sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Umbanda: Uma religião brasileira

PAI ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES 
Pintado pelas mãos de Claudio Gianfardoni

A ORIGEM DA UMBANDA
15 DE NOVEMBRO DE 1908
ZÉLIO DE MORAES E 
O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS
A primeira manifestação de Umbanda com registro histórico é a do Caboclo das Sete Encruzilhadas em seu médium Zélio Fernandino de Moraes em 15 de Novembro de 1908. Assim como a Tenda Nossa Senhora da Piedade, fundada por Zélio de Moraes, é o primeiro Templo de Umbanda registrado no Brasil.
Por isso, os fatos que ali aconteceram são de fundamental importância a todos nós, como fatos que marcam profundamente o nascimento, no Brasil, da Umbanda no plano material.
Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de Abril de 1892, no distrito de Neves, município de São Gonçalo das Neves - Rio de Janeiro. Filho de Joaquim Fernandino Costa (oficial da Marinha) e Leonor de Moraes.
Em 1908, aos 17 anos, Zélio de Moraes havia concluído o curso propedêutico (ensino médio) e preparava-se para ingressar na escola Naval, a exemplo de seu pai, foi quando fatos estranhos começaram a acontecer na vida dele. Em alguns momentos Zélio de Moraes era visto falando manso, com a postura de um velho, em sotaque diferente de sua região, dizendo coisas aparentemente desconexas. Em outros momentos parecia um felino lépido e desembaraçado, mostrando conhecer todos os mistérios da natureza. Isso logo chamou a atenção da família, preocupada com a situação mental do rapaz que se preparava para seguir carreira militar, os "ataques" se tornaram cada vez mais frequentes.
Assim, Zélio de Moraes foi encaminhado a seu Tio, Dr. Epaminondas de Moraes, médico psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após vários dias de observação, não encontrando seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu a família que o encaminhasse a um padre, para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estava "endemoniado".
Foi chamado um outro parente, tio de Zélio, padre católico que realizou o dito exorcismo para livrá-lo da possível "presença do demônio" e saná-lo dos ataques. No entanto este e outros dois exorcismos, acompanhados de outros sacerdotes católicos, não resolveram a situação e as manifestações prosseguiram. Algum tempo depois Zélio de Moraes foi tomado por uma paralisia parcial, a qual os médicos não conseguiam entender. Um belo dia o rapaz levanta-se de seu leito e diz: "amanhã estarei curado" e no dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. 
Um amigo sugeriu encaminhá-lo a recém fundada Federação Kardecista de Niterói, município vizinho a São Gonçalo das Neves onde residia a família Moraes. A Federação era então presidida pelo Sr. José de Sousa, chefe de um departamento da marinha chamado Toque Toque.
Zélio Fernandino de Moraes então foi conduzido a esta Federação no dia 15 de Novembro de 1908, na presença do Sr. José de Sousa, estava ele em meio aos ataques reconhecidos como manifestações mediúnicas. Convidado a sentar-se à mesa logo em seguida levantou-se, contrariando as normas do culto estabelecido pela instituição, afirmou que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde se realizava o trabalho.
Frei Gabriel de Malagrida
Uma das encarnações do
Caboclo das Sete Encruzilhadas
Sr. José de Sousa, que possuía também a clarividência, verificou a presença de um espírito manifestado através de Zélio de Moraes e passou ao dialogo a seguir:
Sr. José: Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?

O espírito: Eu? Eu sou apenas um caboclo brasileiro. 
Sr. José: Você se identifica como caboclo, mas vejo em você restos de vestes clericais. 
O espírito: O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel de Malagrida, acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas em minha última existência física Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro. 

Sr. José: E qual é seu nome?



Caboclo das Sete Encruzilhadas
Pintado pelo médium Jurandir da
Tenda Espírita N.Sª da Piedade
O espírito: Se é preciso que eu tenha um nome, digam que eu sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda uma Religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos. 
E no desenrolar da conversa Sr. José pergunta ainda se já não existem religiões suficientes, fazendo inclusive menção ao Espiritismo. 

O espírito: Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre poderoso ou humilde, todos tornam-se iguais na morte, mas vocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar estas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar estes humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além? 

Porque não aos Caboclos e Pretos Velhos? Acaso não foram eles também filhos do mesmo Deus?... Amanhã, na casa onde meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer Entidade que queira ou precise se manifestar, independente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos, nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas a nenhum diremos não, pois esta é à vontade do Pai.

Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade
Sr. José: E que nome darão a esta Igreja? 


O espírito: Tenda Nossa Senhora da Piedade, pois da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrerem da Umbanda.


No dia seguinte, na rua Floriano Peixoto, 30 – Neves – São Gonçalo – RJ, próximo das 20:00 horas, estavam presentes membros da Federação Espírita, parentes, amigos, vizinhos e uma multidão de desconhecidos e curiosos. Pontualmente às 20:00h o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou e com as palavras abaixo iniciou seu culto:
“Vim para fundar a Umbanda no Brasil, 

aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de Pretos Velhos africanos e os Índios nativos de nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto”.

Pai Antonio, Entidade que trouxe o
1º Ponto Cantado da Umbanda e
também os 1º elementos a serem usados
nos Trabalhos: o cachimbo e a guia.
A seguir o 1º Ponto Cantado em
um Terreiro de Umbanda
(Tenda Espírita N.Sª da Piedade):

Minha cachimba tá no toco
Manda muréque buscá
Minha cachimba tá no toco
Manda muréque buscá

No alto da derrubada
minha cachimba ficou lá
No alto da derrubada
minha cachimba ficou lá...
Após trabalhar fazendo previsões, Passe e Doutrina, informou que devia se retirar, pois outra Entidade precisava se manifestar. Após a “subida” do Caboclo incorporou uma Entidade reconhecida como Preto Velho, saindo da mesa se dirigiu a um canto da sala onde permaneceu agachado. Sendo questionado o porquê de não ficar na mesa respondeu: - Nego num senta não meu sinhô, nego fica aqui mesmo! Isso é coisa de sinhô branco e nego deve arespeitá! após insistência ainda completou: - Num carece preocupá não! Nego fica no toco que é lugar de nego! E assim continuou dizendo outras coisas mostrando a simplicidade, humildade e mansidão daquele que trazendo o estereótipo do Preto Velho se fez identificar como Pai Antônio. Logo cativou a todos com seu jeito, ainda lhe perguntaram se ele não aceitava nenhum agrado, ao que respondeu: - Minha cachimba, nego qué o pito que deixou no toco, manda muréque buscá! Todos ficaram perplexos, estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento material de trabalho dentro da Umbanda. Na semana seguinte todos trouxeram cachimbos que sobraram diante da necessidade de apenas um para Pai Antônio. Assim o cachimbo foi instituído na linha de Pretos Velhos, sendo também ele a primeira Entidade a pedir uma guia (colar) de Trabalho. 

O pai de Zélio de Moraes frequentemente era abordado por pessoas que queriam saber como ele aceitava tudo isso que vinha acontecendo em sua residência, sua resposta era sempre a mesma em tom de brincadeira respondia que preferia um filho médium ao lugar de um filho louco.
Gongá de Pai Antonio, em Boca do Mato,
Cachoeiras de Macacú - R.J.
Foi um trabalho árduo e incessante para o esclarecimento, difusão e sedimentação da Religião de Umbanda. Enquanto Zélio de Moraes esteve encarnado foram fundadas mais de 10.000 Tendas. Após 55 anos de atividade entregou, a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia. Mais tarde, junto com sua esposa Maria Izabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo fundou a Cabana de Pai Antônio no distrito de Boca do Mato, município de Cachoeira do Macacú – RJ.



Pai Antonio incorporado em 
Zélio de Moraes na 
Cabana de Pai Antonio, 
em Cachoeiras de Macacú - R.J.




Zélio Fernandino de Moraes 
desencarnou no dia 
03 de Outubro de 1975
Palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas

"A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do Templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas Casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao Pai de Terreiro, como no coração do homem que fala à Mãe de Terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. 

Umbanda é humildade, amor e caridade - esta a nossa Bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxósse, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da Falange de Oxósse, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas Casas de Umbanda. 

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passarão pelas que safram desta Casa. 

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. 

Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste Templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. 

Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas".

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Possessão




O cavalheiro doente, na pequena fila de quatro pessoas que haviam comparecido à cata de socorro, parecia incomodado, aflito...
Articulava palavras que eu não conseguia registrar com clareza, quando o irmão Clementino, consultado por Áulus, disse, cortês, para o Assistente:
- Sim, já que o esforço se destina a estudos, permitiremos a manifestação.
Percebi que o nosso orientador solicitava alguma demonstração importante.
Convidados pelo instrutor, abeiramo-nos do moço enfermo que se fazia assistir por uma senhora de cabelos grisalhos, sua própria mãezinha.
Atendendo às recomendações do supervisor, os guardas admitiram a passagem de uma entidade evidentemente aloucada, que atravessou, de chifre as linhas vibratórias de contenção, vociferando, frenética:
- Pedro! Pedro!...
Parecia ter a visão centralizada no doente, porque nada mais fixava além dele. Alcançando o nosso irmão encarnado, este, de súbito, desfecha um grito agudo e cai desamparado.
A velha progenitora mal teve tempo de suavizar-lhe a queda espetacular.
De imediato, sob o comando de Clementino, Silva determinou que o rapaz fosse transferido para um leito de câmara próximo, isolando-o da assembléia.
Dona Celina foi incumbida do trabalho de assistência.
Junto dela acompanhamos o enfermo com carinhoso interesse.
As variadas tarefas do recinto prosseguiram sem quebra de ritmo, enquanto nos insulávamos no aposento para a cooperação que o caso exigia.
Pedro e o obsessor que o julgava parecia agora fundidos um no outro.
Eram dois contendores engafinhados em luta feroz.
Fitando o companheiro encarnado mais detidamente, concluí que o ataque epilético, com toda a sua sintomatologia clássica, surgia claramente reconhecível.
O doente trazia agora a face transfigurada por indefinível palidez, os músculos jaziam tetanizados e a cabeça, exibindo os dentes cerrados, mostrava-se flectida para trás, enquanto que os braços se assemelhavam a dois galhos de arvoredo, quando retorcidos pela tempestade.
Dona Celina e a matrona afetuosa acomodaram-no na cama e dispunham-se à prece, quando a rigidez do corpo se fez sucedida de estranhas convulsões a se estenderem aos olhos que se moviam em reviravoltas continuas.
A lividez do rosto deu lugar à vermelhidão que invadiu as faces congestas.
A respiração tornar-se angustiada, ao mesmo tempo que os esfíncteres se relaxavam, convertendo o enfermo em torturado vencido.
O insensível perseguidor como que se entranhara no corpo da vítima.
Pronunciava duras palavras, que somente nós outros conseguíamos assinalar, de vez que todas as funções sensoriais de Pedro se mostravam em deplorável inibição.
Dona Celina, afagando o doente, pressentia a gravidade do mal e registrava a presença do visitante infeliz, contudo, permanecia alerta de modo a manter-se, valorosa, em condições de auxiliá-lo.
Anotei-lhe a cautela para não se apassivar, a fim de seguir, por si própria, todos os trâmites do socorro.
Bondosa, tentou estabelecer um entendimento com o verdugo, mas em vão.
O desventurado continuava gritando para os nossos ouvidos, sem acolher-lhe os apelos comovedores.
- Vingar-me-ei! Vingar-me-ei! Farei justiça por minhas próprias mãos!... – bradava, colérico.
Repreensões injuriosas apagavam-se na sombra, porquanto não conseguiam exteriorizar-se através das cordas vocais da vítima, a contorcer-se.
Permanecia o cavalheiro plenamente ligado ao algoz que tomara de inopino. O córtex cerebral apresentava-se envolvido de escura massa fluídica.
Reconhecíamos no moço incapacidade de qualquer domínio sobre si mesmo.
Acariciando-lhe a fronte suarenta, Áulus informou, compadecido:
- É a possessão completa ou a epilepsia essencial.
- Nosso amigo está inconsciente? – aventurou Hilário, entre a curiosidade e o respeito.
 
Livro: “Nos Domínios da Mediunidade” Psicografia: Francisco Candido Xavier. Pelo espírito: André Luiz

domingo, 26 de agosto de 2012

Neurônios e Consciência


Joanna de Ângelis / Divaldo Franco

A visão materialista, a respeito do ser humano, com a sua proposta fatalista sobre o determinismo biológico apresenta, na sua essência, uma expressiva contribuição de estímulo à insensatez, às perversidade e à desestabilização moral, por liberá-lo de qualquer responsabilidade ante os acontecimentos do seu dia-a-dia.

Guiado pelos automatismos bioquímicos do cérebro, gera o reducionismo que o propele a ser aquilo que se encontra desenhado nos refolhos da sua constituição neuronal.

Os sentimentos de bondade, de beleza, de perfeição, como os de criminalidade, de desconsertos morais, de conduta e de conquistas ou prejuízos resultariam, desse impositivo determinante, do qual ninguém foge.

Os fatores psicossociais, sócio-educacionais, sócio-econômicos poderão contribuir para amenizar circunstâncias, realizações vitais e suas conseqüências, não porém, para alterar o curso existencial, face a essa fatalidade desastrosa da origem.

Tal conceito, além de caótico é, ao mesmo tempo, cômodo, por isentar de esforço e de respeito por si mesmo, todo aquele que se sente impulsionado à conduta agressiva, delinqüente ou vulgar, que se permite.

O ser neuronal exclusivamente será sempre vítima das disposições dos equipamentos cerebrais que dele fazem um anjo ou um revel, um gênio ou um monstro.

Certamente, não se pode desconsiderar os contributos do bioquimismo cerebral na existência humana. Isto, no entanto, não constitui a causa única de êxito ou de insucesso, de moralidade ou desgraça, em razão de se encontrarem esses neurônios estruturados nas mensagens que procedem das tecelagens mui sutis do perispírito, no qual, as redes que os constituem têm as suas gêneses - as conquistas e os danos operados pelo Espírito.

Sendo a consciência uma conquista do Espírito e não uma secreção neuronal, tal conhecimento altera o quadro da responsabilidade do ser perante ele próprio, a vida e a humanidade, porquanto confere-lhe o discernimento, a lucidez, a livre opção para agir.

Harmonia ou instabilidade emocional, psíquica e orgânica, procedem do ser imortal, cujas realizações imprime na constituição biológica através da reencarnação.

À educação compete o desenvolvimento dos valores em germe sob o apoio dos sentimentos que elaboram a realidade de cada qual.

*

O fatalismo biológico desenvolve-se nos moldes da energia perispiritual, que faculta à mitose celular reproduzir-se de maneira que ajusta os órgãos no campo vibratório que lhe é próprio.

Sendo a mente uma faculdade do Espírito e não do cérebro, que tem a função de decodificá-la, ajustando-a às possibilidades do seu desenvolvimento intelectual, direciona o processo da reencarnação conforme as realizações em precedentes existências das quais procede.

A mente pensa sem o cérebro e comunica-se após a morte do corpo, enquanto que, danificado ou sem a ação que dela se origina, ele é incapaz de pensar.

Processos bioquímicos são destituídos de discernimento para gerar idéias e selecioná-las, não obstante esses impulsos as possam arquivar nos refolhos das zonas da memória, que se liga por mecanismos mui específicos ao Espírito de onde procedem.

Outrossim, os variantes níveis de consciência jamais resultam da freqüência dos hormônios neuronais, e das cerebrinas ou de outros fatores biológicos, em razão do processo evolutivo que fixa cada período, emulando o ser a conquistas mais expressivas e elevadas.

A máquina, seja qual for, é destituída de espontaneidade, não funcionando sem o auxílio daquele que a elaborou. Por mais complexo e admirável seja o seu mecanismo, o agente independe-lhe, embora ela não o dispense.

Os impulsos cerebrais, as sinapses responsáveis pela preservação da vida orgânica decorrem do agente que a organiza e direciona, mesmo que sem consciência do processo estruturado nas Leis da Vida, que estabeleceram a mecânica da reencarnação.

Sem o ser causal, não há funcionamento no conjunto orgânico temporal.

*

A consciência cresce e desenvolve-se à medida que o Espírito adquire experiência através das reencarnações. Em uma existência apenas, torna-se irrealizável o esforço de alcançar os patamares elevados, a perfeita integração com a Cósmica. Entretanto, degrau a degrau, vivenciando as realizações e incorporando-as ao patrimônio intelecto-moral, momento surge em que o conhecimento discerne e age em consonância com os Divinos Códigos, passando, então, a viver o patamar libertador.

Todas essas conquistas são impressas nos neurônios cerebrais através dos processos bioquímicos propiciados pelo perispírito e manifestando-se no comportamento do ser humano.

A mente pensa sem o cérebro e comunica-se após a morte do corpo

domingo, 19 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

EXÚ GIRA MUNDO

Seu Gira-Mundo é de serventia de Xangô, trabalha no corte de negativos e desmancho de trabalhos de baixa magia cortando correntes numa situação tormentosa, de correntes de atrito de ordem astral percebendo-se males cardíacos; desenrola (dentro da linha justa) casos arrastados na justiça tendo trabalhos de magia interferindo no andamento e descarga e desimpregnação nos filhos de Xangô. Pode-se dizer que ele é o "machado" de Xangô é a lâmina do corte da justiça divina de Xangô, o grande executor.
Este Exu não é muito fácil de se ver em terra, pois seus aparelhos de ação são muito cobrados por este grande Maioral, este Exu é a solidificação do fogo sagrado, um grande justiceiro e manipulador das energias do fogo. Como todo maioral este Exu é incompreendido, pois por serem os justiceiros cármicos são a linha de frente da justiça de Xangô "quem deve paga, quem merece recebe".
  • Ponto a Exú Gira-Mundo


  • Girou,girou
  • Girou,girou
  • Girou Exu Gira-Mundo
  • Girou,girou
  • Girou,girou
  • Exu, que vence demanda
  • É rei na encruza
  • Saravá Umbanda
  • ________________________
  • Seu Gira-Mundo é amigo e camarada
  • Seu Gira-Mundo é amigo e camarada
  • Ele sempre lhe dá tudo, mas nunca fica sem nada
  • Ele sempre lhe dá tudo, mas nunca fica sem nada
  • ____________________________
  • Que Oxalá nos abençoe sempre
  • Saravá .'

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Oração para Pai Ogum!

Pai que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós,
Em forma de prece, E que sejam ouvidas.
Que esta prece corra o mundo e universo
Chegue até os necessitados em forma de conforto para suas dores
Que corra os quatro cantos da Terra e chegue aos ouvidos de meus inimigos
Em forma de brado de advertência de um filho de Ogum
Que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o destino.
Ogum, padroeiro dos Agricultores Lavradores,
Fazei com que minhas ações sejam sempre férteis como trigo
Que cresce e alimenta a humanidade, nas suas ceias espirituais
Para que todos saibam que sou teu filho.
Ogum, senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho,
Que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor do teu exército
E que nas minhas caminhadas só hajam vitórias.
Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja vitorioso,
Pois nós, os vossos filhos conhecemos a luta, como esta que travo agora,
Embora sabendo que é só o começo,
Mas tendo o Senhor como meu Pai, Minha vitória será certa.
Ogum, meu Grande Pai e Protetor, fazei com que o meu dia de amanhã
Seja tão bom como o de ontem e hoje, que minhas estradas sejam sempre abertas,
Que eu trabalhe para que no meu jardim só haja flores,
Que meus pensamentos sejam sempre bons
E que aqueles que me procuram consigam sempre remédios para seus males.
Ogum, vencedor de demandas, que todos aqueles que cruzarem a minha estrada,
Cruzem com o propósito de engrandecer cada vez mais a Ordem dos Cavaleiros de Ogum.
Pai dai luz aos meus inimigos, pois eles me perseguem porque vivem nas trevas,
E na realidade só perseguem a luz que vós me destes.
Senhor, livrai-me das pragas, das doenças, das pestes, dos olhos grandes, da inveja,
Das mentiras e da vaidade que só leva a destruição.
E que todos aqueles que ouvirem esta prece,
E também aqueles que a tiverem em seu poder,
Estejam livres das maldades do mundo. Ogunhê
Saravá Ogum
Obrigado por tudo meu Pai.

Contribuição de Natália Cunha

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Se em outras encarnações você superou problemas complicadíssimos, por que desta vez você não conseguiria superá-los?

*Se em outras encarnações você superou problemas complicadíssimos, por que desta vez você não conseguiria superá-los? Nascendo várias vezes as pessoas vão aprendendo e amadurecendo. Em cada encarnação elas devem se esforçar para evoluir e aprender bastante. Portanto, desta vez você estará melhor preparado para enfrentar as dificuldades se usar o que já aprendeu em outras encarnações; será mais fácil superar as dificuldades se utilizar o que já desenvolveu.*

Trecho do livro* Nascer Várias Vezes*

sábado, 9 de junho de 2012

O que Mateus (4,4) ensina a nós umbandistas?

O que Mateus (4,4) ensina a nós umbandistas?

"Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus" (Mateus 4,4).
Esquecemos, na maioria das vezes, que ensinamentos espirituais legítimos, independentes de sua origem e forma de apresentação, têm um caráter universal.
Assim não prestamos muita atenção naquilo que procede da sabedoria de outras religiões, principalmente daquelas que geralmente discriminam a Umbanda.
Em Mateus, como destacamos acima, encontramos uma exortação para algo que deveríamos incorporar em nosso dia a dia como umbandistas - a PALAVRA!
Para os cristãos uma das principais interpretações deste versículo é de que não vivemos apenas do alimento corporal, mas também do alimento espiritual. Em outras palavras, como li em um fórum protestante, "precisamos de Deus em nossas vidas e não apenas das coisas materiais". Mais ainda, "temos que ter fome da palavra de Deus (Bíblia) para que possamos todo dia termos uma maior intimidade com Deus" [sic].
Sei o que vocês devem estar pensando... Está parecendo conversa de católico carismático e abordagem de evangélico pentecostal isso nada tem haver com a Umbanda. Ledo engano! Na minha humilde opinião rejeitamos a PALAVRA na mesma proporção que necessitamos dela em nossas vidas.
Fazendo uma breve analogia, o "pão" no versículo de Mateus remete ao alimento natural, ao plano material, por correlação ao que é físico, concreto e objetivo. Por outro lado, a "Palavra" remete a leitura, os ensinamentos e os estudos que alimentam alma, como também ao plano espiritual e por consequência o que é sutil, abstrato e subjetivo.
No movimento umbandista, já há bastante tempo, o "fenômeno" é o que de mais físico, objetivo e concreto tem relevância no dia a dia do adepto. Como fenômeno estou aqui denominando de uma forma ampla, todo o fato, aspecto ou ocorrência espiritual passível de observação e experiência pelas pessoas no nosso universo religioso.
Quando eu coloco a questão física, objetiva e concreta do fenômeno é porque invariavelmente as pessoas, sejam adeptas ou consulentes esperam sempre da religião algum tipo de resultado. Em outras palavras e sem querer generalizar, apenas quando o fenômeno gera algo de concreto é que acontece a conexão entre as pessoas e a Umbanda. O substrato gerado por essa conexão é o que chamamos de crença e não fé, já que fé, no meu entendimento, é totalmente diferente de crença, tem outra origem e composição. Esclarecendo melhor, na minha visão, CRENÇA é acreditar em algo com o mínimo de lógica e racionalidade de forma a conseguir argumentar e fundamentar ao menos para si mesmo. FÉ é "transintuitiva", vai além da racionalidade, pois ela é internalizada na alma. É ter certeza sem precisar de provas, é reconhecer a verdade sem precisar acreditar que ela o é.
Baseado nessa diferença é que muitos acreditam, creem, uma crença religiosa eivada de racionalismo (aqui colocado como "atividade do espírito de caráter meramente especulativo"), de obediência rigorosa á ortodoxia de doutrinas e respaldado por um pseudo-cientificismo religioso. A fé passa ao largo ou é confundida com tudo isso.
Para o adepto o fenômeno principal e imediato é a mediunidade e dentre os seus vários tipos de manifestação a mais desejada, a mediunidade de incorporação. É preciso se ter uma ou várias entidades e incorporar significa ser um igual aos demais médiuns da gira, fazer parte, conquistar um papel importante no seio de sua casa espiritual. Eu sempre exemplifico que o sonho de consumo de um adepto na religião segue o seguinte padrão, não necessariamente nesta ordem e sem a obrigação de englobar todos os tópicos, lembrando que cada caso é um caso:
1. Deseja frequentar um terreiro;
2. Ao freqüentar, quer fazer parte da corrente (vestir uma farda, ter uma guia no pescoço etc.);
3. Ser MÉDIUM preferencialmente de incorporação;
4. Ter um cargo hierárquico e/ou uma função de relevância;
5. Aprender sobre fundamentos e magia;
6. Ser consagrado sacerdote;
7. Por fim, ser um Sacerdote ou Sacerdotisa reconhecido(a), com casa aberta, assistência lotada, além de muitos filhos espirituais.
Evidentemente, que não vemos nada de errado em se almejar essas conquistas. O errado está em transformar tudo isso no motivo para ser umbandista, ou pior ainda, enxergar apenas isso na religião.
Para o consulente o fenômeno é o resultado alcançado, o "milagre" em sua vida, as realizações dos pedidos, a cura etc. O problema é que quanto mais resultados se obtêm, mais resultados se deseja alcançar. Usando uma analogia pobre é a mesma relação de uma torcida com o time de futebol da sua preferência. Enquanto o time está invicto e ganhando campeonatos tudo corre a mil maravilhas. Basta uma derrota ou uma sequência delas para a revolta tomar conta da torcida, sendo o responsável pela má fase e o primeiro a ser punido o técnico do time. Com o consulente não é diferente. Basta não se alcançar um resultado positivo, que a relação se deteriora e o até então poderoso Pai/Mãe-de-Santo , já não é mais visto com os mesmos olhos de admiração, respeito e confiança. Um "quê" de desconfiança começa a pairar no ar e acaba levando este consulente a ir atrás de outros que possam vir a de fato resolver a sua fieira interminável de necessidades, pedidos e desejos.
Sob esse prisma de resultados a qualquer custo, a todo tempo e hora e um atrás do outro, filhos espirituais agem muitas vezes como os consulentes e consulentes como filhos espirituais. Ambos se justapõem aos cobrarem seus direitos, resultados e os "milagres" (de preferência os de caráter material) que o Pai/Mãe-de-Santo devem concretizar em suas vidas. Responsabilidades e deveres para quê? Consciência das consequências de seus pedidos e desejos, nem pensar. Enxergar a falta de necessidade de muito dos pedidos ou resultados que se desejam alcançar isto sim é querer que um milagre aconteça.
Se fizermos uma enquete para sabermos o motivo pelo qual as pessoas são adeptos ou consulentes da Umbanda quantos responderiam:

a) quero me transformar em uma pessoa melhor;
b) quero evoluir espiritualmente;
c) desejo encontrar o Sagrado;
d) a Umbanda é o meu 'religare' com Deus e o mundo espiritual;
e) desejo praticar o bem, o amor e a caridade.
Se fosse um teste de respostas objetivas teríamos que acrescentar mais uma:
f) nenhuma das respostas anteriores.
Esta última seria a resposta mais marcada se as pessoas tivessem coragem de olhar no espelho de suas consciências respondendo a verdade.
Sei... Vocês acham que estou pegando pesado, carregando na tinta. A bem da verdade, um dos principais motivos que mantenho esse blog ativo é realizar um exercício pessoal de reflexão sobre a Umbanda e uma análise crítica do movimento umbandista.
Mais uma vez repito, eu enxergo uma diferença clara entre a Umbanda, a religião, e o movimento umbandista (conjunto das pessoas que dela fazem parte). A Umbanda é uma gnose completa em si mesma. Um religare legítimo, milenar, profundo e completo. O movimento umbandista, no entanto, com raríssimas exceções, está muito distanciado da essência da religião e preso por demais a forma. Importante frisar que não me considero incluso nas 'raríssimas exceções', ao contrário ainda tenho que derramar muito suor na lida umbandista para chegar lá.
Ao realizar uma análise crítica, o meu objetivo é colaborar para o despertar de uma atitude dos meus pares no intuito de mudar muitas das realidades equivocadas que encontramos no dia-a-dia do nosso movimento religioso. Realidades essas que por sua capilaridade e enraizamento em nosso seio geram uma percepção errônea da Umbanda. Haja visto, o estereótipo com que somos taxados: macumbeiros, catimbozeiros (sem que as pessoas tenham a mínima ideia do significado destes termos), praticantes do baixo espiritismo, da magia negra entre tanta coisa que imputam a todos nós.
Geralmente, a nossa reação é de classificarmos essas percepções errôneas como discriminação e preconceito, ou o termo mais em voga na atualidade, intolerância religiosa. Com respeito a isso nos valemos rapidamente das leis em vigor (graças a Zambi elas existem), defendemos arraigadamente nossos direitos de livre expressão religiosa, mas no entanto continuamos calados, sem tomarmos uma atitude, no mínimo proativa, para fazermos uma divisão, bem definida do que somos e praticamos, daquilo que os outros se valem da nossa religião para angariar lucros financeiros, por exemplo. ‘Pais e Mães de poste’ são representantes diretos do que estou falando.
Muitos desejam resolver essas realidades equivocadas através da fórmula mágica da ‘codificação’ e da ‘solução final’, ou seja, o expurgo do seio da religião de tudo aquilo que um conjunto de ‘eleitos’ definissem que: NÃO É UMBANDA!
Realizado essa faxina doutrinária e ritualística teríamos uma ‘umbanda’ alvíssima, limpa e completamente desinfetada, podendo assim iniciar o seu processo de reconhecimento por parte da sociedade e reclamar o seu direito inequívoco de igual às grandes religiões da civilização.
Evidentemente, que teríamos que formatar um código doutrinário e ritualístico, alguns dogmas seriam de bom tom que passassem a existir, precisaríamos de todo um conjunto de leis e um manual rígido de conduta moral, um tribunal eclesiático para aplicar essas leis seria necessário. Aos infratores uma punição exemplar, aos renitentes quem sabe se valer da velha e saneadora “caça às bruxas”, ou promover uma reedição umbandista da famigerada “inquisição”. Melhor ainda, que tal as escolas umbandistas serem taxadas de seitas heréticas e convocarmos uma ou várias ‘cruzadas’ para combater a heresia pagã?
Quem sabe decidirmos que todos os umbandistas nascem com o ‘pecado original’ da diversidade e que desta feita é necessário que ele siga a risca o catecismo desta nova ‘umbanda’ para ter então o direito de ir para o paraíso (Aruanda), caso contrário ao inferno (trevas). É claro se ele pagar corretamente as salvas de uma série de obrigações ao longo de sua vida umbandista, ele terá as indulgências necessárias para remir os seus pecados e diminuir os seus dias de trevas.
Brincadeiras à parte é preciso que se diga:
Antes de codificação precisamos é de CONSCIENTIZAÇÃO.
Menos forma mais ESSÊNCIA.
No lugar do que é e o que não é, IDENTIDADE.
Deixar de discussões sobre as nossas diferenças e buscar nos aproximar pelas SEMELHANÇAS.
Ao contrário de nos fascinarmos pelo fenômeno, nos encantarmos pela PALAVRA.
Huberto Rohden no livro “A Mensagem Viva do Cristo” comenta que: “Se o espírito humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé, embora talvez creia. Esse homem pode, em teoria, aceitar que Deus existe e, apesar disso, não ter fé"
Retornando a Mateus vimos que: "Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus"
Falta-nos conjugar o VERBO em nossas vidas. Falta o ensinamento e a prática da PALAVRA em muitas searas umbandistas.
PALAVRA que nos transformem em pessoas melhores, que nos religue conscientemente com o Sagrado.
PALAVRA exaustivamente expressa pela sabedoria do mundo espiritual umbandista (entidades espirituais) e que não consegue calar fundo em nossos espíritos tão preocupados e ocupados com a forma em detrimento da ESSÊNCIA.
Buscamos sim o conhecimento. Conhecimento este que satisfaça ao nosso intelecto. É só ver qual o tipo de estudos e ensinamentos são os mais procurado nos terreiros? Quais os tipos de cursos que interessam as pessoas? Mediunidade, Magia e Sacerdócio para ficarmos no exemplo. Estão errados os terreiros que promovem este tipo de aprendizado? Não. Como se estuda em economia é uma questão de oferta e demanda. Estarei então jogando a responsabilidade em cima das pessoas sobre o que lhes é ofertado? Sim estou, mas também chamo a co-reponsabilidade de dirigentes umbandistas para que isso não se transforme na única causa válida.
Esses tipos de estudos, ensinamentos e cursos fomentam para muitos apenas a crença e não a fé. Proporciona o aumento do conhecimento e não a conquista da sabedoria. Produz o desenvolvimento intelectual e não a evolução espiritual.
Ao valorizar o fenômeno no lugar da palavra nos aproximamos do efeito e não da causa. Nos distanciamos da origem e do cerne da questão de nossas existências.
Precisamos da PALAVRA que nos conecte, que realize a nossa comunhão com Deus, que nos sintonize com o Sagrado expresso na natureza e no mundo espiritual.
PALAVRA que nos restitua a fé, que transmute o nosso corpo em um verdadeiro templo espiritual e faça a nossa alma transcender do conhecimento adquirido (crença), para a consciência plena do microcosmo imerso no macrocosmo, do ser individual para o cidadão planetário, do ser espiritual kármico para o ser uno com o cosmo.
A Umbanda proporciona o caminho para que todos nós possamos Saber, Fazer, Viver e Ser com toda a plenitude espiritual. Para isso:
Não só do fenômeno deveria viver o umbandista…