sábado, 16 de março de 2013

Ogum Xoroquê

Ogum Xoroquê sem dúvidas é dentro do Povo de Ogum a entidade que mais chama atenção, por ser dúbia, ter dois lados, um lado ser Ogum e do outro ser Exu. Esta forma quer dizer não que o orixá tem duas faces e sim que trabalha em dois pólos energéticos tanto positivo como negativo.

Divindade masculina figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. Foi uma das primeiras figuras do candomblé incorporada por outros cultos, notadamente pela Umbanda, onde é muito popular.

Tem sincretismo com São Jorge ou com Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa.
A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou.

Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.

Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados.

Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta. Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

Segundo as pesquisas de Monique Augras, na África, Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.

Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido.

É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.

Tem, junto com Exu, posição de destaque logo no início de um ritual. Tal como Exu, Ogum também gosta de vir à frente. A força de Ogum está tanto na coragem de se lançar à luta como na objetividade que o domina nesses momentos.

É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); segundo Pierre Verger. Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas .

Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa.

Ogum gosta de dormir no chão, precisa que o corpo entre em contato sempre direto com a natureza e dispensa roupas elaboradas e caras, que possam ser complicadas de vestir ou que exijam muito espaço na mochila. Não tem compromisso com ninguém, nem com seus próprios objetos.

A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Espiritualidade, Orgulho e Vaidade

Um assento ao fundo da Coluna do Norte

Só me lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui?

O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim. Contudo, não tinha coragem da aborda-las. Mas espere, que grupo seria aquele unido e de terno preto? Lógico ! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia é tão comum pessoas irem ao velório com roupa preta.

É claro, são Irmãos. Aproximei-me do grupo.

Ao me verem chegar interromperam a conversa. Discretamente executei o Sinal de Aprendiz, obtendo de imediato a resposta. Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo.

Respondera-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?

- Estão bem não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.

Ainda assustado, indaguei os motivos de suas vestes.

- Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico, foi a resposta.

- Templo Maçônico, vocês tem um?

- Sim , claro.

Por que não?

Senti-me mais à vontade, afinal de contas sou um Grande Inspetor Geral da Ordem e com certeza receberei as honras devidas ao meu elevado Grau. Pedi para acompanha-los, no que fui atendido.

Ao fim da pequena caminhada, divisei o templo. Confesso que fiquei abismado. Sua imponência era enorme. As Colunas do pórtico, majestosas. Nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos. Caminhamos em silêncio. Ao chegar ao salão de entrada verifiquei grupo de Irmãos conversando animadamente, porém em tom respeitoso.

O que parecia o Líder do grupo que acompanhava chamou a um Irmão que estava adiante.

- Irmão Experto: Acompanhai o Irmão recém-chegado e com ele aguarde.

Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para o grau 33 não se poderia esperar nada diferente. Verifiquei que os Irmãos formavam o corteja para a entrada ao Templo. A distância, não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos.

Adentraram silenciosamente no Templo.

Comigo ficou o Irmão Experto. De tanta emoção não conseguia dizer nada. O Tempo passou ....... não pude medir quanto. A porta do

Templo se entreabriu e o Irmão M.:.C.: encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendasnão estavam desleixadas e caminhei com ele. Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância?

Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo. Estranho ...... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riquezas.

Verifiquei rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vindo não sei de onde iluminava o ambiente.

Cumprimentei o Venerável Mestre e os Vigilantes na forma do ritual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos. Não sabia o que fazer... Aguardava ordens .... e elas

vinham na voz firme do Venerável:

- S.:M..:?

Reconhecendo a necessidade do Telhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo:

- M..: I.:.C.:T.:M.:R.:

Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.:.M.:. dirigindo-se aos presentes, perguntou?

- Os Irmãos aqui presentes, o reconhecem como Maçom?

Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? - O silêncio foi total. E dirigindo-se à mim, o Venerável emendou :

- Mas caro Irmão visitante, os Irmãos aqui presentes não o reconheceram como Maçom.

- Como não! Disse eu.

- Não vêem minhas insígnias? Não verificaram meus documentos e comendas?

- Sim caro Irmão, retrucou o Venerável. Contudo não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas, insígnias e comendas. Para ser

Maçom é preciso antes de tudo, ter construído o seu Templo Interior, mas verificamos que tal não ocorreu com o Irmão. Observamos ainda que, apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter o maior dos Graus, não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.

- Como efêmera? Vocês que tudo sabem são observaram minhas atitudes fraternas?

Fui interrompido.

- Irmãos, vejamos então sua defesa.

Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de irmãos tecendo comentários desrespeitosos contra a Administração de minha Loja. Era verdade. Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos.

Lembrei-me então de minhas ações beneficentes, indaguei-os sobre tal. Mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tronco de Beneficência. Era fato, costumeiramente, o fazia por achar que o óbolo não seria bem usado. Por não ter o que argumentar, calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me aos olhos. Decidi a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Venerável:

- Meu Irmão. Reconhecemos suas falhas, quando o orbe terrestre e na Maçonaria. Contudo, reconhecemos também, que o Irmão foi iniciado em nossos Augustos Mistérios. Prometemos em suas iniciações protege-lo e o faremos. O Irmão terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal todos nós aqui presentes já cometemos um dia. Descanse neste Plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a Ordem Maçônica, sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.

Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado. Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha pedra Bruta. Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado. Levantei-me assustado mas com certa alegria no peito. Havia sonhado?? Dirigi-me ao guarda-roupa.

Meu terno ali estava. Instintivamente retirei do meu paletó as
medalhas, insígnias e comendas, guardando-as numa caixa.


Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa, com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria envolvente retirei o Ritual de Aprendiz Maçom.

No dia seguinte ao dirigir-me à minha Loja, somente levei o Avental de Aprendiz e humildemente sentei-me ao fundo da Coluna do Norte.

....precisava lapidar minha Pedra Bruta

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 03/03)

O Onipotente Esplendor do Pai ordenou: - “Que a evolução dure tanto quanto um Meu respirar” – e no insondável seio dos abismos cósmicos, pela emanação de Sua Vontade, criaram-se as condições necessárias à execução da Sua Ordem.
Partindo do Infinito Centro Divino, em vibrações sempre mais vastas, que, irradiando de todos os lados e regiões, se ampliavam para atingir o término da expiração Paterna, o Movimento Criador estabeleceu as trajetórias que foram percorridas pelas esferas luminosas. A luz que fora o ornamento precioso tornou-se energia, encontrando-se em os núcleos que a massa gasosa envolvia.
Os invólucros desses núcleos evoluíram por milênios, ao longo das trajetórias infinitas, na preparação do que deveria ser o principio das futuras sedes das almas culpadas.
Depois, cada um, pela expressão da Potencia que não tem limites à Sua Fôrça, pelo equilíbrio da criação, explodiu, formando o universo.
Na lei que os movia, os compactos gasosos dos planetas e dos satélites começaram a evoluir em torno do núcleo central da massa energética, futuro sol de cada universo, uniformizando-se cada vez mais com a lei da transformação ... O alfa e o Omega da vida se haviam iniciado ...
Milênios transcorreram ...
Em cada centro energético solar, as almas que haviam pecado ficavam à espera de iniciar o Karma purificador.
As massas aeroforme girando nas trajetórias, sem descanso, condensaram-se. Os gases tornaram-se magma, esse solidificou-se, e sobre os planetas desceram, dos sóis, as primeiras almas culpadas ansiosas de iniciar a prática purificadora que, através das lutas e provas sem número, lhes daria a fôrça de remontar novamente à pureza absoluta e de realizar a ascensão à Suprema Chama Criadora.
Daquela roupagem, a princípio tão desejada e ora pungente de espinhos que as comprimia como uma capa opressiva de dores, fixaram ansiosas o olhar na longínqua infinidade do cosmos no constante desejo de desvelar o profundo mistério que os envolvia, e a razão da vida.
Enquanto assim se iniciava o Karma das almas culpadas, o príncipe da luz que deveria ser para sempre o seu guia e farol de toda beleza e de todo esplendor, tornou-se, ao contrário, exemplo de incitamento para o abismo. Pelo querer da Suprema Justiça Onipotente foi relegado ao reino das trevas. Tornava-se assim Lúcifer, o anjo decaído, o príncipe dos demônios, o eterno tentador, encaminhando às regiões inferiores e, porque havia atraído outros a segui-lo, devia ainda persistir na sua obra de tentador, fazendo mais árdua e dolorosa a volta ao Grande Fogo Criador dos que o haviam acompanhado.
Essa é a sua missão, a serviço do Querer Supremo e, para que pudesse desempenhá-la, foi-lhe negado tomar para si próprio aquela carne que tão tenazmente procurara.
Preso à cadeia da sua pena, na plena consciência do seu ser, ele vê a imensidade de seu erro e deseja ardentemente a Deus, enquanto a consciência do futuro lhe atormenta sem tréguas o espírito.
Milênios transcorreram ...
Quando, no ritmo aspirante do hálito imenso do Eterno, os universos voltaram a ser absorvido em feliz curso concêntrico em giros evolutivos de trajetórias de alegria, em direção ao almejado Centro Infinito, quando as ultimas almas tiverem atingido a luminosa e ansiada meta e a terra for um desolado deserto, somente então ele poderá finalmente iniciar a sua purificação, encarnando-se. A ultima mulher o conceberá, deixando-lhe como herança uma vida atormentada sem o dom do repouso que a morte concede a cada mortal.
Durante milênios ele assistira, impotente, à perda de tudo e de todos, à destruição da sua paixão, à desagregação, átomo por átomo, daquela matéria a princípio tão ardentemente desejada.
Errará no mundo vazio e desanimado, naquelas trevas tão almejadas, no silencioso albor espectral daquela obscuridade que violara. Na noite sem fim lhe farão companhia unicamente o eco de seu lamento atormentado por mil indizíveis torturas e o aguilhão implacável de sua insatisfeita sede de luz.
Milênios transcorrerão, e das chagas abertas da sua dor pelo exílio sem nome fluirá a água que cancelará a sua culpa.
No esplendor soberano de todos os esplendores, cujo fulgor inefável não pode ser concebido pela mente humana, na flamejante e deslumbrante claridade daquela Luz que é Sabedoria e Amor, Potência e Harmonia, Eterna Fonte de toda vida e de toda perfeição, junto à Infinita Majestade da Onipotência do Pai, foi elevada, em lugar do anjo decaído, a radiante fidelidade de Mickael que resplandece da Sua potência.
Êle teve a seu lado Gabriel, que se adorna do Seu amor, e Rafael que se ilumina da Sua Sabedoria.
Essa Divina Triade, conduzida pela majestosa força de Mickael, que, recebendo poderes da infinita energia da Causa de todas as causas, representa e retoma o eterno signo da vitória, pediu e obteve da Graça Suprema a permissão de proteger as almas perdidas, guiando-as no exaustivo caminho da ascensão.
E a missão da Divina Triade perdurará até que o infinito respirar do Pai haja terminado, quando todas as centelhas que um dia foram emanadas sejam novamente reabsorvidas na Sua Grande Luz.
Relegado Lúcifer àquele abismo que tanto havia procurado e que fora razão de sua queda, formara-se na Divina Triade um vácuo.
O equilíbrio supremo fora violado, mas a Harmonia Eterna o restabelecera com um novo inefável ato de amor.
O Paterno Centro Criador quis que, ao lado da Sua Augusta Potência, se acendesse a Eterna Luz do Infinito Amor do Filho para balancear a eterna Justiça do Espírito.
Da infinidade cósmica do Seu Querer emitiu outra centelha, e no vazio criado pela queda do anjo renegado surge triunfante o Filho de Deus.
Ao conhecimento que não bastara para salvaguardar a pureza da luz concedida às criaturas, mas que contribuíra para ofuscá-las, sucedia o incorruptível esplendor do Filho, Amor, novo farol aceso no caminho sem fim da eternidade. O primeiro havia, com o estímulo do desejo, levado a luz a confundir-se com as trevas. Êle, com o exemplo do sacrifício, reconduziria as criaturas das trevas à luz.
A suprema harmonia da Lei foi assim restabelecia.

Ergos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 02/03)

Luz lutava ainda consigo mesmo, presa frequentemente da lancinante dor do remorso, frente à amorosa efusão Paterna, vencido, muitas vezes, pelo desanimo, quando aflorando do incomensurável oceano da treva interdita, comparava a sua luz À imaculada, vitoriosamente esplendente e feliz nos sete graus da rosa angelical.
Mas a pungente solicitação da vaidade convidava-o sempre mais insistente e longamente ao proibido, que ocultava em si o veneno da orgulhosa revolta.
Milênios e milênios decorreram ...
Agora a única felicidade de Luz consistia em permanecer o mais possível nas trevas sem fim e aí considerar-se e admirar-se como centro infinito, irradiando fulgores admiráveis que desapareciam apenas quando voltava junto à Divina Chama.
Contudo – orgulho lhe sugeria – não era ele, porventura, emanação da Luz Criadora ? Não estava nele a própria potência criadora do Pai, que lhe havia confiado o governo de todas as suas criaturas ? E, se lhe fora concedido tanto poder, por que devia ser-lhe vedado o humilde e fugidio reino das trevas? A sombra que ora lhe fugia teria, reconhecida pela sua atividade criadora, participado de sua emanação luminosa.
Desejando que suas formas mentais, naquele plasma informe se condensassem e concretizassem, chamou a si a sombra.
Quis, e a sua vontade consubstanciou-se. Pode amalgamar-se e dissolver-se, segundo o seu desejo.
A ansiedade que o havia possuído, depois de haver manifestado a sua vontade e a expectativa não isenta de temor com que havia contemplado as primeiras realizações, cederam a uma quase prudente timidez que ele manifestava no consubstancializar-se em novas formas no plasma fugaz. Modelando os aspectos, que ficavam nas várias transformações cada vez mais apurados e completos, adquiriu pouco a pouco maior segurança de expressão e ele se quis sempre mais belo e admirável, em imagens a mais e mais perfeitas e magníficas.
Uma alegria louca o inebriava. Acreditava-se igual ao Único: também ele criava. A seu talante consubstanciavam-se, no dócil plasma etéreo da sombra, figuras de graça fascinante.
Pelo seu querer, nasciam as inúmeras variedades dos aspectos e das formas, o mutável mundo dos fenômenos: criaturas de beleza radiante; paisagens encantadas; flores de fragrâncias mil e das mais variadas cores; todo o ilimitado e inimaginável mundo da fantasia criadora.
Então surgiu o pensamento da revolta: “ÊLE, da luz não criou senão a luz; eu da obscuridade informe, criei o reino da beleza. Eu sou igual a ÊLE; eu sou mais do que ÊLE”.
O pensamento da revolta brotara, e Luz se condenara.
Atraídas pela nova experiência, arrastadas ou envolvidas pelo mesmo desejo de consubstancializar-se, muitas das centelhas divinas, partes da essência resplandente da sétupla rosa que estavam sob a custódia de Luz, imitaram-no.
Esquecidas de que a infinita felicidade eterna consistia sòmente em aspirar à mais alta perfeição e pureza do espírito, buscavam agora àquele plasma material que cada vez mais as aprisionava na sua ânsia.
E elas não adoravam mais a Suprema Causa Criadora, a Onipotência Paterna, Deus, mas volveram a sua culposa atenção para adorar a si mesmas.
E esse foi o início da queda ...
O olho de Deus, o Onividente para quem a própria imensidade do espaço não tem mistérios, viu a Sua Luz, difundida em Suas Criaturas, ofuscadas cada vez mais pelo véu opaco de desejos sempre crescentes.
A Sua Onisciência não podia escapar a causa; sabia que a Lei Suprema fora violada, mas, havendo deixado a cada uma de Suas Criaturas o livre arbítrio, esperou que a culpa não aumentasse.
Mas, também então, a Graça Paterna não quis aniquilar aquêle que o seu Fogo Criador, num ímpeto de amor, tinha gerado, e, na constante efusão amorosa com as Suas criaturas, não permitiu que outras luzes se precipitassem nas trevas.
Ordenou, por isso, às centelhas que haviam caído no erro que se afastassem da luz: “Que o vosso desejo se torne a Minha ordem” – foi a suprema determinação, e na treva a que tolamente se tinham dirigido fez residir o princípio material das centelhas culpadas.
Impôs que, desde então, a matéria não fosse a companheira voluptuosa de um capricho, mas o fardo doloroso que sobre elas pesaria, em uma sucessão ininterruptamente expiadoras de vidas, através das quais se conseguiriam purificar e redimir.
Só aprisionando-as no cárcere cego da carne, na limitação angustiosa das imperfeições da matéria, de suas faltas e traições, poderiam iniciar a devida expiação. Somente pelas aflições e angustias da instabilidade da jornada humana, do amargo e doloroso pranto que dela emana, atingirão o batismo salutar que pode permitir entrever, da prisão terrena, a primeira esperança de luz.
Por milênios e milênios, através do mortificante filtro das paixões, na angustia desse continuo morrer de cada instante, que é companheiro inseparável da criatura humana, no perene retorno da vida, superando vitoriosamente obstáculos cada vez mais árduos e difíceis, dominando a sedução corruptível existente na própria cadeia mordente, conquistando nessa vitória o caráter real da sua origem, elas, centelhas divinas que haviam pecado, deveriam reencontrar a força e a pureza para remontar à Fonte puríssima e eterna de todo o bem.
E na adamantina claridade, que já as havia feito brilhantes na inefável harmonia, tornariam a resplender de felicidade imortal no seio do Criador.
É esta a Lei do Karma da matéria, que naquele momento, teve o seu início. Por ela nasceram os universos, os sóis, os planetas, as terras, os homens.
 
Continua

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Luz e Mickael - A Genesis oculta (Parte 01/03)

Do nada Deus criou a Vida.
Da vida nós criamos a fé.
ÊLE nos deu o céu e a terra, os abismos insondáveis
dos mares, o ardor do Sol, o sopro do eterno
existir, o oceano infinito das sombras, o gérmen do
princípio na infinita multiplicação de Si mesmo.
Fez-nos a dádiva da morte no Todo imortal da
Sua Muda Vontade
Fomos chama, depois nos tornamos forma para
ser espírito da divina eternidade.
Das essências das trevas surgimos na luz do
Absoluto, no hálito imortal da eterna realidade,
ansiosos de alcançar o Fogo Vivente de Deus.

Não existe o primeiro pensamento porque o Pensamento de todos os pensamentos, a Mente Suprema, sempre existiu. Não existe a primeira causa e não há a última porque a Causa Suprema sempre foi e sempre será.
O nada não existe porque o nada se transforma no todo e tem início no todo.
O todo não existe, porque é materializado do nada e tem início no nada.
Não existe matéria, não existe o nada, não existe o todo; existe apenas a Mente Criadora Suprema, o Espírito Infinito, o Ser, o Ente, Deus.
Passado, presente, futuro – distinções de uma medida humana; o tempo. Para o Eterno, subsiste apenas o incomensurável, o infinito e eterno presente, a eternidade, que os homens podem esforçar-se para conceber como uma perene sucessão de passados e de futuros.
Passados que vivem no eterno pensamento de Deus sempre presente; futuros que representam o respirar da Infinita Lei, surgindo, instante por instante, no teu fugacíssimo presente.
Quem pode, realmente, conceber, detê-lo, mantê-lo, por um só instante, seja embora fugitivo? Apenas o tens percebido, ele, já na sombra, é presa do passado; se o esperares na passagem da tua mente, enquanto ele ficar envolto nas névoas imperscrutáveis do incógnito amanhã é futuro; mas apenas o fluir do eterno movimento erga o véu e os teus lábios, trêmulos de expectativa, estejam por pronunciar a palavra do presente: é; ele não é mais; já foi.
Assim, quem pode conceber o infinito? Contudo, o finito não existe. Experimenta levantar uma barreira que limite um espaço até a extremidade mais remota que a mente possa perceber, até o último confim possível à tua imaginação. Ergue aquela barreira e encerra todo o espaço concebível: além dele, sentirás palpitar ainda outro espaço como um insondável e misterioso mar que se perderá na infinidade eterna do Cosmos.
Existe apenas o infinito, e no espaço infinito vibra o Centro Infinito de Vida.
No fulgor mais intenso de Sua deslumbrante pureza resplendia o Fogo Incriado, Divino Criador. E a Sua chama, em um ímpeto de amor, emitiu centelhas, estrelas substanciadas pela Sua Luz, que envolveram de triunfante apoteose a Sua Glória.
O amor do Pai era esplendor que se irradiava até a última de Suas criaturas, e essas, aspectos luminosos do palpitar Daquela Luz, vibravam na Harmonia Infinita, elevando gemas de incomparável pureza até ao Supremo Centro do Bem.
E tudo era puro, no tempo dos tempos, até mesmo as trevas infinitas, que com seu aveludado manto recobriam o mistério dos abismos siderais, porque também eram parte do Infinito Corpo de Deus e nenhuma culpa havia tido princípio.
Iniciou-se, assim, a adorante rota das refulgentes e translúcidas esferas dos bem-aventurados.
Em cada uma, inúmeras essências angélicas flamejavam de amor pela Graça Perfeita que as tinham gerado, em uma pulsação a cujo confronto a mais ardente paixão humana é apenas um imperceptível arrepio de frio.
A onipotência do Pai fez surgir duas Fôrças, que acima das outras participavam de Seu incomparável fulgor: LUZ e MICKAEL.
E o Pai, Luz e Mickael refulgiam, irradiando bem-aventurança às centelhas que os adoravam.
À Luz, entregou o Pai o governo das esferas angélicas.
A Mickael confiou a missão do Seu serviço direto, além da de Chefe dos Arcanjos e de coadjutor da obra de Luz.
Sete, com Mickael, eram os Arcanjos que se regozijavam na adoração ante o resplendente trono de Deus: Gabriel, Rafael, Anael, Azaziel, Azaquiel, Uriel.
Na pureza incontaminada de sua essência, partícipes da infinita luz, as legiões angélicas, na celeste rosa, felizes de existirem, cantavam hosanas ao Criador, fitos na contemplação do indizível esplendor da Mente Suprema.
Na sua missão, Luz perpassando entre as refulgentes gemas da rosa angélica, recolhia as humildes preces, o puro perfume das essências espirituais, trescalantes da absoluta devoção, da alegria perfeita que emanava do seu adorante amor, e os elevava aos pés do fulgurante trono do Pai.
Certa vez, porém, no esplendor de seus voos, Luz retardou por um instante o seu rápido perpassar de esfera em esfera, como se a sombra longínqua, apenas acenada e fugaz, de um desejo, o atraísse repentinamente ao abismo que circundava o luminoso Centro Infinito.
Puríssima essência, emanada da Excelsa Chama Divina, participe daquela Infinita Potência em ação, superior a toda expressão quando assumia os aspectos peculiares ao Absoluto e ao Eterno, nada, fora do Imaculado Esplendor Criador, devia atraí-lo. Todavia, imperceptível, quase inadvertidamente, o reverente temor que o arrastava aos confins misteriosos do nada diminuía, superado por um desejo cada vez mais premente e ansioso que maculava o esplendor original.
A escuridão eterna daquele abismo, insondável mesmo à sua potência, atraia-o irresistívelmente.
Milênios, como anéis desenlaçando-se em uma cadeia sem fim, como pausas ritmadas de um eterno fluir, sucederam-se a milênios, como o bater uniforme da onda que no eterno movimento se afasta e retorna com a voz e essência imutáveis.
Por um tempo longuíssimo lutou Luz contra a ânsia de mergulhar naquela treva abismal, onde sentia vibrar o infinito mistério de Deus, até que o mórbido fascínio da curiosidade o venceu, impelindo-o a transpor a zona resplendente e a profanar aquele espaço que o Pai lhe havia proibido.
Esquecido da alegria indizível da amorosa fusão na infinidade da Graça Geradora que, no Seu ardor, acalma toda ânsia e sacia todo desejo, penetrou no cobiçado mistério.
O sentimento de apreensão que experimentou, transpondo o vedado limite insondável fê-lo deter-se, apesar do aguilhão da curiosidade, ante a imensidade de sua audácia.
Às suas costas, o e4splendor amoroso da Chama Paterna e a felicidade, na harmonia de luzes e de cores, dos bem-aventurados vibravam na distância. Êle estava só no tenebroso silencio; só na escuridão profunda que à sua frente lhe fugia, quase temerosa de ser violada pela sua luz.
Mas a consciência de seu esplendor, que parecia crescer à medida que avançava, tornava-o orgulhoso e o encorajava.
Naquelas trevas ele resplandecia, como nunca, de inusitado clarão e as sombras fugidias que, ao alcance de suas emanações resplandecentes, se retraiam quase inclinando-se humildes e convidativas, ofereciam ao seu orgulho nascente maior incentivo para desenvolver-se.
Esquivo e convidativo, o infinito reino da sombra, desconhecido e proibido, estava à sua frente quase na expectativa de um Fiat novo e maravilhoso; e ele sentiu-se, na treva, como transmudado em um centro luminoso.
Assim, o orgulho apossou-se dele e o inebriava como o eflúvio de um aroma proibido e perturbador.
Sua luz refulgia vitoriosa no reino da treva infinita: “ por que não poderia parar para reinar e dominar” ? E ao orgulho se juntava, insidiosa, a soberba, incitando-o à revolta contra a proibição de superar o limite interdito. Mas esse estimulo doloroso tinha o poder de sacudi-lo, e ele ressurgia das trevas à pureza incontaminada e feliz do Fulgor Paterno, angustiado e taciturno.
Milênios e milênios decorreram ...

continua.

sábado, 12 de janeiro de 2013

As sete verdades do Bambú

Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda e falou:
- Vovô corre aqui! Me explica como essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva... este bambu é tão fraco e continua de pé?
- Filho, o bambu permanece em pé por que teve a humildade de se curvar na hora da tempestade.

A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.

A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.

Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.

Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasça outros a seu lado (como no cooperativismo). Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores.

A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita, comunidade, o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar, é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.

A quinta verdade é que o bambu é cheio de nós ( e não de eus ). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles.

A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.

Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é exatamente o título do livro: ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto.

Essa é a sua meta.

LIVRO - BUSCANDO COISAS DO ALTO

sábado, 22 de dezembro de 2012

O que é o Natal?

Eu, menino, sentado na calçada, sob um sol escaldante, observava a movimentação das pessoas em volta, e tentava compreender o que estava acontecendo.

Que é o Natal? Perguntava-me, em silêncio.

Eu, menino, ouvira falar que aquele era o dia em que Papai Noel, em seu trenó puxado por renas, cruzava os céus distribuindo brinquedos a todas as crianças.

E por que então, eu, que passo a madrugada ao relento nunca vi o trenó voador? Onde estão os meus presentes? Perguntava-me.

E eu, menino, imaginava que o Natal não deveria ser isso.

Talvez fosse um dia especial, em que as pessoas abraçassem seus familiares e fossem mais amigas umas das outras.

Ou talvez fosse o dia da fraternidade e do perdão.

Mas então por que eu, sentado no meio-fio, não recebo sequer um sorriso? Perguntava-me, com tristeza. E por que a polícia trabalha no Natal?

E eu, menino, entendia que não devia ser assim...

Imaginava que talvez o Natal fosse um dia mágico porque as pessoas enchem as igrejas em busca de Deus.

Mas por que, então, não saem de lá melhores do que entraram?

Debatia-me, na ânsia de compreender essa ocasião diferente.

Via risos, mas eram gargalhadas que escondiam tanta tristeza e ódio, tanta amargura e sofrimento...

E eu, menino, mergulhado em tão profundas reflexões, vi aproximar-se um homem...

Era um belo homem...

Não era gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem branco, nem preto, nem pardo, nem amarelo ou vermelho.

Era apenas um homem com olhos cor de ternura e um sorriso em forma de carinho que, numa voz em tom de afago, saudou-me:

Olá, menino!

Oi!... respondi, meio tímido.

E, com grande admiração, vi-o acomodar-se a meu lado, na calçada, sob o sol escaldante.

Eu, menino, aceitei-o como amigo, num olhar. E atirei-lhe a pergunta que me inquietava e entristecia:

Que é o Natal?

Ele, sorrindo ainda mais, respondeu-me, sereno:

Meu aniversário.

Como assim? Perguntei, percebendo que ele estava sozinho.

Por que você não está em casa? Onde estão os seus familiares?

E Ele me disse: Esta é a minha família, apontando para aquelas pessoas que andavam apressadas.

E eu, menino, não compreendi.

Você também faz parte da minha família... Acrescentou, aumentando a confusão na minha cabeça de menino.

Não conheço você! eu disse.

É porque nunca lhe falaram de mim. Mas eu o conheço. E o amo...

Tremi de emoção com aquelas palavras, na minha fragilidade de menino.

Você deve estar triste, comentei. Porque está sozinho, justo no dia do próprio aniversário...

Neste momento, estou com você! Respondeu-me, com um sorriso.

E conversamos...uma conversa de poucas palavras, muito silêncio, muitos olhares e um grande sentimento, naquela prece que fazia arder o coração e a própria alma.

A noite chegou... E as primeiras estrelas surgiram no céu.

E conversamos... Eu, menino, e Ele.

E Ele me falava, e eu O entendia. E eu O sentia. E eu O amava...

Eu, menino: sou as cordas. Ele: o artista. E entre nós dois se fez a melodia!...

E eu, menino, sorri...

Quando a madrugada chegou e, enquanto piscavam as luzes que iluminavam as casas, Ele se ergueu e eu adivinhei que era a despedida. E eu suspirava, de alma renovada.

Abracei-O pela cintura, e lhe disse: Feliz aniversário!

Ele ergueu-me no ar, com Seus braços fortes, tão fortes quanto a paz, e disse-me:

Presenteie-me compartilhando este abraço com a minha família, que também é sua... Ame-os com respeito. Respeite-os com ternura, com carinho e amizade. E tenha um Feliz Natal!

E porque eu não queria vê-Lo ir-se embora, saí correndo em disparada pela rua. Abandonei-O, levando-O para sempre no mais íntimo do coração...

E saí em busca de braços que aceitassem os meus...

E eu, menino, nunca mais O vi. Mas fiquei com a certeza de que Ele sempre está comigo, e não apenas nas noites de Natal...

E eu, menino, sorri... pois agora eu sei que Ele é Jesus... E é por causa Dele que existe o Natal.


Autor: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em texto de Fábio Azamor.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natal de Jesus

Toda vez que o Natal retorna, Sua figura é lembrada com maior vigor. Alguns permanecem na tentativa de negar-Lhe a existência, afirmando que tudo é fruto de lenda.

Outros, que na Sua existência acreditam, perdem-se em datas e números, tentando descobrir quando Ele verdadeiramente nasceu.

O que se sabe é que até o século IV, os cristãos do Mundo comemoravam o Seu natalício em diferentes meses e dias, motivo pelo qual a Igreja optou por determinar a data de 24 de dezembro, a fim de que todos os Seus seguidores se unissem para o mesmo evento, como um único coração.

Estranham alguns que tudo que se refira à figura humana do Cristo seja tão obscuro. Não se sabe com exatidão quando e onde nasceu, quase nada se tem a respeito de Sua infância e adolescência.

Mesmo após a Sua morte, não nos legou senão uma tumba vazia, tendo desaparecido Seu corpo, sepultado em lugar ignorado talvez.

Exatamente porque, desde o primeiro dia entre nós Ele, Jesus, insistiu em afirmar que a mensagem é mais importante do que o homem.

Contudo, algo existe em torno do qual ninguém discute, todos se irmanam. Ele legou à Humanidade o mais belo tesouro de todos os tempos: a lição do amor, o amor por excelência que foi.

Desde Seu nascimento na calada da noite à Sua morte infamante na cruz, a Sua foi a vida dos que amam em totalidade.

Por isso mesmo é que não temos as notícias de Jesus no seio de Sua família, convivendo com os Seus. A Sua família era a Humanidade e com ela esteve em Seu messianato.

Amou a multidão e a serviu. Falou de coisas profundas, utilizando figuras e linguagem acessíveis ao povo, que desejava uma mensagem diferente de todas as que ouvira até então.

A Sua voz tinha especial entonação e quando se punha a declamar a poesia dos Céus, extasiava as almas. Os simples O seguiam, os desejosos de aprender e os que ansiavam pelo consolo de suas feridas morais O ouviam atenciosos.

Sua mensagem era dirigida a todos os seres, nos diferentes estágios evolutivos, para as diferentes idades.

Dirigiu-Se à criança, convidou os moços a segui-Lo, arrebanhou homens e mulheres em plena madureza, alentou a velhice.

Sua vida foi um contínuo servir. Ninguém antes Dele e ninguém depois realizou tamanha revolução no campo das idéias, semeando na terra dos corações, em tão pouco tempo.

Menos de três anos...

Sua mensagem, impregnada do perfume de Sua presença, prossegue no Mundo, arrebanhando as almas.

Definindo-se como o Caminho, a Verdade e a Vida, Ele é também o consolo dos aflitos, a luz para os que andam em trevas densas, o amparo dos que se sentem desalentados e sós.

Seu nome é Jesus. Sua mensagem é a do amor perene. Seus ditos e Seus feitos constituem os Evangelhos.

A comemoração do Seu natalício a todos nos motiva a amar, doar e perdoar. E só há Natal porque Ele veio para os Seus irmãos, para nós e nos legou a mensagem divina que fala de paz, de harmonia e de belezas espirituais.



Aproveitemos os dias do Natal que estamos vivendo para meditar a respeito dos ensinos de Jesus.

Aproveitemos mais: coloquemos em prática ao menos alguns deles.

E entre os presentes e mimos que distribuiremos em nome Dele, não nos esqueçamos de colocar uma parcela do nosso coração.

Não esqueçamos: é Natal.



Autor: Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 12, ed. Fep.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Exu Caveira, Tata Caveira e João Caveira


Exu Caveira é uma falange de espíritos que trabalham ligados ao elemento osso do corpo humano, o elemento osso simboliza o apego a carne, as dores, os vícios, as paixões, raivas ... Tudo o que nos faz sofrer no mundo material que fica apegado na matéria, no corpo. O espírito retornaa ao mundo espiritual, os sentimentos são desfeitos vagarosamente, os pensamentos são desfeitos, e no corpo apegado a matéria fica o lado negativo chamado pelos judeus de Cascão (cascarão - o sopro dos ossos - emi oku).
Esta é a missão do Exu Caveira de Umbanda, trabalhar o amor indiretamente, onde ninguém mais o vê.

Propriamente esta falange pertencente a Tribo dos caveiras, dizem ser vinte e um tipos de caveiras.

Exu Caveira

O Exu Caveira trabalha com a cura material e espiritual. Atua como médico curador. É ligado aos curandeiros xamãs das matas, aliás inúmeras vezes vi esta entidade fazer cura de feridas com a boca. Um grande lugar de atuação na maioria das vezes é nos hospitais.


Suas preferências normalmente são as cores preto e branco, suas roupas claras, fuma charuto, bebe aguardente ou bagaceira.
O seu nome kabalístico tem o valor equivalente ao número 320 = 5 Elemento Áse
As suas oferendas podem ter o número cinco, e serem feitas com mocotó, bifes de carré com osso passado no dendê. Normalmente é ligado a Ode, Osóniyn, Òxóòsì, Obaluwaiye e Sangó.

Exu João Caveira

João Caveira
Exu que trabalha na parte do desapego da matéria, mas na maioria dos casos ligado ao cemitério, e desfazimento de feitiços. João Caveira é uma falange de Magos ligados a necromancia.
Normalmente suas cores são o branco, fuma charuto e cigarro, bebe conhaque, aguardente e bebidas a base de ervas.
O seu número correspondente na Kabalah de acordo com o seu nome é 343 = 10 Elementos Água e Terra
Ou seja as suas oferendas podem ter este número como base.
Para trabalhar com o elemento terra para atrair prosperidades utilizar os elementos sálvia, ouro, tanchagem, peregun, açafrão, frutas e mel.
Para trabalhar com o elemento água para o plano sentimental utilizar os elementos água, ferro, folha de fortuna, tubérculos (batata, mandioca, inhame).
Ligado aos òrìsà Obaluwaiyé e Òsàálá.


Exu Tata Caveira

Tata Caveira
Trabalha na última parte do desenlace na matéria, a cabeça e os idosos. Atua na maioria das vezes em manicômios, hospícios e abrigos de idosos.
O número kabalístico correspondente ao seu nome é 340 = 7  Àse e Terra
Suas cores são o preto ou o branco (normalmente o branco), raramente quando incorpora fuma charutos e bebe aguardente.


Oferenda a qualquer espírito da falange de Exu Caveira para prosperidade
Cozinhar um mocotó com temperos como se fosse comer. Retirar o caldo do mocotó e fazer um pirão com farinha de mandioca e adicionar cebola roxa, alho, dendê e temperos, salsa, cheiro verde...
Ofertar nas raízes de uma árvore.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Ansiedade e Desenvolvimento Mediúnico


Não devo ter sido o único que resolveu, depois de muitos meses na assistência, pedir para vestir o branco.

Também imagino que não fui o único que fez esse passo por algo maior do que simplesmente achar a gira bonita e me sentir bem no terreiro. Fiz o passo porque, em um momento da minha vida percebi que o trabalho da gira podia preencher uma lacuna. Naquela época eu não tinha nem a força nem o discernimento para ajudar aqueles que amo e que precisavam de ajuda. Dei o passo dizendo que aquilo era para aprender a como ajudar aquelas pessoas! Sou míope, o suficiente para ser obrigado a usar óculos para dirigir. O que não imaginava era que minha miopia se estendia à minha maneira de pensar e ver o mundo! Efetivamente, estava dando o passo porque eu eu precisava de algo! Só que não sabia daquilo ainda.
Recém chegado, imaginei que fosse normal que novatos experimentassem uma agitação mental em face do desconhecido. Por um tempo acreditei que a curiosidade e a pressa em entender e em fazer (nos meu limites) as coisas da espiritualidade e da materialidade fossem como molas que me impulsionariam a vivenciar, a cada semana, novos passos no meu processo de desenvolvimento mediúnico.
Racionalidade, karma, reencarnação, mediunidade, livre arbítrio, perispírito, espiritualidade... conceitos que conhecia a décadas mas que acreditava que não diziam respeito à minha vida naquele momento: "-Mediunidade não deve fazer parte do meu karma! Venho aqui só pra me equilibrar e assim poder ajudar os meus próximos!".
Logo no começo tudo era novo: os rituais, os gestos, as expressões. Muita coisa para aprender e medo de fazer errado. "-Mas como é que em todos os anos que participei na assistência, nunca me dei conta daqueles rituais e gestos?". Parecia que o primeiro dia em que vesti o branco dia era também o primeiro dia que colocara os pés no terreiro. De repente, não sabia mais nada ou esqueci o que achava que sabia! Hoje, penso que dependendo do nosso estado mental podemos adotar perspectivas bastante distintas: cada uma mostra a gira de uma maneira, permitindo que se aprenda algo específico: o aflito só terá olhos e ouvidos para a entidade responsável pela sua consulta, o contrariado não terá nem olhos nem ouvidos para nada, o cambone compenetrado refletirá sobre os ensinamentos da consulta que anotou, o médium novato tentará estimar se a vibração que sente se trata da aproximação de um espírito ou se tudo não passa de criação da sua mente, um capitão estará atento para que um médium novato não se machuque em uma incorporação, um médium de toco observará quão fácil foi intuir o que a entidade desejava manifestar para um consulente, um pai de santo verá o fluxo e a totalidade dos trabalhos da gira (as consultas a serem realizadas, os encaminhamentos que precisam ser feitos, a batida dos ogans, o canto dos sambas, a firmeza dos médiuns de toco, a objetividade e a pertinência das entidades incorporadas trabalhando no centro e dos médiuns na gira) e agirá de maneira que os objetivos da gira sejam atingidos naquele dia.
Hoje penso que o que mais dificultou o início do meu desenvolvimento foi o tempo que levei para deixar a perspectiva do médium novato, em que eu me via como o centro da gira. Eu vinha para o trabalho da gira esperando sentir uma vibração mais forte do que aquela que sentira na gira anterior. Se não fosse mais forte, se não fosse mais arrebatadora que a anterior deveria haver algo errado com meu desenvolvimento. Sem perceber, prestando atenção em manifestações que entendia como sinais de desenvolvimento nos irmãos da gira, elegi o meu desenvolvimento mediúnico como o principal objetivo a ser alcançado. Ficava meio sem graça quando no intervalo ou no final da gira, ouvia algum comentário do tipo "-Você viu como fulano recebeu uma entidade firme! Desse jeito, daqui a pouco já vai estar no toco!"
Com meus dois neurônios, comecei a cogitar que o objetivo final do desenvolvimento do médium seria ir para o toco. Nessa época, parecia que as vibrações que sentia logo que entrei na gira foram ficando mais fracas e rareando. Eu me esforçava, prestava atenção nos outros que incorporavam. Talvez aprendendo certos gestos fosse mais fácil receber a vibração... em vão.
Para piorar, as vezes aparecia uma pessoa nova na gira e pasme! Já no primeiro dia girava, incorporava com gestos vigorosos e belos de um índio, dirigia-se ao dirigente trocavam poucos gestos ou palavras e saia para colaborar nos trabalhos da gira com determinação e segurança. Era nessa hora que eu sabia que realmente eu devia estar fazendo algo errado. Mas, por que alguém não me avisava? Por quê não me diziam como que eu devia fazer para poder incorporar certo (igual aquele médium novato que recebeu aquele índio)? Ninguém dizia nada e eu também não perguntava. Imagina... pagar mico a toa? Para quê? E nisso o tempo passava, passavam as semanas e os meses.
Hoje, revendo minhas atitudes percebo que me deixei levar por um sentimento que cresce como erva daninha: a vaidade! Sem nada dizer, comparava meu aparente desenvolvimento com o aparente desenvolvimento de meus irmãos de gira. Esqueci o que era reencarnação, o que era a diversidade de caminhos que cada um de nós traçou antes de chegar nesta vida e, infantilmente, comparava meu desempenho na gira com o desempenho dos outros.
"Inteligentemente" conclui que provavelmente eu não seria um médium de incorporação, provavelmente poderia auxiliar no trabalho da gira contribuindo com o samba (mas precisaria aprender melhor os pontos), nas palmas (mas precisaria aprender a bater palmas daquele jeito novo tan, tantan, tan, tantan...) ou como cambone (ajudando a entidade e anotando as consultas). Cheguei a me perguntar se estava no lugar certo, se estava na gira certa e até mesmo no terreiro certo! Por sorte não perguntei a ninguém se estava no lugar certo. Perguntei ao meu coração! Naquele momento percebi que apesar de me sentir fracassado no meu desenvolvimento mediúnico não podia negar uma coisa: eu gostava do ambiente da gira e sempre, independentemente do meu desempenho nas performances de incorporação, eu sempre estava feliz ao final das giras! Então aquilo devia ser bom de alguma maneira e valia o esforço!
Decidi, não seria um médium de incorporação, então deveria  descobrir qual seria meu papel naquela gira. Naquele dia mudei a minha perspectiva. Hoje digo para mim mesmo que, sem perceber, abandonei a perspectiva do meu umbigo (onde intimamente achava que tudo na gira deveria ocorrer para que eu pudesse incorporar  uma "entidade forte") e comecei a observar o que ocorria na gira e por que a gira acontecia: havia as pessoas que vinham para a vibração (algumas poucas demonstravam curiosidade, muitas traziam expressões compenetradas, talvez esperando por um milagre, outras se mostravam humildes e mesmo resignadas); havia as pessoas que depois da vibração sentavam nos banquinhos (para essas, as entidades vinham dar o seu axé); havia as pessoas que vinham consultar na segunda parte (buscando aconselhamento, cura ou proteção). Foi nesse momento que percebi que a principal causa para existir o trabalho da gira não era o meu desenvolvimento. O trabalho da gira existia para o auxílio àquela multidão que vinha semanalmente!
Sem que a coisa fosse formulada explicitamente na minha mente, comecei a agir de maneira a ajudar o fluxo do trabalho da gira. Procurei estar disponível para qualquer coisa que fosse necessária. Quando solicitado cambonei (e como foi bom aprender ouvindo e vendo as entidades agirem!), bati palmas, cantei, enxuguei chão molhado para que alguém não escorregasse. Acabei esquecendo do meu umbigo.
Devia ser uma gira como as outras, Mas, quando me vi estava girando. Depois me levantei e estava indo ao encontro da entidade dirigente do trabalho. Fiquei apreensivo, não sabia o que tinha que dizer ou fazer. A entidade dirigente estava no meio de uma consulta. Fui direto, ajoelhei  reverenciei com o olhar e quando vi, fiz um gesto com as mãos que foram correspondidos por ela. Eu estava feliz de estar ali, de ter tido a coragem de estar ali. Mas, ela não sorriu. Pelo contrário, o caboclo olhou sereno e sério nos meus olhos. Entendi que o momento era de seriedade, havia um trabalho a ser feito. Naquele momento senti o caboclo que estava comigo, meu pulmão parecia ser pequeno para comportar o ar que eu queria inspirar. Ele quis se levantar, fiz o gesto e juntos fomos ajudar no trabalho da gira.
Uma gira não é como uma tela que se observa, mesmo na assistência, de certa maneira, se está imerso ma gira. Hoje, sinto que o participar da gira e o observar da gira não estão relacionados com o fato de estarmos ou não vestidos de branco (papéis formais durante a gira), ou em estarmos de pé (no círculo) ou sentados (na assistência). Cada vez mais, penso que o participar da gira está relacionado com a atitude mental que cultivamos. Se interiormente e exteriormente agimos para que o trabalho da gira seja repleto de êxito, se agimos para que aqueles que vem em busca de orientação ou cura encontrem algo que lhes alivie o fardo da vida (seja física ou espiritualmente), acho que estamos efetivamente trabalhando na gira.
Meu desenvolvimento mediúnico deixou de ser a coisa mais importante e o principal objetivo pelo qual eu venho semanalmente ao terreiro. Na verdade, no que se refere ao meu desenvolvimento ele mal começou! Ignorância mediúnica (tanto teórica quanto prática) é a expressão que melhor me qualificaria hoje. Entretanto, estes primeiros dois anos serviram para aprender algo muito importante: Meu desenvolvimento mediúnico não deve ser meu objetivo no terreiro; mas uma consequência das minhas atitudes na vida. Isso significa o que aprendo de duas maneiras:
  • A primeira, na minha vida de relação com a materialidade, nas ações do dia a dia que se traduzem em gestos, rituais, leituras e ações que colaboram para que empreendimentos conjuntos se concretizem. Por exemplo ajudando numa tarefa de casa ou da empresa, sabendo ouvir alguém que precisa ou então fazendo algo que percebo precisa ser feito (criando, consertando ou limpando algo).

  • A segunda, na minha vida de relação com a espiritualidade, nas atitudes mentais e físicas que fazem com que eu me sintonize mais com determinados planos da espiritualidade. Acho mesmo que essa parte do desenvolvimento mediúnico consiste na construção de hábitos que nos predispõem a estarmos, naturalmente mais sintonizados com nossos mentores do outro plano. Esses hábitos não estariam ligados a gestos físicos mas a atitudes interiores em relação ao próximo como paciência, humildade, disponibilidade, clareza, apoio, aceitação, etc.
Relendo como organizei mentalmente meus dois campos de aprendizagem (materialidade e espiritualidade), entendo por que demoro tanto para avançar no meu desenvolvimento mediúnico. O campo material é fácil de ser observado e transformado porque está relacionado com coisas recentes que aprendi nesta vida. Entretanto, o campo espiritual implica em mudanças profundas na minha maneira de ver e ser no mundo, em especial na maneira como me relaciono com os outros. Estas coisas estão profundamente enraizadas no meu inconsciente, provavelmente cristalizadas de minhas outras vidas. Acho que ai que se encontra o terreno de batalha individual do nosso desenvolvimento mediúnico: o trabalho interno que precisamos fazer para que o campo fique limpo, pronto para a semeadura que virá, na vontade de Zambi manifesta pelos caboclos, pelos pretos, pelas crianças e por todas as entidades que trabalham para a melhora da humanidade.
Refletindo sobre a complexidade e dificuldade para trabalhar minha dimensão espiritual percebo como foi bom ter transformado em consequência o objetivo que eu tinha de desenvolver minha mediunidade. É como se eu tivesse tirado um peso dos meus ombros, tirado algo que me distraia do que é realmente importante para mim: o meu movimento em direção de me tornar alguém melhor a cada dia.
O caminho a percorrer para este aprendizado ainda é imenso. O que mudou é que não me incomodo mais com a chegada, me concentro em aprender com a caminhada.
Hilton Azevedo
www.terreiropaimaneco.org.br

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Caboclo Pena Verde


Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha...

É de uma Tribo Asteca, oriunda dos Estados Unidos que veio migrando até chegar na Amazônia, onde se instalou.
Sua aparência: usava calça de couro, tinha cabelos longos e grisalhos e seu penacho, longo, tinha as cores (verde, vermelha e branca) cada cor representada um irmão.
Relatou que para um índio se tornar pagé, tinha que participar de um ritual: caçar e trazer um javali para a tribo;
Quando Pene Verde foi participar deste ritual, tinha mais um adversário, o vencedor seria quem trouxesse a presa primeiro;
Os dois saíram para a missão no mesmo dia. O seu adversário voltou no dia seguinte com um javali abatido.
Pena Verde só retornou após 30 dias, o impressionante é que ele não precisou abater o javali, durante este período ficou observando o comportamento e foi se aproximando até domá-lo. Só então retornou para a tribo. Entrou triunfante, montado no animal!
Tinha dois guerreiros que considerava seus braços, o filho e o sobrinho.
Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha, antes de morrer, pediu a Tupã para ver quem era o autor de tamanha atrocidade. Poucos minutos se passaram e ele pode ver seus guerreiros sendo massacrados, mulheres e crianças sofrendo as maiores barbaridades, então virou-se para trás e pode ver que o seu querido sobrinho a quem tinha tanta estima e confiança era o mentor do ataque.
Para que morresse em paz, Pena Verde perdoou seu sobrinho, tirou a flecha das costas e partiu!

Fonte: www.terreiropaimaneco.org.br

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Exu Tatá Caveira: Um relato


Relato do Sr. Exu Tata Caveira na Gira de desenvolvimento - Dia 02 de novembro de 2008
“Eu era um desses homens de preto, que usava chapéu e ia rezar para quem estivesse desencarnando, com meu livro ´embaixo do sovaco`. Em casas ricas recebia quadros, ouro, cavalos, carroças carregadas de milho, feijão e arroz. Nas casas pobras, recebia o que tinha - uma galinha, meia duzia de ovos, o único pão, a última carne que tinha na casa do filho - em nome de um papel que eu carregava, numa época em que só valiam as riquezas, o quanto pudesse carregar. Por isso, quando desencarnei, fui parar no portão do cemitério, para receber quem ter e quem não tem, quem se cobre com jornal ou com o maior dos tesouros.
Eu sei o valor da pedra que vocês chutam e também do carvão lapidado no dedo e no pescoço de uma bela dama.
Respeitem os Exus, porque eles vivem suas alegrias e choram suas tristezas. Somos nós que esperamos vocês na concepção e no desencarne.
Estar incorporado é deixar o espírito ir e vir e deixar o espírito caminhar dentro de você. Nós vemos o mundo através de vocês, através das limitações de vocês, porque a nossa visão é mais ampla, vai além do que vocês podem ver. Nós preferimos incorporar aqui do que soltar os gritos na imensidão e as pessoas ouvirem errado e fazerem o mal. Nós, espíritos de luz, nos limitamos aos corpos de vocês, porque é melhor fazer 50 filhos nos ouvirem de cada vez do que virar uma nação inteira do avesso. Se viverem a vida com equilibrio, nós somos os mentores que vão encaminhar vocês para uma boa caminhada. Quem fizer o mal, são os exus que fazem com que ele volte para você. Estamos na Umbanda, na Igreja com os padres, na detenção com os presos...
Não tive encarnação como preto, romano, não fui de nenhum exército e nem quis ser índio. Tenho mil, dois mil, três mil ou até mais anos, mas com sabedoria e por causa dela, pude escolher onde estou e eu quis estar ao lado dos filhos.”
“ Ninguem é tão bom que incorpore Jesus Cristo, nem tão ruim que incorpore o Diabo”
“As vezes você fica ouvindo aquelas vozes no ouvido dizendo o que fazer, de certo e errado, e você pensa que são um anjo e um diabinho. A voz que te fala coisas corretas somos nós e o demônio, são vocês mesmos.”
“Sou eu quem estou no portão do cemitério recebendo quem passa encarnado e diz ´Saravá` , quem passa desencarnado ainda com lágrima nos olhos e quem passa com lágrima nos olhos para se despedir de quem ama.”
Sr. Exu Tata Caveira

Fonte: www.terreiropaimaneco.org.br

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Oração a São Miguel Arcanjo


Ó Grande São Miguel Arcanjo, príncipe e chefe das legiões angélicas, penetrado do sentimento de vossa grandeza, de vossa, bondade e vosso poder, em presença da adorável Santíssima Trindade, da Virgem Maria e toda a corte celeste, eu (nome), venho hoje consagrar minha família a vós. Quero, com minha família, vos honrar e invocar fielmente.

Recebei-nos sob vossa especial proteção e dignai-vos desde então velar sobre os nossos interesses espirituais e temporais. Conservai entre nós a perfeita união do espírito dos corações e do amor familiar.

Defendei-nos contra o ataque inimigo, preservai-nos de todo mal e, particularmente, da desgraça de ofender a Deus. Que por nossos cuidados, devotados e vigilantes, cheguemos todos à felicidade eterna. Dignai-vos, grande São Miguel Arcanjo, reunir todos os membros de nossa família. Amém.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O que podemos compreender pelo termo Exu?

Pergunta: O que podemos compreender pelo termo Exu? Verificamos ainda muita confusão em meio a real ação destes espíritos, poderia nos explicar?

Sete: Ainda encontramos na roupagem de carne muita gente sendo “porta voz de morto” filho, criando suas próprias verdades que nem sempre estão pautadas no bom senso! Criam ritos, rituais, iniciações e muitos códigos secretos quando na realidade a simplicidade e objetividade dos trabalhos desenvolvidos pelos espíritos é mais simples do que possamos imaginar, assim se dá com Exu também.
Temos duas qualidades do termo Exu.


1.Como força da natureza, ligada a energia de Orixá, onde existem as energias oriundas do polo negativo desta força e tome cuidado para não interpretar negativo como propagador do mal, mas somente como uma polaridade.

2.Como entidade atuande, onde existem as chamadas falanges ou para ficar mais claro a compreensão “grupos de trabalho” onde cada grupo tem uma função na criação ligada a força manifestadora da natureza ou “Orixá Exu”.

Os Exus, atuam na organização do plano negativo, onde se reunem seres que se afinizam pelo padrão vibratório denso que criaram em suas vidas e após o seu desencarne, são atraídos pela sintonia vibratória que criaram em torno de si.
Nestas localidade chamadas de Umbral, trevas , vales sombrios e demais alegorias que cada cultura denomina se encontram espíritos que estão comprometidos com suas consciências e a função da entidade Exu nestes locais é manter a ordem e promover o equilibrio energético dos mesmos, através de várias ações, uma delas e dando a segurança para que equipes socorristas possam atuar nestes campos para promover o resgate e o encaminhamento destes espíritos.
Associado as casas espiritualistas e espiritas, Umbandistas e demais casas afros brasileiras, encontramos a figura de Exu como o que vela pela segurança energética destes locais, formando campos de forças que atuam dentro de uma determinada frequência vibratória para que as atividades internas corram na mais plena harmonia.
Infelizmente ainda notamos muito “teatro” praticado nestes locais onde se prega mais ilusão do que verdade na tarefa desenvolvida por Exu.
Médiuns despreparados e movidos pelo animismo doentio de suas mentes despreparadas para o mediunato, criam a imagem de Exu ligada ao “mito”, distribuindo ebós, despachos e pregando a ilusão na imagem daquele que serve somente a lei e a justiça.
Tais atos vale lembrar filho abrem portas para a ilusão que atraí os chamados “quiumbas” espíritos de uma classe extremamente leviana ques e utilizam destes médiuns para criar os cenários doentios que ainda hoje presenciamos em algumas casas, acabando no despacho da encruzilhada, local este totalmente despreparado no meio urbano para tal atividade dita “espiritual”
Exus é o sentinela, o guardião ou ainda aquele que defende, o nome pouco importa, mas o que vale é saibamos compreender qual a finalidade que o mesmo desenvolve.
Os excessos como bebidas, velas pretas, ebós se perderam na ilusão popular, onde o fator de força esta na natureza que acaba sendo a mais prejudicada com tudo isso.
Atos como palavrões, leviandade e desrepeito para com o consulente estão mais ligados ao médium que traduz aquilo que leva dentro de si do que da personalidade de um Exu.
Exus são servidores da luz que atuam dentro das trevas que são criadas pelos próprios viventes.
Se faz necessário que os cultos se espiritualizem e que o fator energético além de estudado seja práticado, não se dando espaço somente para o elemento material que na maioria das vezes serve mais de muleta psiquica.


Com muito axé a todos!

Sete
Canalizado por GÉRO MAITA

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

NÃO TENHO VERGONHA DE DIZER EU SOU UMBANDISTA, E DAÍ????

Texto de Etiene Sales

 Eu sou Umbandista… Mas o que é isso? O que é ser Umbandista?
É não ter vergonha de dizer: “Eu sou Umbandista”.
É não ter vergonha de ser identificado como Umbandista.
É se dar,acima de tudo a um trabalho espiritual.
É saber que um terreiro, um centro, uma casa de Umbanda é um local espiritual e não a Religião de Umbanda em seu todo, mas todos os terreiros, centros e casas de Umbanda, representam a Religião de Umbanda.
É saber respeitar para ser respeitado, é saber amar para ser amado ,é saber ouvir para ser escutado, é saber dar um pouco de si para receber um pouco de Deus dentro de si.
É saber que a Umbanda não faz milagres, quem os faz é Deus e quem os recebe os mereceu.
É saber que uma casa de Umbanda não vende nem dá salvação, mas oferece ajuda aos que querem encontrar um caminho.
É ter respeito por sua casa, por seu sacerdote e pela Religião de Umbanda como um todo: irmandade.
É saber conversar com seu sacerdote e retirar suas dúvidas.
É saber que nem sempre estamos preparados. Que são necessários sacrifícios, tempo e dedicação para o sacerdócio.
É entrar em um terreiro sem ter hora para sair ou sair do terreiro após o último consulente ser atendido.
É mesmo sem fumar e beber dar liberdade aos meus guias para que eles utilizem esses materiais para ajudar ao próximo, confiando que me deixem sempre bem após as sessões.
É me dar ao meu Orixá para que ele me possua com sua força e me deixe um pouco dessa força para que eu possa viver meu dia-a-dia numa luta constante em benefício dos que precisam de auxílio espiritual.
É sofrer por não negar o que sou e ser o que sou com dignidade, com amor e dedicação.
É ser chamado de atrasado, de sujo, de ignorante, conservador, alienígena, louco. E ainda assim amar minha religião e defendê-la com todo carinho e amor que ela merece.
É ser ofendido físico, espiritual e moralmente, mas mesmo assim continuar amando minha Umbanda.
É ser chamado de adorador do Diabo, de Satanás, de servo dos encostos e mesmo assim levantar a cabeça, sorrir e seguir em frente com dignidade.
É ser Umbandista e pedindo sempre a Zambi para que eu nunca esteja Umbandista.
É acreditar mesmo nos piores momentos, com a pior das doenças, estando um caco espiritual e material, que os Orixás e os guias, mesmo que não possam nos tirar dessas situações, estarão ali, ao nosso lado, momento a momento nos dando força e coragem; ser Umbandista é acima de tudo acreditar nos Orixás e nos guias, pois eles representam a essência e a pureza de Deus.
É dizer sim, onde os outros dizem não!
É saber respeitar o que o outro faz como Umbanda, mesmo que seja diferente da nossa, mas sabendo que existe um propósito no que ambos estão fazendo.
É vestir o branco sem vaidade.
É alguém que você nunca viu te agradecer porque um dos seus guias a ajudou e não ter orgulho.
É colocar suas guias e sentir o peso de uma responsabilidade onde muitos possam ver ostentação.
É chorar, sorrir, andar, respirar e viver dentro de uma religião sem querer nada em troca.
É ter vergonha de pedir aos Orixás por você, mas não ter vergonha de pedir pelos outros.
É não ter vergonha de levar uma oferenda em uma praia ou mata, nem ter vergonha de exercer a nossa religiosidade diante dos outros.
É estar sempre pronto para servir a espiritualidade, seja no terreiro, seja numa encruza, seja na calunga, seja no cemitério, seja na macaia, seja nos caminhos. Seja em qualquer lugar onde nosso trabalho seja necessário.
É se alegrar por saber que a Umbanda é uma religião maravilhosa, mas também sofrer porque os Umbandistas ainda são tão preconceituosos uns com os outros.
É ficar incorporado 5, 6 horas em cada uma das giras, sentindo seu corpo moído e ao mesmo tempo sentir a satisfação e o bem estar por mais um dia de trabalho.
É sentir a força do zoar dos atabaques, sua vibração, sua importância, sua ação, sua força dentro de uma gira e no trabalho espiritual.
É arriar a oferenda para o Orixá e receber seu Axé.
É ver um consulente entrar no terreiro chorando e vê-lo mais tarde sair do terreiro sorrindo.
É ter esperança que um dia, nós Umbandistas, acharemos a receita do respeito mútuo.
É ser Umbandista mesmo que outros digam que o que você faz, sua prática, sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua dedicação, seu suor, suas lágrimas e sacrifício, não sejam Umbanda.
É saber que existe vaidade mesmo quando alguém diz que não têm vaidade: vaidade de não ter vaidade.
É saber o que significa a Umbanda não para você,mas para todos.
É saber que as palavras somente não bastam. Deve haver atitude junto com as palavras: falar e fazer, pensar e ser, ser e nunca estar.
É saber que a Umbanda não vê cor, não vê raça, não vê status social, não vê poder econômico, não vê credo. Só vê ajuda, caridade, luta, justiça, cura, lágrima… e bom, mal e bem…Os problemas, as necessidades e a ajuda para solucionar os problemas de quem a procura.
É saber que a Umbanda é livre; não tem dono, não tem Papa, mas está aí para ajudar e servir a todos que a procuram.
É saber que você não escolheu a Umbanda, mas que a Umbanda escolheu você.
É amar com todas as forças essa Religião maravilhosa chamada Umbanda.