO e a BRUXARIA a partir de nossa época é delicado, pois ainda estamos recuperando a amplitude perceptiva necessária para realmente entender os profundos caminhos que se escondem atrás de tão incompreendidos rótulos. Estes caminhos são mensagens secretas que sobrevivem apesar de toda a perseguição, são caminhos, elos com outros povos e mundos que ao contrário do que a falsa história conta não foram destruídos ou sumiram, mas apenas mudaram de mundo, estando noutra camada da cebola, nos mandando sinais constantes.
Mas tais sinais são deturpados pelos conquistadores e histórias despropositadas substituem a real origem de tais sinais. Nossos ancestrais não foram destruídos, partiram e nos acenam de outras ilhas de realidade entre o vasto Mar da Consciência. Os carcereiros tentam iludir, não é nada, é Vênus brilhando, é um balão meteorológico, estais louco, vamos te dar remédios para que voltes ao "normal", estas e outras formas são meios efetivos de impedir que percebamos a realidade, os sinais estão sendo mandados. Ficamos aqui, nascemos aqui, neste mundo onde nossos ancestrais foram escravizados, ambos, tanto o conquistador como os conquistados eram escravos do mesmo sistema que usa os conquistadores para estender seus domínios onde ainda se é livre. E da fusão do conquistador com o conquistado surgimos nós, aqui, híbridos, cheios de potencial, mas em grande parte ignorando tudo isso.
O positivismo e outras escolas que se declararam únicos caminhos para a compreensão efetiva da realidade, são resultantes da ERA Industrial e de uma abordagem supersticiosa da realidade. As limitações da ciência positivista ainda não foram completamente superadas, nem tão pouco os paradigmas de religiões, ainda dominantes, que foram desenvolvidas em suas formas atuais pelas elites governantes dos conquistadores e agora querem ter sua própria historicidade, vil, mascarada, pois em realidade sempre foram instrumentos da conquista. Mas então cerraremos fileiras com os ateus, os agnósticos, os que em nada crêem? Iremos estar com os cínicos que descrentes de tudo negam a própria felicidade para apenas com sarcasmo aplaudir a destruição do mundo deixando que a indolência lhe encha de intelectualizados argumentos para não agir? Somos meros acidentes cósmicos de algo sem nenhum sentido? Que é crer para nós? Confiar cegamente num pai/mãe psicológico que sane nossas carências e oculte de nós o fato de nossa solitude frente a incomensurável Eternidade que nos envolve, nós, efêmeras criaturas?
Os (as) Xamãs, Bruxos (as) e Magistas de todas as eras que nos antecederam foram sempre homens e mulheres que souberam se ligar a outra linhagem de conhecimento, tão sistêmica como a ciência, ampla como a filosofia, mística e profundamente artística. Tinham uma abordagem da REALIDADE bem distinta, mas totalmente pragmática e efetiva, isto é, seu conhecimento se traduzia em ATOS de PODER não apenas elocubrações teóricas. Tal Arte / Ciência tinha no ser humano seu instrumento de prospecção e avaliação de outras realidades perceptivas. Em tais caminhos é o ser humano que se amplia e se desenvolve para investigar outros mundos. Não com naves pretendemos ir a outros mundos, não queremos minerar outros mundos, queremos aprender mais. Assim XAMÃS, BRUXOS (AS) e MAGISTAS vão a outros mundos pela força de seus conhecimentos.
Conhecimento que faz parte da herança ancestral presente num caminho pleno. Conhecimentos que em câmaras de torturas a Inquisição quis roubar-nos. Foi com o que escorreu pelo vão dos dedos, ao terem os capturados que apertar com força a substância viva do conhecimento na mão que os protegia, que se construiu esta civilização industrial, que explora e subjuga a Natureza, nossa Mãe de fato, não de crença. Esta civilização que aí está é fruto de um conjunto de atitudes tomadas por todas as pessoas que dela fazem parte. Assim temos vários grupos lutando por terem o poder de dizer às pessoas como dever sentir e pensar o mundo. Este estado de heteronímia existencial é estimulado e facilitado de formas as mais diversas, basta notar como é o mundo hoje.
Heterônomo, ausente de si mesmo, fora de eixo, suicida. Sim suicida, pois o que é uma civilização que armazena formas de se destruir? Este tipo de condicionamento gera bons servos ao sistema, mas os critérios cognitivos, os paradigmas da MAGIA, do XAMANISMO e da BRUXARIA são muito distantes desses hoje usados. Não que sejam inexistentes, são apenas caminhos cheios de caprichos que mais prendem que libertam, usarem da denominação, desses rótulos. Existem pseudo caminhos de magia, de xamanismo e de bruxaria. Mas estamos falando aqui de MAGIA, de XAMANISMO e de BRUXARIA e em tais caminhos a conquista da autonomia existencial é necessária, é fundamental, pois quem viaja por muitos mundos deve estar sempre pronto a lidar com as mais inesperadas situações e é sua habilidade de reagir com tranqüilidade e foco em qualquer situação que permite ao (à) magista, ao (à) xamã e ao (à) Bruxo (a) serem realmente a expressão do caminho que trilham. E só somos unos com o caminho quando o expressamos pela força de nossos atos. A força de nossos atos é medida pela realidade de nossas vidas, pelo estado de nosso corpo, pela força de nossa mente, pelas emoções que temos a habilidade de harmonizar até que surja o pleno sentimento em nós.
A BRUXARIA, a MAGIA e o XAMANISMO são caminhos de essência, toda vez que alguém trilha pela personalidade, pelos valores mesquinhos e ausentes de significação efetiva da personalidade, cria confusões, para si e para outros. Temos um mundo confuso aí, a nossa volta, porque foi gerado numa luta de personalidades em busca do poder sobre outros, sobre todos. Grupos querendo subjugar grupos, dominar, ao invés de interagir criativamente. Nessa guerra de dominação grupos foram muito além de seus próprios limites naturais e se impuseram como império global e pouco a pouco estamos assistindo as nações nativas serem destruídas enquanto fonte de energia sonhadora para o mundo. O mundo é sustentando pelo sonho dos povos, se padronizarmos demais os sonhos do mundo ele se desintegrará por excesso de emanações da mesma banda. De certa forma esta civilização parece que se matará de tédio. Não podemos mais deixar que as civilizações imperialistas dominem nosso sonhar, dominem nossas visões.
Somos herdeiros dos povos nativos, é hora de recuperarmos as antigas visões, é hora de vivermos dentro de nosso modo de vida. Garanto-lhes que é possível. Basta coragem e foco e o caminho se revelará. Este é um desafio. Qual é sua VISÃO? Vive de acordo com seu Coração? Sua mente é sua auxiliar em investigar o mundo ou uma tirana que lhe impõe uma visão pronta da realidade? A qualidade das respostas a estas perguntas revela muito sobre tuas chances de entender de fato o que abordamos aqui. Pois se a MAGIA, o XAMANISMO e a BRUXARIA tem algo a ensinar é para seres inteiros ou que buscam de fato se tornarem plenos.
Aí temos o nosso próximo tema. Existem dois níveis de MAGIA, de XAMANISMO e de BRUXARIA. Num nível são caminhos para nos reintegrarmos a realidade mais ampla da existência, para nos recuperarmos desse estado robótico e sonambúlico que fomos postos. Um caminho de reencontro, um "religare". Depois que "acordamos", que morremos e nascemos de novo a vida continua, há todo um novo desafio agora, lidar com o mundo sem ser dele, não ser mais escravo mas não ser tolo de colar isso na testa e virar alvo dos neo-inquisidores, muito mais sutis e aparelhados, que continuam em ação. Então tem a MAGIA, A BRUXARIA e o XAMANISMO que te ensinam, conhecimentos mais sutis e profundos. A maior parte do material que existe publicado fala da primeira fase do trabalho de contato com estes caminhos.
O fato é que hoje estamos integrados em termos de mundo de uma forma muito intensa.
Se algo acontece agora no Japão, quase que imediatamente vamos estar sabendo, muitas vezes uma pessoa da zona rural do Japão, que esteja longe dos meios de comunicação durante uma tarde pode demorar mais a saber de um evento importante que aconteceu numa cidade vizinha onde está, do que uma pessoa morando no outro lado do mundo.
Criamos uma série de interconexões entre os países e os povos desses países. Agora mesmo estou ligado na internet, mantendo contato on line, via icq, com gente de vários lugares do mundo. Esta nova forma de interagir cria uma forma de perceber o mundo bem diferente das gerações anteriores. Alvin Tofler chamou de 3 ª Onda.
Quando vamos estudar o passado para compreender as origens do que hoje denominamos Xamanismo, Magia, Bruxaria, temos que ir muito além de uma leitura intelectual de pretensas descrições históricas.
Temos que recuperar a liberdade de perceber além do que nos determinaram como realidade. Para irmos mesmo as origens de tais faces da ARTE temos que ir além do próprio conceito de tempo que temos. O Tempo tal qual ele se manifesta em sua vida, este tempo dos relógios que te mantém servil, este tempo é fruto da construção de uma realidade que é a dominante.
Essa realidade foi desenvolvida a partir de elementos de diversas culturas, tem influência dos egípicios, helenos, dos hebreus, dos romanos, vem caminhando num jogo crescente entre grupos antagônicos que querem o poder sobre outros, imperialismo e conquista é sua meta. Temos que estar bem atentos a estes aspectos manipuladores, a este background imperialista que impregna toda a base existencial da chamada "sociedade contemporânea".
Temos que estar atentos porque esta sociedade criada assepticamente em projetos de colaboração entre estes e estas que querem tudo dominar também criaram pseudos caminhos, pseudos xamanismos, pseudo bruxarias e pseudo magias. Estão aí estes caminhos, esperando por quem quer apenas fantasias, arrepios, brincadeiras de salão. Assim brincam com fantasias, agitam a luz astral, mas nada além do reflexo de seu inconstante interior descobrem. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que podem ser usados no mundo cotidiano, de forma discreta e com um grau de eficiência incrível. E após Eras de perseguição e numa época de escravizadores é claro que aqueles homens e mulheres que de fato trilham esse caminho se tornaram hábeis em ser discretos, quase sumidos, deixando entrar em seus círculos vez por outras pessoas que estão ainda entre os escravos, para que voltem e contem o que viram.
Quando olhamos o mundo notamos que num certo momento uma doença começa a atacar o organismo formado por todos os humanos do planeta. Em vários locais a guerra de conquista e a escravidão, o transformar outros seres humanos em objetos, se tornam a proposta fundamental de nações, clãs.
Vamos observar este estado de consciência ir tomando área após área do globo, as guerras de conquista do Império Romano, depois os impérios Cristãos e agora o neo-colonialismo chamado "globalização", onde os neo-cristãos com seus valores consumistas pretendem manter toda a humanidade sob sua descrição da realidade.
Há muito o que meditar aqui, pois Xamanismo, Magia e Bruxaria são heranças de outros tempos, dos tempos dos povos livres, que iam e vinham pelos caminhos naturais do mundo. O presente modelo de realidade que hoje nos foi imposto, foi habilmente implantado, num projeto organizado que começa de forma sistematizada com Júlio César e Cleópatra, passa pelas Cruzadas e Inquisição e segue sempre em frente, a Águia que quer dominar sozinha o mundo.
Há muitas águias e que algumas sejam assim tão egoístas é apenas uma pena. Nós, herdeiros espirituais dos(as) Xamãs, Magistas e Bruxos (as) da ancestralidade somos agudamente conscientizados durante nosso treinamento de como o mundo "oficial" é o mundo dos escravos, onde o dom da vida é empregado por gigantescas máquinas, onde seres humanos são apenas extensões biológicas de tais engrenagens.
Nossas tradições nos contam como era antes, nos contam como foi a lenta queda dos povos ancestrais que viviam em harmonia com a Terra. Os conquistadores trouxeram consigo suas doenças físicas e existenciais e contaminaram o povo nativo com ambas, matando assim em corpo e espírito milhões de nativos em poucos anos.
Quando em certos ritos, em certas práticas, usando de certas habilidades que o aprender efetivamente nestes caminhos desperta em nós, podemos ir até este passado diferente, mas temos que ter o cuidado de não "onirizar" o que vemos. Podemos ficar limitados a interpretar a energia que estamos percebendo com base no repertório ordinário que temos, que é fruto deste sistema, que é escravizante.
Assim antes de mais nada, antes de falarmos de outros mundos temos que reconsiderar nossa própria percepção desse mundo. Esse mundo maravilhoso no qual estamos, mas ao qual também fomos embotados. Percebemos fragmentos da realidade, mesmo desta que dizemos ser a única. Vivemos de forma incidental, não com presença e profundidade reais. Agora o que sentes, como esta tua respiração, que sons , imagens, cheiros, temperaturas te circundam?
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria, tem a inquietante capacidade de realmente funcionar a partir do momento de quem os procura, e que com sinceridade o faça. Pois está presente em muitas tradições o fato que quando nos pomos a lutar pelo nosso encontro com a Verdade, ela também começa a lutar por nós, se põe mesmo a caminho e fará todo o possível para nos encontrar também.
Há um tambor batendo no peito de cada um de nós. Há uma fogueira no interior do coração. Como está tua fogueira interior? Plena, a luz presente no brilho de teus olhos, o calor presente na realidade dos teus atos?
Ou estará tal fogueira já em cinzas, fria, apenas tocos queimados de madeira, sem luz, sem calor? Por que isso está assim? O Xamanismo, a Magia, a Bruxaria acreditam que cada um de nós pode evocar uma vez na vida o Grande Fogo. O Irmão Fogo no seu aspecto Vida.
Quando o Fogo é evocado em tal rito, se houver uma chispa de brasa em nossa fogueira interior, será a partir dela que a fogueira será plenamente acesa de novo. Não será este o teu momento de reacender tua fogueira interior?
Pois ler sobre atos de poder é ler contos de poder e os contos de poder têm a inquietante capacidade de nos levar a este mundo misterioso que é o mundo do poder. E sem o calor interior da tua fogueira, sem a luz da mesma, irás usar de teu poder para ter coisas que já tens em ti só falta realizá-las. E é essa a primeira armadilha de quem busca o poder sem antes acender sua fogueira interior. Querer usar do Poder para sanar suas carências, irresoluções e tudo mais que resulta de ser ausente de si mesmo.
O passado ao qual me refiro está além do passado racional, mergulha mesmo no passado mítico, mas no mito vivo não no mito congelado. Um passado além do tempo onde as tradições que comentamos, tem suas raízes profundas , onde a base é ao mesmo tempo a nutridora.
Ali era comum e não exceção, o estado de liberdade, de estar desperto, de perceber outras realidades, de ir e vir por mundos outros que não esse.
Nesse "passado" ao qual me refiro temos povos vivendo de forma muito diferente da atual, povos lidando com as diferentes realidades de seu cotidiano com outras formas de interpretação.
Este passado lançou caminhos de existência alternativos, deste passado nem todas as linhas conduzem para a destruição e subjugação, condições que nos geraram, mas algumas linhas vão para mundos paralelos e criam vidas diferentes, que agora, existem com tanta realidade como os que habitam os outros continentes deste planeta, pode-se dizer que com mais realidade, por serem mais livres e conscientes, uma vez que partimos do princípio que este mundo está quase todo escravizado.
É hilário ver certas definições que pretendem estabelecer verdades finais, como se a dança das energias espalhadas pelas emanações da Eternidade pudessem mesmo ser limitadas a compreensão linear e racional. O fato de só operar com uma pequena parte de si leva o ser humano a só perceber uma pequena parte da Realidade Total.
Mas a amplitude também está lá , apenas esperando que decidamos usar outro modelo para interagirmos com a ETERNIDADE. Um conjunto de paradigmas que já foi usado antes, que tem o apoio conceitual de gerações sem conta de praticantes. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm esta característica comum. É um caminho que pode ser ensinado.
Aprende-se. Mas como toda ARTE, podem ajudar a desabrochar o artista em ti, não podem te moldar. Na ARTE a palavra educar reencontra seu sentido etimológico mais raiz: "Desabrochar na essência perceptiva o que esta trás em si." Cada povo tem sua linguagem, cada espécie tem sua linguagem, composta da interação com a Eternidade a sua volta. Usamos nossa mente para raciocinar, usamos nosso sentir para nos emocionarmos, usamos de nossas habilidades em nos inserirmos concretamente na realidade circundante para apenas reagir a estímulos diversos.
Assim raciocinamos, emocionamo-nos e reagimos. Mas podemos ir além disso. Podemos usar a mente, o sentir e o agir de formas plenas, tão plenas que gerem tais campos de energia que tal qual um buraco negro possa abrir portas para outras realidades.
Alguns vão ficar esperando que construam máquinas que façam isso. Outras pessoas podem recuperar o elo com a tradição que se manifesta na Magia, na Bruxaria e no Xamanismo. Em todos esses caminhos, vamos saber então, os (as) praticantes usavam o próprio corpo como instrumento mais refinado de contato com outras realidades, tanto quanto essa.
Mas para falar disso vamos nos limitar a linguagem. E vivendo experiências diversas, abordando a realidade dentro de uma sintaxe diferente fica por vezes complicado falar de mares a quem viveu toda a vida no fundo de um poço.
Imagine como que tu explicarias a um morcego sobre o Vermelho? O Azul? Poderias desenvolver uma linguagem comum a partir da idéia de ondas e tal , mas um aspecto desta totalidade chamada cor só existe para a tua visão.
Neste período que estou comentando a interação com as várias realidades era tão plena que falar desse momentum é muito mais impreciso que falar de cores ao morcego, como ele também vai ser limitado em nos passar sua forma de perceber pelos nossos conceitos.
Assim é importante lembrar que só compreendemos um caminho quando somos unos (as) com o caminho. As raízes da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria vem de um tempo onde estávamos naturalmente conectados com a VIDA e seus fluxos e o Ser Terra que nos habita era respeitado, como um feto respeita o ventre que lhe gera.
Quem leu a carta do Chefe Seatle ao então presidente dos EUA notará tal consciência que hoje chamaríamos de ecológica. Assim o modo de interagir com a realidade dos povos nativos é muito distante dos modos que surgiram com o desenvolvimento dos impérios e seus modos de domínio.
Quando os humanos começaram a se escravizar entre si ocorreu algo inédito. Pela primeira vez, propositadamente, um humano da mesma espécie enfraquecia outro ser humano propositalmente para dele se aproveitar num grau de subjugação forte.
O modo de vida que estava pouco a pouco dominando a espécie humana no planeta era um modo de vida onde pequenos grupos cuidavam de condicionar, do berço a maturidade, os novos membros de sua própria espécie a serem servis e em fuga de si mesmos. Aproveitando-se de carências naturais ou geradas pela engenharia social e religiosa conseguiram transformar a humanidade nisso que aí está. E vejam como o mundo está. Estamos a beira do abismo, fundo, destruidor, e os donos e donas do mundo ainda insistem em suas batalhas egóicas que podem nos levar todos a destruição.
Os seres humanos são criados como rebanhos. "O Senhor é meu pastor, nada me faltará". Senhor, Domine, Domínio. Quem já andou por granjas e anda pelas cidades "grandes" verá que o sistema de empilhar as galinhas em cubículos superpostos e dar-lhes comida e água criou variações interessantes quando aplicado à espécie humana cativa.
Criaram TVs para evitar que os seres humanos desenvolvessem suas habilidades de ir com sua própria consciência a outros lugares, conforto para ajudar a enfraquecer os que agora temem perder a "comida e água" que têm servidas. De Potosi, das minas de prata e ouro no "novo mundo" que invadido pelos conquistadores e pela varíola quase desapareceu da existência, passando pelas explorações que acontecem agora onde povos nativos são escravizados de formas diversas, das mais óbvias as mais sutis, em todos esses momentos há uma guerra, os conquistadores e escravizadores subjugando e destruindo o povo nativo em essência e forma, quer pela morte , quer pela escravidão.
E tu que me lês também podes ser mais um dos que estão escravizados neste sistema que criou celas sutis, celas conceituais. Prisão perceptiva é a arte desse sistema que hoje domina. Mas a liberdade perceptiva é a chave que pode nos colocar mais perto de entender outro ponto comum, retas onde os planos da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo coexistem. Nós, que trazemos conosco a fogueira e os tambores dos povos nativos nos assombramos que os (as) escravos (as) aceitem passivamente tal condição.
Mas existem caminhos de recuperar o poder pessoal perdido e o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são caminhos que levam a esta meta. Portanto, quando vamos nos aproximar do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria, mesmo que só aqui, para ler sobre tais linhas, é importante compreender que nossa energia deve estar bem sintonizada, ampla, presente.
Do contrário a verdadeira informação será perdida e apenas uma compreensão linear e limitada, reduzida a interpretações medianas, será notada. Se espreguice, não leia apenas, ouse fazer, se espreguice total enquanto lê, abra a boca, boceje, alongue os dedos do pé, os dedos das mãos, alongue bem, inspire, expire e solta e relaxa, relaxa de uma vez.
Se pôs em prática o que leu acima vai notar que é bem diferente ler assim, fazendo, do que apenas o ler passivo. Volte 3 parágrafos acima e leia de novo, fazendo o exercício, vai notar que teu corpo vai estar bem mais "esperto" quando terminar de ler o parágrafo.
Tu lestes com o corpo quando fizestes o exercício. Esta leitura corporal é mais ampla que ler só com os olhos e decodificar as palavras.
Leia: "A mão mexe em algo." Isto é só um conto de poder. Faça: (sim, faça na real aí onde estás) Mexa algo aí, onde estás. Mexeu em algo? Causaste uma alteração real, efetiva na realidade a tua volta.
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são atos, portanto, só ler sobre eles é uma parte muito pequena para se fiar em algo. Temos que observar a nós mesmos, nos sentir em nossas próprias vidas para a partir de uma auto observação sincera e plena possamos ter elementos para realmente entender o que estamos nos referindo quando falamos de Magia , Xamanismo e Bruxaria.
Assim sendo um tema importante para esta semana seria que cada um(a) que está acompanhando esta série de artigos fizesse um exercício simples. Cada vez que falasse "Eu" notar e anotar.
Cada vez no dia , todo dia que disser "eu" anote. Tem vários jeitos. Tu podes colocar vários palitos de fósforo ou grãos de arroz num bolso da calça, cada vez que disser "eu" passe um palito ou grão para o outro bolso, no final do dia tente lembrar de cada momento que falou eu e confira se o número de lembranças é o mesmo de palitos ou grãos que usou para contar.
O ideal é que apenas se tire os palitos ou grãos do bolso depois de ter sido feita essa lembrança. É um exercício que ativa certos níveis de conexões internas que permitem um acessar de uma qualidade de energia mais sutil, a qualidade de energia que nos permite entender melhor que a "Intenção" desses (as) xamãs, magistas e bruxos (as) da ancestralidade ainda está viva e nós podemos nos conectar a esta linha de força.
Isto é uma informação que as linhagens xamânicas, mágicas e bruxas da Tradição têm em comum também, são caminhos com conexões profundas, cujas estruturas interiores estão em harmonia com o fluxo do próprio Tao, da Eternidade, do Intento.
O que diferencia uma linhagem tradicional efetiva nestes caminhos de uma falsa é a realidade da energia primordial que trazem em si. EM diferentes religiões dão diferentes nomes a isso, "Graça", "Baraka".
O que sei é que quando o caminho que se coloca como xamanismo, magia ou bruxaria tem mesmo essa energia viva, por transmissão direta, há uma conexão com um nível de poder muito mais amplo. Quando conectados (as) a uma linhagem assim cada tanto que trabalhamos em rumo nossa meta a própria presença da linhagem também trabalha em nós.
É sobre isso que falamos aqui. Não em definir Xamanismo, Bruxaria ou Magia de forma linear, em conceitos tirados do sistema que se esmera em negar tais abordagens da realidade.
O que trabalhamos aqui é para um mergulho de cada um, que por estas palavras aqui se sintoniza, com a realidade-vida que representam tais caminhos. E para perceber isso há uma pergunta que tens de responder ao guardião desse portal, pois só a resposta sincera poderá realmente lhe levar para o próximo momento deste encontro virtual. A questão é:
Qual a realidade da sua vida?
É uma pergunta dinâmica, que respondes dia a dia, instante a instante. A qualidade da tua resposta determina a qualidade da tua compreensão do que vem pela frente.
Um dos pontos que temos de rever quando vamos estudar com profundidade o que se esconde por trás dos conceitos de Xamanismo, Magia e Bruxaria é nosso próprio paradigma de historicidade.
Temos uma educação formal que nos alimentou com "verdades" prontas, que nos deu uma visão da história dentro de paradigmas que cada vez mais se prova não serem os verdadeiros, que representam apenas a força dominante dos vencedores, que constroem sua versão dos fatos e condenam os derrotados a desaparecerem da própria história, provocando-lhes não só a morte e a destruição enquanto seres vivos, mas também apagam toda informação sobre estes deserdados da história.
A civilizaçao que domina o mundo hoje, com seus valores impostos pelas bolsas de valores, com as corporações quais novos senhores feudais a determinar os valores sobre os quais devemos viver e com as religiões de massa, ao lado da mídia, numa luta para impor padrões quanto ao pensar e agir da humanidade, é resultado de um processo histórico complexo, onde conscientemente grupos diversos atuaram para não apenas vencer outros grupos, quer escravizando-os (em corpo ou alma , pela força das armas ou das religiões dogmáticas) quer matando grupos étnicos inteiros, seguindo da destruição de todos os dados culturais desses povos.
Temos uma espécie de neodarwinismo social que nos obriga a crer que esta civilização, pelo fato de ter alcançado um surpreendente desenvolvimento tecnológico é a mais desenvolvida, o pináculo de toda evolução social humana.
Estamos presos de tal forma a estes paradigmas que pouco percebemos como várias das obras que se referem a Magia, a Bruxaria e ao Xamanismo o fazem descaracterizando tais artes , tais tradições de seus contextos e tentando "explicar" ou "provar" que tais caminhos são "evoluídos", caindo na armadilha de usar os critérios do dominador como instrumento de avaliação, quando o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria têm seus próprios critérios cognitivos, são campos complexos em si mesmo.
Podemos fazer uma analogia com o que ocorre na acupuntura. Ela funciona e muito bem. Aí vem a ciência ocidental querendo explicar que tal nódulo nervoso, ativado pela agulha faz isso e aquilo, mas não é real nem necessária esta explicação, porque a acupuntura já foi explicada em seus próprios termos há milhares de anos, o estudo dos meridianos, da energia tal qual ela se manifesta em suas polaridades Yin e Yang, como sedar e ativar tudo isso já faz parte do corpo de conhecimento da acupuntura.
Da mesma forma a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria já tem suas próprias explicações do porquê funcionam, do porquê são reais, e toda tentativa de tentar limitar estes vastos campos com explicações limitadas oriundas de abordagens pseudocientíficas servirá apenas para criar confusão.
O positivismo, e a ciência que dele resultou, tinha uma abordagem tão presa ao senso comum, tão limitada, que era natural não conseguir sequer conceber a vastidão que existe por detrás dos conceitos de Magia, Xamanismo e Bruxaria.
Só agora com a Mecânica Quântica, com ramos sofisticados da psicologia e outras áreas de vanguarda da ciência se torna possível de novo estabelecer um diálogo entre estes campos .
Portanto, vamos compreender que a Magia, o Xamanismo e a Bruxaria estão dentro de outro contexto cultural, são artes/ciências, oriundas de uma civilização ancestral que há milênios existiu, que depois caiu e a humanidade que restou regrediu a um estado de perda quase completa desse saber, mas tal saber ficou guardado em irmandades e grupos, depois durante a era na qual grupos foram tomando o poder no mundo, escravizando outros, tornando tudo e todos meras "coisas" a lhes servir, continuaram estas artes ciências protegidas em grupos e linhagens.
Podemos compreender aqui que as torturas da Inquisição nunca foram destinadas ao "arrependimento" dos "hereges" mas a tentativa de extrais desses iniciados e iniciadas algo de sua arte-ciência, com as migalhas extraídas nas câmaras de tortura, com fragmentos revelados por alguns foi se formando o que geraria as ciências e as universidades da modernidade.
Este é um lado desconhecido da "história das ciências" que poucos contam, o tanto do "saber" oficial que foi "arrancado" nas masmorras e câmaras de tortura, dos "hereges".
É fato conhecido que mesmo Newton, Galileu e outros tantos "pais" da ciência moderna tinham um ativo contato com o chamado "ocultismo", "hermetismo" e afins.
Assim sendo, para irmos ao estudo da Magia, do Xamanismo e da Bruxaria não devemos nos deixar impregnar por pseudo-histórias, por abordagens equivocadas do que foi o nosso passado, mas temos mesmo de ousar procurar outra linha de história.
Existem aqueles que crêem em outra linha de história, e crêem não por concordância passiva, por mera aceitação, mas crêem porque foram levados (as) a presenciar por si as evidências desta outra linha.
Somos "sócios" de uma visão de mundo.
Estamos numa prisão perceptiva que em última estância é mantida porque aceitamos que seja assim, esse nosso incrível poder de dar realidade ao que cremos real é subestimado em nós. Somos a somatória de nossas crenças, nem sempre as que verbalizamos e as que fingimos adotar, somos a manifestação do que interiormente cremos.
A força de nossa crença é tremenda e não é a toa que grupos diversos brigam e tentam a todo tempo, estipular o que é real e o que não é real para a humanidade, sempre com o propósito subliminar de manter sua descrição de mundo dominando.
Esta outra história conta ter a humanidade atual surgido de uma fase após uma profunda queda. Sem pecados aqui, sem castigos ou leituras assim, uma queda causada por causas impessoais, todo nosso planeta entrou num "eclipse", numa sombra onde ficamos isolados de um tipo de energia que vem do centro da Galáxia, dos buracos negros duplos que giram tudo tragando, gerando a forma dessa galáxia espiral, na periferia da qual vivemos.
E neste eclipse, como num inverno, a energia favorecida no planeta ia gerar um tipo de gente ambiciosa, insegura, que teria de impor a todos seu modo de vida para se sentirem seguras. "Um só deus, um só senhor, uma só fé" e tudo que isto representa.
E a Bruxaria, a Magia e o Xamanismo passaram a ser perseguidos. Temidos, pois são caminhos de liberdade e quem pretende tornar o mundo um vasto curral de escravos, animais e humanos e deles todos fazer uso como coisas não aprecia que existam homens e mulheres que lhe são inacessíveis, que suas manipulações e mesmo o uso da sua pretensa força não pode atingir.
E as Eras de perseguição são cada vez mais intensas, o braço que se forma sobre o Império Romano, depois com a Igreja Romana é forte em destruir todos os sinais da antiga civilização planetária, de onde as diversas tribos sabiam um dia ter feito parte.
O sentido dessa civilização planetária não tem nada a ver com o de hoje. Hoje temos computadores e nos achamos o máximo porque podemos entrar em sintonia com outras pessoas, em diferentes tempos e espaços, como eu agora contigo nessa mensagem que escrevo numa tarde , na Serra e tu lerás alhures.
Mas toda nossa tecnologia é um simulacro, como um "ciborg" que amplia de certa forma nossas habilidades naturais, mas somos mais que isso. Nesta ancestral civilização planetária, a sintonia era em outras ondas. Cada corpo humano é por si mesmo um gerador e captador de ondas. Este treinamento continua hoje no Xamanismo, na Bruxaria e na Magia. Então usando uma fogueira, um espelho mágico, feito não só de vidro, mas de metais polidos diversos, (existe um espelho mágico que existe nas árvores, certas aberturas em sua casca externa), enfim, usando meios diversos entravam em plena sintonia com outras pessoas , de qualquer canto deste mundo e ainda de outros mundos.
A Internet não acessa outros mundos. Então para entendermos como viviam estes povos antes desse momento de queda que acontece, de desconexão, temos que usar muito nossa intuição, para evitar falsear a percepção com os preconceitos históricos que herdamos dos condicionamentos que nos impuseram. Foi uma queda que levou toda uma civilização planetária a se esfacelar, mas que mantem, apesar do trabalho violento dos grupos dominantes em ocultar todas as evidências, alguns sinais desta época anterior de amplo conhecimento.
As pirâmides no Egito (as três mais antigas e principais, no chamado vale dos Reis) a Esfinge, Angkor no Camboja, Menires, Dolmens e câmaras em Carnac, França, os grandes desenhos nas Ilhas Britânicas, ruínas encontradas no mar ao redor do Japão.
Tudo isso e mais lugares que nem se sabem existir, estão alinhados de tal forma que agora não apontam exatamente para nada significativo, fora o fato de estarem sempre marcando de alguma forma equinócios e solstícios.
Mas se levamos em consideração a "precessão dos equinócios", fenômeno astronômico que desloca o eixo da terra em relação a elíptica das estrelas a nossa volta, e fazemos os ajustes, estes marcos ancestrais todos se alinham com um esquema que inclusive os relaciona, quando monumentos de um canto da Terra estão se alinhando com suas constelações significativas os outros grupos estão também sincronicamente fazendo o mesmo.
São astro-arqueólogos que usam o conhecimento astronômico dos povos estudados para entender melhor a complexidade dessas ancestrais culturas, que cada vez mais percebemos, tinham uma cultura muito mais sofisticada que a atual tecnologia que nos domina, e que nos faz extensões biológicas das máquinas e ainda nos engana, negando-nos a magia que é a nossa realidade por simulacros estereotipados de vida e prazer.
E impõe a idéia que o "homem das cavernas" era algum bruto insosso, que foi evoluindo, passando por mutações até que surgem culturas como a Egípcia, a Chinesa, as tradições que construíram os "livros de pedra" nas terras hoje chamadas América Central.
E então surge a idéia que esta civilização dominante é a mais evoluída que aqui já existiu e que suas respostas ao desafio de estarmos vivos são as melhores já dadas. Ao invés de ensinarmos as novas gerações a buscarem respostas, a perguntarem com eficiência, acabamos nos limitando a condicioná-las a decorar respostas prontas, para passar nos pseudo testes que o mundo lhe dará, quando a verdadeira prova ficará esquecida. Assim as práticas da Bruxaria, do Xamanismo, da Magia são vistas como superstições pueris, de um tempo no qual as benesses da ciência ainda não havia esclarecido os seres humanos. E existem ramos que pretendem ser da árvore do Xamanismo, da Bruxaria e da Magia mas operam com paradigmas que nos são completamente estranhos.
Como alguém que coisifica coisas e pessoas pode mesmo mergulhar em caminhos vivos, onde sentir a Vida é condição fundamental? É claro que esta informação é completamente equivocada e nada mais equivocado há que pseudo estudiosos de Magia, Xamanismo e Bruxaria quererem demonstrar que suas práticas são "cientificas" .
É a ciência contemporânea que tem de fazer muito esforço ainda para compreender a ancestral e ampla abordagem da realidade que o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria realizam e não o contrário, assim como é o Avô que deve ter a paciência de compreender e falar na linguagem que seu neto entenda e não o contrário. A ciência contemporânea tem seu valor sim, tem seus méritos e quando não está a serviço de grupos de poder, de egos inflados de "catedráticos" que prezam mais sua posição na "comunidade acadêmica" que a verdade em si, quando não está a serviço de laboratórios farmacêuticos e similares, esta ciência, o método cientifico é um caminho inteligente e funcional de abordarmos a realidade em buscas de respostas efetivas para os grandes mistérios que nos envolvem.
Mas assim como existem cientistas de diversos graus de profundidade e geniliadade vamos encontrar magistas, xamãs e bruxos (as) de diversos naipes. Não podemos generalizar nestes campos, temos pessoas de diversas formas de ser e posturas que se aproximam da ciência, por analogia podemos entender o mesmo de pessoas que se aproximam de tais campos. O fruto é a artimanha da árvore, para que a semente permaneça e seja levada onde amplie .
Os mistérios da Semente, de seu tempo na Terra, de seu morrer para nascer de novo, o vencer da terra resistente e escura que se lhe apresenta após a primeira porta, passar pela noite escura e então também resistir ao ofuscante dia claro. Como planta completa aprender a crescer tanto em raízes como em caule e galhos, pois a copa só acariciará as nuvens quando as raízes se sentem firmes nos mundos mais profundos. Os ritos mágicos são, ainda hoje, a mesma representação destes mistérios , entre outros.
Pois o Caminho nos leva ao recolhimento da semente que se deixa ir enquanto semente para poder realizar seu Ser árvore e cada fase de nossa caminhada nesta trilha está nestes ritos traçada e simbolizada. Assim a atenta observação da natureza e seus fluxos marca todos os ritos ancestrais, quando ritualizar era reatualizar o mito, tornar-se o mito encarnado, por vivência ativa e não mera incorporação. O primeiro ponto a recuperar neste trabalho é a consciência que a Terra é a grande provedora e seus ciclos, em relação a si e aos astros e corpos celestes que nos circundam em suas elipses irregulares, são os momentos de trabalharmos com os fluxos por tais alinhamentos gerados.
Experimente sentir o poder da Terra pelos próximos dias, observe cada árvore, cada planta que aparece durante o dia, tens um lugar de terra que podes mexer? São perguntas interessantes, pois como lidar com a Magia , o Xamanismo e a Bruxaria sem um contato real e efetivo com a TERRA?
ando olhamos para o mundo a nossa volta notamos que ele tem um contexto, uma historicidade. Refiro-me ao mundo social, ao mundo tal qual vemos em nossas relações cotidianas. As pessoas em nossas vidas teceram eventos, conosco e em suas próprias esferas, que criam uma historicidade, um conjunto de fatores que nos ajuda a "localizar" pessoas e eventos na nossa percepção. É uma grande magia isso que fazemos, tecer eventos na vasta e emaranhada teia da existência e dar uma solução de continuidade a isso, criando o que chamamos de "realidade sensível".
É muito importante libertarmos nossa memória das falsas histórias e falseados mitos que nos impuseram. Tal liberdade não é atingida apenas pelo intelectual. Temos que usar MAGIA para podermos ir além, precisamos de ritos que reatualizem o mito que perdemos, nosso mito original, que foi oculto de nós pelo falso brilho da personalidade que em nós criaram. Não somos apenas o que fizeram de nós. Podemos ser quem faz algo com tudo o que herdou da realidade.
Somos entidades perceptivas, percebemos.
Aquilo que é percebido nos foi ensinado, a percepção em si não, mas a interpretação sim.
Temos o conceito de Pierce segundo o qual num primeiro instante temos a percepção plena do evento, sem o "enformamento" das palavras, do conceitual. Depois vamos conceituar, vamos significar. A secundidade, o momento no qual usamos os signos linguísticos para nos comunicarmos com nós mesmos, o diálogo interno que nos leva a compreender e sentir o mundo tal qual o fazemos, é também um limite.
Linguagem implica em código, algo que compara o que é sentido/percebido, com o conjunto de memórias já existentes. Assim os Caminhos profundos insistem, na memória, no já vivido, não há o novo, o novo só pode ser criado, na magia do instante presente.
Por isso a "iluminação", o "despertar", o "Satori" é sem palavras.
Na percepção primeira há só presença, na percepção interpretativa, vamos usar palavras para designar, aludir, apontar para o que desejamos expressar.
O diálogo interno de uma época possui matizes comuns, bandas de variação mensuráveis , entre os membros da mesma nação. Mas o mundo que estamos destruiu sistematicamente formas várias de ser de várias nações, nações nativas aos montes foram cruelmente mortas, escravizadas, ainda hoje com pastores e pregadores diversos as religiões que servem aos conquistadores continuam escravizando os povos nativos, em corpo e alma. Temos esse condicionamento como herança, por isso é tão importante a quem vai trilhar o Caminho da MAGIA, do XAMANISMO ou da BRUXARIA ter sua jornada pessoal de poder, onde encontra consigo mesmo, com suas fraquezas e forças e descobre-se um ente perceptivo livre de qualquer condicionamento, de qualquer rótulo que lhe queiram dar.
Em todos os caminhos temos que ter a coragem de morrer para o velho para renascermos de nós, por nós e para nossa meta. Quando um certo momento chega a gente vai rir um pouco se continuar a usar termos como " magista" "xamã" ou bruxo (a)" , mas vai entender o que está além das palavras, coisas que só com brilho do olhar, tom de voz, vento presente, respiração sincrônica se pode transmitir de verdade, no mais, como fazemos aqui, é só aludir, só apontar para algo que nos toca vindo da ETERNIDADE. Algo que a civilização de escravos (as) foi levada a esquecer mas nós nos lembramos e buscamos agir com o que lembramos e aprendemos.
Assim, MAGIA, XAMANISMO, BRUXARIA são caminhos de liberdade, que nos auxiliam a recuperarmos a nós mesmos. São caminhos de LIBERDADE, caminhos onde o PODER é acessível, mas não somos "donos(as)" desse poder, apenas acessíveis a Ele. Dado interessante: foram caminhos perseguidos e ainda hoje desmerecidos e injuriados, por que o sistema que cria escravos teme tanto tais caminhos?
São caminhos onde a realidade é outra, vasta como uma cebola de incontáveis camadas e tudo que chamamos de realidade, está apenas numa dessas camadas. São caminhos que redespertam em nós nosso poder interior e o brilho de nossos olhos quando estamos de fato vivos e não sobreviventes, sempre incomodou entre os que pactuam com a morte para ter poder sobre os vivos. Dividir para governar tem sido a meta destes conquistadores. Os povos nativos vêm sendo destruídos porque realizaram alianças equivocadas, líderes inescrupulosos e manipuladores, sequiosos de poder momentâneo levaram seus povos a minar a força dos vastos impérios como o Andino. Já Impérios, já a praga comportamental que se abateu sobre a humanidade em ação, Impérios gerando ódios que iriam enfraquecê-los quando mais precisavam ser fortes. E o ocaso do Mundo Ancestral veio e a longa noite começou. Mas a noite segue seu curso e há algo de alvorada no ar...
Hoje a espécie humana tem seu estilo de diálogo interno mexido pelo fenômeno da interação entre culturas diversas, via meios de comunicação para as massas ou ainda pela NET. Portanto avaliar a MAGIA, o XAMANISMO e a BRUXARIA a partir de nossa época é delicado, pois ainda estamos recuperando a amplitude perceptiva necessária para realmente entender os profundos caminhos que se escondem atrás de tão incompreendidos rótulos. Estes caminhos são mensagens secretas que sobrevivem apesar de toda a perseguição, são caminhos, elos com outros povos e mundos que ao contrário do que a falsa história conta não foram destruídos ou sumiram, mas apenas mudaram de mundo, estando noutra camada da cebola, nos mandando sinais constantes.
Mas tais sinais são deturpados pelos conquistadores e histórias despropositadas substituem a real origem de tais sinais. Nossos ancestrais não foram destruídos, partiram e nos acenam de outras ilhas de realidade entre o vasto Mar da Consciência. Os carcereiros tentam iludir, não é nada, é Vênus brilhando, é um balão meteorológico, estais louco, vamos te dar remédios para que voltes ao "normal", estas e outras formas são meios efetivos de impedir que percebamos a realidade, os sinais estão sendo mandados. Ficamos aqui, nascemos aqui, neste mundo onde nossos ancestrais foram escravizados, ambos, tanto o conquistador como os conquistados eram escravos do mesmo sistema que usa os conquistadores para estender seus domínios onde ainda se é livre. E da fusão do conquistador com o conquistado surgimos nós, aqui, híbridos, cheios de potencial, mas em grande parte ignorando tudo isso.
O positivismo e outras escolas que se declararam únicos caminhos para a compreensão efetiva da realidade, são resultantes da ERA Industrial e de uma abordagem supersticiosa da realidade. As limitações da ciência positivista ainda não foram completamente superadas, nem tão pouco os paradigmas de religiões, ainda dominantes, que foram desenvolvidas em suas formas atuais pelas elites governantes dos conquistadores e agora querem ter sua própria historicidade, vil, mascarada, pois em realidade sempre foram instrumentos da conquista. Mas então cerraremos fileiras com os ateus, os agnósticos, os que em nada crêem? Iremos estar com os cínicos que descrentes de tudo negam a própria felicidade para apenas com sarcasmo aplaudir a destruição do mundo deixando que a indolência lhe encha de intelectualizados argumentos para não agir? Somos meros acidentes cósmicos de algo sem nenhum sentido? Que é crer para nós? Confiar cegamente num pai/mãe psicológico que sane nossas carências e oculte de nós o fato de nossa solitude frente a incomensurável Eternidade que nos envolve, nós, efêmeras criaturas?
Os (as) Xamãs, Bruxos (as) e Magistas de todas as eras que nos antecederam foram sempre homens e mulheres que souberam se ligar a outra linhagem de conhecimento, tão sistêmica como a ciência, ampla como a filosofia, mística e profundamente artística. Tinham uma abordagem da REALIDADE bem distinta, mas totalmente pragmática e efetiva, isto é, seu conhecimento se traduzia em ATOS de PODER não apenas elocubrações teóricas. Tal Arte / Ciência tinha no ser humano seu instrumento de prospecção e avaliação de outras realidades perceptivas. Em tais caminhos é o ser humano que se amplia e se desenvolve para investigar outros mundos. Não com naves pretendemos ir a outros mundos, não queremos minerar outros mundos, queremos aprender mais. Assim XAMÃS, BRUXOS (AS) e MAGISTAS vão a outros mundos pela força de seus conhecimentos.
Conhecimento que faz parte da herança ancestral presente num caminho pleno. Conhecimentos que em câmaras de torturas a Inquisição quis roubar-nos. Foi com o que escorreu pelo vão dos dedos, ao terem os capturados que apertar com força a substância viva do conhecimento na mão que os protegia, que se construiu esta civilização industrial, que explora e subjuga a Natureza, nossa Mãe de fato, não de crença. Esta civilização que aí está é fruto de um conjunto de atitudes tomadas por todas as pessoas que dela fazem parte. Assim temos vários grupos lutando por terem o poder de dizer às pessoas como dever sentir e pensar o mundo. Este estado de heteronímia existencial é estimulado e facilitado de formas as mais diversas, basta notar como é o mundo hoje.
Heterônomo, ausente de si mesmo, fora de eixo, suicida. Sim suicida, pois o que é uma civilização que armazena formas de se destruir? Este tipo de condicionamento gera bons servos ao sistema, mas os critérios cognitivos, os paradigmas da MAGIA, do XAMANISMO e da BRUXARIA são muito distantes desses hoje usados. Não que sejam inexistentes, são apenas caminhos cheios de caprichos que mais prendem que libertam, usarem da denominação, desses rótulos. Existem pseudo caminhos de magia, de xamanismo e de bruxaria. Mas estamos falando aqui de MAGIA, de XAMANISMO e de BRUXARIA e em tais caminhos a conquista da autonomia existencial é necessária, é fundamental, pois quem viaja por muitos mundos deve estar sempre pronto a lidar com as mais inesperadas situações e é sua habilidade de reagir com tranqüilidade e foco em qualquer situação que permite ao (à) magista, ao (à) xamã e ao (à) Bruxo (a) serem realmente a expressão do caminho que trilham. E só somos unos com o caminho quando o expressamos pela força de nossos atos. A força de nossos atos é medida pela realidade de nossas vidas, pelo estado de nosso corpo, pela força de nossa mente, pelas emoções que temos a habilidade de harmonizar até que surja o pleno sentimento em nós.
A BRUXARIA, a MAGIA e o XAMANISMO são caminhos de essência, toda vez que alguém trilha pela personalidade, pelos valores mesquinhos e ausentes de significação efetiva da personalidade, cria confusões, para si e para outros. Temos um mundo confuso aí, a nossa volta, porque foi gerado numa luta de personalidades em busca do poder sobre outros, sobre todos. Grupos querendo subjugar grupos, dominar, ao invés de interagir criativamente. Nessa guerra de dominação grupos foram muito além de seus próprios limites naturais e se impuseram como império global e pouco a pouco estamos assistindo as nações nativas serem destruídas enquanto fonte de energia sonhadora para o mundo. O mundo é sustentando pelo sonho dos povos, se padronizarmos demais os sonhos do mundo ele se desintegrará por excesso de emanações da mesma banda. De certa forma esta civilização parece que se matará de tédio. Não podemos mais deixar que as civilizações imperialistas dominem nosso sonhar, dominem nossas visões.
Somos herdeiros dos povos nativos, é hora de recuperarmos as antigas visões, é hora de vivermos dentro de nosso modo de vida. Garanto-lhes que é possível. Basta coragem e foco e o caminho se revelará. Este é um desafio. Qual é sua VISÃO? Vive de acordo com seu Coração? Sua mente é sua auxiliar em investigar o mundo ou uma tirana que lhe impõe uma visão pronta da realidade? A qualidade das respostas a estas perguntas revela muito sobre tuas chances de entender de fato o que abordamos aqui. Pois se a MAGIA, o XAMANISMO e a BRUXARIA tem algo a ensinar é para seres inteiros ou que buscam de fato se tornarem plenos.
Aí temos o nosso próximo tema. Existem dois níveis de MAGIA, de XAMANISMO e de BRUXARIA. Num nível são caminhos para nos reintegrarmos a realidade mais ampla da existência, para nos recuperarmos desse estado robótico e sonambúlico que fomos postos. Um caminho de reencontro, um "religare". Depois que "acordamos", que morremos e nascemos de novo a vida continua, há todo um novo desafio agora, lidar com o mundo sem ser dele, não ser mais escravo mas não ser tolo de colar isso na testa e virar alvo dos neo-inquisidores, muito mais sutis e aparelhados, que continuam em ação. Então tem a MAGIA, A BRUXARIA e o XAMANISMO que te ensinam, conhecimentos mais sutis e profundos. A maior parte do material que existe publicado fala da primeira fase do trabalho de contato com estes caminhos.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Magia, xamanismo e bruxaria - Caminhos Naturais (parte I)
São caminhos amplos, caminhos que envolvem tradições ancestrais, tradições que surgiram como resultado do trabalho dedicado e do estudo sistemático da realidade, por parte de gerações incontáveis de praticantes.
Existem muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador (a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o impregnaram de seus (pré) conceitos.
Há também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias pessoais.
É fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre querendo provar que "seu" caminho é "superior" e tem nos títulos e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas serviu para ampliar a vaidade.
Muitas pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes resolver o imanente, o aqui e agora.
Existem muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e consciente é fundamental.
O ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.
Entretanto, com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.
Portanto, caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi criado no ritmo da cidade e da industria.
A proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir preceitos prontos.
Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de forças ou seres.
Não há projeção de um "pai/mãe" psicológico aqui, há uma clara proposta de compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.
Nestes caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças, mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que ritualizar é reatualizar o mito em nós.
Uma xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca "implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.
Nestas linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas manifestações.
Somos parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.
O que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.
Assim como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com finalidades que vão além de nossa compreensão racional.
Este é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a) : Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto distinto daquele que originalmente nascemos.
Podemos ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos "tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.
Por isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo ciclo.
O ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.
Energias que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas perfeita para nossa condição.
Somos metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de energias diversas.
Mas quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida "programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.
Este aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.
Gurdjieff diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens "consoladoras".
Assim vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos", "bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do céu" , "pecado" , "culpa" e outros conceitos que são a base das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam as mesmas crenças.
O Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa volta.
Estes caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional, pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.
A palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória, dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso com base no já vivido.
Por isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de consciência conduzem.
Assim o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar teoricamente de algo quer dizer muito pouco.
Esta crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos, vejam que há um "livro sagrado", a "palavra de Deus" e tal. Em caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".
No Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.
Acreditamos que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos de seres.
Muitos ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" , "Anjos" e também "demônios" quando considerados "inimigos" .
Na Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.
Assim procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como nós.
O ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa floresta.
Quando estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".
Da mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que corresponde a seus próprios interesses.
NÃo há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades, mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses .
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de "emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da "Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.
Assim, no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos, justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada que nos é imposta.
Expandir a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a "ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para ousar o novo, o impensado.
Então deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.
É um desafio que vale a pena, entretanto.
Estes três termos são muito usados hoje e existe uma grande similitude entre as pessoas que se aproximam destes caminhos. Vamos meditar juntos sobre este tema hoje. Para isso precisamos começar meditando sobre o ato de falar, sobre o ato de trocar informações por palavras. Xamanismo é uma palavra. Ela indica, alude sobre algo, mas não é esse algo. Água é uma palavra. A palavra água te faz lembrar do elemento em si, mas não podes mitigar tua sede só com a palavra água, só com a lembrança mental da mesma, de imagens da mesma.
Quando falo água, ou aqui, quando escrevo água tua mente vai até um arquivo e libera memórias, experiências já vividas suas com este elemento. Se escrevo água quente limito o leque de opções. Água fria leva a outro tipo de lembranças. Te deu sede toda essa conversa sobre água? Pensa na água.
Imagina a água, imagine que bebes um copo de água. Agora, se quer mesmo estabelecer uma comunicação mais ampla entre nós, levanta e vai tomar um copo de água. Se fizeres realmente isso vais notar como é totalmente diferente lidar com o conceito, com a palavra água e tomar água de fato. Portanto o termo água alude a algo efetivo que existe, com o qual tu tens contato, mas não tem o mesmo valor de resolução.
Não mitigas a sede com palavras, só com o elemento. Da mesma forma os termos Xamanismo, Bruxaria e Magia não podem ser completamente compreendidos só com abordagens teóricas. Vamos aludir, vamos nos aproximar, vamos mesmo demonstrar certos fatos de tais práticas, mas nota que a compreensão profunda só virá quando tu, que lês estas linhas, fores também alguém que sente a ARTE em tua essência.
Só praticantes se entendem plenamente nestas abordagens. Por que em primeira estância estas três formas de caminhar na existência são formas de uma mesma tradicional e transcendente forma de conhecimento, que transcende toda e qualquer forma de conceitualização. Assim optamos por chamar este SABER DOS SABERES, este além de tudo que podemos conceber como ARTE.
A ARTE é pois a filosofia/ciência/mística/arte em sua mais plena expressão. Durante nossa era decompusemos a abordagem da realidade nestas formas . Ou abordamos a realidade filosoficamente ou cientificamente, ou misticamente ou artisticamente. Interessante que como resposta a extrema dependência de uma abordagem mística, que na realidade era misticóide, da realidade que caracterizou certos séculos anteriores esta era se esforça por ficar limitada ao que chamam de "concepção científica da realidade". Todos insistem em tentar provar que campos como os fenômenos paranormais são "científicos".
Mas a questão central é que os paradigmas nos quais se apóiam para dizerem-se científicos contradizem mesmo as bases da própria noção de ciência, já que a busca de respostas verdadeiras deveria ser uma premissa mais forte na ciência que a manutenção de uma ideologia dominante para manter sociedades inteiras servis. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria foram perseguidas e ainda são em muitos setores desta sociedade que aí está. Vejam as campanhas constantes contra todo tipo de terreiros de umbanda e candomblé e todo movimento de nova era por parte dos segmentos mais fundamentalistas de certas religiões em franco crescimento. É apenas um aspecto desta luta contra toda forma de trabalho mágico que escape aos paradigmas impostos.
Esta luta que ainda existe entre campos ideológicos se reflete também na chamada ciência acadêmica, onde indivíduos com inflados egos ainda influem nos rumos das pesquisas e no conceituar da realidade para que certos modelos da realidade não sejam de todo alterados.
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que têm sido perseguidas há algum tempo, em diferentes civilizações. Por quê? Por que esse medo que tais caminhos despertam? Se observarem com atenção notarão que toda vez que um regime absolutista, que deseja impor sua vontade privada sobre a vontade coletiva, se estabelece, tais caminhos são os primeiros a serem perseguidos. Toda vez que o poder despótico se faz sentir os caminhos citados são perseguidos.
Os povos nativos continuam sendo oprimidos hoje. Destruídos enquanto cultura e enquanto vidas, mortos em conflitos diversos. A Magia e a Bruxaria ganharam um certo espaço em certas camadas sociais e acabaram fazendo uma lenta migração de volta ao sistema dominante e explodiram com força em vários magistas e bruxos que vem alimentando a cultura oficial com obras nas quais narram suas aventuras e descobertas na vastidão de outras realidades que circundam a nossa.
Lendo os autores mais originais, não os que baseiam suas "descobertas" apenas na leitura de outros, mas os (as) que conseguem participar mesmo de uma maior aproximação das fontes de onde tais informações são emanadas, vamos notar que questionamentos profundos sobre a Vida, a Morte, a consciência, a realidade a nossa volta, a existência de realidades outras que não esta, seres outros habitando mundos ao redor deste, seres alienígenas a nossa realidade presentes em nossa própria realidade, mas não perceptíveis a nós, enfim vários temas foram sendo investigados por vários indivíduos, homens e mulheres que tiveram acesso a fragmentos de informação, outros (as) à escolas autênticas possuidoras de elos com a ancestralidade de onde este SABER emana, enfim muitas linhagens diferentes foram contactadas por estas pessoas que tinham em si o ímpeto de aprender mais sobre os mistérios que nos circundam e escrever sobre isso.
Helena Petrovna Blavatsky, Upasika; Aleister Crowley, Therion; Fernando Pessoa, na multiplicidade; mais recentemente Carlos Castaneda, também conhecido como Charles Spider; enfim muitos homens e mulheres foram sondar outras realidades e acabaram encontrando de fato abordagens da realidade completamente diferentes das que esperavam. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tal qual são concebidos e praticados hoje sofreram profunda influência destas pessoas, pois foram elas que fizeram as primeiras traduções dos conceitos ancestrais destes caminhos para a sintaxe da nossa cultura. Quando colocados na sintaxe da nossa cultura tais informações adquirem mesmo um caráter de revelação. RE Vela.
Indica, alude, mas também confunde, coloca o véu de novo pois definir estes caminhos e falar sobre eles pode nos levar a realizarmos falsas associações, resignificações e interpretarmos os conceitos desses caminhos de acordo com nossas presunções e a partir daí dormir ainda mais ao invés de despertar.
Tanto no Xamanismo, como na Magia como na Bruxaria a primeira premissa é que só pode trilhar esse caminho quem "É". Se notarmos toda a obra produzida sobre estes caminhos vamos notar que de forma declarada ou subliminar quem instruí o (a) aprendiz em qualquer desses 3 caminhos começa sempre ensinando tal aprendiz a deixar de ser apenas uma resultante de condicionamentos do meio, de "n" fatores que afetaram sua existência até então e aprender a ser um "EU" real. Alguns lidam com toda uma viagem pelas esferas da Árvore da Vida e do Tarot para este trabalho, onde o ser que tal caminho trilha vai lidando com seus medos e condicionamentos, carências e vaidades, vai se integrando, resolvendo sua sombra e então, após atravessar o abismo onde deve despir-se até de si mesmo, surge um novo ser, o que "É". Só aqui começa a magia, antes havia apenas um agitar semi- consciente da luz astral, o grande mar de energia que nos circunda, que gera ao redor de nós uma atmosfera psíquica, que pode gerar fenômenos diversos, mas que é também uma grande ilusão, maia, um mitote.
Me parece bastante importante este fato. Tanto no Xamanismo, como na Magia, como na Bruxaria o primeiro passo é deixar de meramente sobreviver para VIVER, deixar de reagir para AGIR.
Esse lembrar de si, esse resgatar a nós mesmos além das ilusões que estão aí é condição básica para que haja Xamanismo, Magia ou Bruxaria.
Xamãs, Magistas e Bruxos (as) são homens e mulheres que antes de mais nada "SÃO". Para poderem operar efetivamente nas premissas desses caminhos têm que "SER" ou serão destruídos quando as fronteiras da realidade se expandirem. A VONTADE é o começo de tudo, a mais fundamental conquista que um (a) Xamã, um (a) Magista ou um (a) Bruxo (a) deve ter realizado, para não ser destruído pelos poderes e esferas que pretende interagir. E VONTADE já é uma palavra que está num contexto diferente do comumente expresso. Não tem nada a ver com desejo, mesmo com volição ou qualquer outra forma de expressão que conheçamos.
Tanto quem trilha o caminho do Xamanismo como da Magia como da Bruxaria sabe que VONTADE aqui tem outro sentido, outro significado é a forma pessoal que cada um tem de expressar um poder muito maior, que é a própria VONTADE da Eternidade que nos circunda.
Só quem "É" pode ter VONTADE. Este é um sentido que escapa a muitos leitores das obras de quem esteve estudando esses caminhos e sobre eles escreveu. Vejam Crowley: "Faze o que tu queres..." Esse "Tu" é um conceito complexo, indica que existe alguém de fato, não um aglomerado de estilos de emocionar-se, de raciocinar e reagir que chamam de "eu".
Lendo Erva do Diabo e Estranha Realidade milhares de pessoas pelo mundo ficam a vagar erraticametne por se super-estimularem com plantas de poder diversas crendo que o "espirito da planta" vai lhes revelar algo que já não sabem. Mas o cerne abstrato do aprendizado ali era outro, tudo ali estava sendo usado como meio de trabalho por alguém que tinha maestria na ARTE. Assim ficar preso em leituras literais de qualquer obra que toque a ARTE é como ser um fundamentalista e basear sua vida em interpretação literal de textos adulterados que foram escritos em outra cultura.
O que chamo atenção, neste primeiro artigo de nove com este tema, é que antes de atabalhoadamente irmos a definições e diferenças entre Xamanismo, Magia e Bruxaria temos que repensar nossos paradigmas, nossas bases conceituais sobre as quais assentamos nossa compreensão de mundo. E uma condição fundamental é compreender que quando estamos falando de XAMANISMO, de MAGIA e de BRUXARIA compreendidas essas linhagens como as que de fato tem ligação com a ARTE, existem pontos muito interessantes de semelhança entre ambas que têm sido deixados de lado.
Vamos a eles. O primeiro deles é o fato que todo caminho que leva a ARTE começa por auxiliar o ser que trilha tal caminho a se desvencilhar do pesado passado que carrega consigo, da insana absorção em conceitos prontos, em condicionamentos estáticos que foi implantada em cada ser humano nesta Era de escravos que vivemos. E aqui tocamos num ponto sensível, todo sistema feitor de escravos sempre lutou arduamente para destruir tudo ligado ao Xamanismo, a Magia e a Bruxaria. Por quê? Por serem caminhos de LIBERDADE e aqui temos outra definição importante. O Xamanismo, a Magia e Bruxaria sempre foram caminhos de homens e mulheres livres. Que alguns desses homens e mulheres tenham caído, ao tentar se aproximar da ARTE, em formas de prisão muito mais sutis e perigosas que a prisão deste mundo é um fato, o qual alerta a todo praticante que arrogância e presunção são estilos de comportamento que nos dirigem diretamente para as iscas que existem no vasto mar que vamos descobrindo quando nos dedicamos a ARTE.
Tanto o Xamanismo, como a Magia, como a Bruxaria tem diversas formas de manifestação e existem também muitas formas de culto que nada tem a ver com a essência do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que ainda assim se apresentam como tal. Temos no tocante a Bruxaria o agravante de ter sido deturpada fortemente pelas falsas acusações e testemunhas sob o terror da tortura ou mesmo ameaça dela, terem criado fantasias sem fim que serviam bem aos propósitos dos que desejavam criar o medo contra trais práticas e conhecimentos.
Na Magia temos as deturpações como a "magia negra", criação também da inquisição, que ainda hoje assusta tantos. No Xamanismo temos grande número de índios que imitaram formas de agir, sem entender a essência, de verdadeiros xamãs e assim hoje repetem ritos e formas, mas sem o poder que caracteriza toda ação de fato xamânica. Mas além destas deturpações temos o XAMANISMO de fato, a MAGIA de fato e a BRUXARIA de fato e é sobre estas faces da ARTE que vamos falar nesta série de artigos.
Existem muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador (a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o impregnaram de seus (pré) conceitos.
Há também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias pessoais.
É fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre querendo provar que "seu" caminho é "superior" e tem nos títulos e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas serviu para ampliar a vaidade.
Muitas pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes resolver o imanente, o aqui e agora.
Existem muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e consciente é fundamental.
O ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.
Entretanto, com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.
Portanto, caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi criado no ritmo da cidade e da industria.
A proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir preceitos prontos.
Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de forças ou seres.
Não há projeção de um "pai/mãe" psicológico aqui, há uma clara proposta de compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.
Nestes caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças, mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que ritualizar é reatualizar o mito em nós.
Uma xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca "implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.
Nestas linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas manifestações.
Somos parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.
O que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.
Assim como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com finalidades que vão além de nossa compreensão racional.
Este é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a) : Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto distinto daquele que originalmente nascemos.
Podemos ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos "tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.
Por isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo ciclo.
O ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.
Energias que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas perfeita para nossa condição.
Somos metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de energias diversas.
Mas quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida "programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.
Este aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.
Gurdjieff diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens "consoladoras".
Assim vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos", "bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do céu" , "pecado" , "culpa" e outros conceitos que são a base das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam as mesmas crenças.
O Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa volta.
Estes caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional, pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.
A palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória, dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso com base no já vivido.
Por isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de consciência conduzem.
Assim o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar teoricamente de algo quer dizer muito pouco.
Esta crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos, vejam que há um "livro sagrado", a "palavra de Deus" e tal. Em caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".
No Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.
Acreditamos que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos de seres.
Muitos ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" , "Anjos" e também "demônios" quando considerados "inimigos" .
Na Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.
Assim procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como nós.
O ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa floresta.
Quando estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".
Da mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que corresponde a seus próprios interesses.
NÃo há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades, mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses .
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de "emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da "Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.
Assim, no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos, justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada que nos é imposta.
Expandir a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a "ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para ousar o novo, o impensado.
Então deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.
É um desafio que vale a pena, entretanto.
Estes três termos são muito usados hoje e existe uma grande similitude entre as pessoas que se aproximam destes caminhos. Vamos meditar juntos sobre este tema hoje. Para isso precisamos começar meditando sobre o ato de falar, sobre o ato de trocar informações por palavras. Xamanismo é uma palavra. Ela indica, alude sobre algo, mas não é esse algo. Água é uma palavra. A palavra água te faz lembrar do elemento em si, mas não podes mitigar tua sede só com a palavra água, só com a lembrança mental da mesma, de imagens da mesma.
Quando falo água, ou aqui, quando escrevo água tua mente vai até um arquivo e libera memórias, experiências já vividas suas com este elemento. Se escrevo água quente limito o leque de opções. Água fria leva a outro tipo de lembranças. Te deu sede toda essa conversa sobre água? Pensa na água.
Imagina a água, imagine que bebes um copo de água. Agora, se quer mesmo estabelecer uma comunicação mais ampla entre nós, levanta e vai tomar um copo de água. Se fizeres realmente isso vais notar como é totalmente diferente lidar com o conceito, com a palavra água e tomar água de fato. Portanto o termo água alude a algo efetivo que existe, com o qual tu tens contato, mas não tem o mesmo valor de resolução.
Não mitigas a sede com palavras, só com o elemento. Da mesma forma os termos Xamanismo, Bruxaria e Magia não podem ser completamente compreendidos só com abordagens teóricas. Vamos aludir, vamos nos aproximar, vamos mesmo demonstrar certos fatos de tais práticas, mas nota que a compreensão profunda só virá quando tu, que lês estas linhas, fores também alguém que sente a ARTE em tua essência.
Só praticantes se entendem plenamente nestas abordagens. Por que em primeira estância estas três formas de caminhar na existência são formas de uma mesma tradicional e transcendente forma de conhecimento, que transcende toda e qualquer forma de conceitualização. Assim optamos por chamar este SABER DOS SABERES, este além de tudo que podemos conceber como ARTE.
A ARTE é pois a filosofia/ciência/mística/arte em sua mais plena expressão. Durante nossa era decompusemos a abordagem da realidade nestas formas . Ou abordamos a realidade filosoficamente ou cientificamente, ou misticamente ou artisticamente. Interessante que como resposta a extrema dependência de uma abordagem mística, que na realidade era misticóide, da realidade que caracterizou certos séculos anteriores esta era se esforça por ficar limitada ao que chamam de "concepção científica da realidade". Todos insistem em tentar provar que campos como os fenômenos paranormais são "científicos".
Mas a questão central é que os paradigmas nos quais se apóiam para dizerem-se científicos contradizem mesmo as bases da própria noção de ciência, já que a busca de respostas verdadeiras deveria ser uma premissa mais forte na ciência que a manutenção de uma ideologia dominante para manter sociedades inteiras servis. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria foram perseguidas e ainda são em muitos setores desta sociedade que aí está. Vejam as campanhas constantes contra todo tipo de terreiros de umbanda e candomblé e todo movimento de nova era por parte dos segmentos mais fundamentalistas de certas religiões em franco crescimento. É apenas um aspecto desta luta contra toda forma de trabalho mágico que escape aos paradigmas impostos.
Esta luta que ainda existe entre campos ideológicos se reflete também na chamada ciência acadêmica, onde indivíduos com inflados egos ainda influem nos rumos das pesquisas e no conceituar da realidade para que certos modelos da realidade não sejam de todo alterados.
O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria são formas de abordar a realidade que têm sido perseguidas há algum tempo, em diferentes civilizações. Por quê? Por que esse medo que tais caminhos despertam? Se observarem com atenção notarão que toda vez que um regime absolutista, que deseja impor sua vontade privada sobre a vontade coletiva, se estabelece, tais caminhos são os primeiros a serem perseguidos. Toda vez que o poder despótico se faz sentir os caminhos citados são perseguidos.
Os povos nativos continuam sendo oprimidos hoje. Destruídos enquanto cultura e enquanto vidas, mortos em conflitos diversos. A Magia e a Bruxaria ganharam um certo espaço em certas camadas sociais e acabaram fazendo uma lenta migração de volta ao sistema dominante e explodiram com força em vários magistas e bruxos que vem alimentando a cultura oficial com obras nas quais narram suas aventuras e descobertas na vastidão de outras realidades que circundam a nossa.
Lendo os autores mais originais, não os que baseiam suas "descobertas" apenas na leitura de outros, mas os (as) que conseguem participar mesmo de uma maior aproximação das fontes de onde tais informações são emanadas, vamos notar que questionamentos profundos sobre a Vida, a Morte, a consciência, a realidade a nossa volta, a existência de realidades outras que não esta, seres outros habitando mundos ao redor deste, seres alienígenas a nossa realidade presentes em nossa própria realidade, mas não perceptíveis a nós, enfim vários temas foram sendo investigados por vários indivíduos, homens e mulheres que tiveram acesso a fragmentos de informação, outros (as) à escolas autênticas possuidoras de elos com a ancestralidade de onde este SABER emana, enfim muitas linhagens diferentes foram contactadas por estas pessoas que tinham em si o ímpeto de aprender mais sobre os mistérios que nos circundam e escrever sobre isso.
Helena Petrovna Blavatsky, Upasika; Aleister Crowley, Therion; Fernando Pessoa, na multiplicidade; mais recentemente Carlos Castaneda, também conhecido como Charles Spider; enfim muitos homens e mulheres foram sondar outras realidades e acabaram encontrando de fato abordagens da realidade completamente diferentes das que esperavam. O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tal qual são concebidos e praticados hoje sofreram profunda influência destas pessoas, pois foram elas que fizeram as primeiras traduções dos conceitos ancestrais destes caminhos para a sintaxe da nossa cultura. Quando colocados na sintaxe da nossa cultura tais informações adquirem mesmo um caráter de revelação. RE Vela.
Indica, alude, mas também confunde, coloca o véu de novo pois definir estes caminhos e falar sobre eles pode nos levar a realizarmos falsas associações, resignificações e interpretarmos os conceitos desses caminhos de acordo com nossas presunções e a partir daí dormir ainda mais ao invés de despertar.
Tanto no Xamanismo, como na Magia como na Bruxaria a primeira premissa é que só pode trilhar esse caminho quem "É". Se notarmos toda a obra produzida sobre estes caminhos vamos notar que de forma declarada ou subliminar quem instruí o (a) aprendiz em qualquer desses 3 caminhos começa sempre ensinando tal aprendiz a deixar de ser apenas uma resultante de condicionamentos do meio, de "n" fatores que afetaram sua existência até então e aprender a ser um "EU" real. Alguns lidam com toda uma viagem pelas esferas da Árvore da Vida e do Tarot para este trabalho, onde o ser que tal caminho trilha vai lidando com seus medos e condicionamentos, carências e vaidades, vai se integrando, resolvendo sua sombra e então, após atravessar o abismo onde deve despir-se até de si mesmo, surge um novo ser, o que "É". Só aqui começa a magia, antes havia apenas um agitar semi- consciente da luz astral, o grande mar de energia que nos circunda, que gera ao redor de nós uma atmosfera psíquica, que pode gerar fenômenos diversos, mas que é também uma grande ilusão, maia, um mitote.
Me parece bastante importante este fato. Tanto no Xamanismo, como na Magia, como na Bruxaria o primeiro passo é deixar de meramente sobreviver para VIVER, deixar de reagir para AGIR.
Esse lembrar de si, esse resgatar a nós mesmos além das ilusões que estão aí é condição básica para que haja Xamanismo, Magia ou Bruxaria.
Xamãs, Magistas e Bruxos (as) são homens e mulheres que antes de mais nada "SÃO". Para poderem operar efetivamente nas premissas desses caminhos têm que "SER" ou serão destruídos quando as fronteiras da realidade se expandirem. A VONTADE é o começo de tudo, a mais fundamental conquista que um (a) Xamã, um (a) Magista ou um (a) Bruxo (a) deve ter realizado, para não ser destruído pelos poderes e esferas que pretende interagir. E VONTADE já é uma palavra que está num contexto diferente do comumente expresso. Não tem nada a ver com desejo, mesmo com volição ou qualquer outra forma de expressão que conheçamos.
Tanto quem trilha o caminho do Xamanismo como da Magia como da Bruxaria sabe que VONTADE aqui tem outro sentido, outro significado é a forma pessoal que cada um tem de expressar um poder muito maior, que é a própria VONTADE da Eternidade que nos circunda.
Só quem "É" pode ter VONTADE. Este é um sentido que escapa a muitos leitores das obras de quem esteve estudando esses caminhos e sobre eles escreveu. Vejam Crowley: "Faze o que tu queres..." Esse "Tu" é um conceito complexo, indica que existe alguém de fato, não um aglomerado de estilos de emocionar-se, de raciocinar e reagir que chamam de "eu".
Lendo Erva do Diabo e Estranha Realidade milhares de pessoas pelo mundo ficam a vagar erraticametne por se super-estimularem com plantas de poder diversas crendo que o "espirito da planta" vai lhes revelar algo que já não sabem. Mas o cerne abstrato do aprendizado ali era outro, tudo ali estava sendo usado como meio de trabalho por alguém que tinha maestria na ARTE. Assim ficar preso em leituras literais de qualquer obra que toque a ARTE é como ser um fundamentalista e basear sua vida em interpretação literal de textos adulterados que foram escritos em outra cultura.
O que chamo atenção, neste primeiro artigo de nove com este tema, é que antes de atabalhoadamente irmos a definições e diferenças entre Xamanismo, Magia e Bruxaria temos que repensar nossos paradigmas, nossas bases conceituais sobre as quais assentamos nossa compreensão de mundo. E uma condição fundamental é compreender que quando estamos falando de XAMANISMO, de MAGIA e de BRUXARIA compreendidas essas linhagens como as que de fato tem ligação com a ARTE, existem pontos muito interessantes de semelhança entre ambas que têm sido deixados de lado.
Vamos a eles. O primeiro deles é o fato que todo caminho que leva a ARTE começa por auxiliar o ser que trilha tal caminho a se desvencilhar do pesado passado que carrega consigo, da insana absorção em conceitos prontos, em condicionamentos estáticos que foi implantada em cada ser humano nesta Era de escravos que vivemos. E aqui tocamos num ponto sensível, todo sistema feitor de escravos sempre lutou arduamente para destruir tudo ligado ao Xamanismo, a Magia e a Bruxaria. Por quê? Por serem caminhos de LIBERDADE e aqui temos outra definição importante. O Xamanismo, a Magia e Bruxaria sempre foram caminhos de homens e mulheres livres. Que alguns desses homens e mulheres tenham caído, ao tentar se aproximar da ARTE, em formas de prisão muito mais sutis e perigosas que a prisão deste mundo é um fato, o qual alerta a todo praticante que arrogância e presunção são estilos de comportamento que nos dirigem diretamente para as iscas que existem no vasto mar que vamos descobrindo quando nos dedicamos a ARTE.
Tanto o Xamanismo, como a Magia, como a Bruxaria tem diversas formas de manifestação e existem também muitas formas de culto que nada tem a ver com a essência do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que ainda assim se apresentam como tal. Temos no tocante a Bruxaria o agravante de ter sido deturpada fortemente pelas falsas acusações e testemunhas sob o terror da tortura ou mesmo ameaça dela, terem criado fantasias sem fim que serviam bem aos propósitos dos que desejavam criar o medo contra trais práticas e conhecimentos.
Na Magia temos as deturpações como a "magia negra", criação também da inquisição, que ainda hoje assusta tantos. No Xamanismo temos grande número de índios que imitaram formas de agir, sem entender a essência, de verdadeiros xamãs e assim hoje repetem ritos e formas, mas sem o poder que caracteriza toda ação de fato xamânica. Mas além destas deturpações temos o XAMANISMO de fato, a MAGIA de fato e a BRUXARIA de fato e é sobre estas faces da ARTE que vamos falar nesta série de artigos.
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